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Sembollerden Yararlanılan Tiyatrolar

As pessoas projetam uma imagem e acreditam no que constrói-se como belo, harmonioso, prazeroso, desagradável, sobrenatural ou emocional. As características nesses adjetivos existem e tem coerência quando em analogia com um contexto sociocultural no qual a dimensão da essência humana se expressa de acordo com os sentidos dados a esses adjetivos, culturalmente elaborados.

No caso das paisagens, representadas pelas fotografias, manifestam os padrões estéticos, os desejos e as visões de mundo pelas quais um dado contexto histórico é representado. De acordo com Schama (1996, p. 18), uma profunda abstração transforma os espaços em experiências humanas, “mas, é claro a natureza não faz isso. Nós fazemos”. Em busca de elucidar melhor a interferência da simbologia humana para conceituar o que se apresenta, o autor ressalta que a paisagem é uma invenção sócio-histórica carregada de intenções. Isso se dá, de tal maneira, que o ato de apropriar, mencionar e invocar determinadas paisagens envolve, inevitavelmente, a perspectiva sociocultural e, dilui qualquer possibilidade de neutralidade.

Mutações profundas ocorreram em relação às experiências com certos elementos da natureza. O olhar dos naturalistas, dos viajantes, entre outros, construíram as diferentes maneiras de praticar e sentir as paisagens. Novas visibilidades foram lançadas, desde o desenvolvimento da perspectiva que selecionou, enquadrou e constituiu visualidades em relação à compreensão da paisagem, que após percebida passou a ser operada, em acordo com seu lugar social, no decurso de seu processo histórico. Da paisagem campesina à urbana, das paisagens montanhosas às paisagens litorâneas a sociedade moderna é produtora.

Essas, depois de recortadas, ganham destaques pelas representações atribuídas a seus elementos naturais. São visibilidades e dizibilidades, associadas à estética em voga, que orientam valores, interesses e concepções que produzem práticas.

Das Representações e práticas constituídas em relação aos espaços e seu entorno, que recortados constituem-se em paisagens, destaca-se os espaços de fruição e lazer. A priori, só foi possível pensar em lazer, diante do gozo do tempo, em contraposição as horas de trabalho, orientado pela organização econômica capitalista. E, em princípio, organizadas e equipadas para atender os anseios e necessidades das altas camadas da sociedade, da aristocracia. Paisagens transformadas em espaços dotados de uma carga simbólica, um status social para quem o pratica.

A apropriação das paisagens da natureza, como espaço de regozijo, iniciou-se basicamente no século XVIII em consonância com os signos que lhe conferiram nobreza, beleza e poder. Símbolos que a cotejaram de valores espirituais, a conformaram como espaços de tranquilidade, conferiam-lhe status e moldaram-na como pitoresca. Investida desses valores, suas cercanias acomodaram às práticas dos viajantes, que faziam migrações sazonais em busca de: desfrutar a doçura do clima de determinado tipo de paisagem; apropriar-se dos ares terapêuticos das paisagens litorâneas e; lograr da sublimidade que a paisagem montanhosa era capaz de oferecer. Trata-se de uma fruição estética e lúdica da paisagem (BOYER, 2003).

O olhar romântico que esse momento exalta sobre a natureza produz, então, sentidos e práticas. E, podemos citar como uma das buscas significativas da estética de paisagens consideradas grandiosas, ainda em inícios do século XVIII, as experiências do Grand Tour. Um tour na Europa Ocidental, que originou-se e desenvolveu-se na Inglaterra, distinguindo e transmitindo valor a seus participantes. Prática, que inclusive veio a tornar-se, parte essencial da educação de todo inglês de posse (BOYER, 2003).

De Paris a Lion, de Nice à Itália, com passagem por Roma, Suíça, Grécia, Espanha e Egito, esses eram os roteiros que colocavam os grand touristas diante de paisagens, que os faziam ser considerados gentlemen e cosmopolitan. Essas viagens prosseguiram por todo o século, incutindo modas, lugares, regras, formas de deslocamentos e apropriações. Com o passar do tempo, os Grand Tours foram gradativamente gerando uma infraestrutura turística voltada ao seu público. Pouco a

pouco as atividades de transporte, hospedagem e de guia estruturaram-se em serviços especializados, até se tornarem campos de atuação organizados, conduzidos por “especialistas”. E, em consequência, o câmbio desse olhar romântico, determinou novas apropriações.

Vale a pena ressaltar, o que já foi dito anteriormente, dando ênfase à dicotomia trabalho/lazer: as mudanças sociais ocorridas ao longo do século XIX, ensejadas pela sociedade capitalista que então se impunha, de maneira hierarquizada e industrializada, trazia consigo uma nova concepção de tempo, marcado pela importância do relógio e pela distinção entre o trabalho e o tempo livre. Nesse contexto, as viagens em busca do lazer, são intensificadas e passam a ser comercializadas, com privilégio às paisagens consideradas grandiosas ou mesmo tranquilas e bucólicas, como as paisagens campestres, em oposição às paisagens urbanas, que continham, em si, o ambiente de trabalho.

Analogamente “o romantismo prolongou estas invenções com sua descoberta de exotismo no tempo e no espaço” (BOYER, 2003, p. 19). Particularmente, pelos resquícios de escritos dos participantes do Grand Tour Romântico (como Goethe), que privilegiavam o espreitar da paisagem como uma experiência singular e sublime. Nessa lógica, o termo ‘pitoresco’, apropriado pelos guias turísticos do século XIX, também serviu para agregar valores, ou não, aos destinos de viagem (PERROTTA, 2011).

As diferentes percepções sobre a paisagem associadas aos usos que emergiram com o turismo, propiciaram práticas como a do termalismo3, logo em seguida a da balneação marítima, a das temporadas de inverno, até a apropriação da paisagem das montanhosas geleiras dos Alpes: “local de fortes emoções; uma elite rara forneceu os atores”. (BOYER, 2003, pág. 42). Os modos de ver as paisagens foram acrescidos pelo sensacionalismo dos panoramas circulares, pela moda das estampas e pela repercussão da fotografia. Essa foi de importância ímpar nos modos de apreensão e de indução de viagens a ‘certas’ paisagens.

A fotografia ilustrou cenas ditas pitorescas, comunicou a consolidação de Paris como marco urbano da experiência moderna – direcionando olhares de turistas – deu a ver aspectos da cidade que não eram mais captados pelo olhar do cidadão, registrou a transitoriedade da época em que foi produzida e apresentou paisagens

3 Termalismo; viagens terapêuticas até as estações termais, direcionadas a um público elitista,

exóticas. E, seu grande suporte, o cartão-postal, disciplinou, difundiu, popularizou e estabeleceu os modos de ver e de usufruir as paisagens que surgiam, fossem essas paisagens urbanas, pitorescas ou exóticas (URRY,1999).

A passagem dos séculos XIX para o XX foi marcada por grandes transformações: as conquistas trabalhistas; os meios de transportes rápidos, favorecido pelo desenvolvimento industrial e tecnológico; a disseminação das imagens fotográficas por meio do cartão postal, contribuindo com a ampliação das visualidades do mundo; e o apelo da comunicação em massa. Essas, entre outras transformações, foram pontuais para a intensificação da atividade turística. As regiões, por mais distantes que estivessem dos centros capitalistas europeus interligavam-se em uma ordem mundial, intensificando as trocas culturais por meio do deslocamento das pessoas e das bagagens materiais e simbólicas que carregavam. Período marcado pela velocidade e técnica que integraram o mundo, modificando os sentidos de espaço e de tempo. (ARRAIS, ANDRADE & MARINHO, 2008).

Essas mudanças acrescidas dos desejos de experimentar novos espaços motivou o turismo de massa, que além de aproveitar-se, primordialmente, dos espaços pelo seu valor paisagístico, requer reestruturações espaciais para a sua recepção. A paisagem, nessa circunstância, exprime-se como objeto de observação e consumo. Nesse caso, o turismo torna-se dependente das imagens que divulgam, constroem e reconstroem as paisagens. Destaca-se, sobretudo, o valor estético, os sentidos simbólicos e os recursos agregados ao seu entorno, a fim de atender às demandas que povoam o imaginário dos turistas. Atribuídas com esses signos, as paisagens, podem ser tomadas como paisagens turísticas, pois a ação da sociedade lhe dará esse sentindo. Nesse pensamento, Cruz (2002, p. 110) afirma que, “toda paisagem, portanto, pode ser turística”, visto que sua estética é ditada por padrões culturais de uma época.

O valor atribuído às paisagens, os significados e as práticas influenciam decisivamente o imaginário coletivo. Podemos entender que as construções culturalmente estabelecidas que se projetam sobre as paisagens, espetacularizando seus espaços com construções intencionais, tornando-a atrativa aos sentidos, marcando-a por contradições entre o real e o ficcional por influencias econômicas, políticas e sociais que destinam seus espaços para serem desfrutados a fim de atender um mercado turístico são as paisagens turísticas.

A atividade turística consome as paisagens por meio da produção de símbolos, se traduz em um dos discursos que molda, (re) significa e a manipula de maneira dinâmica, ajudando a fortalecer as lógicas que induzem um movimento turístico no local. Diversos fatores influenciam em sua construção: discursos; conceitos estabelecidos; relações econômicas, embates entre grupos e projetos políticos que passam a interferir nas relações humanas e se estabelecem nos espaços constituindo simbologias.

O turismo juntamente à imagem fotográfica vem ao longo de seu processo histórico, fortalecendo a carga simbólica de prazer que certas paisagens da natureza e os componentes que a circunscrevem podem oferecer ao ser humano. A paisagem litorânea, da beira-mar, pode ser citada como um dos exemplos das diversas maneiras de apreensão humana, que um olhar ao seu processo sócio-histórico revela percepções diversificadas. O sentido do oceano no imaginário humano, por exemplo, já passou da imagem do medo e da repulsa para a imagem de um espaço propício à cura das enfermidades. Hoje, é entendido, na sociedade ocidental, como um local aprazível, direcionado ao lazer, à prática de esportes e ao repouso. Um local apto às práticas do turismo; ou seja, diferentes sentidos em diferentes momentos históricos (CORBIN, 1989).

O que se percebe, portanto, é que a paisagem turística é fruto de escolhas, de fins estéticos e políticos diversos, por conter imbricada em sua significação, relações políticas, elementos socioculturais, conjuntos arquitetônicos e urbanos, que se articulam na imposição de sentidos, na construção de relatos, na comercialização dos espaços. Para Bourdieu (1996. p. 120), a representação do universo social contribui para a realidade deste mundo, pois faz com que os agentes apreendam o social como natural. Nesse caso, os discursos têm um poder estruturante por ter a capacidade de “prescrever com a aparência de descrever”, oficializando visões.

De tal modo, a paisagem turística transcreve uma forma de construção humana a partir da natureza, onde está imersa uma série de projeções culturais que aliadas à lógica do modelo econômico capitalista vigente delimitam espaços de produção e lazer. Essas demarcações orientam o turismo e suas paisagens no âmbito do lazer e agregam valor aos espaços escolhidos, recortados, emoldurados para se constituírem em turísticos.

A paisagem turística se conforma no espaço e confere importância ao sítio que a circunscreve, principalmente aos grupos que, de maneira privilegiada, povoam suas cercanias, assim constitui-se como moeda de troca, ou seja, uma mercadoria. São paisagens construídas para serem contempladas e consumidas. De acordo com Pires (1999, p. 162), a paisagem turística é um elemento comercial para a venda que agrega valor aos espaços e, por esse pressuposto, o turismo pode ser concebido como uma “experiência na qual a paisagem se constitui num elemento essencial”. Nessa perspectiva, a paisagem como porção concreta do espaço geográfico, simboliza para o turista a tão sonhada mudança de lugar, a excepcionalidade, a beleza cênica, dentre outros aspectos bastante procurados pelas pessoas na atualidade.

Além disso, vale salientar que, ações turísticas sobre a paisagem visam transformá-la em lugar a ser observado e criar espectadores dispostos ao consumo, o que facilita o uso fugaz e intenso do espaço (RODRIGUES, 2000). As paisagens turísticas orientam e identificam espaços, no qual “a parte vale pelo todo e é suficiente para despertar sonhos, lembranças, nostalgias e, sobretudo, o grande motor desse mercado, a necessidade em repetir a experiência” (CRUZ, 2002).