B) II Rükneddin Süleymanşah ve Gürcistan Seferi
2) Selçuklu – Gürcü Ordularının Karşılaşması
Diferentemente do que ocorre no Brasil, há investigações oriundas de diversas instituições ibero-americanas (portuguesas e espanholas) que buscam refletir acerca dos impressos protestantes e sua relação com a educação.
Nos últimos tempos, Afonso (2009) destaca algumas publicações recentes sobre a temática em Portugal, a saber, AFONSO, J. A.; SILVA, A. M. Momentos da imprensa infanto-juvenil protestante em Portugal: O Amigo da Infância (1873-1940) e o Raio de Sol (1925-1951). Aproximações as dinâmicas e ciclos do movimento evangélico. In Gomes, Antonio Castillo (Director); Blás, Verónica Sierra (Redactora). Mis primeros pasos. Alfabetización, escuela y usos cotidianos de la escritura (Siglos XIX y XX). Gijon, España: Ediciones Trea, 2008.; SILVA, António Manuel S. P., “A Reforma, o primeiro jornal evangélico português”, Revista de Portugal, 2 (2005), p. 60-71.; SILVA, António Manuel S. P., “Dos prelos como instrumento de missão. A «Boa Imprensa» e a imprensa protestante no último quartel do século XIX”, In: SILVA, António Manuel S. P.; DIAS, Jaime Amadeu (Coord.). Gaia de há 100 anos. Igreja Lusitana: Gaia, Portugal, 1995, pp. 97-130.; LAGO,
Joaquim de Sá Pereira do, Jesuitas e Protestantes. Polemica com os Ultramontanos da “Palavra”, Gaya, Typ. de Francisco Martins Barboza, 1894.
Ainda no século XIX, de acordo com Silva (2005), numa parceria entre Guilherme Dias e Robert Moreton, é fundado em 1877 o primeiro periódico protestante denominado A Reforma, inicialmente sob orientação da Igreja Metodista à qual eram vinculados seus editores.
Analisando o “Projeto Pedagógico Alternativo em Portugal na Transição do século XIX”, Afonso (2009, p. 44) nos relata que “este jornal […] constitui uma fonte notável para a história religiosa daquele período e foi a tribuna por excelência de onde Guilherme Dias exercitava a sua notável verve jornalística e habilidade de polemista”.
As estratégias de implantação do Protestantismo em Portugal – como também ocorreu no Brasil – notabilizaram-se pela criação de Folhas Evangélicas, folhetos, livros de ficção, traduções, hinários, entre outros, no que se refere aos impressos. Além dessa esfera, as instituições educativas foram outro campo de atuação dos protestantes em geral, a saber, os colégios e as escolas paroquiais. Enquanto estas, locais e anexas às igrejas, davam prioridade ao ensino das primeiras letras, aqueles eram erguidos nos centros urbanos, contavam com uma estrutura maior e ofereciam um leque mais amplo de estudos (incluindo o secundário, o superior e, frequentemente, o ensino normal). É importante ressaltar outros aspectos desse modelo educativo: o método intuitivo, a leitura silenciosa e a educação mista (para meninos e meninas).
No caso português, é notória a atuação mais profícua, nesse aspecto, da Igreja Metodista, da Congregacional (depois, presbiteriana) e da Igreja Lusitana (de comunhão Anglicana). Afonso (Op. cit., p. 155-156) ressalta os locais onde as instituições escolares costumaram nascer:
Nos bairros pobres e operários de Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia; nas zonas deprimidas dos Açores e da Madeira; nos espaços piscatórios de Setúbal e da Figueira da Foz, e em Portalegre ou nas minas do Palhal, um conjunto de evangélicos sonharam e ergueram essas escolas. De modo pontual e espalhadas pelo território foram, contudo, ganhando uma organicidade e estruturação que expôs as escolas como instituições potencialmente capazes de oferecer uma educação plausível e concertada com o tempo de modernidade que se ia anunciando.
No Brasil, a inserção do protestantismo ocorreu pari passu nos centros urbanos, no litoral, mas também no interior do país, como já discorremos acerca de sua inserção no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. Neste, inclusive, cidades do interior como Canhotinho e
Garanhuns alcançaram, até meados do século XIX, mais projeção que a própria capital, Recife, quando se tratou da inserção do presbiterianismo.
Não é o que ocorreu, de pronto, em solo português. Do outro lado do Atlântico, na verdade, “[…] os protestantes sempre estiveram implantados essencialmente nos centros urbanos, onde os processos de recomposição social foram mais rápidos […]. A propagação evangélica consolida-se no litoral urbano e timidamente tende a alastrar-se para o interior rural”, sendo que o tímido alcance para o interior e para as zonas periféricas dos centros urbanos somente se dará “[…] a partir da primeira década dos Novecentos […].” (AFONSO, 2009, p. 89).
No que se refere ao papel da mulher, o protestantismo português reforça seu valor como imprescindível para o bom crescimento familiar não bastando que “cuide do marido e dos filhos”, mas defendendo a ideia de que ela deve exercer um papel efetivo na educação destes últimos, cujo início começa, sem dúvida, no lar. Não exaltava o feminismo radical, mas advogava uma participação mais ativa, “[…] ora pela intervenção social, ora pela prática profissional (como evangelista, professora, médica, enfermeira ou noutras profissões)” (AFONSO, 2009, p. 114).
Um dos domínios usados para se educar a juventude naquele país, em meados dos Oitocentos, foram os impressos. Dentre estes, merecem destaque a literatura e a imprensa. Silva (1995, p. 102) nos mostra, porém, que essas ferramentas de leitura serviam para educar nos bons costumes ou para desvirtuar. Um dos fundamentos para que se fizesse uso dos impressos como espaço educativo foi justamente o entendimento “[…] do caráter descristianizador ou nocivo para a moral tradicional […] de uma parte significativa da imprensa circulante”. O autor refere-se à imprensa portuense, cuja efervescência jornalística era notória, uma vez que no último quartel dos Oitocentos havia mais de 300 jornais em circulação, numa população que beirava 140.000 pessoas. (SILVA, 1995).
A tese da “boa imprensa” pertencia ao imaginário católico; porém, os protestantes não declinaram desse instrumento. Eles, “[…] que tradicionalmente tinham no folheto, na porção das Escrituras, na folha volante meios fundamentais de propagação das suas doutrinas e propostas, não podiam, ficar [alheios] à oportunidade poderosa da imprensa periódica.” (SILVA, 1995, p. 105).
Como ocorrera no Brasil, esta última fazia apologia à República – inclusive antes de sua efetivação, em 1910 –, criticava o Ultramontanismo e alguns dogmas da Igreja Romana (como a Infalibilidade do Papa, a confissão auricular, entre outros), ao mesmo tempo em que elegia uma moral adequada à juventude e à família protestante. Era necessária a constituição
de uma imprensa e uma literatura direcionada aos dissidentes, àqueles que não concordavam nem com a proposta Católica nem com a moral social em voga no país em meados dos Oitocentos.
Surge o primeiro jornal protestante de Portugal, A Reforma, mas também outras folhas como O Evangelista, O Amigo da Infância e o Egreja Lusitana, ainda no século XIX. No século seguinte, O Mensageiro, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Estrela, entre outros.
No que se refere à literatura, alguns livros eram amplamente divulgados, tendo sido a Livraria Evangélica – com sede em Portugal, mas com representante também no Brasil – umas das editoras mais relevantes nessa transição dos Oitocentos aos Novecentos. (AFONSO et al., 2012). Um livro que merece destaque nesse contexto é Lucília – ou a Escrita da Bíblia que, como folhetim, foi publicado na primeira edição do jornal Imprensa Evangélica, em 186434, no Rio de Janeiro, e uma versão, em livro, saiu em 1882, na cidade de Lisboa.
O próprio livro de Diogo Cassels, A Reforma em Portugal, publicado em 1906, foi dado a conhecer, originalmente, também como folhetim nas páginas do Egreja Lusitana, entre 1897-1898. Esse jornal era editado pelo referido escritor, após a organização da Igreja Lusitana.
Afonso (2009, p. 283) alega que “as atividades editoriais sempre acompanharam a missão dos protestantes portugueses, e nomeadamente a imprensa ocupou um papel central […]”, nesse contexto, compreendendo “[…] um conjunto de iniciativas editoriais, umas de cariz mais teológico, ou doutrinário ou de controvérsia, com outras mais abrangentes, e que abarcavam possibilidades diversas de leituras”.
É importante ressaltar, também, que a participação do elemento feminino nos impressos confessionais (não católicos) e nas demais esferas da atuação protestante, em Portugal, é visível desde a primeira metade do século XIX. Como exemplo, citemos o papel desempenhado por Margareth Crawford35, primeira esposa de Robert, que juntamente com seu esposo, foi responsável pela evangelização, criação de escolas para adultos e crianças na Ilha da Madeira.
A segunda esposa do referido médico, Sarah, também foi responsável, no Brasil, pela adaptação, tradução e composição de hinos, atuando nas Escolas Dominicais, na distribuição
34 Neste jornal, a publicação recebe o título de Lúcia, ou a Escrita na Bíblia.
35 O casal Kalley mudara-se da Europa para o Líbano, em 1850, novamente por conta do clima satisfatório e
recomendado para pacientes acometidos de tuberculose, caso da esposa de Robert. Ela veio a faleceu em 15 de setembro de 1851 tendo sido enterrada no cemitério dos estrangeiros em Beirute. (Cf. CARDOSO, 2005a).
de folhetos diversos e Bíblias, ajudando também no cuidado aos doentes atendidos por Robert Kalley – muitas vezes gratuitamente.36.
Também é notório, como já citamos anteriormente, a atuação de Ellen Roughton no que concerne à criação de escolas (desde 1860, em Lisboa), sua ligação com o casal Kalley (já no Brasil), bem como seu envolvimento na fundação da Primeira Igreja Presbiteriana, no território continental português.
Para além dos exemplos citados, convém recordar que as organizações femininas da juventude lusitana começam ainda no século XIX. Em 1877, é fundada, no Porto, a União Cristã Feminina do Mirante e, em 1908, já havia a organização de, pelo menos, oito Associações congêneres. (AFONSO, 2008).
Essas organizações foram, na segunda metade dos Oitocentos, importantes na construção de um lugar social, dentro da proposta educativa protestante, destinado à mulher.
Afonso (2008, p. 46) nos mostra que, ainda no século XIX,
[…] se alastram os espaços de sociabilidade feminina protestante (associações e imprensa, entre outros) e as causas começaram a ganhar rosto: escravatura, prostituição, alcoolismo, escolaridade feminina, educação para todos, igualdade de salário, direito de voto, como aquelas em que houve um assumido empenho. A palavra e a acção criam campos de influência (a instrução e a saúde pública) que progressivamente rompem com o quadro familiar e invadem a esfera pública; no entanto, a esfera privada não é abandonada, e a ascensão cultural e social alicerça-se numa prudente dinâmica doméstica.
O lar não é abandonado, muito menos a educação dos filhos, temas tão caros ao projeto reformado. Porém, ao mesmo tempo, o lócus de atuação da mulher também deverá se dar no espaço público, devido à necessidade de sua inserção social, seu “estar” no mundo. É preciso ainda considerar que este espaço concedido ou solicitado pela mulher não ocorre na perspectiva de um feminismo radical. As mulheres portuguesas – e os analfabetos – ficaram de fora, por exemplo, do direito ao voto quando se estabeleceu a República portuguesa, em 1910.
Evidentemente, não se tratou de espaço que se constituiu sem conflitos, embates, fissuras, desentendimentos, tanto do ponto de vista real quanto do ponto de vista simbólico.
Aos poucos se vai formando, no imaginário português, sob influência em grande parte dos movimentos evangélicos, um novo modelo feminino e “[…] vão ganhando visibilidade as notícias sobre as actividades desenvolvidas pelas mulheres assim como a participação, pela
36 Sobre a atuação desse casal em Portugal, ver Testa (1963), Peixoto (2001 e 2005); no Brasil, cf. Afonso et al.
escrita, se vai consolidando, ora na diversidade dos nomes que assinam as crónicas, ora pelo alargamento dos temas que são tratados […].” (AFONSO, 2008, p. 50).
É “essa consolidação pela escrita” que nos interessa mais de perto e começa a parecer ainda no século XIX, mas que se consolidada nas primeiras décadas dos Novecentos, principalmente graças ao aumento visível tanto da quantidade das Uniões Cristãs Femininas organizadas quanto da publicização de suas atividades que, frequentemente, faziam-se “anunciar” nas páginas de algum periódico.
A participação das Unionistas, aquelas vinculadas às Uniões da Mocidade, quer como atuantes no trabalho social e educativo, foco principal de sua organização, quer como agentes das letras, publicizando aquelas atividades, vem sendo alvo de investigações desde algum tempo no caso português. Apesar disso, podemos dizer que trata-se um universo que ainda carece de investigação, por encontrar-se, muitas vezes, silenciado do ponto de vista historiográfico. A situação no Brasil, entretanto, é muito mais rarefeita: praticamente não há estudos que tenham esse tema como objeto.
Por trazer imbuído em sua proposta o acesso do fiel diretamente com divino, o protestantismo concede um lugar mais atuante também ao elemento feminino. Assim, “as condições religiosas e sociais em que vive a mulher protestante favorecem extraordinariamente o seu desenvolvimento moral e intelectual.” (AFONSO, 2008, p. 51-52). O seu acesso ao sagrado é direto: “Ela não depende dos ministros da religião para a sua comunhão com Deus, pois sabe ir em fé e oração até ao Pai de infinita misericórdia para alcançar o perdão dos seus pecados […].” (AFONSO, 2008, p. 51-52).
E no exercício de sua fé há práticas de leitura e educação, pois, “[…] ela lê a Bíblia, e nessa leitura aprende que não deve ser idólatra, prostrar-se em oração diante de imagens, pois que o Evangelho do seu Divino Mestre lhe Ensina: ao Senhor teu Deus adorarás e a ele só servirás[…].” (AFONSO, 2008, p. 51-52).
Identificando os jornais protestantes como espaço educativo e optamos por analisar, no caso português, um periódico relevante nesse contexto, a revista Estrela, editada a partir de 1925. Na verdade, não se trata de uma revista, como as que teremos no Brasil do século XX.
Essa publicação surge na cidade do Porto, em julho de 1925, editada e escrita para e por mulheres. De periodicidade trimestral e contando com quatro páginas, seu intuito era divulgar principalmente o cotidiano das Uniões Cristãs da Mocidade Feminina em solo português. No entanto, não se furtava de modo algum a também fazê-lo no que dizia respeito às Uniões organizadas pelo mundo. Tivemos acesso a 52 exemplares (até abril de 1938) da revista. Mas, optamos por analisar apenas 20 edições, a saber, de julho de 1925 a outubro de
1930. Essa escolha deveu-se, em grande parte, ao recorte temporal da tese como um todo, que se insere no contexto da chamada “primeira República” no Brasil.
Mais adiante, a partir de abril de 1928, quando fazia praticamente três anos de existência, passou a receber uma espécie de carimbo no qual constava a seguinte expressão: “Visado pela Comissão de Censura”. Tal fato foi identificado nos demais números, até o último ao qual tivermos acesso, a saber, abril de 1938. É possível que o mesmo tenha acontecido aos números subsequentes, pois não foi possível identificar quando a publicação veio a termo.
As edições que serão analisadas estão divididas em exemplares anteriores à menção citada e posteriores. Essa particularidade nos leva a indagar: Será que houve diferenças nos conteúdos apresentados? Teria a censura interferido na escolha dos temas ou alterado as formas de escrita dos textos publicados? Estas são algumas das questões que nortearam nossa análise.
Imagem 13 – Sarah Kalley. Jornal O Mensageiro. Ano 1, n.5, set. 1905.Capa.
Fonte: Acervo da Igreja Metodista do Mirante, Porto/PT.
Esse impresso surge como uma das deliberações do 1º Congresso Nacional das Uniões Femininas, ocorrido no início de março de 1925. No seu editorial primeiro informa que
[…] vem tomar o seu lugar no jornalismo evangélico português , e ao fazê- lo, saúda cordialmente todos os seus colegas. É um astro muito humilde que não pretende ofuscar a vista mais fraquinha, e no entanto tem ambições. Como a estrela de Belém que uniu num longo trajeto homens de talvez mui variados usos e costumes e os foi guiando […], assim também esta nova «Estrela» deseja ser um elo de amizade cristã entre todos os ramos da obra unionista e guiar muitas almas femininas para aquele que é a “resplandecente Estrela da manhã”, o menino que nasceu humildemente em Belém e que é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Salvador do mundo. (Apresentação. Estrela, Porto, p. 1, jul. 1925, grifos nossos).
É importante ressaltar que o título do nosso trabalho, “Guiando Almas Femininas”, foi influenciado pelo trecho da citação acima. Num segundo momento, ao perscrutar mais atentamente o universo desse periódico, identificamos que esse era o cerne da revista, ou seja, orientar as mulheres protestantes na sua caminhada cristã. E como nossa investigação preocupava-se em analisar o papel dos impressos nesse percurso, fomos influenciados pelo trecho do editorial, o que nos levou a optar por ele na composição do título da investigação que ora apresentamos.
Mais que simplesmente uma publicação direcionada ao público feminino, podemos compreender que periódicos como esses nos “[…] remetem para zonas de intersecção entre a dimensão social da actividade feminina e a solidez da dimensão privada que pressupõe uma nítida formação relacional bem como um profundo conhecimento teológico, confessional e cultural e que configura um habitus fraternal.” (AFONSO, 2008, p. 64).
Mais que simplesmente uma publicação direcionada ao público feminino, podemos compreender que periódicos como esses nos “[…] remetem para zonas de intersecção entre a dimensão social da actividade feminina e a solidez da dimensão privada que pressupõe uma nítida formação relacional bem como um profundo conhecimento teológico, confessional e cultural e que configura um habitus fraternal.” (AFONSO, 2008, p. 64).
Em tamanho tabloide, com páginas dispostas em duas colunas, os exemplares analisados apresentaram desde o número 1 (julho de 1925) até o número 16 (julho de 1929) o mesmo corpo editorial: Diretora, Editora e Redatora. Na verdade esta última passa a figurar a partir do número 4 (abril de 1926), permanecendo nessa função até o último número ao qual tivemos acesso (52, de abril de 1938). A partir da edição de número 17 (outubro de 1929), a revista passa a ser dirigida por outras duas mulheres, que assumem as funções de diretora e editora.
De um modo geral, algumas seções se repetem com frequência, a saber: Noticiários (em todos os exemplares); Retalhinhos de Brocado (13); Concurso, com perguntas bíblicas ou de outro caráter (11); UCM’s em Portugal e pelo mundo (09), Receitas (07). Outras estão presentes, mas em menor escala como Perguntas Bíblicas (06), Expediente, Anúncios e Utilidades Caseiras (05), Acróstico e Livros Para as Jovens/Bibliografia (04).
É interessante notar que apenas as duas primeiras e a quarta sessões indicadas acima se repetem com frequência nos números que aparecem como “Visado pela Comissão de Censura”. As demais repetem-se mais nos primeiros dez exemplares.
Mesmo constando, explicitamente, em poucas edições, apenas em quatro delas, a indicação dos livros adequados às jovens não se resumia a estas. Havia sugestões em outras partes explícita ou implicitamente.
Evidentemente que outras colunas foram sendo criadas, mas não eram reiteradas nos demais números. Um fato que nos chamou a atenção foi justamente terem desaparecido a maioria das colunas que se repetiam nos primeiros exemplares.
A coluna Noticiário, exibida na última página da revista, também merece consideração, uma vez que divulgava as atividades educativas diretas (ou seja, as escolas ou
Imagem 14 – Revista Estrela. Ano 1, n.1. jul. 1925. p. 1 Fonte: Acervo da Igreja Lusitana do Torne, Gaia/PT.
aulas diversas) implantadas pelas Uniões de Mocidade, além de informações diversas, quer de Portugal, Brasil ou outras regiões.
Mesmo sabendo que as mulheres, em Portugal, conseguiram com a República alguns direitos, sabemos que a autorização para votar (apenas aquelas que tivessem grau secundário ou superior) somente foi concedida em 1931.
Fazendo um paralelo entre a República portuguesa e a brasileira, podemos identificar que ambas reconheceram tardiamente o direito ao voto feminino, tendo esse fato ocorrido em 1931 e 1932, respectivamente. Porém, se recordarmos que a primeira ocorreu em 1910 e a segunda em 1889, perceberemos que o lapso temporal no caso brasileiro é mais gritante. Ou seja, no nosso país, esse direito só foi reconhecido mais de 40 anos após a Proclamação da República, o que Portugal demorou 21 anos para acontecer.
Porém, a revista Estrela, de forma indireta, sugere uma participação efetiva do elemento feminino no espaço público, uma vez que as lutas por direitos vão além do voto. Destacamos que a atuação feminina, por vezes aparecendo de forma pontual, mas efetiva, pode ser percebida em alguns números da publicação citada, indicações que vão no sentido da participação efetiva do elemento feminino no espaço público.
Como exemplo, citemos a insistência de algumas unionistas, na Grécia, após um incêndio em Smirna. Algumas participantes da União Feminina se refugiaram em Atenas, mas não tinham como se organizar, principalmente devido ao fato de não haver moradias disponíveis para aluguel. O texto diz que elas “dirigiram-se ao Governo e pediram um lugar onde pudessem estabelecer sua União: pediram uma vez, e outra, e outra, até que lhes foi concedido o uso do vestíbulo, escada dourada e corredores adjacentes do antigo palácio real.” (Coragem e Iniciativa, Estrela, Porto, p. 1, jul. 1925.).
A persistência e a ousadia das Unionistas em instar diretamente com o governo um espaço para exercerem suas atividades sugerem ou um enfretamento direto ou a certeza de gozarem de certo status junto às autoridades. De certo modo, o título da coluna “Coragem e Iniciativa” já é, por si só, bastante sugestivo.
Também é frequente a sugestão de livros adequados para a leitura feminina, divulgação de cursos de férias (preparatório para o trabalho unionista), os Retalhinhos de Brocado, que eram provérbios diversos, de cunho moral, bem como a seção de Noticiários. Nesta última secção eram divulgados os trabalhos educativos levados a termo pelas Uniões espalhadas pelas Europa, mais com ênfase àquelas do Porto, Lisboa e regiões adjacentes.
A maioria das seções deste impresso não eram assinadas, o que nos permite inferir que