1. BÖLÜM
2.3. Konaklama Hizmetlerinin Pazarlanmasında Aracılar
2.3.1. Seyahat Acentaları
2.3.1.2. Seyahat Acentalarının Sunduğu Hizmetler
O conto nasceu junto com a civilização humana. Sempre houve pessoas contando histórias, reais ou fabulosas, através da oralidade ou da escrita. Os
portugueses trouxeram-no ao Brasil, personificado nas narrativas orais, aparecendo como narrativa escrita somente no período do Romantismo, valendo salientar que os escritores desse período não se destacaram nesse gênero. Machado de Assis foi o primeiro grande contista brasileiro, já no período do Realismo, consagrando-se pelo talento e habilidade com que usava as palavras. A partir do Modernismo, os contos brasileiros adquiriram identidade própria, pois os autores impingiam novas características a cada narrativa produzida, manifestando-se assim das mais variadas formas.
Segundo Luzia de Maria (1987, p. 23), no seu livro O que é conto:
O conto se caracteriza por ser uma narrativa curta, um texto em prosa que dá o seu recado em reduzido número de páginas ou linhas [... ] a forma conto apresenta como sua maior qualidade o fator concisão. Concisão e brevidade. Assim o dado quantitativo é mera decorrência do aspecto qualitativo do texto. Curto porque denso.
Nádia Batella Gotlib, no seu livro Teoria do conto (1985), postula que o conto inicialmente oral, depois escrito, não é simplesmente um relatar de acontecimentos e ações. “O conto, no entanto, não se refere só ao acontecido. Não tem compromisso com o evento real. Nele, realidade e ficção não têm limites, graus de proximidade precisos. [...] Há naturalmente, graus de proximidade ou afastamento do real.” (p. 8). Ainda segundo Gotlib, a realidade contada literariamente seria já uma invenção, enquanto produto de um autor que a elabora enquanto tal. Pois há diferença entre relato e literatura, sendo esta última interferida no seu discurso pela voz do escritor resultando num produto estético.
Gotlib (1985) prossegue discorrendo sobre como há diferentes formas de narrar que por vezes se agrupam com alguns pontos característicos que delimitam um gênero. Discorre ainda que em alguns períodos essas características eram mais acentuadas, como, por exemplo, na antiguidade greco-latina e na Renascença, mas há períodos em que esses limites se embaralham, em que há um aumento nas possibilidades de misturar características dos vários gêneros, acontecendo progressivamente do Romantismo até o Modernismo. No entanto, a maneira pela qual
uma história é narrada compõe a própria matéria da qual é feito o conto, caracterizada pelo seu movimento através dos tempos.
Gotlib (1985) postula que para alguns, é necessário que haja ação no conto, mas, para outros, o que o conto mostra é justamente a ausência de mudança e de crise, pois se ela existe, muitas vezes, só é notada pelo leitor e não pela personagem, sendo que, às vezes, não existe mesmo crise nenhuma. Neste caso, as personagens não mudam:
E no conto nada acontece, isto é, o que acontece é este nada acontecer. A monotonia do relato e a mesmice do cotidiano subsistem, então, o que seria a dinâmica do processo de evolução de uma mudança.” (GOTLIB, 1985, p. 28)
O conto consagra o instante, recorta e fragmenta a vida comum, delineia tipos e personagens que bem podem ser nossos vizinhos, o homem da padaria ou nós mesmos. Há no conto uma capacidade de fragmentar o curso da vida, e é justamente nesse viés que ele é eficiente, quando, breve, desvela o momento presente, fixando- se na sua momentaneidade, sem ontem nem amanhã. Sendo assim, postula Gotlib (1985) que o conto seria um modo moderno de narrar, caracterizado por seu teor fragmentário, de ruptura com o princípio da continuidade lógica, tentando consagrar esse instante temporário.
Qual seria o leitor de contos? Segundo Frank O’Connor (apud Gotlib, 1985), o conto
[...] visa satisfazer o leitor solitário, individual, crítico, porque nele não há heróis com os quais este possa se identificar, tal como acontece no romance, em que esta solidão é de certa forma amenizada ou desaparece, na medida em que compartilha as ações do herói e se identifica com ele
Maria (1987) discorre sobre em como no conto, para os modernos, se instaura a autonomia da arte diante do real, lembrando que na década de 20 estava muito
presente no espírito modernista a questão de se criar uma linguagem literária com feição própria nitidamente brasileira, fato visto nos personagens de Os Contos de Belazarte de Mário de Andrade. Isso só seria possível através da valorização da língua portuguesa falada pelo povo, aqui, e não como era pregado pelas gramáticas, presas, todas elas, à sintaxe lusíada, arraigada aos falares de Portugal e não nossos.
Mário de Andrade fez sua estreia, no conto, com o livro Primeiro Andar (1926), mas sua maturidade como contista se revela com a publicação de Os contos de Belazarte (1934) e Contos novos (1947). Mário exerceu forte militância na disseminação da brasilidade no período em que escreveu os primeiros, encontrando no povo as personagens mais comuns e esquecidas, dando a sua visão de uma literatura brasileira com língua e tipos brasileiros.
Os Contos de Belazarte representam bem aspectos que dizem respeito à cidade, São Paulo, em plena modernização no começo do século XX. Mário de Andrade incorpora uma nova imagem da cidade nos contos, fator importante para entender a modernização ocorrida no final do século XIX e início do século XX, embora esse ponto de vista específico da história e da cidade paulista não poderia representar, por si só, o programa pela brasilidade, sob o risco de se tomar São Paulo como o Brasil inteiro. O seu narrador Belazarte tem origem na tradição oral, no Pedro Malasarte das histórias populares que é um malandro à moda antiga, tendo no seu próprio nome a referência à cultura popular que é outro aspecto da busca pelo Brasil. Belazarte fala de histórias conhecidas por ele, para que os conselhos e reflexões contidos nela sejam mais verdadeiros, mais autênticos.
O livro Os Contos de Belazarte (1933) reúne sete contos escritos por Mário de Andrade em 1923 e 1926: “O besouro e a Rosa”, “Jaburu Malandro”, “Caim, Caim e o resto”, “Menina de olho no fundo”, “Túmulo, túmulo, túmulo”, “Piá não sofre? Sofre.” e “Nízia Figueira, sua criada”. O conto escolhido para trabalhar em sala de aula foi “Piá não sofre? Sofre.” que conta a história de Paulino, um menino que vive com a mãe e sofre muito com a falta de amor e comida. Quando vai morar com a avó, o problema da comida é sanado, mas continua sem receber carinho. A família pobre tem costumes não higiênicos e o menino adoece. Pode-se fazer uma leitura de que Paulino sofre mais com a falta de afeto do que com a própria fome, pois, nos raros momentos em que ele tem contato com esse sentimento, regozija-se: “Com a mão grande e bem
quente pegou na cabecinha dele, ajeitando-a no pescoço de borracha. Carregado gostoso naqueles braços bons, com o xale dando inda mais quentura pra gente ser feliz...” (p. 5); “Paulino se levantou sem saber, com uma burundanga inexplicável de instintos festivos no corpo, “Mamma!” que ele gritou. Teresinha virou chamada, era o figliuolo. Não sei o que despencou na consciência dela, correu ajoelhando a sedinha na calçada, e num transporte, machucando bem delicioso até, apertou Paulino contra os peitos cheios. E Teresinha chorou porque afinal das contas ela também era muito infeliz.” (p. 9)
O conto mostrou aos alunos uma história de pessoas comuns, moradoras de uma cidade grande em constante crescimento e efervescência, massificados, meio que inertes e absortos na sua vidinha comum, com as agruras comuns a todas as pessoas pobres, indiferentes ao sofrimento, como bem postula Irenísia Torres de Oliveira, no seu artigo “Subúrbio e modernização: os Contos de Belazarte, de Mário de Andrade” (2008, p. 6):
Mário vai ao cotidiano do pobre em busca da alma deste país desconjuntado. Está disposto ao sacrifício. Não acha o país, mas encena uma vez mais, no próprio cerne histórico da escrita, os impasses de classe de um país dividido. Vendo dessa forma, o escritor encontra sim, a alma do país, mas não está fora, olhando, no controle; está dentro, submetido à dinâmica histórica de suas relações.
A leitura e discussão do conto escolhido levou os alunos a perceberem suas características, a interagirem com a história e seus personagens, identificando-se com eles, porque cada conto compromete-se com o seu início: a de contar histórias. E que elas sejam breves, nesse flagrante de momentos especiais da vida, que tanto podem ser acontecimentos importantes como apenas o desfiar das horas que o tempo nos inflige na mera contemplação da vida.