2.2. SATIŞ GELİŞTİRME
2.2.6. Seyahat Acentacılığında Satış Geliştirme ve Önem
Os estudos teóricos que abordam as definições para o termo “assunto” evidenciam uma preocupação basilar, comum a qualquer campo científico: a correta definição dos termos e assim a sua utilização adequada.
Mas diferente de outros termos mais específicos que, deslocados de suas disciplinas ou de seu contexto, criam ruídos óbvios de comunicação e não passam despercebidos, o termo “assunto” é tão largamente utilizado tanto no vocabulário cotidiano quanto no vocabulário da Biblioteconomia e Ciência da Informação, que em geral, pode não chamar a atenção.
No entanto, alguns pesquisadores já apresentaram essa preocupação e assim, o debate relacionado apresenta um considerável corpus. Talvez insípido se comparado a outros conceitos que entram e saem de foco (ou de moda), mas com um papel de relevância para a fundamentação teórica da área, tendo em vista seu emprego em diversos conceitos e expressões.
O termo “assunto” engloba implicações desde a sua utilização singular, como vemos em Reitz (2004, p. 690):
Assunto: Qualquer dos tópicos ou temas de um trabalho, afirmados explicitamente no texto ou no título ou implícito em sua mensagem. Em catalogação, é atribuído a um livro ou outro item um ou mais cabeçalhos de
assunto como pontos de acesso, para auxiliar usuários na localização de seu
conteúdo pelo assunto. Em serviços de indexação e resumos, os cabeçalhos atribuídos para representar o conteúdo do documento são chamados descritores.
Assunto: 1. O tema ou temas de um livro, afirmados no título ou não. 2. (Indexação) Uma unidade conceitual encontrada em, ou derivada de, manuscrito ou material literário publicado. Pode ser encontrado, ou expresso, como um tema, nome, data, primeiro verso de um poema, título de um livro, ou uma expressão cunhada para representar a essência de um material indexado, etc.
Tais definições, que já se demonstram bastante prolíficas, acentuam-se quando o “assunto” é associado a outros termos ou então surge em contextos ainda mais específicos dentro da área.
Nos dois dicionários mencionados, que são dicionários especializados em Biblioteconomia e Ciência da Informação, aparecem ainda outras expressões como: Subject
catalogue, Subject cataloguing, Subject concepts, Subject analysis, Subject heading, entre outras.
Dessa forma, nas expressões que encontramos consolidadas na literatura, tais como: “análise de assunto”, “Catalogação de Assunto”, “representação de assunto” e “cabeçalho de assunto”, o termo “assunto” pode assumir diferentes conotações? Então o que é esse elemento que pode ser: analisado, catalogado, representado e transformado em um produto (cabeçalho)? Sua definição em cada caso é passível de discussão?
Em breve comparação: ao abordar a Catalogação Descritiva, tem-se claramente que o que será catalogado é um item físico ou mesmo que esteja em formato eletrônico, os pontos de representação a serem observados e descritos, estão razoavelmente claros e definidos por normas, regras e padrões. O mesmo não acontece com a busca pelo “assunto”.
A análise do percurso histórico do termo assunto demonstra como assumiu diferentes significados e sua noção ainda é relativamente imprecisa (METCALFE, 1973; HJORLAND, 2007).
O problema intensifica-se a medida que outros questionamentos são realizados, como por exemplo, qual o processo mental/subjetivo da determinação de um assunto em um dado documento (BEGHTOL, 1986; SAUPERL, 2002; FUJITA, 2003) ou, quais as concepções que podem determinar qual será a forma de investigação do “assunto”, como por exemplo a abordagem filosófica de Hjorland (1992, 2007) ou relacionada à Lingüística Textual conforme proposto por Hutchins (1977) e também investigado por Beghtol (1986), e retomado por Moraes e Guimarães (2006).
Embora não tenha se ocupado de uma definição conceitual do termo assunto, A. C. Foskett lançou em 196920 um dos clássicos da representação temática, no qual abordou os principais sistemas de classificação e indexação e as características fundamentais dos sistemas de recuperação da informação.
Se por um lado, Foskett não busca apresentar uma definição conceitual, a importância da obra para essa seção se dá pelos aspectos levantados pelo autor quanto à dificuldade intrínseca ao ofício da representação temática.
Foskett (1973) analisou problemas relacionados à determinação dos assuntos e suas relações. O autor enfatiza a importância da determinação de assuntos:
[...] os sistemas que dependem do próprio documento, em particular os que adotam títulos, tendem a ser insatisfatórios de muitas maneiras. Por isso, somos forçados a desenvolver um sistema próprio de cabeçalhos, e a maneira mais satisfatória de fazer isso é começar analisando os assuntos que encontramos numa coleção de documentos, a fim de determinar exatamente quais os assuntos que podemos identificar e quais as relações que podem existir entre eles.
Para Foskett, a divisão inicial dos assuntos ocorre em duas grandes categorias: “[...] aqueles que dizem respeito a um único conceito, e que podemos chamar de assuntos simples, e aqueles que dizem respeito a mais de um conceito, e que podemos chamar de assuntos
compostos.”.
Foskett analisa ainda os problemas relacionados à denominação dos assuntos, entre os quais: questões de sinonímias e homonímias, a ordem dos conceitos e dos termos na construção do cabeçalho, a escolha do termo adequado a cada conteúdo a ser representado.
De fato, a preocupação não é apenas quanto à uma definição conceitual, mas também se essa definição proporcionará um impacto operacional, ou seja, se irá refletir nos processos de análise e interpretação da informação a ser representada.
Essa não é uma preocupação recente. Como sabemos, está no âmago da área: a necessidade de tornar “a informação” em qualquer suporte ou formato passível de ser localizada e acessada pela sociedade, sendo este um dos motivos principais da existência e necessidade da Ciência da Informação.
Mas para que isso se torne viável é necessário que a informação seja organizada de forma a ensejar o seu trânsito em meio ao crescente volume de documentos gerados nos mais variados
tipos de suportes. Contudo, para que o bibliotecário possa alcançar esses objetivos, é necessário que em primeiro lugar ele possa definir: “Do que trata o documento?” (HUTCHINS, 1977) que possui em mãos ao analisá-lo.
Para Hjorland (2007), Ranganathan é o primeiro pesquisador a oferecer uma definição explícita do conceito de assunto, ao enfatizar que o assunto é na verdade a combinação de idéias estruturadas que fazem sentido em um campo específico.
Dias e Naves (2007) observam que Giasson (1993) faz a distinção entre assunto e idéia principal, mas que há uma confusão também entre as duas expressões:
O primeiro pode ser descoberto quando se pergunta de que trata um artigo, e o segundo quando se pergunta sobre qual é a coisa mais importante que o autor nos quer dizer, no texto, esperando-se, aí, obter, como resposta, uma idéia principal.
Na investigação do processo de indexação, Todd (1992, p.101, tradução nossa) também ressalta a diversidade de definições para assunto, onde para:
x Kaiser: assuntos são as “coisas em geral, reais ou imaginárias (podem ser chamadas de concretos), e as condições associadas (processos)”;
x Coates: assunto é a abstração da idéia geral (overall idea) incorporada no conteúdo de uma unidade literária;
x Vickery: se refere ao tema no qual livros, partes de livros, artigos ou partes de artigos são escritos;
x Borko e Bernier: definem como o foco de um trabalho, o tema central para o qual o autor direciona atenção e esforços;
Para Wellisch (s.d. apud JOUDREY, 2005) o assunto é qualquer conceito ou combinação de conceitos representando o conteúdo de um documento; o resumo dos tópicos de um documento.
Para o próprio Joudrey (2005) uma abordagem filosófica de assunto, compartilhada por todos, é desnecessária e impossível. No entanto, mesmo reconhecendo não ser possível uma visão objetiva universal do conceito, também não se pode abandoná-lo ao relativismo. Considera como
de fato importante é que alcancemos uma profunda compreensão dos fatores ligados ao processo de determinação dos assuntos. Ou seja, uma visão bastante pragmática.
A ISO21 também buscou apresentar definições para assunto, no entanto, Hjørland (2007) realizou uma revisão histórica do termo a partir do século XIX e afirma que a concepção de Cutter é melhor do que as outras que dominaram o século XX, incluindo a definição da ISO, pois para Cutter a definição do assunto depende de um processo social no qual seu significado é estabilizado.
Ranganathan (1964) apresenta especial preocupação com o termo e busca a exaustão das definições de “subject”.
Começa por definir “subject” como: “Thought-content of a document”, ou seja, o “pensamento-conteúdo de um documento”.
Para Ranganathan, derivada da noção de “subject” há também as noções de “Basic
subject” e “Isolate”. Basic subject implica um assunto de “larga extensão”, ou seja, um assunto
abrangente de forma a permitir a sua subdivisão a partir de suas características específicas ou gerais.
Na definição de Ranganathan, isto permite que um documento escrito sobre um determinado assunto, venha a ser encontrado tanto por especialistas como pelo público em geral.
A partir disso Ranganathan ainda propõe os termos:
- “Facet”: como um termo genérico para “Basic Subject” e “Isolate”, e:
- “Focus”, como um termo genérico para “Subject”, “Basic Subject” e “Isolate”.
Este pode ser categorizado ainda em: “Overall Focus” (Foco Geral), “Basic Focus” (Foco Básico) e “Isolate Focus” (Foco Isolado). Os dois últimos podem ainda ser designados respectivamente, como “Basic Term” (Termo Básico) e “Isolate Term” (Termo Isolado).
Para Ranganathan, pode-se falar ainda de “Constituent Facets of a Subject” (Facetas Constituintes do Assunto).
Essas facetas constituintes são o “Kernel” e o “Kernel Term”, respectivamente o “Núcleo” e o “Núcleo do Termo”.
21"Subject: Anything whatsoever, regardless of whether it exists or has any other specific characteristics, about which anything
whatsoever may be asserted by any means whatsoever." ISO 13250-1, retirado de:
Obviamente, esse esforço de Ranganathan, parte da sua preocupação com a cientifização dos fundamentos biblioteconômicos. Preocupação a qual lhe deu posição de destaque na história da Biblioteconomia.
Por outro lado, Metcalfe (1973), conforme ressaltado por Hjorland (2007), assume uma postura crítica com relação às definições de Ranganathan.
Para Metcalfe (1973, p. 314, tradução nossa), que se refere a essas especificações de Ranganathan como “Ranganathanites” e aponta uma “Ranganathanite school”, como criadora dessas definições “para si própria, com suas prolíficas terminologias e metafísicas”, chamando-a inclusive de pseudo-ciência.
Metcalfe (1973) busca uma discussão do conceito de “assunto" no âmbito dos sistemas de recuperação da informação, restrita ao seu significado técnico e terminológico e, entendido ou assumido, por aqueles que necessitam consultar esses “oráculos”. O autor aponta ainda que outros termos foram importados de outras áreas, mas não criaram problemas pois não faziam parte do vocabulário comum, enquanto que o termo “assunto” foi adotado da Lógica, mas através do uso comum.
A conclusão de Metcalfe (1973) é de que o termo “assunto” não é um termo satisfatório para ocupar a posição de um termo técnico em recuperação da informação devido a sua grande ambigüidade.
De qualquer maneira, Hjørland é bastante instigante ao trazer um questionamento de ordem pragmática: como uma compreensão teórica do termo “assunto” pode ser útil na decisão de princípios para a análise de assunto? Se o bibliotecário souber claramente aquilo que está procurando, certamente terá mais facilidade no processo de análise de assunto.
Dessa forma, um questionamento pertinente é se a falta de uma definição conceitual realmente causa problemas na prática dos profissionais da área, pois como afirma Dias (2004, p. 149):
[...] quando alguns autores usam a expressão determinar de que trata um documento, estão evitando, propositadamente, o uso da palavra assunto nesse contexto. Isso não é sem razão. Muitos autores consideram o termo assunto inapropriado, para dizer o mínimo.
Relativos a essa discussão a prática da representação temática ocorre de uma forma geral tendo uma espécie de consenso coletivo, conforme lembra Lancaster (2003) ao afirmar que: “Estas expressões talvez não sejam muito precisas e não é fácil definir ‘trata de’ e ‘tem por
assunto’. Apesar disso, são expressões que soam aceitáveis para a maioria das pessoas, sendo por elas compreendidas”.
Isso está também de certa forma relacionado com a afirmação de Hutchins (1977, p.01) na qual diz que: “[...] nós não precisamos saber como os indexadores chegaram a uma descrição particular do conteúdo de um documento, tudo que importa é se permite aos usuários encontrar o documento quando requerido.”, e assim, expõe uma realidade em nossa área, ou seja, mesmo que não haja clareza quanto aos conceitos e ao processo, o propósito final é evidente.
Ainda por outro lado, como prossegue o próprio Hutchins (1977), até poderíamos estar felizes com essa visão, se não estivéssemos conscientes da ineficiência de muitos instrumentos construídos atualmente.
Observa-se que a discussão ao redor do “assunto”, é um campo prolífico em nossa área e sua abordagem traz questionamentos pertinentes ao desenvolvimento de propostas que visem suprir a necessidade de metodologias e definições em torno da exploração temática.
Por outro lado, mesmo que esteja longe de se chegar a um consenso em torno do termo, a necessidade objetiva pela recuperação da informação precisa ser suprida e com esse objetivo se desenvolvem as disciplinas documentais e as ferramentas necessárias para o registro e acesso aos conteúdos informacionais.