A administração é a ciência que mais se faz presente à prospecção de estratégias para o crescimento de organizações e instituições em prol do desenvolvimento da sociedade. As novas proposições na perspectiva da sustentabilidade vislumbram maior visibilidade às empresas, tanto públicas quanto privadas; assim, necessitando que suas probidades administrativas estejam sempre fundamentadas nas ciências e seus respectivos conceitos científicos.
A sociedade está orientada pelo mercado e o mercado pela crescente demanda de negócios sustentáveis; logo, a sustentabilidade passa a ser um bom negócio. O administrador deste século precisa estar consciente do quanto suas ações precisam gerar lucros; mas, o entendimento de lucro deve ser repensado de forma a privilegiar o desenvolvimento, simultâneo, das variáveis socioambientais: política, social, econômico, ambiental e educacional devendo ser estes avanços socializados para as variadas camadas sociais com maior equidade.
É um imperativo, às instituições formadoras a ampliação das condições formativas profissionais. Pois, considera-se que para a formação intelectual, instituições de ensino precisam repensar as formas de assimilação dos conteúdos científicos.
Outra condição necessária à formação é a necessidade de privilegiar ações e práticas sustentáveis, pois as tomadas de decisões devem estar consonantes com os valores humanos e com a constante capacidade criativa, crítica e reflexiva para lidar com os desafios da profissão.
Há tempos, observa-se o quanto a era da informação vem demandando necessidades para que os administradores atendam as constantes surpresas e desafios, sobretudo, numa perspectiva organizacional. Cada vez mais se necessita de uma formação de graduandos que os possibilitem pensar a administração na perspectiva da sustentabilidade.
Faz-se procedente a preocupação dos conselhos federais e regionais de administração em relação ao tema: sustentabilidade. Assim, observa-se que a grande maioria dos eventos da área de administração - nos últimos anos - está sendo norteada pela mesma temática descrita anteriormente. Estas temáticas estão se fazendo, quase que, obrigatoriamente, presentes nos grupos que compreendem os distintos eventos, não diferente também vem acontecendo com a temática: Ensino e Pesquisa em Administração.
O Conselho Federal de Administração (2010) durante todo o período de 2008 a 2010 promoveu e/ou apoiou, oficialmente, dezenas de eventos sobre Administração e suas distintas áreas. Desses eventos, em torno de 40% pelo menos, proporcionou discussões sobre o ensino de administração e suas respectivas integrações com as novas necessidades administrativas nacionais. No concernente, aos eventos que tinham como temas norteadores a Sustentabilidade foram 24%. Ainda, mais 18% integraram a importância do ensino da administração na perspectiva da sustentabilidade (CFA, 2010).
Dessa forma, constata-se que a preocupação com a contínua performance do ensino de administração e a preocupação com a sustentabilidade está cada vez mais sendo objeto de reflexão às ciências administrativas. Também é importante mencionar que independente dos temas dos eventos, quando os mesmos tinham cunho acadêmico-científico, os eixos temáticos sempre compreenderam: o ensino da administração e da sustentabilidade.
O Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro (CRA-RJ, 2008) em plenária no mês de setembro de 2008 concedeu a criação da Comissão Especial de Desenvolvimento Sustentável com a intenção de prover maiores reflexões para os administradores sobre a temática (CRA-RJ, 2008).
Em uma época de intensa complexidade organizacional, constantes incertezas na gestão de recursos – humanos, materiais e financeiros – o ambiente mercadológico globalizado e pró-ativo vem se fazendo necessário para se compreender melhor a administração e tal volatilidade de novidades globais para se entender tais desafios como compromissos com o progresso da sociedade.
Há uma necessidade de se estabelecer para o processo formativo condições que a pesquisa seja um componente fundamental para o desenvolvimento da atividade profissional. Esta condição é uma situação capaz de demandar competências, habilidades e atitudes para a formação dos profissionais.
Cabe também sinalizar que a formação não é somente um problema de apropriação ou construção de conhecimentos teóricos pensados para a prática, e sim, um processo de pensar e intervir na prática sempre com fundamentação em referências que contém visibilidade para os contextos de pesquisa (NÚÑEZ; RAMALHO, 2004).
A intervenção na prática torna-se uma responsabilidade e comprometimento ético com a administração sustentável e a construção de saberes pelos administradores como sujeitos construtores da sua identidade profissional.
A investigação também tem como propósito apresentar os conceitos básicos e fundamentais da ciência administrativa. Trata-se das premissas que os graduandos em administração têm como princípios básicos teóricos e conceituais da administração. Para tanto, de forma cronológica, apresentar-se-ão as principais escolas do pensamento administrativo, contextualizando-as em seu tempo e espaço e enfatizando o caráter mutável, adaptativo e evolutivo da ciência da administração, agora dependendo de ser pensado sustentavelmente (ROBBINS, 2006).
A formação do graduando em administração deve ser implementada de maneira que se possa, no contexto acadêmico-educacional, integrar tais exercícios profissionais de natureza teórico-conceitual ao pragmatismo necessário às ações possíveis de serem enfrentadas no contexto empresarial real. Logo, defende-se que a formação inicial deve ter consistência e fundamentação teórica capaz de subsidiar o futuro administrador para o exercício de suas atividades.
Sendo assim, considera-se tais possibilidades apresentadas interessantes para a formação do graduando em administração, porque uma formação inicial fundamentada nestas mencionadas posições, possivelmente, proverão subsídios capazes de proporcionar
aos futuros profissionais repensarem seus projetos, tanto de cunho pessoal e social quanto de cunho profissional.
Nas novas agências formadoras a inovação não ficará mais por conta do conteúdo ministrado, mas, da forma da prestação de serviços. Pois, a sobrevivência das instituições dependerá da capacidade de se tornarem criadores de oportunidades de aprendizado em tempo real e provedores de suporte on-line. O mercado cada vez mais vem norteando o desenvolvimento da sociedade (RAMOS, 1997); assim, o seu desenvolvimento vem se prospectando intensamente nos produtos, nos serviços e nos conhecimentos.
Drucker (2000) foi o primeiro a vislumbrar o que viria depois, nos anos 90: as teorias que se voltam para os bens intangíveis, como a gestão do conhecimento e o relacionamento com os clientes. Os administradores de conhecimentos serão avaliados e valorizados de acordo com sua habilidade de criar, imaginar, julgar e construir relacionamentos (DRUCKER, 2000). Ainda, o mesmo autor propõe a seguinte reflexão:
o mercado é definido pela demanda, e não pela oferta. Em relação à globalização: ‘todos os homens de negócios têm de estar atentos ao fato de que existe uma economia mundial, por mais local e restrito que seja o mercado de seus produtos’ (DRUCKER, 2000, p. 58).
Para Robbins (2006) o desafio da integração com a globalização se apresenta como consequência para a administração das organizações: a administração da incerteza. As modificações aceleradas, o crescimento das organizações, a concorrência travada por estas organizações, o desenvolvimento tecnológico, os fenômenos econômicos da inflação e a internacionalização das atividades, exigem novas formas, outros modelos de organização e as problemáticas socioambientais, que segundo este autor, devem buscar uma mentalidade compatível com os novos desafios do mundo global e local.
O desafio atual de formação do administrador é preparar um profissional para atuar como agente transformador, capaz de ajustar-se com rapidez aos avanços da ciência e da tecnologia no estabelecimento de uma nova ordem (GUERRA, 2002, p. 6).
A formação do administrador deve contemplar novas competências, resiliência e responsividade. Por isso, os cursos de graduação de administração devem proporcionar para os seus graduandos, em conformidade com o parecer aprovado do CNE sobre as Diretrizes Curriculares, ainda mais qualidade durante o processo formativo, como: “ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças e consciência da qualidade e das implicações éticas do seu exercício profissional” (DCNCGA, 2008, p. 13).
O desenvolvimento das referidas condições formativas tornam-se mais necessárias quando se depara com a crescente competitividade comum do mercado globalizado, decorrente das mudanças sociais e econômicas, do redimensionamento dos processos de produção e, sobretudo, da necessidade de prever e prover novos estilos de gestão empresarial para atender uma sociedade mais ambientável.
Propõe-se que novos modelos formativos releguem a formação centrada na superespecialização de objetivos quantificáveis que valorizam o conteudismo e o mecanicismo e passe a considerar que a formação sustentável torna-se uma condição formativa profissional mais generalista, de competências e habilidades múltiplas, principalmente, que proporcione a adaptabilidade às iminentes mudanças advindas da globalização capazes de atender as demandas e a dinamicidade do mercado.
Pois, sabe-se que a formação do administrador é orientada pela incessante concepção de maximização de lucros, ou seja, deve atender os acionistas e desenvolver ações socioambientais que por sua vez atendem as necessidades da sociedade. A formação deve passar a ser norteada pela sustentabilidade e pela responsabilidade socioambiental corporativa de maneira que a administração compreenda a organização como um todo, ou seja, pertencente ao ambiental.
Mediante estas condições formativas busca-se uma maior horizontalização dos corpos docente e discente, a qual deve promover sempre o estreitamento deste relacionamento com a finalidade de favorecer o processo de ensino e aprendizagem, de forma que as partes se complementem. Assim, privilegiando a constante e necessária troca
de informações e o desenvolvimento do pensamento e das consequentes ações criativas, críticas e reflexivas pertinentes aos conteúdos peculiares à academia e ao mercado global.
Com estes condicionantes, a formação do administrador deve ser empreendida na perspectiva da sustentabilidade tornando-se uma condição necessária para orientar as futuras estratégias de empreendimento. O planejamento, o desenvolvimento das atividades, o controle e a constante avaliação dos negócios estão mais relacionados às propostas que ostentam a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.
Práticas empresariais sustentáveis vêm sendo cada vez mais intensificadas e aceitas, pelo fato da sociedade estar cada vez mais necessitada de propostas que promovam os negócios, mas, que também contemplem a qualidade de vida da população; logo, a formação deve estar em sintonia com tais necessidades.
Nessa dimensão, cabe sinalizar que a idéia de crescimento, quase sempre fundamentada no lucro, deve ser repensada especialmente durante o processo formativo dos novos profissionais das ciências administrativas. Há tempos, vem se entendendo o lucro atrelado ao econômico. Entretanto, o lucro deve ser entendido também como político, social, ambiental e educacional, ou melhor, o lucro de forma mais sustentável para que a sociedade seja a grande beneficiada.
Os graduandos em administração devem se formar numa dimensão onde os conhecimentos teórico-conceituais pertinentes às ciências administrativas sejam orientadores de suas proposições futuras. E assim, integrando todas as áreas organizacionais para com as constantes demandas informacionais necessárias à prospecção estratégica necessária para o desenvolvimento.
Portanto, corrobora-se a relevância por uma formação mais generalista, complexa e proativa para os administradores, porque estes futuros profissionais precisam estar preparados para lidar cada vez mais com a obsolescência de produtos, serviços e, em especial, de conhecimentos.
A formação também deve harmonizar mais o binômio - sustentabilidade e responsabilidade socioambiental – o qual se torna um propulsor à administração
contemporânea, precipuamente, quando da previsibilidade e do provisionamento de estratégias de desenvolvimento para com a finalidade de favorecer as gerações presente e futura.
Entende-se que a sustentabilidade é um bom negócio, porque bons negócios no mundo contemporâneo devem estar fundamentados por perspectivas sustentáveis que são condicionantes indispensáveis para o desenvolvimento empresarial e a administração deve perseguir mais estas condições.
Finalmente, acredita-se que a formação do administrador deva ser orientada pelas necessidades da sociedade e pelas demandas do mercado, assim proporcionando melhores condições para que estes futuros profissionais possam atuar nas organizações orientados por estratégias mais, tempestivamente, consonantes à demandas da sociedade global.
2.3 AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DOS CURSOS DE