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SİİRT HALKEVİ VE ONA BAĞLI HALKEVLERİ İLE HALKODALAR

Belgede Siirt halkevi ve faaliyetleri (sayfa 104-107)

referentes aos fatos objetivos, às normas sociais ou aos conteúdos subjetivos. Disponível em http:// pt.wikipedia.org/wiki/-J%C3%BCrgen_Habermas Acesso em: 28 de fevereiro de 2009.

20 IZUMINO,Wânia Pasinato. Violência contra as Mulheres e Violência de Gênero: Notas sobre Estu-

dos Feministas no Brasil. Disponível em http://www.nevusp.org/downloads/down083.pdf. Acesso em:

8 de março de 2009.

21 FRASER, Nancy. Reconhecimento sem ética? Disponível em http://www.scielo.br/-pdf/ln/n70/

fazendo do sujeito falsamente reconhecido um membro integral da sociedade, capaz de participar com os outros membros, efetivamente, como igual. Sig- nifi ca tratar as reivindicações por reconhecimento como reivindicações por justiça dentro de uma noção ampla de justiça.

Firmado o marco teórico, organizada a plataforma de ação, contendo as demandas das mulheres para as diversas áreas, onde se desenvolvem as políticas públicas e a cidadania ganha substância, chega o momento de implementar as reivindicações e mover o Estado brasileiro na direção da esperada democracia.

A contribuição do movimento de mulheres para a Constituição Federal de 1988, fruto do conhecido Lobby do Batom22, é indiscutível. A partir daí, signi- fi cativas mudanças ocorreram no ordenamento jurídico brasileiro, ao conferir status constitucional a muitas das históricas demandadas deste movimento.

Instaurou-se nova fase política no país, a fase da Constituição Cidadã, com a disposição de cláusulas pétreas que asseguram plena igualdade entre mulhe- res e homens, conforme inscrito no texto informativo do Relatório Nacional Brasileiro — informe sobre a situação da mulher no período compreendido entre 1985 e 200223, relacionado à Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher — CEDAW24:

22 O Lobby do Batom foi um movimento de sensibilização dos deputados e senadores sobre a relevância de

considerar as demandas das mulheres para a construção de uma sociedade guiada por uma Carta Magna verdadeiramente cidadã e democrática. De 1988 a 1996 o CNDM, juntamente com representações de organizações diversas de direitos das mulheres da sociedade civil , visitou quase que diariamente as lide- ranças e os diversos deputados, conversando, apresentando dados, estatísticas, testemunhos, denúncias, propostas. PITANGUY, Jacqueline. As Mulheres e a Constituição de 1988. Disponível em http://

www.cepia.org.br/images/nov089.pdf. Acesso em: 3 de março de 2009.

23 Nos termos do artigo 18 da Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher — CEDAW, os Estados-parte se comprometeram a submeter ao Comitê CEDAW relatórios pe- riódicos sobre as medidas legislativas, judiciárias e administrativas para tornarem efetivas as disposições da Convenção. Este informativo ofi cial foi o primeiro e reúne 5 relatórios em 1. Contém informações que deveriam ter sido elaboradas nos anos de 1985, 1989, 1993, 1997 e 2001. A negligência de diversos governos em relação ao compromisso internacional denota a indiferença com a questão da mulher no âmbito nacional, não obstante os avanços políticos conquistados, duramente, pelos movimentos nesses períodos. BRASIL. Presidência da República. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Parti-

cipação do Brasil na 29ª Sessão do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher CEDAW. Brasília, 2004. (Série Documentos). Disponível em http://www.agende.org.br/docs/File/pu-

blicacoes/publicacoes/O%20brasil%20e%20a%20-convencao.pdf. Acesso em: 2 de março de 2009. 24 A Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher — CEDAW

foi ratifi cada pelo Congresso Nacional em 1984. O artigo 18 da Convenção estabelece que os Estados- parte devem apresentar ao Comitê CEDAW, da Organização das Nações Unidas (ONU), relatórios pe- riódicos sobre as medidas legislativas, judiciárias, administrativas ou outras que adotarem para tornarem efetivas as disposições na Convenção e os avanços obtidos nestes campos. O primeiro relatório deve ser apresentado um ano após a ratifi cação da Convenção e os seguintes a cada quatro anos e toda vez que o Comitê vier a solicitar algum outro. Disponível em http://www.un.org/womenwatch-daw/cedaw/text/ sconvention.htm. Acesso em: 9 de março de 2009.

LEI MARIA DA PENHA 157

O êxito desse processo político que envolveu também as mais diferentes orga- nizações dos movimentos feministas e de mulheres, evidencia-se pela adoção de dispositivos constitucionais que asseguram plena igualdade entre mulheres e homens:

a) igualdade entre homens e mulheres na vida pública e na vida privada; b) proibição da discriminação no mercado de trabalho, por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

c) proteção especial da mulher no mercado de trabalho mediante incentivos específi cos;

d) concessão do título de domínio e de uso de imóveis rurais a homens, mu- lheres, ou a ambos, independentemente do estado civil;

e) planejamento familiar como livre decisão do casal, devendo o Estado pro- piciar recursos educacionais e científi cos para o exercício desse direito; f) dever do Estado de coibir a violência no âmbito das relações familiares.

Ao lado de um reconhecido vigor do movimento de mulheres brasileiro, vitorioso no embate para alçar em nível constitucional dimensões relaciona- das à condição da mulher, a atuação das agências internacionais, sobretudo do sistema da Organização das Nações Unidas, colaborou com o estabelecimento de novos pilares políticos e jurídicos, condizentes com os documentos inter- nacionais atinentes à temática e fi rmados pelo Brasil, que se multiplicaram na década de 90.

Assim, o novo status constitucional para a mulher, somado à normativa in- ternacional correspondente, fortalece novas demandas emergentes de planos de ação articulados pelas mulheres, em nível nacional, com impacto também nos estados da Federação que se transmudavam nos processos constituintes.

A resposta do Estado à ação planejada pelo movimento de mulheres, no período pré e pós-constituinte, favoreceu o advento de um tempo novo para as mulheres. Apesar de sofrerem percalços, ainda frutos da desigualdade material, hoje contam com sólida doutrina e variado arsenal de instrumentos institu- cionalizados nos distintos Poderes Constituídos, destinados a lhes assegurar os direitos formalmente conquistados e facilitar-lhes a inscrição de outros. Resta o desafi o de articular e ampliar estes instrumentos para circularem na República como sólida matriz da igualdade de gênero, reproduzindo ações globais que realizem a cidadania feminina; tempo de luta para estender o reconhecimento da diferença e demolir as barreiras de contenção do feminino.

2.2. Os Poderes Executivo e Legislativo

Os Poderes Executivo e Legislativo foram mais permeáveis às amplas reivin- dicações do movimento de mulheres. No curso do processo de retomada da democracia, esses Poderes cederam aos reclamos do movimento e passaram a se ocupar com a temática da condição feminina, transpondo para o nível de po- líticas públicas muitas das ações apresentadas em pauta reivindicatória, previa- mente difundida e conhecida no meio social, contida em Alertas Feministas25 dos anos eleitorais. Esses documentos, por anos sucessivamente apresentados, traduzem a atuação do movimento no intuito de avançar com a agenda política estabelecida.

Em 1982, o caráter político dos Estados brasileiros foi reformulado por eleições diretas para a chefi a do Poder Executivo. Readquiriram feições demo- cráticas, de nitidez diferenciada, refl etindo os distintos contextos políticos da Fe- deração. O movimento de mulheres alcança o espaço governamental, ocupando as brechas possíveis, criando locus próprio, os Conselhos da Mulher26, no nível federal, estadual e municipal, formados por critérios democráticos de partici- pação popular27. Com essa experiência pioneira, inaugura-se uma modalidade de controle social para a administração pública: por um lado, ao infl uenciar, diretamente, as decisões de Estado e operar políticas públicas inovadoras; por outro, ao sinalizar as lacunas existentes no planejamento e na execução dessas políticas, em grande parte desprovidas do respectivo orçamento. Para tal fato, as mulheres, tempos depois se voltaram, com atividades relacionadas ao orçamen- to participativo, com recorte de gênero28.

25 Alertas Feministas são informativos produzidos por articulações de grupos feministas, de diversas repre-

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