1. BÖLÜM
1.4. Konaklama Hizmetlerinin Pazarlanması
1.4.4. Konaklama işletmelerinde Hizmet Pazarlama Üçgeni
A partir dos dados obtidos com os entrevistados do Grupo 2, podemos fazer algumas referências e comparações entre os impactos no lazer ocasionados pelo casamento e pelo nascimento do filho.
O quadro 35 apresenta as atividades de lazer dos entrevistados do Grupo 2 que sofreram redução em sua freqüência, a partir do casamento. Num primeiro momento chama a atenção o volume de atividades externas que se tornam mais eventuais, o que mostra certa equivalência com as mudanças ocasionadas pelo nascimento do filho. Entretanto, como apresentado na primeira parte deste capítulo, há evidências de que o impacto da paternidade/maternidade é mais profundo do que o do matrimônio.
Atividade D1 D2
Jogar videogame Intelectual e Cultural Domiciliar Ler Intelectual e Cultural Domiciliar Tocar instrumento Artístico Domiciliar Sair à noite (boemia) Social Externo
Sair para dançar Social Externo
Sair com as amigas Social Externo
Andar de bicicleta Físico Externo
Passear ao ar livre Físico Externo
Fazer compras Outro Externo
Voar de planador Outro Externo
Ir ao teatro Intelectual e Cultural Externo
Viajar Turístico Externo
Quadro 35 – Atividades de lazer que sofreram mudanças com o casamento Fonte: autor da dissertação
Assim como no caso do impacto do nascimento do filho, o casamento também gera novas atividades de lazer para os entrevistados, o que está apresentado no quadro 36.
Atividade D1 D2
Receber amigos Social Domiciliar
Culinária – mais sofisticada Social Externo Levar as sobrinhas para passear Social Externo
Beber cerveja Social Externo
Ir a concertos Intelectual e Cultural Externo Ir ao cinema Intelectual e Cultural Externo
Quadro 36 – Atividades de lazer que surgiram com o casamento Fonte: autor da dissertação
Se compararmos os dois quadros, poderemos perceber que ao mesmo tempo em que o casamento gera redução principalmente nas atividades externas de lazer, também gera outras atividades de lazer igualmente externas.
De acordo com as análises individuais, comparando os Grupos 1 e 2, percebemos que o impacto do nascimento do filho nas práticas de lazer é maior que o impacto provocado pelo casamento, o que é condizente com o trabalho de Altergott e McCreddy (1993), Brown et al. (2001) e Kelly (1975).
A partir das análises realizadas neste capítulo, podemos afirmar que, para o grupo que compõe a amostra selecionada para a presente pesquisa, o Ciclo de Vida Familiar parece ser um elemento importante para o entendimento do comportamento de consumo no lazer, sendo que a mudança do estágio de casados sem filhos para o chamado Ninho Cheio I é maior que no par de estágios imediatamente anterior.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em uma sociedade ainda centralizada no tempo de trabalho, o lazer se apresenta como um foco de estudos ainda em desenvolvimento, que merece atenção dos pesquisadores das mais diversas áreas.
No presente estudo, percebemos que o lazer é conceituado de diferentes formas. Se por um lado representa atividades escolhidas livremente e realizadas no tempo disponível, após o tempo das obrigações (DUMAZEDIER, 1973), por outro pode ser constrangido por pressões familiares ou sociais, o que o transforma em um lazer chamado de complementar (KELLY, 1975).
Durante o percurso da pesquisa bibliográfica e documental, pudemos perceber que o tema lazer vem se desenvolvendo durante a história, passando de um elemento voltado às classes superiores das sociedades da Antigüidade e da Idade Média (quando se identificava com o ócio), como visto nos trabalhos de Veblen (1985) e Bacal (2003), para ser relegado a um segundo plano, notadamente após a Revolução Industrial e com a ética puritana (PADILHA [2000]; WEBER, [2003]), na sociedade contemporânea, em que predomina a racionalidade econômica.
Na atualidade o lazer se diferencia do ócio e ganha nova importância, seja pelo aspecto social, como salienta Dumazedier (1994), ou pelo lado do consumo, como percebido nos trabalhos de Forjaz (1988) e Botelho e Fiore (2005).
Por esses dois aspectos o estudo sobre o lazer se mostra justificado, podendo apresentar importantes contribuições para os mais diversos campos do conhecimento, bem como oferecer a entidades públicas e privadas informações acerca das demandas de lazer por parte da sociedade.
Nesse sentido, entender o comportamento dos indivíduos em relação ao lazer, ou seja, entender os hábitos de consumo e de prática de lazer se torna importante. Vários são os fatores que influenciam o comportamento voltado ao lazer, entre eles a idade, o gênero, o estado laboral, a condição financeira, entre outros. Um desses
fatores, que representa um importante campo de análise, é o chamado ciclo de vida familiar.
Como salientam Altergott e McCreddy (1993), Brown et al. (2001) e Kelly (1975), o estágio do ciclo de vida que mais representa um corte, uma mudança, nas atividades de lazer é quando os casais se tornam pais.
Por isso, o presente trabalho objetivou responder à seguinte pergunta: Quais são os padrões de consumo de lazer de casais com filhos pequenos (até 6 anos de idade), residentes na cidade de São Paulo, no ano de 2005? Em que diferem do consumo de lazer existente no período anterior ao nascimento do filho?
Para se atingir esse objetivo foi realizada uma pesquisa exploratória, de caráter qualitativo, através do uso da técnica de entrevistas em profundidade, com duas amostras da população-alvo. A primeira foi composta por 15 (quinze) ex-alunos da FGV-EAESP, que estavam no estágio do ciclo de vida chamado de Ninho Cheio I, ou seja, eram casados e tinham filhos de até 6 anos de idade (inclusive). A segunda amostra foi composta por 04 (quatro) ex-alunos da FGV-EAESP, que estavam no estágio imediatamente anterior ao da primeira amostra, ou seja, estavam casados mas ainda não tinham filhos.
Principais Resultados
Os resultados da pesquisa de campo reforçam em grande parte os dados coletados na pesquisa bibliográfica (que se referem em grande parte a realidades não brasileiras) e documental.
Do ponto de vista de tempo de trabalho, não foram constatadas alterações significativas entre os resultados da presente pesquisa e os dados apresentados por Taschner (1991) sobre o tempo de trabalho da elite paulistana da década de 80. Chama a atenção o formato do trabalho de vários dos entrevistados, que têm parte das atividades executadas em casa, quando não todo o serviço. De certa maneira
isso reflete as mudanças ocorridas no mercado de trabalho graças aos avanços tecnológicos e a mudanças organizacionais.
Em termos de atividades domésticas, é forte a presença de empregada ou diarista, que executa os serviços mais “pesados”, sobrando aos entrevistados as atividades mais corriqueiras como arrumar a cama ou a mesa e a administração do lar. Um aspecto importante, levantado na pesquisa, é quanto à divisão das tarefas executadas pelos donos da casa que apresenta diversas modalidades e distribuições mostrando um processo ainda em curso em direção a uma divisão equilibrada.
Para os entrevistados, o trabalho tem vários significados, entretanto é possível identificar alguns mais comuns. É muito forte a relação entre trabalho e fonte de renda, o que, de certa maneira, remete à condição de obrigatoriedade desta atividade. Entretanto, ainda que obrigatório, o trabalho representa possibilidades de realização profissional e mesmo pessoal. Esse aspecto está ligado, provavelmente, à característica não taylorizada do trabalho realizado pelos entrevistados, que difere do trabalho rotineiro e segmentado dos operários. Assim, não é estranho perceber que para alguns entrevistados o trabalho é fonte de prazer e satisfação, o que é condizente com o comentário de Forjaz (1988) sobre a percepção que a elite paulistana da década de 80 tinha sobre as suas obrigações profissionais.
A percepção de lazer é mais homogênea entre os entrevistados. Ele aparece muitas vezes ligado à recuperação do estresse do dia-a-dia e a uma quebra na rotina, notadamente do trabalho (o que reforça a dimensão de descanso e recuperação, presente na definição de Dumazedier [1973]). Além disso, o lazer também é visto quase como sinônimo de prazer, satisfação. Mesmo quando realizado por pressão familiar, o chamado lazer complementar (Kelly, 1975), o prazer está presente. E essa percepção de lazer em família, ou com a família, é mais evidente entre os entrevistados que se encontram no estágio de Ninho Cheio I.
Do ponto de vista das práticas de lazer, há uma citação maior de práticas externas do que domiciliares, mas isto não representa, necessariamente, que estas últimas ocorram com freqüência menor. Parece haver uma identificação muito mais forte de
lazer com atividades realizadas no espaço externo ao domicílio, talvez por simbolizarem uma ruptura maior em relação à rotina do dia-a-dia do que aquelas que ocorrem dentro de casa.
As atividades de lazer mais citadas são as que classificamos como Intelectuais e Culturais ou as Sociais. As primeiras estão, muitas vezes, ligadas a elementos que envolvem o consumo de algum bem ou serviço de lazer ou entretenimento, como ir ao cinema, ir ao teatro, ler um livro ou uma revista. As segundas estão ligadas, fortemente, à família (no caso do Grupo 1) ou aos amigos (no caso do Grupo 2).
Isso já deixa entrever o impacto que a presença do filho representa nas atividades de lazer dos pais. Assim como apresentado por Landon e Locander (1979) e Lee e Bhargava (2004), as atividades externas são as que mais sofrem redução de freqüência, muitas vezes em função dos cuidados ou infra-estrutura demandados pela criança. Em contraposição a isso, o casamento representa a diminuição de freqüência de algumas atividades externas, mas acaba gerando ou reforçando outras, mantendo, de certa forma, a freqüência de atividades não domiciliares (reforçando Lee e Bhargava [2004]).
Enquanto as atividades de lazer dos indivíduos casados, mas sem filhos, são notadamente mais incondicionais, ou seja, escolhidas livremente, as práticas dos casados com filhos pequenos são fortemente complementares, ou seja, direcionadas pelos interesses ou pela pressão da família. Apesar de isso significar um nível de obrigatoriedade, esse lazer é percebido como fonte de satisfação e prazer por parte dos entrevistados.
Um aspecto ressaltado na pesquisa é que a presença da criança na família exerce diferentes, de acordo com a idade desta. Quanto mais novas, mais restrições impõem aos pais; à medida que vão crescendo a restrição dá lugar a um constrangimento, ou seja, ao invés de impedir algumas atividades, a criança passa a orientar essas atividades.
Assim, podemos entender que a pesquisa reforçou algumas das nossas hipóteses, a saber:
a) no caso específico de famílias compostas por casais com filhos pequenos, as demandas por lazer são, sim, diferentes, ao menos em relação ao estágio imediatamente anterior, principalmente em função das demandas geradas pelo(s) filho(s);
b) o lazer constrangido pelos papéis de pai e mãe é percebido como obrigatório, entretanto gera prazer e satisfação para os entrevistados.
A hipótese de que o lazer desse grupo específico caracteriza-se por uma concentração de atividades realizadas em casa, como assistir à televisão, ouvir rádio, entre outros, e que as atividades externas tendem a ser colocadas em segundo plano, principalmente em função da restrição provocada pelo(s) filho(s), não pode ser totalmente confirmada, como discutido no capítulo anterior. Entretanto, parece haver uma predominância de atividades domiciliares durante a semana, enquanto o período de final de semana e férias apresenta mais oportunidades para atividades externas.
Exatamente pelo exposto acima, também não podemos reforçar a hipótese de que o lazer desse grupo seja direcionado primordialmente para atividades mercantilizadas. As atividades externas parecem ter forte ligação com bens ou serviços oferecidos pelo mercado, ou seja, mercantilizados. Entretanto, a pesquisa não permitiu aferir o peso dessas atividades em comparação com outras não mercantilizadas ou não tão mercantilizadas e que foram também objeto de muitas menções.
Limitações
A principal limitação desta pesquisa advém do próprio método utilizado. Como toda pesquisa puramente qualitativa, os resultados obtidos no campo não podem ser generalizados para a população, devendo ficar restritos à amostra selecionada. Além disso, o processo de amostragem não foi aleatório, podendo ter gerado uma amostra enviesada e não se pode medir o erro.
O tamanho da amostra do Grupo 1 foi definido na medida em que as informações foram se tornando repetitivas, demonstrando que, provavelmente, boa parte das principais práticas existentes já deveria estar contemplada; o mesmo não se deu no Grupo 2, que foi construído a partir de oportunidades que surgiram durante a pesquisa de campo. Assim, os dados referentes a esse segundo grupo têm importância como fonte de comparação, mas não podem ser analisados como significantemente representativos do estágio de ciclo de vida anterior ao do Ninho Cheio I.
Sugestões para trabalhos futuros
É clara a relação entre o ciclo de vida familiar e o comportamento dos indivíduos no lazer. Como o presente trabalho se limitou ao estágio Ninho Cheio I, comparando com o estágio imediatamente anterior, ficam faltando estudos que, trabalhando sobre a mesma população, delineiem as mudanças geradas pelos estágios posteriores, possibilitando o entendimento da influência de todo o ciclo de vida sobre o comportamento no lazer.
Da mesma maneira essa pesquisa trabalhou apenas com um segmento sócio- econômico circunscrito a elementos do estrato AB. Faltam estudos sobre outros estratos sociais.
Finalmente, outros estudos qualitativos podem objetivar populações diferentes, em termos de posição social ou localização geográfica, a fim de entender de que maneira a posição sócio-econômica ou a cultura influencia um mesmo estágio do ciclo de vida familiar, no que se refere ao comportamento de lazer.
Estudos longitudinais seriam também extremamente enriquecedores para uma análise dos processos que acompanhasse as mudanças em tempo real, superando as inconveniências causadas por falhas de memória dos entrevistados.
Se por um lado a pesquisa qualitativa implica em restrição de generalizações, por outro oferece subsídios para a construção de pesquisas com caráter quantitativo, que podem mensurar a importância, a freqüência e o peso relativo dos padrões de comportamento e consumo detectados no trabalho qualitativo. Desta forma, espera- se que a presente pesquisa possa servir de ponto de partida para estudos quantitativos sobre o mesmo tema, na mesma população e em outras comparáveis.
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APÊNDICE A – Roteiro das Entrevistas 1) CARACTERIZAÇÃO DO ENTREVISTADO Idade Estado Civil