3.1. Kadın ve Sanat Eğitimi
3.2.1. Sanat ve Sanat Eğitiminde Kadın Statüsü
Em judicioso estudo, Sérgio Gilberto Porto explicita, com acuidade, as diferentes estirpes da legitimação ministerial, enquanto Órgão- Agente61, dicotomizadas em parte pro populo e substituto processual.
O ponto nodal da diferenciação, consoante o jurisperito, está na identificação dos direitos tutelados pelo agir ministerial: se personalizados, a atuação processual do Órgão-Agente será feita na figura do substituto processual; se não-personalizados, como pro populo.
Nesta última figura, elucida o Professor:
(...) o Ministério Público atua como órgão da própria ordem jurídica, interpretando o interesse geral, pois em certos casos, como já destacado, onde pode haver contraposição do direito público ao privado, o Estado não tolera a inércia dos titulares singulares deixe sem atuar a proteção legal e, por conseguinte, age como Ministério Público, no ofício de fiscalizar e estimular a incidência do ordenamento jurídico material.
Nesse sentido, propõe demandas, cuja finalidade é a de fazer incidir o aparelho jurídico-legal na tutela dos interesses em favor da sociedade, visando preservar exatamente os chamados interesses públicos. São exemplos, dentre vários, a ação de nulidade de casamento (art. 208, parágrafo único, inciso II, do Código Civil); ação rescisória (art. 487, III, do CPC) e a ação de extinção de fundações (art. 1204, CPC).62
Em sendo caso de direitos personalizados, o órgão ministerial estará, nos casos autorizados por lei, extraordinariamente legitimado a agir, fazendo romper a regra da coincidência entre os sujeitos da relação jurídica de direito material e os figurantes dos pólos ativo e passivo da relação jurídico-processual.
A ratio da legitimação extraordinária em geral já se frisou oportunamente. No que concerne à legitimação ministerial extraordinária, arrazoa Francesco Carnelutti:
61Sobre o Ministério Público no Processo Não-Criminal.2.ed. Rio de Janeiro: Aide, 1998. A respeito da ‘ratio’
da denominação “Órgão Agente”, do mesmo doutrinador: “(...) como conseqüência da inércia dos órgãos judiciários frente à necessidade de o Estado agir em determinadas hipóteses, foi legitimado o Ministério Público para fazê-lo ou, dito de outro modo, para exercer o direito de agir do Estado. Quando o Estado-Ministério Público age, ou, mas precisamente, toma iniciativa de provocar a jurisdição está desenvolvendo atividade de natureza processual na tutela de determinados interesses, e exatamente por estar tomando iniciativas de índole processual se diz que está atuando como órgão agente.”[ ob. cit., p. 26/7]
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En conclusión: mientras la representación legal prova la inidoneidad del interesado para desenvolver la ación, la sustitución y la intervención tienden, en cambio, a constituir un remedio contra la inercia o la insuficiencia de su ación. Ahora bien: precisamente porque la sustitución obra para el impulso de un interés del sustituto, es necessario tomar em cuenta la hipótesis de que ni siquiera este otro interés baste para estimular la acción. Estos casos se presentam cuando no se mueven ni el sustituído ni el sustituto. Em semejante hipótesis, lo que decide es la importancia social del interés público en cuanto a su tutela y, por tanto, su conexión con un interés público trascendente. Cuando ese presupuesto exista, la acción no puede confiarse o, por lo menos, puede no confiarse exclusivamente a la parte o a sus sustitutos. Por ello se ha creado un órgano adscrito a su ejercicio, que ricibe el nombre de Ministerio Público.63
Justapondo as idéias de Sérgio Porto às do jurista peninsular, vê- se que a personalização dos direitos não os desnuda do interesse público que os guarnece e autoriza, em virtude desta singularidade, a legitimação ministerial extraordinária.
Tal legitimação pode ser classificada, dentro do esquema teorético de Barbosa Moreira, como legitimação extraordinária autônoma (já que a extraordinária subordinada fica, desde logo afastada, tendo em vista a possibilidade ministerial de agir, sponte sua) exclusiva ou concorrente?
Parece indubitável que se trata de legitimação extraordinária concorrente, tendo em vista que o Órgão Ministerial não detém a exclusividade para a provocação do Judiciário, institucionalmente inerte. Aos titulares dos direitos subjetivos em causa também se franqueia a ignição do processo. Outra interpretação, salvo equívoco, deporia, inclusive, contra a função do Ministério Público no Estado democrático de direito, que é laborar pela sua implementação efetiva, ao lado do legítimo titular do poder, e não, sufocá-lo quando em autêntico exercício de cidadania.
Estabelecida esta premissa, a legitimação autônoma concorrente, no caso em enfoque, seria primária ou subsidiária?
Repisando os conceitos já vistos, a análise das hipóteses legais que subsidiam a legitimidade autônoma concorrente do Órgão Ministerial ora a revelarão primária, --- tendo em vista que o agir ministerial não estará
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condicionado a qualquer anterior ação (ou omissão) do ordinariamente legitimado; ora subsidiária, --- porque, contrário senso, a deflagração da legitimidade ministerial estará condicionada a uma antecedente ação ou omissão do titular do direito subjetivo em causa. Destarte, o respaldo da ação ministerial, dar-se-á nos limites do fenômeno da subsunção, deflagrador do interesse público transcendente. Assim, em reforço, dependendo da configuração daquele, a legitimidade ministerial poderá ser autônoma concorrente primária ou autônoma concorrente subsidiária.
Compulsando-se os casos sistematicamente anotados por Sérgio Gilberto Porto64 para atuação do Órgão Ministerial como substituto processual, vê-se o acerto das considerações supra explicitadas.
A título de amostragem, veja-se, primo, a hipótese do art. 68, CPP, que encerra a seguinte dicção:
Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1º e 2º), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.
Comentando o artigo em epígrafe, Júlio Fabrini Mirabete65 leciona:
Diante da importância da reparação do dano para a ordem jurídica, permite-se ao Ministério Público que promova a ação civil ou a execução a fim de que não se frustre o ressarcimento devido à vítima ou sucessores quando o ofendido ou seus sucessores não puderem arcar com as despesas do processo. Trata-se de mais um caso de substituição processual, defendendo o parquet direito alheio, conforme o permite o art. 81 do CPC. É indispensável, porém, que o interessado seja pobre, conforme o conceito jurídico já estudado(itens 32.1 e 32.2). O artigo 68, que, segundo alguns, fora revogado pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, continua em vigor, amparado inclusive pelo artigo 129, IX, c.c. o artigo 197 da CF. (Cf. GRINOVER, Ada Pellegrini. O Ministério Público na reparação do dano às vítimas do crime. Tribuna de Direito, 1994, p. 5).
A hipótese legitimante, portanto, é o interesse público na higidez da efetividade da ação material de reparação de dano proveniente de crime perpetrado contra vítima pobre, que, não havendo a alternativa da legitimação ministerial autônoma concorrente, deixaria, no mais das vezes, em virtude de uma conjuntura de vicissitudes, esvair-se a luta
Alcalá-Zamora Y Castillo Y Santiago Sentis Melendo, 1944, p. 49
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pelo seu direito, que, in casu, também interessa à sociedade como um todo.
Mas, repare-se, a legitimação ministerial extraordinária concorrente, in casu, é subsidiária, porque imprescinde de uma ação anterior do ordinariamente legitimado, qual seja, o requerimento mencionado no corpo do artigo em epígrafe.
Em contraponto, verifica-se a hipótese do artigo 127, CPP, verbis:
O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou a queixa.
Como se antevê, na espécie, hipótese do Processo Penal Cautelar, a legitimação ministerial autônoma concorrente é primária, porque a disposição legal separa os legitimados pela disjuntiva ou, fazendo a ação ministerial imprescindir de qualquer ação ou omissão anterior do ordinariamente legitimado.
A ratio está em que, aqui, o agir dos legitimados direciona-se à segurança-para-execução66, antevendo a potencial condenação do réu e a conseqüente obrigatoriedade de reparar o dano, observado o que dispõe o art. 133 do Codex Processual Penal.
Nesta esteira, a legitimação ministerial é mais abrangente porque, comparando o caso em estudo com o anterior, aqui o fenômeno da subsunção não qualifica a vítima a ser substituída, podendo ser ela rica ou pobre.
O fundamento parece estar na relevância do interesse em jogo, que alcança a própria coerência do sistema jurídico-processual. Objetiva-se, aqui, propiciar meios para a posterior reparação do dano, de nada adiantando o sistema prever o direito, sem agregar a ele medidas que o assegurem.
Acerca do artigo em comento, intercede novamente Júlio Fabrini Mirabete:
65Código de Processo Penal Interpretado. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1994, p. 127.
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O seqüestro dos bens imóveis pode ser ordenado pelo juiz de oficio, ou a requerimento do Ministério Público ou ofendido ou mediante representação da autoridade policial. Já se entendeu que ao Ministério Público só cabe o pedido de seqüestro quando a vítima é pobre, mas o art. 127 não faz qualquer distinção e o seqüestro de imóvel não é mencionado nos 134 e 137, que dizem respeito apenas ao ofendido. É ele sempre parte legítima para requerê-lo. Não interfere, porém, o Ministério Público, na qualidade de curador judicial de incapazes, no procedimento para o seqüestro. O ofendido, mesmo que não tenha sido admitido como assistente, pode também requerer o seqüestro(...).67
Insta sinalar que a análise dos subitens precedentes teve por terreno o processo civil tradicional, que se ocupa das relações jurídicas individuais, ainda não enfocando a temática da tutela coletiva.
Contudo, este estágio se nos parece indeclinável, posto que a tutela coletiva, inobstante tenha lastro constitucional, consoante se aduzirá alhures, deve ser regulada à luz do direto processual civil. Dessarte, exsurge indeclinável o estudo da legitimatio ad causam em sua fisionomia primeva para que se alimente o processo dialético que conformará a nova síntese, fazendo eclodir uma legitimidade moldada tanto para a defesa dos direitos essencialmente transindividuais quanto para a defesa coletiva mediata dos direitos individuais acidentalmente coletivizados.
Investigado este tópico, alguns questionamentos aguçam a escritura dos próximos itens: primo, o Ministério Público tem legitimidade para a defesa coletiva dos interesses individuais homogêneos? secundo, em caso positivo, qual a natureza jurídica desta legitimatio? terzo, qual a ratio desta legitimação? quarto, tal legitimidade pode receber limitação temática?