BÖLÜM 2: SEMBOLİK TÜKETİM
2.3. Sembolik Tüketim
2.3.2. Sembolik Tüketim ve İlişkili Kavramlar
A organização interna de uma cooperativa aponta complexidades e contradições de um trabalho autogestionário. Durante as entrevistas percebeu-se diferenças no enfoque das cooperativas, ao narrar as atividades desenvolvidas, a estruturação de seu funcionamento.
A Tramart apresentou vários dados sobre o processo interno de discussão e tomada de decisão, como por exemplo, a elaboração do regimento interno e procedimentos quanto à produção. A estruturação da mesma iniciou-se a partir de algumas combinações feitas entre os associados. Após um período de discussão, elaborou-se o regimento interno, definindo melhor o seu funcionamento. Apesar dessas condutas estabelecidas terem sido discutidas e decididas coletivamente, isto não significou cumprimento pleno das mesmas. Um exemplo são as faltas, o não cumprimento do horário definido pelo próprio cooperado. A questão do horário também é relatada na experiência estudada por HOLZMANN (2001), na qual a rigidez do horário, juntamente com outros aspectos relacionados à subordinação, foram as
primeiras coisas a serem abolidas. A autora também nos coloca que a implantação da flexibilização de horário pressupõe um comprometimento de todos com as tarefas coletivas e a observância de regras definidas por eles mesmos, visto todos serem os donos do empreendimento. Provavelmente tenha faltado esse comprometimento para que a definição do dia e dos horários de trabalho, tida como um direito dos cooperados, pudesse ser cumprida na Tramart. O estabelecimento de regras de funcionamento aponta para uma estruturação bastante forte desse empreendimento. O desenvolvimento de suas atividades, bem como de seu planejamento, assemelha-se ao funcionamento de uma empresa.
A Casa Profa Lydia focou bastante na importância da discussão sobre valorização da pessoa com deficiência, luta pelos seus direitos, conscientização sobre o seu papel enquanto cidadão e trabalhador, buscando também a inserção no mercado a partir da cooperativa, por meio de encaminhamento a empregos. A cooperativa trabalha norteada pelo estatuto social e define muitas das suas ações a partir das reuniões quinzenais ou mensais. E mesmo apostando em uma gestão cooperativa, democrática e participativa, e considerando que “a nossa empresa funciona como uma cooperativa”, o presidente aponta para a existência de um paradoxo, pois algumas vezes precisa ser “autoritário”, “ditador”, porque a resolução não ocorre na discussão coletiva. Com estrutura menos formal de funcionamento, a inserção de novas tarefas, a paralisação das mesmas, ou a troca de função no caso de falta de algum cooperado são mais facilmente incorporadas. Assim, o cotidiano do empreendimento mescla ações de trabalho (certo ritmo de trabalho, definição de postos de trabalho, liderança das oficinas de trabalho, etc) com situações menos formais. Entendemos, portanto, que se caracteriza mais como um empreendimento semi-estruturado, com flexibilidade bastante perceptível. Quanto às suas ênfases, aproxima-se do funcionamento de uma associação com fim social mediada por estrutura de capacitação para o trabalho.
A fala da presidente da COPAVI-SP aponta dificuldades para consolidação do empreendimento, como a falta de recursos, de sede própria, falta de formação cooperativista, de participação de todos os cooperados, além da discussão sobre educação da comunidade (famílias, escolas, empresas, etc) sobre a questão da deficiência auditiva. As atividades desenvolvidas buscam contratos de prestação de serviços e, principalmente, buscam a participação e a discussão na comunidade sobre as
questões inerentes à população com deficiência auditiva. O cotidiano revela, muitas vezes, ações isoladas da presidente ou da diretoria. Assemelha-se mais a uma associação de pessoas com deficiência do que a uma cooperativa.
Pela própria ênfase dada a cada empreendimento, define-se o caráter de permanência ou não dos cooperados. Para a Tramart, a cooperativa seria fonte de trabalho e renda para os seus associados, tendo um caráter de permanência. Para a Casa Profa. Lydia, com o objetivo de capacitação para o trabalho e encaminhamento a empregos, a permanência na cooperativa é temporária. Diferentemente, os aposentados por invalidez ou para pessoas com maior comprometimento físico, poderão ter na cooperativa um espaço permanente. Para a COPAVI-SP, o espaço seria permanente, caso tivesse se consolidado.
Além do caráter definido na estruturação dos empreendimentos, levando à transitoriedade ou a maior permanência de seus associados, o fator “retirada” é bastante importante. A dificuldade de se ter renda em curto espaço de tempo (um mês, por exemplo) pode desmotivar ou inviabilizar a participação de pessoas. A Tramart cita essa desmotivação como razão de saída de alguns dos cooperados, “porque precisam de uma renda fixa, que nem sempre vem”. A Casa Profa. Lydia justifica o encaminhamento a vagas no mercado por ainda não possibilitar uma renda satisfatória para os cooperados, ao mesmo tempo em que faz um “trabalho de conscientização onde se tenha que trabalhar primeiro, se estruturar, para depois ter um rendimento”. A COPAVI-SP refere que após pagarem a cota parte, queriam ter uma retirada imediata. Para Luis, cooperado da Casa Profa. Lydia, a renda não imediata seria uma razão de não entrada de algumas pessoas:
“Às vezes, o que as pessoas não ganham em três meses, querem ganhar em um mês. Aqui não é assim – a gente trabalha, produz, vende, para depois dividirmos o dinheiro. Umas pessoas chegam aqui já querendo ganhar dois salários. Tem muito deficiente que não vem aqui por causa disso, preferem ficar em casa dormindo a passar o dia aqui.” (BENILDES, 2003)
Essa situação não é diferente do que encontramos em muitas cooperativas populares, como é o caso da Cooperativa Novo Horizonte, incubada pela
Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ITCP-UFRJ), conforme depoimento de Dona Divina Teixeira:
“A cooperativa Novo Horizonte foi fundada com 28 pessoas. Dessas 28, devido à falta de paciência e confiança de que isso é o começo de uma revolução dentro do mercado de trabalho, as pessoas se afastaram e ficaram duas pessoas. Hoje nós somos 106 pessoas trabalhando.” (GUIMARÃES, 1998, p. 15).
Antônio Silva Bispo da Coopemanga, cooperativa também incubada pela ITCP-UFRJ, coloca sua vivência:
“não é fácil, a pessoa desempregada, que está excluída do mercado de trabalho, quando ela consegue uma colocação, ela ainda tem que levar trinta, sessenta e às vezes até muito mais porque as pessoas, elas precisam comer todos os dias, elas não podem esperar trinta, sessenta dias para se alimentar.” (BISPO, 2000, p. 224).
E uma alternativa que a Coopemanga encontrou foi oferecer, inicialmente, uma ajuda financeira para os novos cooperados.
Apesar da retirada poder significar ainda um valor insuficiente ou demorado, o cálculo dos valores da mesma parecem claras para os empreendimentos estudados. A Tramart e a Casa Profa. Lydia utilizam-se de percentuais sobre vendas ou produção. Para a Tramart, esse cálculo poderá ser revisto, caso avaliem uma melhor forma, inclusive os valores de investimento na cooperativa. Para a Casa Profa. Lydia, uma das questões é a diferente arrecadação de cada oficina de trabalho, gerando retiradas diferentes entre cooperados. Tenta-se discutir com o coletivo essas diferenças, que muitas vezes é sazonal, e que poderiam levar a uma tentativa de concentração de maior número de cooperados em uma única atividade. Para a COPAVI, a prestação de serviços gerando renda, seria dividida entre os participantes descontando-se um percentual para a cooperativa como taxa administrativa.