BÖLÜM 3: BULGULAR VE YORUM
3.3. Sayıltıları İnceleme ve Değerlendirme (Örtük Varsayımların Belirlenmesi) Stratejisi İle İlgili Bulgular ve Yorumlar
3.3.1. Sayıltıları İnceleme ve Değerlendirme (Örtük Varsayımların Belirlenmesi) Stratejisi ile İlgili Birey ve Toplum Adlı Temadaki Bulgular:
Para Hall e Taylor (2003) a gênese ou mudança institucional está relacionada ao conflito de interesses entre atores, que competem entre si, mostrando assim como as relações de poder existentes nas instituições podem favorecer determinados atores ou interesses em detrimento de outros.
Por conseguinte, a partir de uma perspectiva formal das instituições, com ênfase nas regras constitucionais, entende-se que o contexto institucional serve de palco para essas relações de poder, que, por sua vez, são constrangidas por esses regramentos, pois definem "um contexto estratégico para a ação desses atores" (IMMERGUT, 1992). Foi elaborado um quadro analítico, com a intenção de compreender como se deu essa dinâmica histórica institucional, tendo em vista os momentos de estabilidade e mudanças do contexto institucional, procurando assim identificar os fatores que levaram Brasil e França a adotarem o atual modelo de financiamento para a cultura. Para tanto, foram definidas três categorias bases, já explicitadas ao longo deste capítulo, são elas: imagem, atores e interesses.
Quadro 1 – Categorias analíticas para contexto institucional Imagem Forma como uma política é compreendida e discutida.
Atores Políticos, burocracia, financiadores/ captadores, e artistas/ grupos culturais. Interesses Intenções de determinado ator de alcançar algum benefício específico.
Fonte: Quadro elaborado pela autora, com base em Immergut (1992); Thelen e Steinmo (1992); Baumgartner e Jones (1993); Hall e Taylor (2003); e, Peres (2007).
A imagem equivale ao modo que uma política é entendida e debatida (BAUMGARTNER; JONES, 1993), ou seja, trata-se de idéias que asseguram arranjos institucionais e/ou facilitam o processo de mudança. Dessa forma, a imagem define as
questões discutidas no contexto institucional, que por sua vez restringe as ações dos atores e interesses do campo.
Dentro dessa conjuntura há uma pluralidade de atores, todos regidos pelo auto- interesse, que podem se relacionar com o campo. Todavia, para efeito analítico, eles serão agrupados em quatro atores chave, representados aqui por: políticos, burocracia, financiadores/ captadores e artistas/ grupos culturais.
Políticos – relacionados ao poder executivo, aqui representados pelo governo e seus ministérios, ou seja, estamos falando dos políticos eleitos e de seus ministros, que não necessariamente são políticos, mas que ocupam cargos de confiança e também tem "sob seu controle a burocracia estatal", ambos com racionalidade limitada (PERES, 2007, p. 48). O principal interesse desses atores é a reeleição ou a permanência no cargo de destaque, sendo assim regidos pelo auto-interesse (PERES, 2007). Este grupo está sujeito à pressão de outros atores e é o responsável pelo financiamento direto da cultura. É importante ressaltar que não necessariamente possuem os mesmos interesses, mas para fins analíticos preferiu-se agrupá-los.
Burocracia – representada pelo corpo burocrático que executa as políticas públicas do aparelho estatal, ou seja, são os funcionários públicos responsáveis pela formulação, execução e avaliação de processos, estando sujeitos aos atores políticos. Possuem capacidades específicas, que variam de acordo com o cargo ocupado. Estes atores são racionais e agem por auto-interesse, sendo a eficiência burocrática e a permanência no cargo os principais (PERES, 2007).
Financiadores/ captadores – correspondem as empresas privadas e pessoas físicas que financiam a cultura, seja por ações filantrópicas ou por incentivo fiscal, são responsáveis pelo financiamento indireto do campo. Também inserem-se aqui os intermediadores desse processo, haja vista o incentivo fiscal que criou um novo nicho de mercado, como por exemplo os captadores, que fazem a intermediação entre empresas e produtores culturais.
Artistas/ grupos culturais – equivalem ao grupo mais abrangente, pois compreendem os artistas e grupos das mais variadas formas culturais, inclui ainda os produtores culturais (grandes e pequenos), acadêmicos e a sociedade civil. Entende-se
aqui que dentro desse escopo alguns grupos são mais articulados do que outros, e consequentemente possuem maior força nas decisões políticas e maior visibilidade diante dos financiadores, mas para efeito crítico foram organizados em conjunto.
Estes atores regem interesses diversos e atuam dentro de um contexto institucional, por conseguinte, correspondem às intenções de determinado ator de alcançar algum benefício específico. Para Thelen e Steinmo (1992) as instituições podem influenciar as definições dos próprios interesses de um ator, ao estabelecer suas responsabilidades institucionais, bem como sua relação com os demais atores.
É possível afirmar que alguns atores podem se juntar para alcançar um determinado objetivo, seria aqui a formação de grupos de interesses. Para Horn (1995, apud, PERES, 2007) um grande grupo de interesses difusos possui uma dificuldade maior de assegurar o sucesso de seus objetivos frente ao processo político, por sua vez, um pequeno grupo com um interesse específico possui um maior poder de influência e consequentemente de realização.
Este capítulo buscou demonstrar que apesar das instituições associarem-se à continuidade e à inércia é possível compreender os períodos de mudanças que são inevitáveis ao longo do tempo, tendo em vista o modelo de equilíbrio pontuado. Também demonstrou que as instituições influenciam no processo de formulação de políticas públicas, apesar de não serem a única razão pela qual se obtém resultados, para tanto foi elaborado quadro analítico com categorias específicas, buscando assim trazer uma maior legitimidade ao tema.
Esta linha de análise é importante para esta pesquisa, pois permite compreender o contexto histórico em que o modelo de financiamento para a cultura foi desenvolvido, no Brasil e na França, tendo em vista as variáveis abordadas acima, dentro de um ambiente marcado por mudanças e estabilidade, bem como por fatores sociais, políticos e econômicos. Dessa forma, o capítulo seguinte traz o contexto histórico francês onde é possível identificar uma abordagem predominantemente estatal do campo cultural.