MUHYĠDDĠN ĠBNÜ’L ARABÎ VE SADRETTĠN KONEVÎ EKSENĠNDE VAHDET-Ġ VÜCÛD DÜġÜNCESĠ
1.3. Sadreddin Konevî’nin Ġbnü’l Arabî ile Münasebeti
Uma das estratégias adotadas no interior da economia solidária refere-se à valorização da autoestima dos trabalhadores. Para Oliveira (2005), o envolvimento nessas atividades auxilia na emancipação psicológica dos envolvidos. O sentimento de pertença, o resgate da autoestima, os processos empáticos, a valorização de cada integrante são construídos dentro desses espaços. Desse modo, buscamos explorar algumas questões que partem da subjetividade dessas trabalhadoras. Nesse sentido, a nossa intenção foi fazer com que expressassem o que sentem por esse trabalho, se gostam de estar nessa organização coletiva, se esse trabalho proporciona alegria, satisfação.
Elas declararam o seguinte:
Olha, desde que eu entrei na cooperativa, hoje eu falo bem assim: ... eu amo fazer o que eu faço, eu amo fazer uma vassoura e olhar prá ela. Têm vezes que eu amo tanto que eu não quero que ela (vassoura) saia, fica tão bonita, eu amo tudo que eu faço, eu amo lidar com eles (outros cooperados), eles são difíceis, mas eu gosto de lidar com eles. Eu gosto de fazer o meu trabalho na direção, eu gosto de fazer a vassoura, eu amo assim de verdade mesmo ... têm aquelas épocas difíceis, mas tem me dado muita satisfação, essas viagens mesmo que a gente faz, você conhece tanta gente, você aprende tanta coisa, outra cultura, você conhece pessoas, isso me acrescentou muito. (Componente 02)
Eu gosto, aqui o trabalho é da gente, a gente tem que trabalhar com carinho, porque é onde tá saindo o sustento da gente né? Por isso que eu gosto de trabalhar aqui. No dia que eu não venho prá cá eu fico agoniadinha, quando vou resolver alguma coisa eu fico esperando a hora de ir trabalhar. Quando vou resolver coisa na rua eu preocupo prá voltar logo ao trabalho. Fico muito alegre aqui, só por saber que vou receber meu dinheiro e resolver minhas coisas fico alegre, quando estou aqui tenho maior alegria. (Componente 07)
Eu gosto, no requisito financeiro nem tanto, mas me traz sim muita satisfação, me faz muito bem, eu não aguento ficar em casa, o dia que não venho pra cá eu fico muito ansiosa. (Componente 08)
Eu gosto, aqui é uma terapia sabe? Além de ser uma ajuda de renda prá mim, é uma terapia por causa do meu problema, já tive muitas complicações, já tive derrame sabe? Então eu tenho que ficar movimentando e eu sinto bem ficar movimentando, conversando, me traz bastante alegria, a gente rir, a gente canta, eu gosto sabe? me faz muito bem. (Componente 15)
O envolvimento nessas iniciativas, apesar dos ganhos econômicos não serem satisfatórios, em certa medida, faz com que as pessoas consigam se beneficiar desse trabalho
por outros planos. Para uma, essa atividade beneficia em aspectos relacionados à saúde, tornando-se uma terapia. É percebido por outras, satisfação pelo trabalho executado gerando bem-estar e pelo fato de estabelecerem relações entre elas e com outras pessoas. Com a aquisição de conhecimento/qualificação, visibilidade do que fazem, interação com a comunidade, com as pessoas do grupo, a igualdade no espaço de trabalho e a própria mudança nas condições de saúde, as entrevistadas destacaram melhoria na autoestima.
Com certeza melhorou sim ... tem aquela qualificação de que você é capaz de fazer alguma coisa ... o grupo dá esse suporte prá gente. (Componente 08)
Melhorou bastante. Eu tenho aquela alegria de sair de casa, eu tinha problema de pressão alta e não tenho mais, eu tinha nervoso e agora não tenho mais. Minha autoestima melhorou muito. Antes de entrar no grupo eu era muito doente, deprimida, era muito sozinha, agora aqui eu mim sinto bem, no meio da turma aqui todos me aceitam e me ajudam, eu sinto que estou melhorando até a minha cabeça, minha cabeça não era boa, talvez se eu tivesse em outro serviço teria mais é pressão, exploração prá trabalhar né? ... não iria aguentar sabe? não ganharia isso aqui. (Componente 11)
Minha vida mudou muito depois que eu entrei no grupo, a gente vê mais o lado da outra, aprende a entender melhor as situações prá poder tá ajudando a colega sabe? ... antes eu pensava só mais era em mim e aqui a gente na rotina e nos ensinamentos aprende a mudar isso sabe? aprende a vê o lado mais do outro ... então assim, eu fico muito feliz por isso, aqui tá me ensinando mudando meu jeito sabe? me faz bem isso. (Componente 15) Você fica conhecida, o povo fala ah! eu te conheço de algum lugar, eu te vi na TV, ah! você trabalha na Cozinha Bem Servir! Eles perguntam como que funciona, dá os parabéns pela nossa iniciativa e isso prá mim é válido, porque você fica se sentindo como gente ... o povo reconhece o nosso trabalho (...). (Componente 12)
Aqui na cozinha as pessoas se sentem mais humana com direitos de igualdade, eu acho que ela traz a valorização da pessoa humana de uma forma muito ampla, eu acho que o trabalho aqui enriquece muito a pessoa com direito de igualdade que outros lugares não têm né? A gente lidera, coordena tudo em igual né? Ninguém é explorado. Esse serviço então aqui no meu emocional assim desse jeito me faz bem sabe? (...). Aqui o serviço é diferente. (Componente 09)
Santos & Borinelli (2010), Barreto (2003) e Oliveira (2005) alegam que nas organizações econômicas solidárias os ganhos conquistados vão além do econômico, principalmente aqueles que valorizam a subjetividade (autoestima) dos trabalhadores. Podemos considerar que a inserção delas no âmbito desse trabalho nesse sentido vai ao encontro dessa constatação. Por essas mulheres estarem experimentando, inicialmente, um trabalho em grupo, é interessante compreender nessa mesma esfera subjetiva que estamos explorando, os principais motivos que as levam ainda a permanecer nessas atividades.
A oportunidade de executar um trabalho com obtenção de um rendimento é o elemento primordial para o envolvimento de pessoas que aderem a esse movimento. Isso faz parte, obviamente, da realidade das mulheres desses grupos. Mas com o propósito de elevar mais a fundo os aspectos relacionados ao procedimento subjetivo, procuramos ir além da questão econômica procurando outros sentidos que ainda vêm segurando-as nesses espaços. Os motivos de permanência que apontaram foram os seguintes:
... é por que nós temos liberdade, não há patrão, ninguém prá mandar e pegar no pé, aqui todo mundo é igual, eu gosto de trabalhar assim desse jeito entende? (...). (Componente 08).
Eu acho que é ... esse ganho pessoal de experiência de vida ... é economia solidária mesmo ... se fosse pelo lado financeiro, talvez não estaria aqui, mas o ganho pessoal é muito grande (...). Aqui todo mundo participa, todo mundo trabalha ... é uma companheira ajudando a outra, assim as tarefas são feitas por todas nós, a gente trabalha igual e recebe igual, temos assessoria ... é isso que é bom. (Componente 09)
Aqui as regras são boas .... o que acontece de errado a gente fala, questiona, conversa ... coloca tudo nos eixos as coisas que a gente senti que não tão boas. Eu gosto desse tipo de serviço prá trabalhar... muda isso, muda aquilo, todo mundo aceita numa boa. Então a forma da gente trabalhar aqui no grupo é diferente dos outros serviços. Cada colega dá sua opinião e a gente vê o que pode ser melhorado né? (Componente 11)
É importante dizer que a renda é o motivo principal de permanência da maioria dos membros que se estabelece na economia solidária. Porém, de acordo com as falas mencionadas, a proposta de um trabalho não subordinado, sem patrão, com direitos/deveres iguais onde todos têm a oportunidade de expor suas opiniões, também agrada algumas integrantes e as levam a querer permanecer.