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Hisse Senedi Ve Ekonomik Büyüme Arasındaki İlişki Üzerine Yapılan Literatür

Não se pode esquecer que o espaço em que se vive é expressão de uma estrutura sociocultural (GASTAL, 1999). Rodrigues (1997:72) afirma que “a paisagem é um notável recurso turístico, desvelando alguns objetos e camuflando outros, por meio da observação do observador, quando pretende encantar e seduzir”. Nesse sentido, podemos inferir que a imagem de um determinado lugar pode variar de maneira significativa, dependendo “da formação e da sensibilidade de cada observador no tempo” (CASTROGIOVANNI, 1999:25).

Freire-Medeiros, no livro O Rio de Janeiro que Hollywood inventou (2005), ao analisar, através de alguns filmes clássicos, como se configurou, em nível mundial, as imagens acerca da cidade, observa que, no início do século XX, em geral, os personagens que retratavam o habitante do Rio tinham nomes hispânicos, e a cidade era apresentada como uma “vila esquálida”. Apenas no filme “Voando para o Rio”, de 1933, essa atmosfera é modificada:

A cidade apresentada em Voando para o Rio certamente dispõe de todos os elementos definidores de uma metrópole cosmopolita. As primeiras tomadas, que transportam o espectador ao Rio, são persuasivas: a bordo de avião (...) é possível acompanhar um desfile de imagens de cartão-postal que começa na Baía de Guanabara, passa pelo centro da cidade (onde figuras elegantes disputam, com os velozes carros da época, o espaço em frente à confeitaria Colombo), vai ao alto da Boa Vista, visita o moderno Jockey Club, dá a volta no Pão de Açúcar e se encerra no Jardim Botânico (FREIRE-MEDEIROS, 2005:12).

Em 1940, o cinema americano se aproxima de Carmen Miranda e a convida para filmar em Nova York o filme “Serenata Tropical”. Carmem se tornaria um ícone brasileiro, a “embaixatriz” do Brasil, apesar de criticada pela elite brasileira que a “acusava de exportar uma caricatura ridícula do país sob os auspícios do imperialismo ianque” (FREIRE-MEDEIROS, 2005:21).

A imagem alegórica de Carmen Miranda contém em si o completo campo imaginário da nação: música, sensualidade, cores, flora e fauna tropicais. Carmen Miranda, européia imigrada, foi assimilada pela cultura (como o exótico incorporado à auto-imagem nacional), importada e exportada para a maior potência cultural daquele momento, os EUA, onde foi promovida e elevada a símbolo nacional (BIGNAMI, 2002:47).

Foto: www.carmenmiranda.net

FIGURA 4 – Pôster do Filme “Serenata Tropical”, de 1940.

Bignami (2002:99) afirma que, em linhas gerais, no cinema internacional, há uma predominância da imagem do Rio de Janeiro, como representação urbana do país, “(...) em cuja caracterização são valorizados os recursos naturais (praias, floresta tropical etc.) e alguns aspectos culturais, sobretudo o carnaval”. Isso permite que a sociedade carioca seja representada, no ideário do estrangeiro, pela mulata, “figura de excelência”, pelo sambista, pela mãe de santo e pelo malandro. Segundo Elaboração própria, outro estereótipo reforçado em relação ao Brasil, e mais especificamente ao Rio de Janeiro, é o de “localidade para fuga”: “Foge-se para o Rio de Janeiro, capital que tem a imagem de abrigo de contravenção internacional” (BIGNAMI, 2002:99).

A musicalidade é outro ponto que comumente é vinculado ao Brasil, e, conseqüentemente, ao Rio de Janeiro. A partir do final dos anos de 1950, quando foi lançado o filme “Orfeu Negro”, as platéias estrangeiras, em especial as platéias européias, começam a consagrar a música brasileira como uma importante característica do país. O filme também apresenta um Brasil já modelado pela modernidade e pelos contrastes. Segundo Silva (1998:121 – 122 apud BIGNAMI, 2002:100), o filme

(...) revela a mestiçagem brasileira de uma forma radicalmente inovadora. A figura do homem branco é praticamente inexistente e sintomaticamente um dos únicos exemplos é o dono da vendinha, um português. É na mesma vendinha que se revela o mito do brasileiro cordial, galegos e mulatas (...) confraternizando, aos beijos, entre operações de empréstimo e doação de víveres. A sensualidade mestiça/negra é muito envolvente, e os casais constituídos na trama se comprazem em demonstrá-lo. Mas é a música o elemento de ligação entre as diferentes esferas de significação que o filme apresenta. Música que vai se tornar uma referência imediata do Brasil.

Foto: lucianogasparini.wordpress.com

FIGURA 5 – Pôster do Filme “Orfeu Negro”, de 1953.

Não se pode esquecer do futebol. Segundo Helal et al (2001:10 apud BARREIROS, 2005:113) apenas há pouco tempo os cientistas sociais passaram a falar do futebol como “categorias organizadoras de cultura e identidade”, o que pode ser percebido com clareza no futebol do Rio. Nos anos 50, com a Copa Mundial ocorrendo no Brasil, e com a respectiva construção do Maracanã, o “Brasil do futebol” ascende, atrelado ao “ser brasileiro”. A partir deste período, os times brasileiros estabelecem uma reputação internacional, ganhando notoriedade em todo o mundo (LOPES, 1999 apud LEMOS, C.,2002).

Embora o futebol possa ser considerado como “quase universal” na linguagem estetizada do gosto e do estilo particular passou a ser uma dimensão importante da construção identitária, tanto no caso da sociedade brasileira quanto de outras. Futebol, alegria, festa, carnaval, música são temperos recorrentes dessa construção. A “alegria do futebol”, cuja essência foi posta na ginga de Garrincha, passou a ser uma poderosa metonímia da representação da identidade brasileira: o povo que enfrenta as adversidades com alegria (HELAL et al., 2001: 10 apud BARREIROS, 2005:113).

Na década de 1960, alguns filmes estrangeiros continuam a utilizar a paisagem brasileira ou as cenas relacionadas ao carnaval como cenário para seus enredos. Nesse período, os contrastes sociais brasileiros também começam a ser claramente sinalizados (BIGNAMI, 2002). Em 1969, especialmente devido ao episódio de seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Rio de Janeiro,

questões relacionadas à pobreza e à perseguição política passam a ser fortemente veiculadas na mídia internacional. “A imaginação norte-americana já não podia reservar à cidade o status de lugar onírico, propício apenas a encontros românticos” (FREIRE-MEDEIROS, 2002:35).

Data desse período, a fundação da Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, em 18 de novembro de 1966, pelo decreto-lei n.º 55. Órgão máximo do turismo brasileiro no governo do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, a EMBRATUR passa a ser considerada Autarquia Especial e ganha a condição de Instituto em 28 de março de 1991, quando adota a denominação atual, Instituto Brasileiro de Turismo. No momento de sua criação, houve muito incentivo à visitação de estrangeiros. As campanhas publicitárias mostravam as belas praias do Rio de Janeiro e a nudez das mulheres no carnaval (FILHO, 2007).

Em 1979, com o Filme “007 contra o foguete da morte”, o Rio volta a ter uma grande exposição na cinematografia internacional. Na primeira metade dos anos 1980, Freire–Medeiros (2005:35) afirma que com o “processo de redemocratização, atividades promocionais voltadas para o turismo internacional, sobretudo para o mercado norte-americano”, o turismo na cidade ganha “fôlego”. Alguns filmes demarcam essa fase – “Feitiça do Rio”, “Orquídea Selvagem”, “Emmanuelle 4” –, e ratificam um Rio de Janeiro possuidor de belas paisagens naturais, abarrotado de sensualidade e repleto de exotismo (BIGNAMI, 2002).

Voltando aos guias turísticos, Torres (2006:11) afirma que em relação ao estudo das representações apresentadas pelos guias de turismo na atualidade, encontra-se, invariavelmente, uma das mais conhecidas representações do Rio na cena midiática, o de “Cidade Maravilhosa”. O guia da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro – RIOTUR, de 2005, por exemplo, para Elaboração própria,

narra a beleza da paisagem tropical da cidade, da “encantadora” topografia, explora também as curvas da mulher carioca, as praias, a figura do carioca cordial, imagens que representam a cidade, hoje, em páginas de guias e revistas do mundo inteiro. Os tradicionais símbolos da “Cidade Maravilhosa” como o Cristo Redentor, o Pão-de-Açúcar e os Arcos da Lapa ocupam posições de destaque nos guias da RIOTUR, no qual a empresa também apresenta, de forma menos emblemática e mais comercial, bares, restaurantes, hotéis e lojas.

Torres (2006) também apresenta que o guia internacional do Discovery Channel (2005) inicialmente revela a cidade próxima das representações registradas nos guias da RIOTUR. Segundo o guia, “apesar de não ser mais a capital do Brasil, o Rio é sem dúvidas a cidade mais bonita do país, onde tudo parece espetacular (...)”. O guia ressalta a exuberância tropical do Rio, e afirma que a cidade possui uma boa infra-estrutura turística, sendo o principal destino brasileiro de turistas do mundo inteiro. Contudo, o guia também inclui imagens e textos das favelas cariocas, consideradas “redutos do tráfico” e da “pobreza”, além de “cenário do samba”, e indica o local para a visitação, através dos chamados Favelas Tours. Por fim, traz “dicas de segurança” para evitar problemas em uma grande cidade com o grau de violência como o Rio de Janeiro (DISCOVERY CHANNNEL, 2005:141 apud TORRES, 2006:13).

Para Bignami (2002:109), em termos de atratividade turística, a imagem do Brasil - que se estende ao Rio de Janeiro -, hoje, se rotula pelas seguintes categorias:

O Brasil Paraíso – relacionam-se à essa categoria as déias de ambiente selvagem, Éden, Eldorado, as Amazonas, os recursos e atrativos naturais e paisagísticos, as origens da descoberta que se pontuam pelo enunciado da Carta de Pero Vaz de Caminha “dar-se-á nela tudo”;

O Lugar do Sexo Fácil – relacionam-se a isso as idéias de beleza, sensualidade, libertinagem, o símbolo da mulher brasileira, a concepção da vida nos trópicos (mar, praia, sol);

O Brasil do Brasileiro – incluem-se aí todas as características atribuídas ao povo brasileiro ou pelo modo de ser do brasileiro, tais como a musicalidade, a hospitalidade, a malandragem, a doçura, a alegria, a felicidade, a falta de racismo ou preconceito e a cordialidade;

O País do carnaval – encontram-se relacionadas às manifestações veiculadas pelos meios de comunicação, para fins essencialmente turísticos como as grandes manifestações folclóricas, desportivas, artísticas e culturais, gastronomia, os próprios meios de comunicação de massa, as atualidades e eventos ligados às artes, ao cinema e à literatura nacional, à promoção turística em si e ao marketing;

O Lugar do Exótico e do Místico – estão aí relacionadas as idéias bizarras, a religiosidade, o mistério, a cultura indígena pelo seu aspecto exótico, os ritos e rituais de modo geral.

Em suma, percebe-se que, em relação ao turismo na cidade, a natureza é sempre mais destacada do que cultura. Os atrativos cariocas, portanto, parecem ser

hierarquizados: os “naturais” ocupam o mais alto lugar no pódio. Ficam aqui as indagações propostas por Name (2004:18) “Que cidade se quer? Que espaço se tem? Que paisagem se vê e quer se ver? Quais os lugares importantes?”.