Vilani (2004) realizou um estudo com atletas e treinadores de tênis de mesa com o objetivo de analisar o comportamento de liderança do treinador na percepção dos atletas. Foram analisadas as respostas emitidas por 61 atletas e 10 treinadores das categorias mirim, infantil e juvenil durante a realização do Campeonato Brasileiro de 2003. Os resultados encontrados mostraram que as dimensões reforço e treino-instrução apresentaram os maiores valores e a dimensão autocrática os menores valores para todas as categorias.
No futebol, Munhoz (2005) realizou um estudo que objetivou verificar a percepção dos atletas em relação ao comportamento de seus treinadores. O estudo foi realizado com atletas e treinadores das categorias de base de um clube da primeira divisão do futebol brasileiro. Para chegar as suas conclusões, Munhoz contou com a participação de 105 atletas com média de idade igual a 15,03±1,89 anos. Os resultados mostraram a predominância do perfil autocrático entre os treinadores, sendo somente considerado
democrático o treinador da categoria mirim. Além disso, os atletas responderam que seus treinadores eram mais voltados para o estilo de interação treino-instrução e reforço.
Outro pesquisador que desenvolveu um estudo sobre liderança na área do futebol foi Franzen (2005). No seu estudo, Franzen procurou comparar a percepção dos atletas em relação à autopercepção de seus treinadores. Para alcançar tal objetivo, ele contou com a participação de atletas e treinadores de 6 equipes que disputavam o campeonato regional do Rio Grande do Sul, sendo 3 da categoria infantil e 3 da categoria juvenil. Os resultados encontrados indicaram que os comportamentos dos treinadores estavam mais voltados para a dimensão treino-instrução e para a dimensão democrática, tanto na visão dos treinadores como na visão dos atletas. Em somente uma equipe foi encontrada diferença significativa na dimensão democrática, onde os atletas avaliaram que seu treinador era menos democrático em relação aos treinadores das demais equipes. Essa diferença encontrada se explica, de acordo com Franzen, pelo menor nível técnico da equipe e possível inexperiência dos atletas, o que levaria a um controle mais rígido por parte do treinador.
2.5.4 Estudos que comparam gêneros
A questão do gênero tem atraído uma série de pesquisadores ao longo dos anos. Estudos que se referem à percepção dos atletas mostram resultados interessantes. Baric e Horga (2003), por exemplo, analisaram as diferenças entre a autopercepção de 49 treinadores na Croácia e a percepção de seus respectivos atletas (189 do sexo masculino e 159 do feminino) entre 13 e 17 anos de idade, por meio da aplicação de quatro dimensões da LSS (treino e instrução, reforço, suporte social e comportamento democrático). As diferenças entre as médias das respostas dos treinadores e atletas foram analisadas por meio do teste t para amostras independentes. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre as
dimensões de reforço, treino-instrução e suporte social (p<0,01) com relação aos atletas do sexo feminino e entre todas as dimensões na comparação com os atletas do sexo masculino (p<0,01).
De acordo com Baric e Horga (2003), os treinadores superestimam seus comportamentos de liderança ao responder de forma mais positiva que seus atletas. As autoras acreditam que esses resultados possam servir de parâmetro para que os treinadores busquem aperfeiçoar sua comunicação no processo de interação com seus atletas, bem como adequar seus estilos de liderança na perspectiva do comportamento atual, ou seja, diminuir a discrepância nas percepções.
Jowett e Carolis (2003) analisaram a relação treinador-atleta e a satisfação percebida pelos atletas. Utilizando o Questionário de Relacionamento entre Treinador-Atleta (Coach-Athlete Relationship Questionnaire ou CART-Q) proposto por Jowett e Ntoumani (in press) e o Questionário de Satisfação do Atleta (ASQ) de Chelladurai e Riemer (1998), os pesquisadores descobriram que atletas dos sexos masculino e feminino percebem o relacionamento com seus treinadores de forma diferente, além da natureza desta relação interferir na satisfação dos atletas.
Chelladurai e Saleh (1978) mostraram que os atletas do sexo masculino preferem treinadores que possuem um comportamento autocrático e suporte social com médias superiores às atletas do sexo feminino. Já Terry (1984) encontrou somente a preferência masculina pelo comando autoritário.
Em um outro estudo envolvendo 144 atletas universitários de basquetebol, Chelladurai e Arnott (1985) observaram que os homens preferem que o treinador tenha um estilo de liderança mais autocrático e que esteja mais voltado ao treinamento e instrução. Já as
jogadoras de basquete preferem treinadores mais democráticos e participativos que lhes permitam ajudar nas tomadas de decisão.
Jambor e Zhang (1997), utilizando a versão de auto-avaliação do treinador, verificaram que não existe diferença significativa quando o comportamento de treinadores de diferentes gêneros é analisado considerando-se todas as seis dimensões de comportamento da escala. Porém, quando essas foram analisadas individualmente, surgiram diferenças significativas na dimensão comportamento de suporte social. As mulheres mostraram uma maior tendência a ajudar os atletas com problemas pessoais e a fazer com que o esporte também representasse diversão na vida do atleta.
Já Sumoski (2002), em estudo realizado com treinadores de ambos os gêneros de equipes femininas e masculinas de futebol, verificou que não existem diferenças entre atletas do sexo feminino e masculino com relação à preferência do comportamento do treinador. Também não foram encontradas diferenças entre a percepção que as atletas tinham do comportamento do treinador e a auto-avaliação dos treinadores. Ainda, o comportamento do treinador preferido pelas atletas não foi congruente com o comportamento percebido pelo treinador.
Beam, Sewatka e Wilson (2004) realizaram um estudo para conhecer o estilo de liderança preferido por atletas e estudantes da primeira e segunda divisão de universidades dos Estados Unidos. Nesse estudo, os autores observaram que os homens preferiam um estilo de liderança autocrático e as mulheres um estilo democrático. Além destes resultados, os autores ainda observaram que as mulheres demonstraram maior preferência pelo comportamento de consideração situacional e de treino-instrução do que os homens, enquanto estes preferiram o comportamento de suporte social.
Em síntese, Serpa (1990) destaca que o sexo masculino valoriza mais comportamentos autocráticos, de suporte social e de treino-instrução, ao passo que atletas do sexo feminino valorizam o comportamento democrático.