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1.5. Sektörde AR-GE ve Teknoloji Faaliyetleri

É preambular e indispensável tratar do presente tema abordando-se o disposto no art. 2º da Suprema Carta Federal que, elenca serem os Poderes da União: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

Entretanto, não menos importante é salientar que tais poderes são, sobretudo independentes. No entanto, devem atuar de forma hamônica.

Aliás, o art. 2º da Carta Suprema traz em seu texto as expressões “hamônicos entre si”.

Relevante a citação do referido artigo, in verbis: “... Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Não difícil, justamente por se tratar de Poder, é haver possíveis conflitos na emanação de atribuição de cada um dos Poderes e, assim, vez por outra, a interferência de um noutro.

Por essa razão, na própria Constituição Federal Nacional já há previsões que se pode entender como controle entre poderes constituídos, como por exemplo:

a) previsão constitucional do VETO do Poder Executivo em relação ao projeto aprovado pelo órgão legislativo é um dos exemplos mais difundido de forma de controle da atividade típica do Poder Legislativo por parte do Executivo.

Veja-se o teor dos arts. 66, §1° e inciso V do art. 84 da CF/88, in verbis:

Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,

aquiescendo, o sancionará. § 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo- á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;

b) como exemplo de controle do Poder Executivo exercido em relação ao Poder Judiciário, pode ser citada a faculdade atribuída ao Presidente da República (CF/88, art. 84, XII), para a concessão de indulto e comutação de penas, que pode ser utilizada como forma de controle de correção da atividade jurisdicional, quando não motivada a decisão, apenas pelo juízo de conveniência e oportunidade, mas inspirado, o Chefe do Executivo, pelo caráter controvertido, juridicamente, da sentença condenatória judicial.

Veja-se o insculpido no art. 84 da CF/88, in verbis: “Art. 84 CF/88 - XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei”;

c) como exemplo de controle do Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo, temos o controle da constitucionalidade das leis produzidas pelo Legislativo. Aqui o Poder Judiciário, no exercício de sua função típica exerce o controle de correção, determinando inclusive a suspensão da execução de lei inconstitucional.

d) como exemplo de controle do Poder Judiciário em relação ao Poder Executivo, temos também o controle de constitucionalidade, porque o Chefe do Executivo poderá ter sancionado uma norma inconstitucional, ou poderá ter editado uma medida provisória, ou mesmo um decreto inconstitucional.

e) controle do Poder Judiciário e do Poder Legislativo em relação ao Poder Executivo: processo do “impeachment”.

conforme ditame do art. 49 da CF/88, in verbis:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar; III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; VI - mudar temporariamente sua sede; VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo; X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares.

Diante destes pressupostos, permita-se novamente o truísmo, haja vista que elencadas na própria Constituição estão o princípio da separação dos Poderes, bem como os recém dispostos exemplos de controles entre tais poderes constituídos, é de se imaginar que haja eventualmente certo conflito entre os mesmos eis que a linha que os cercam seja tênue.

princípio da separação dos poderes é posto em cheque, muito embora deva prevalecer o bom senso na interpretação valendo-se do significado mais apropriado do que seja a harmonia e independência na indelegabilidade de suas funções, ainda que expressamente disposto na Norma Maior que devam agir respeitando-se tal independência e harmonia entre si.

Alexandre de Moraes, afirma que, as funções típicas e atípicas dos Poderes, o são, levando-se em conta sua unidade30.

Frise então que não podendo o Presidente da República interferir na atividade legislativa, para obter aprovação rápida de seus projetos, faculta-lhe a Constituição determinar prazo para sua apreciação, conforme estão previstos nos termos dos parágrafos do art. 64 da Carta Maior, in verbis:

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. § 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa. § 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação. § 3º - A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. § 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código.

Dessa forma, pode-se constatar que os Tribunais não podem interferir no Poder Legislativo, são de outro modo, autorizados a declarar a inconstitucionalidade das leis.

O Presidente da República não pode interferir na atividade jurisdicional, em compensação os ministros dos tribunais superiores são por ele nomeados, dependente do controle do Senado Federal que deve aprovar a

indicação.

São, portanto, algumas manifestações do mecanismo de freios e contrapesos, característica da harmonia entre os poderes no Estado Brasileiro.

Isto vem a demonstrar que os trabalhos do Legislativo e do Executivo, em especial, mas também do Judiciário, poderão se desenvolver a contento, se eles se subordinarem ao princípio da harmonia, o que não deve significar o domínio de um pelo outro nem a usurpação de atribuições, mas a verificação de que, entre eles, há de haver consciente colaboração e controle recíproco, para evitar distorções e desmandos.

Em conformidade com o princípio da separação dos poderes, no seu texto, Anna Cândida Ferraz defende a necessidade de um mínimo funcional e um mínimo de especialização de funções31: “Se se quer manter a divisão tricotômica da teoria de Montesquieu, deve-se utilizá-la validamente, ao menos para o fim último por ela visado, de limitação do poder e garantia das liberdades.”

Cândido Dinamarco, preciosamente lecionou que há uma distinção entre a atuação jurisdicional e a legislativa, eis que o poder Judiciário atua num patamar completamente distinto daquele em que o legislador ativa-se. Porquanto os juízes dirimem controvérsias decorrentes de fatos reais e concretos, o legislador elabora normas gerais abstratas32.

Desta maneira, desde Locke e Montesquieu até a materialização efetiva e atual inserida em nossa Carta Federativa, os Poderes continuarão a ser objeto de constante e controvertida análise e discussão, mormente com o crescimento social e populacional e a ‘globalização’ dos povos, economia e direitos sociais.

Porém, necessário se faz que haja entre eles a harmonia também já expressa na Constituição Federal e mutuamente trabalhem em prol da sociedade

31 Conflito entre poderes, p. 17.

carecedora de direitos bem aplicados, de forma a efetivar o anseio social pelo direito menos moroso e justo.

É nesta toada que daremos prosseguimento a este estudo analisando nos próximos itens a questão do judiciário e sua forma de exercício de Poder.

Benzer Belgeler