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Halkevlerinin Kuruluşuna Öncülük Eden Kişiler

Belgede Siirt halkevi ve faaliyetleri (sayfa 45-50)

2.1.2. Halkevlerinin Yayılma Süreci

2.1.2.1. Halkevlerinin Kuruluşuna Öncülük Eden Kişiler

Manifestações orais e escritas

de juízes e serventuários da Jus- tiça Federal eivadas de fatores impeditivos ou difi cultadores de sua inteligibilidade por parte dos jurisdicionados do tipo parte não-pública

Formação elitista e falha quanto à conscientiza- ção e à sensibilização linguística dos operado- res do Direito

de ele, como pessoa, na quase totalidade dos casos, naturalmente, por sua extração social e pelo segmento cultural a que pertence, não só compreende melhor a variante linguística, as estratégias discursivas e os valores sociocul- turais do representante da parte pública do que os da parte não-pública e/ou do representante desta, como deles compartilha. E mais, o juiz tem de fazer isso, buscando efetivamente assegurar a isonomia real das partes no processo, sem adotar uma postura paternalista e demagógica face à parte não-pública da relação processual.

Pereira115 é muito feliz ao observar, sobre a atuação do juiz no sistema dos JEFs, que:

Um papel mais ativo do juiz é fundamental para o bom funcionamento des- se novo modelo de prestação jurisdicional. Além disso, sempre que se lhe apre- sentar oportunidade, inclusive no corpo das decisões que proferir, deve o ma- gistrado procurar se manifestar de maneira pedagógica, a fi m de propiciar ao demandante nos Juizados Especiais Federais o máximo de informações que se lhe possa prestar, inclusive nas decisões contrárias aos seus interesses.116

4.4. A morosidade da Justiça

O art. 5º, LXXVIII, da CRFB/1988, acrescentado pela Emenda Constitucional 45/2004, dispõe que: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegu- rados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.

A grande maioria dos integrantes do Poder Judiciário — aí compreendi- dos não apenas os órgãos que compõem esse Poder, nos termos do art. 92 da CRFB/1988, mas, também, os serventuários da Justiça —, vem se empenhan- do no sentido do cumprimento do referido preceito constitucional. Contudo, há que se reconhecer que o mesmo não vem sendo atendido a contento, como

115 PEREIRA, Guilherme Bollorini, op. cit., p. 39.

116 Na esteira da proposta do ilustre juiz Federal Guilherme Bollorini Pereira, aponto como uma outra for- ma de atuação pedagógica do juiz, a de ele buscar explicar, de forma clara e didática, nas audiências que realiza, não apenas às partes e às testemunhas, mas, também, aos estudantes de Direito a elas presentes, a razão de ser e a relevância dos diferentes atos processuais em curso, para que o processo possa chegar a bom termo e a lide possa vir a ser solucionada da forma mais justa possível. Posso dar meu testemunho pessoal de que a adoção desse tipo de postura por parte do juiz é muito bem recebida não apenas pelas partes, sobretudo as não-públicas, mas também por seus patronos, além de pelas testemunhas e pelos acadêmicos de Direito.

CONSIDERAÇÕES ACERCA DAS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DO ACESSO EFETIVO À JUSTIÇA 95

bem se sabe, e como a sociedade, não apenas por meio da mídia, mas sempre que é consultada a respeito do tema, não se cansa de proclamar.

Sem afastar a responsabilidade que o Poder Judiciário tem quanto a essa questão — que é vista pela sociedade, bem como por uma boa parte dos juí- zes117, como o maior mal da Justiça, e é uma das razões da descrença de muitos jurisdicionados quanto à efetividade social dos órgãos que a compõem, levan- do-os a não buscarem a prestação jurisdicional —, cumpre reconhecer que a chamada morosidade da Justiça não decorre apenas de problemas que compete ao Judiciário resolver. Ela é fruto, também, da atuação do Poder Legislativo e do Poder Executivo.

Não há como se negar que a lentidão da Justiça deriva, em larga medida, da inadequação das leis processuais vigentes — inclusive do sistema de re- cursos excessivamente generoso que as mesmas encerram — à dinâmica das relações sociais contemporâneas e às demandas de massa; da infl ação legisla- tiva e da má-técnica legislativa revelada na elaboração de tantas e tantas leis, bem como da proliferação do uso de conceitos abertos e indeterminados na formulação das leis, o que, como já observado, em muito difi culta a atividade do julgador. É fácil perceber que esses fatores, que são da esfera de responsa- bilidade do Poder Legislativo, em muito contribuem para alongar o tempo da prestação jurisdicional.

Não se pode esquecer o fato de que a morosidade do Poder Judiciário é também decorrente da judicialização da política, referida na subseção 3.2. deste trabalho.

A morosidade do atuar da Justiça resulta, também, do assoberbamento do Poder Judiciário, em particular da Justiça Federal, e dentro desta, dos JEFs, por uma verdadeira avalanche de feitos decorrentes da atuação do Poder Executivo. Muitos desses feitos versam sobre interesses e direitos individuais homogêneos derivados de uma origem comum, consubstanciada em atos tan- tas vezes arbitrários, ilegais e inconstitucionais do Poder Executivo, muitos deles associados aos expurgos infl acionários decorrentes dos planos econô- micos de combate à infl ação. Outros tantos deles têm por origem a prática reiterada de atos ilegais e/ou inconstitucionais por parte das rés habituais

117 GUERREIRO, op. cit., p. 2, por exemplo, afi rma que “[o] mal maior que afl ige o Poder Judiciário Nacional é, sem a menor sombra de dúvidas, a lentidão na entrega da prestação jurisdicional”, e aponta como causas da demora na entrega desta (op. cit, p. 3-9): (1) a explosão dos feitos judiciais, (2) a forma de seleção dos juízes e a falta de juízes; (3) o desaparelhamento do apoio na 1ª instância; (4) o formalismo excessivo nas leis processuais e (5) o sistema irracional de recursos. Destas, as causas de números (2) e (3) são internas ao Poder Judiciário; as demais, contudo, são externas ao mesmo, sendo a de número (1), em geral, devida à atuação do Poder Executivo e as de números (4) e (5), à atuação, ou falta de atuação, do Poder Legislativo.

dos JEFs, quais sejam, a própria União (sobretudo por meio do Ministério da Fazenda e dos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, su- bordinados ao Ministério da Defesa), as autarquias (dentre as quais o INSS ocupa uma posição de especial relevo), as fundações (como, por exemplo, as universidades públicas federais) e as empresas públicas federais (onde a CEF, sem sombra de dúvida, se destaca).

A título de ilustração, vejam-se as duas tabelas a seguir, relativas a dados referentes ao 1º Juizado Especial Federal de Nova Iguaçu (1º JEF/NI), cuja criação se deu em 19/04/2006 e cuja distribuição de processos foi iniciada em 01/05/2006. A escolha desse JEF, que é um Juizado eletrônico que trabalha com autos virtuais, se deveu ao fato de que seria possível ter um retrato fi el da distribuição integral dos processos cíveis do mesmo desde o início desta até 31/05/2007, na qual os referidos dados foram colhidos118.

A Tabela 1 se refere à entrada de processos, por matéria cível/réu, no 1º Juizado Especial Federal de Nova Iguaçu (1º JEF/NI), e refl ete, de forma clara, a posição de destaque que o INSS e a CEF têm nas ações ajuizadas nos JEFs na Justiça Federal.

A Tabela 2, por sua vez, apresenta, de forma analítica, os dados relativos à tramitação de feitos por tipo de réu no 1º JEF/NI, no mês de maio de 2007. Sem dúvida, os dados analisados com respeito à tramitação de processos na unidade jurisdicional em análise, naquele mês, confi rmam os fatos acima veri- fi cados, com respeito à distribuição de feitos por matéria/réus desde o início da distribuição até 31/05/2007.

Considerados os dados dessa tabela, tem-se que, no mês em questão, o INSS e a CEF, tomados conjuntamente, respondiam por quase 90% dos feitos em tramitação no referido JEF.

118 Esclareço que o termo fi nal de coleta dos dados em questão coincidiu com o término de minha atuação, como Juíza Federal Substituta, junto ao 1º JEF de Nova Iguaçu, no mês de maio de 2007.

119 As cartas foram excluídas da análise por duas razões: sua baixa frequência nos dados e o fato de não haver como correlacioná-las com as matérias cíveis e, por via de consequência, às rés.

CONSIDERAÇÕES A CERC A D AS CONDIÇÕES DE POSSIBILID ADE DO A CESSO EFETIV O À JUSTIÇA 97

Tabela 1 — 1º Juizado Especial Federal de Nova Iguaçu Entrada de processos por matéria cível/réu

01/05/2006 a 31/05/2007

Matéria Cível (RÉU)

M

ai 2006 Jun 2006 Jul 2006 Ago 2006 Set 2006 Out 2006 Nov 2006 ez 2006D Jan 2007 Fev 2007 Mar 2007 Abr 2007 Mai 2007 Total %

Previdenciária (INSS) 116 82 127 109 95 120 67 64 83 67 101 118 117 1266 54,40

Imóveis (CEF) 01 01 0 02 0 01 01 0 0 01 0 0 0 07 0,03

Outras Cíveis (CEF) 33 33 42 27 42 31 40 56 53 34 54 49 223 717 30,82

Servidores Públicos (União/Autarquias Federais) 37 30 21 27 38 24 20 19 22 11 10 25 17 301 12,94 Tributária (União- Fazenda Nacional) 02 01 01 0 05 03 06 02 04 0 02 08 01 35 1,51 Cartas119 0 0 0 0 0 0 0 0 01 0 0 0 0 01 0,00 Total Cível 189 147 191 165 180 179 134 141 163 113 167 200 358 2327 100%

Tabela 2 — 1º Juizado Especial Federal de Nova Iguaçu Processos cíveis em tramitação por réu (em 31/05/2007)120

RÉU Nº de Processos em Tramitação Percentual do Total

INSS (autarquia federal) 600 52,00 %

UNIVERSIDADES FEDERAIS

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