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Nas últimas décadas, têm sido elaboradas algumas definições sobre as crenças, mas ainda, não existe um total consenso para o termo crença, nem uma definição padrão para o que a designa (PEDERSEN; LIU, 2003); por conseguinte, temos várias definições específicas para as diferentes áreas e, mesmo dentro de uma área específica, existem diversas denominações.

Assim, vários estudiosos discutem sobre o conceito das crenças e sobre o fato de que elas têm sido foco de investigações nos âmbitos da Educação, da Filosofia, da Antropologia, das Ciências Políticas, da Sociologia, da Teologia, da Psicologia e de outras áreas do conhecimento.

Numa perspectiva conceitual a crença vem do grego – doxa e etimologicamente vem do latim - credentia - que tem a mesma proveniência epistemológica da palavra: opinião, fé e convicção. Logo, por associação às essências das palavras pode-se perceber que sua origem emerge de algo bastante subjetivo.

Crenças é na melhor das hipóteses um jogo de escolha do jogador. Eles viajam disfarçados e muitas vezes sob pseudônimo, atitudes, valores, julgamentos, axiomas, opiniões, ideologia, percepções, concepções, sistemas conceituais, preconceitos, alienações, teorias implícitas, as teorias explícitas, teorias pessoais, processos mentais internos, estratégias de ação, regras de prática, princípios práticos, perspectivas, repertórios de compreensão e estratégia social, para citar apenas alguns exemplos que podem ser encontrados na literatura (PARAJES, 1992, p. 309).

A crença é uma particularidade da espécie humana porquanto proporcionar, inconscientemente, a transmissão de tamanha subjetividade (ROKEACH, 1981).

Numa dimensão epistemológica a crença compreende a particularidade do conhecimento, ou seja, mesmo que a ciência não a explique, num contexto social acredita- se que tal pensamento seja verdadeiro.

As crenças não são fundamentadas, necessariamente, num sistema de ideias lógicas, pois nossa mente é composta por uma infinidade de crenças, as quais são armazenadas nas profundezas do nosso inconsciente.

As crenças são pessoais, porquanto, cada um possuir as suas próprias; mas ainda existem as crenças universais que são comuns a todos que compartilham distintos contextos socioambientais.

Crenças são sentimentos e convicções de certeza sobre situações cotidianas, de modo geral são afirmações pessoais, compreendidas através de diversificados contextos sociais, as quais são consideradas em diversas situações como procedentes e verdadeiras.

As crenças são valorizações subjetivas e também coletivas que são compostas mediante de situações comuns concernente à convivência na sociedade. As crenças em muitas situações são inconscientes, mas afetam nossas próprias percepções, ainda, dos grupos que compartilham dos mesmos contextos.

Há uma tendência das pessoas pensarem que suas crenças são universais e compartilhadas por todos. Contudo, as crenças a partir dos seus sistemas e dos seus valores possuem características exclusivamente pessoais e, sendo dessa forma, em muitas situações são completamente diferente das demais (ROKEACH, 1981).

As crenças nos remetem sempre a acreditar que o que pensamos é algo verdadeiro e que independe de quaisquer comprovações científicas (BARCELOS; ABRAHÃO, 2006), por serem construídas em contextos sociais, onde imperam o conhecimento do senso comum tornam-se tão importantes à realização de pesquisas. Muitas vezes o conhecimento implícito/tácito é o que proporciona para muitas pesquisas o primeiro passo para o seu desenvolvimento (ROKEACH, 1981).

Rokeach (1981) enfatiza que as investigações sobre as crenças têm servido para aumentar a compreensão da estrutura interna dos sistemas de crenças e das condições para a sua modificação, ainda “não é possível aprender como controlar, experimentalmente, as modificações induzidas nos sistemas de crenças” (p. 17) de modo a obter efeitos terapêuticos socialmente desejáveis.

A psicologia tem uma tarefa complexa a qual se converte em estruturar o sistema de crenças para saber como formá-los e como modificá-los de maneira que conhecendo essas crenças poder-se-á proporcionar o aumento da felicidade e da liberdade do indivíduo e da sociedade (ROKEACH, 1981).

Para Woods (2003) as crenças são compreendidas, geralmente, como processos inconscientes dos pensamentos organizados; para tanto, são inconscientes e resultam em consideráveis dificuldades de identificação.

A nossa vivência da realidade converte-se numa representação, ou seja, numa elaboração mental de nossa convivência. Esta situação faz com que a nossa vida seja uma intensa e constante representação de expectativas e variadas alternativas.

Para Rokeach (1981) o que se vive e da maneira que é possível viver passa a ser um fator dependente das representações e das elaborações intrínsecas à nossa representação mental e do nosso comportamento, para o mesmo autor as crenças constituem-se numa das variáveis capazes de influenciar os comportamentos das pessoas.

Nessa perspectiva, por intermédio do nosso sistema de crenças e valores é que se busca a composição significativa e coerente do nosso modelo de mundo, por conseguinte, este é o modelo de mundo que nos conduz a sua profunda vinculação (ROKEACH, 1981).

Não obstante, quando se questiona uma de nossas crenças há possibilidade de uma desestabilização de todo nosso sistema de crenças pelo fato da interação sistêmica, fator este capaz de afetar tais crenças e, ainda, fragilizar todas as outras crenças que derivam ou estão relacionadas com as mesmas. Tal condição pode contribuir para o entendimento de sermos tão inquietos quando da nossa intenção de mudanças em nossas crenças.

As crenças são conhecimentos intrínsecos aos variados contextos sociais e culturais, as quais são produzidas pela inter-relação das pessoas que compartilham esses ambientes. Tal convivência proporciona a formação de novos conhecimentos, fator que permite afirmar que os mesmos não são desprovidos de teorias e conceitos; embora, não do quanto necessitam para prover desenvolvimento cognitivo pessoal, social e profissional.

Nessa perspectiva, as crenças são, sim, necessárias para se entender esses contextos a partir do pensamento dessas pessoas, ou seja, a partir do pensamento dessas pessoas consegue-se ter o entendimento sobre os contextos socioambientais variados.

Ainda, as crenças serão entendidas como condições expressivas para se compreender como pensam os graduandos em administração sobre a emergente e necessária temática – sustentabilidade – para o desenvolvimento permanente da sociedade contemporânea.

A psicologia social quando se refere às crenças utiliza-se dos termos conhecimento do senso comum, implícitos, tácitos ou populares ao se referir ao conhecimento não refletido que se possui e, consequentemente, norteia as práticas sociais.

Propõe-se nesta investigação, em consonância com Rokeach (1981), clássico e referência no estudo sobre os sistemas de crenças, uma proposição das mais heurísticas da Psicologia Social a qual se posiciona sob orientação cognitivista.

Um sistema de crenças pode ser definido como tendo representado dentro de si, organizado de alguma forma psicológica, mas não necessariamente lógica, cada uma e todas as crenças incontáveis de uma pessoa sobre a realidade física e social. Por definição, nós não permitimos que as crenças existam fora do sistema de crenças (ROKEACH, 1981, p.2).

As crenças não podem ser diretamente observadas; entretanto, podem ser inferidas de maneira que os artifícios psicológicos disponíveis nas mais variadas formas, as quais se consideram possíveis de serem investigadas na particularidade de ambientes sociais, se tornem fatores que possibilitam a apreensão do pensamento a fim de favorecer o processo para se compreender mais as ações.

Dessa maneira, a psicologia tem a função de entender mais por intermédio das pesquisas sobre a estrutura dos sistemas de crenças, para propor uma nova formação e talvez uma modificação de modo que esses sistemas redimensionem a felicidade e a liberdade do indivíduo, Assim, buscando que as crenças possam se propagar de contextos

socioambientais específicos para contextos mais amplos que possuem maior visibilidade (ROKEACH, 1981).

Define-se como crenças as construções mentais realizadas através das conexões mentais que constituem suficiente validez, veracidade e credibilidade da linha de pensamento e de condutas pertinentes a determinado sujeito, concedendo-lhe uma identidade (HARVEY, 1986; KITCHENER, 2002; SIGEL, 1985).

Para Pajares (1992) as crenças apresentam um rol adaptativo, ao facilitarem para as pessoas sua definição a respeito do mundo e de si mesmo. Ainda, a utilização de uma estrutura adequada de conhecimento sobre certas temáticas sustenta a recorrência às crenças, como figuração de suas limitações, problemas e inconsistências.

Estas crenças passam, então, a serem formadas através das interações realizadas pelos integrantes da pesquisa, que as relacionam com o que pensam, considerando-as constituídas enquanto verdade a partir de tudo o que se relacione ao seu próprio mundo e consigo próprios. Assim, constróem-se modelos explicativos que podem conter vários níveis de complexidade utilizados para solucionarem problemas simples ou complexos.

As crenças serão entendidas como objeto de estudo da psicologia social, elas são, muitas vezes, confundidas com atitudes, valores, julgamentos, opiniões, ideologias, e assim por diante (PAJARES, 1992).

Nessa dimensão, também assume que as crenças são inferidas a partir de uma situação que está sendo experimentada por um indivíduo. Supõe-se também que as crenças são dependentes do contexto (COONEY; SHEALEY; ARVOLD, 1998) e são elaboradas a partir de intensidades diferenciadas.

Enfim, destaca-o que Pajares (1992) conclui tais definições quando cita serem as crenças, em geral, instrumentos utilizados pela pessoa para definir as tarefas e selecionar as ferramentas cognitivas com as quais interpretará, planejará e tomará decisões.

Benzer Belgeler