5. MİLLİ MÜCADELE CEPHELERİ
5.9. Sakarya Savaşı ve Telgraf Muhaberatı
I) regresso infinito vicioso
Vimos a crítica exposta por Almeida (2002), na seção anterior: a acusação de um regresso infinito vicioso, no qual a justificação de primeira ordem provém da justificação de segunda ordem, restando a necessidade de justificar a segunda ordem, cuja justificação então proveria de uma terceira ordem, e assim por diante, até uma
100 No original: “Knowledge is apt belief; belief is apt only if epistemically competent, and epistemically competent only if it endeavors after truth”.
ascensão infinita, que impossibilitaria a justificação de qualquer crença em primeira ordem, de maneira sincrônica.
Sosa (2012) argumenta que o nível reflexivo, das diligências, é onde reside a liberdade do agente epistêmico, e que sua racionalidade, ou justificação, baseia-se nos funcionamentos, que são determinados (não livres). Essa resposta faz com que o regresso não siga para níveis superiores, onde surge a impossibilidade de justificação sincrônica: “A racionalidade pareceria exigir razões sincronicamente disponíveis a nós, caso quiséssemos defender a nossa autoconfiança de forma apropriada contra a dúvida do nosso oponente” (SOSA, 2012, p. 35).
Ela leva, ao contrário a níveis inferiores, ao trilema de Agripa, uma forma de ceticismo pirrônico.101 Uma vez que a reflexão é baseada no funcionamento, entra em cena o regresso infinito descendente (fundacional), para exigir a justificação dos funcionamentos. Sosa (2012, p. 31) afirma que parte da justificação dos funcionamentos dá-se através da coerência, mas é preciso de algo que ligue as crenças ao mundo, de forma a superar o problema do isolamento. Utiliza, então (ibidem), estados dados auto- apresentantes e mecanismos subpessoais, como bases epistêmicas que ligam as crenças neles baseadas ao mundo. Os estados não são justificados e não precisam de justificação para prover justificação, devido à sua consciência constitutiva (constitutive awareness). Os mecanismos subpessoais provêem os estados subpessoais de relação orgânica com o ambiente, que é confiável epistemicamente.
Assim, pretende ter resolvido o problema do regresso fundacional. Resta, ainda, mostrar como pode-se dispensar a necessidade de ascensão para além da segunda ordem, ou seja, questionar se está de fato justificada, sem necessidade de ir para outros níveis para verificar a proposição em disputa – o que implica em situações diacrônicas para evitar o regresso infinito sincrônico.
Sosa considera essa questão através do desacordo, e conclui que é a confiança (trust) na nossa competência epistêmica que nos permite manter nossa crença. E essa
101 O trilema de Agripa pode ser definido como a exigência de justificação de qualquer proferimento feito (de uma crença ou afirmação de conhecimento), inclusive a resposta a essa pergunta. Assim, qualquer proposição inicial é questionada pelo cético quanto à sua justificação e, dada a resposta para justificá-la pelo pretenso crente ou conhecedor, novamente o cético questiona sobre a justificação da justificação, e assim por diante. Essa estratégia argumentativa poderá resultar em três tipos de respostas: i) iniciar um regresso ao infinito, ao responder cada vez com novas razões para o cético, num argumento regressivo; ii) fazer uma suposição dogmática, quando o interlocutor decide parar arbitrariamente, num argumento axiomático; iii) incorrer em má circularidade, ao reafirmar uma razão já dita, num argumento circular. Para uma visão do ceticismo pirrônico e do regresso epistêmico, ver Skepticism, de Peter Klein, na SEP, disponível em: <http://plato.stanford.edu/entries/skepticism/#Pyr>.
confiança não é somente sincrônica, mas envolve fatores diacrônicos. Sosa defende-se, assim, da acusação de regresso ascendente infinito:
Não podemos subir ladeiras infinitas de endosso sincrônico. Nalgum ponto a nossa defesa deve se assentar, e, nessa altura, importará quão bem fundadas as nossas disposições relevantes sejam. Nalgum ponto haveremos atingido o fim da linha sincrônica. Apenas fatores diacrônicos pesarão, então, sobre a autoconfiança residente naquele nível, e esses fatores devem receber o que lhes é devido (SOSA, 2012, p. 35s).
Considera, em seguida, a acusação de que esse “fim da linha sincrônica” deve- se somente aos fatores práticos, como falta de tempo, uso de recursos, necessidades físicas, etc.102 Ele ainda afirma que aprimorar a justificação nessas ordens mais elevadas pode ser melhor, mas não é obrigatório:
Ainda assim, o melhor não é necessariamente o obrigatório. A nossa crença pode ser epistemicamente não provável (improvable) por meio de tal ascensão sem ser defeituosa, mesmo que declinemos de ascender, e mesmo que nem sequer consideremos a possibilidade de ascender. É possível que simplesmente tenhamos coisas melhores a fazer epistemicamente do que defender as nossas crenças naquele plano mais elevado (SOSA, 2012, p. 36).
Assim, Sosa pretende haver respondido a ambas, acusação de regresso e exigência de justificação epistêmica sincrônica. Se essa defesa pode ser mantida e sustentar a concepção de agência epistêmica, é matéria para longa discussão, que não faremos aqui. Nosso ponto é mostrar que Sosa continua argumentando em prol da possibilidade conceitual de agência reflexiva, com razões epistêmicas, mesmo através de fatores diacrônicos.
Assim, vamos considerar, por hipótese, que é conceitualmente possível esse tipo de agência reflexiva. Ainda cabe uma avaliação das críticas de impossibilidade psicológica, através de pesquisas empíricas.
II) capacidade reflexiva empiricamente informada
A crítica de Kornblith (2012) não é do tipo conceitual, mas empírica. Ela ataca a fenomenologia e as idealizações acerca da cognição; é, portanto, uma crítica psicológica. Para ele, os projetos reflexivos são falidos, dada nossa capacidade real de reflexão ser muito pequena – a agência reflexiva é impossível psicologicamente.
102 Outros autores aceitam essa tese. E.g.: Feldman (1988, p. 251s) indica que a limitação para nossa agência epistêmica é dada no domínio prático, ao qual o epistêmico está sujeito – como visto no cap. um.
Como aponta, nossos processos são inacessíveis à nossa capacidade de introspecção. Eles ocorrem distantes da nossa consciência e independentes do nosso próprio conhecimento acerca deles. Isso torna possível termos respostas sofisticadas e rápidas a ambientes altamente complexos, como aqueles nos quais vivemos, mantendo nossa consciência e atenção nos objetos e pessoas que nos rodeiam de maneira confiável.
Assim, se a crítica for verdadeira, ela atinge em cheio a agência reflexiva e seu papel de separação das razões. Porém, para avaliar a crítica de Kornblith, é preciso buscar as pesquisas empíricas que ele faz referência e avaliar se comprometem a efetividade do que conceitualmente é possível para agência reflexiva. Faremos isso no capítulo três.