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BÖLÜM 2: SEMBOLİK TÜKETİM

2.2. Sembol Kavramı ve Sembollerin Tüketimdeki Rolü

Os objetivos iniciais de cada empreendimento são distintos. Para Tramart, na fala da presidente: “o primeiro movimento, que acho significativo para montagem da cooperativa, eu pensei em montar um grupo dentro da instituição que tivesse alunos de várias oficinas, mas que já tivessem esse conhecimento, esse interesse de trabalhar com o que eles tinham aprendido aqui.” (ALVARINHO, 2001) (grifos nossos)

No primeiro momento a idéia era individual. Posteriormente, de três professores e mais tarde, de um grupo de 15 pessoas:

“Tinha outros dois professores que também faziam parte, também eram professores de lá. Eu trabalhava com mosaico - trabalho ainda com mosaico – , o outro professor trabalhava com tapeçaria turca, e a outra pessoa com tecelagem, com tear, que é o que ficou, que é o que hoje na cooperativa a gente faz. Então nós iniciamos os três, com mais um grupo de alunos que dava por volta de 15 pessoas, dividido entre essas três atividades.” (ALVARINHO, 2001) (grifos nossos)

A partir do grupo formado, refere-se a “nós” ou “a gente”:

“Nesse meio tempo conhecemos um projeto que é da Secretaria do Trabalho em parceria com o Padef, que é um programa da secretaria de colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.” (ALVARINHO, 2001) (grifos nossos)

“A gente conseguiu esse apoio no ano de 199928, que foi o ano que a gente constituiu a cooperativa. (...) A gente começou a fazer a discussão de trabalhar, em julho de 99.” (ALVARINHO, 2001) (grifos nossos)

A vivência anterior dos primeiros organizadores da Tramart enquanto professores de um grupo de alunos, que em sua maioria eram pessoas com deficiência, levou-os a buscar um modo de trabalho que permitisse maior autonomia aos mesmos e maior apropriação do produto de seu trabalho. Este início remete à preocupação de um grupo (professores) em relação a outro (alunos). De certa forma esta distinção se dilui a partir de reuniões de planejamento, discussões coletivas, homogeneizando os desejos, propostas e necessidades. Assim, o projeto inicial pensado pelos professores, deixa de ser projeto de um grupo para outro grupo, mas torna-se de um coletivo maior.

Quanto à experiência da Casa Profa. Lydia, o seu objetivo inicial nos remete a um idealizador preocupado com a população com deficiência, da qual ele também era parte. Na fala “deve ter mais gente na mesma situação que eu, pelo menos

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com vontade de trabalhar ou que queira fazer alguma coisa.” (ANGELLA, 2001), ele se coloca como igual, e inicia o processo de formação de um grupo contatando pessoas com deficiência e apresentando o seu projeto, como nos colocam os cooperados Luis Benildes e Silmara Pereira:

“É que eu fazia uma aula de computação com o Fernando na UNESP e nós nos conhecemos ali. Ele não tinha a associação. Aí ele veio falar comigo, pegou meu telefone, entrou em contato comigo e falou que ia montar uma associação para deficientes físicos; perguntou se eu aceitava, se não tinha jeito de eu ir na casa dele. Meu irmão pegou o carro e me levou. Nós fomos até lá e conversamos. Ele falou que estava montando uma associação de deficientes físicos, onde as pessoas vão ganhar dependendo do serviço que fizerem, e se eu me interessava. Eu respondi que sim, que era melhor do que trabalhar em casa. Eu entrei em contato com ele e comecei a trabalhar” (BENILDES, 2003) (grifos nossos)

“Eu pertencia à outra entidade, aí nós casamos e fomos embora, e quando nós voltamos o Fernando convidou a gente para fazer parte da entidade.” (PEREIRA, 2003) (grifos nossos)

Inicialmente o projeto era de Fernando. Observa-se ação individual e pessoal do mesmo em tentar colocação profissional de pessoas com deficiência: “Comecei procurar empresários aqui da região, amigos meus, para ver o que [eu] arrumava. A primeira que procurei foi a (empresa x). Ele arrumou vagas para 12 deficientes físicos.” (ANGELLA, 2001) (grifos nossos) Posteriormente, objetivando a constituição da cooperativa, a sua fala passa para o impessoal, e mais freqüentemente para a primeira pessoa do plural:

“Então foi aí que surgiu a idéia de fazer a cooperativa dos deficientes físicos.” (ANGELLA, 2001) (grifos nossos)

“A 1ª barreira que nós encontramos para você abrir uma cooperativa: o deficiente físico não pode ser aposentado por invalidez.” (ANGELLA, 2001) (grifos nossos)

“A segunda dificuldade que nós encontramos foi financeira. Porque nós começamos, é uma luta, como diz o nosso

administrador quando aqui na nossa reunião, disse que esses membros dessa casa, somos heróis para fazer tudo o que estamos fazendo. Nós não temos 1 centavo da ajuda governamental, que é tudo daqui. A gente faz promoção de feijoada, festas beneficentes, churrascos. Todo o mês a gente faz alguma coisa.” (ANGELLA, 2001) (grifos nossos)

Já no caso da COPAVI-SP, a presidente não tinha um projeto pessoal. Participara da reunião na qual foi apresentada a experiência de uma cooperativa formada por pessoas com deficiência auditiva. Com outras pessoas à frente no processo de formação do grupo, inicialmente Tânia apenas colaborava fazendo controle de cadastros dos cooperados, do pagamento das cotas-parte. Com a saída do presidente anterior e a partir de nova eleição, ela assume o cargo de presidência. Percebemos que para Tânia, a entrada no projeto se deu quase que abruptamente, não se tendo a clareza de seu grupo de trabalho: “Eu entrei, já estava com uma equipe formada sem eu saber.” E descreve, com insatisfação, as várias dificuldades, como falta de informação dos associados:

“Aí foi de novo fazer papel [documentação], correr para cima e para baixo na Junta Comercial. É trabalhoso, não é fácil...Problema daqui problema dali. Outra coisa também, eles não sabem ou fingem não saber, não sei. Que não dá para mim definir. Que eles são obrigados, para eles serem cooperativas, eles tem que fazer a declaração de imposto de renda. Se tem bens, ou não tem bens, se trabalham, eles tem que fazer imposto de renda. (...) E eles não têm noção disso. Então isso você também tem que explicar. Se eles entrarem assim, você tem que primeiro perguntar para ele se associar, saber se ele faz declaração. Isso daí tem que ser bem explicado, porque se não...” (CAMARGO, 2001) (grifos nossos)

É perceptível, nessa fala, que se coloca um diferencial entre o papel do presidente e a dos cooperados. Ela tem a informação, ela conhece o modelo cooperativo. Eles não tem a informação, não entendem ou fingem não entender. E refere-se à necessidade do presidente, ou da equipe da diretoria, ou da cooperativa como um todo de “explicar tudo” para cada novo associado.

As ações individuais da presidente apontam mais para iniciativa própria do que para realização de propostas do grupo, como percebida na situação de contato

com as empresas. “(...) eu já fui com a equipe lá para mostrar o pessoal surdo, as condições. Dá para ser feito. Eu levei as melhores equipes.” (CAMARGO, 2001) (grifos nossos) E comentado o resultado dessa ação:

“Não foi chamado, não foi falado nada. Só falou que está colocando no projeto, está pensado... Eu vi que não era nada disso. ...Daí eu parei para pensar e falei “não, vou esperar mais um pouco porque se eu acelerar muito, vai ser muitas coisas nas minhas costas, tem papel, tempo e ninguém sabe fazer. E eu sozinha não posso fazer. Ou eu vou para empresa, ou eu faço papel, ou eu faço carta.” (CAMARGO, 2001) (grifos nossos)

Nessa fala percebemos que, existe a diferença entre quem sabe e quem não sabe, o que poderia estar acarretando, entre outras coisas, uma sobrecarga de tarefas para a presidente. Seria por dificuldade em delegar? Dificuldades por não ter com quem dividir? Salientamos novamente que em um processo cooperativo isso não deveria ocorrer, devendo-se capacitar outras pessoas, possibilitando formação de novos quadros nas funções administrativas, além de possibilidade de crescimento para cada cooperado.

Na fala “A maior parte que está comigo não passou da quarta série.”, referindo-se ao nível de escolaridade dos cooperados, ou na fala “Como não tem espaço físico, não posso fazer nada.” mencionando a impossibilidade da cooperativa em realizar capacitação para o trabalho, apontam para a centralização em sua pessoa, podendo caracterizar um “ser dona” do empreendimento, ter as decisões em suas mãos, e “estar consigo” significaria , estar na cooperativa. Por outro lado, quando Tânia trabalha com uma equipe, ela faz menção a isso, colocando-se como “nós”:

“ A gente está trabalhando com três pessoas. Uma é ouvinte e duas são surdas.” (CAMARGO, 2003) (grifos nossos)

“Estamos trocando umas idéias, (...) a gente está querendo mudar.” (CAMARGO, 2003) (grifos nossos)

Pelo processo apresentado pelos entrevistados em relação à concepção do projeto e sua implantação (ou a tentativa de) podemos depreender que um projeto individual pode avançar para um projeto coletivo, como também afirma GREINER

(apud HATCH, 1997) citando os cinco estágios de desenvolvimento das organizações, a saber: a fase empreendedora, a fase da coletividade, a fase da delegação, da formalização e da colaboração. Na passagem de um estágio para outro, haveria uma crise, na qual a organização, obtendo sucesso, iria para um estágio de maior desenvolvimento. No primeiro estágio, que ocorre normalmente em organizações de menor porte, o empreendedor facilmente tem controle pessoal da maioria das atividades desenvolvidas. Normalmente estes empreendedores são “pessoas de idéias” ou especialistas técnicos, mais do que administradores. A crise entre este estágio e o seguinte é denominada por GREINER (apud HATCH, 1997) como “crise de liderança”, após a qual a organização passaria para uma fase na qual a coletividade teria ênfase.