SADREDDĠN KONEVĠ VE VAHDET-Ġ VÜCÛD DOKTRĠNĠ
2.1. Sadreddîn Konevî Hakkında Genel Bir BakıĢ ve Vahdet-i Vücûd Doktrini
2.1.1. Sadreddîn Konevî Ġlimlerin Sınıflandırılması
Para dar sentido à existência da economia solidária é necessário que seus membros conheçam nesse cotidiano a prática da cooperação e da solidariedade. Atuar de forma coletiva no desenvolvimento do grupo apoiando-se nesses princípios implica na aquisição de paciência, compreensão e aprendizado. Uma vez que, culturalmente, socializamos numa sociedade pautada por valores competitivos e pela verticalização das relações. Nessa perspectiva, por mais que haja pessoas que aderem ao movimento e que venham recebendo assessorias e permanente conscientização, ainda assim não é fácil incorporar esses elementos, pois estamos inseridos em uma sociedade marcada pela estrutura capitalista.
Manetti (2005) explica que os trabalhadores envolvidos na economia solidária sentem dificuldades na gestão do empreendimento, porque nunca tiveram antes contato com uma organização de trabalho em que eles são autores de todos os processos. Construir um trabalho cooperativo desafia homens e mulheres a desconstruir valores individualistas e estabelecer relações solidárias.
Na perspectiva de Gaiger & Asseburg (2007), essas organizações ao apoiarem-se na cooperação e ativarem circuitos de solidariedade, tendem a contribuir diretamente para com o fortalecimento dos seus membros propiciando a eles maior autonomia e confiança, e maiores
111 A solidariedade é entendida aqui como algo que transcende as necessidades individuais. Considera-se então, que as soluções dos problemas individuais requerem a consideração dos problemas coletivos. Já a cooperação entende-se como a existência de interesses e objetivos comuns, união dos esforços e capacidades, partilha dos resultados e responsabilidade solidária diante das dificuldades.
possibilidades de promoção da igualdade. Quando nos referimos a um empreendimento autodenominado solidário, tendo como foco a participação feminina, visamos analisar a disposição dessas trabalhadoras a aprender e experimentar a adesão da solidariedade, da cooperação, bem como a disposição de seguir com esses princípios na vida cotidiana. Partindo do objetivo exposto e tomando por referência a prática cotidiana que já manifestam nesses grupos, perguntamos se têm aprendido sobre esses princípios.
(...) olha, é um aprendizado de como lhe dá com as pessoas né?, com as diferenças, como dividir as atividades, viver em coletividade. Tenho aprendido muito a lidar com as diferenças, respeitar os limites de cada pessoa aqui no grupo, antes eu não tinha essa noção sabe? (Componente 07) Sim, pois a gente tem que cooperar com todo o mundo, eu ajudo, dou conselho, quando eu vejo uma pessoa que tá errada eu ajudo e oriento ela ... tem sido um aprendizado prá mim, de como a gente tem que viver, a gente tem que ter a amizade, conversar, ser unido. No início eu era esquentadinha, eu era, esquentava e brigava por tudo, qualquer coisinha eu chorava, agora não, eu tenho aprendido a mim controlar (...). Tenho aprendido a ter muita paciência e compreensão, mas não é tão fácil. (Componente 04)
Sim. No nosso dia a dia mesmo tem isso né? A união, o cooperativismo, a ajuda, eu vejo no meu dia a dia, ... falo gente! vamos unir prá fazer isso, eu mesmo chego lá na reciclagem falo gente! vamos fazer assim, converso com eles, aí se alguém tá precisando disso, tá com problema em casa, passando alguma necessidade, eu falo prá o pessoal vamos unir, ajudar entendeu? Se aqui a gente não puder ajudar o colega, vou na prefeitura pedir ajuda sabe? eu vou, eu tenho aprendido sim. Praticar a solidariedade foi aqui mesmo, mas eu já praticava isso, sem mesmo conhecer isso. (Componente 02)
Sim, temos que cooperar um com o outro, pois aqui é uma cooperativa, quando uma vai puxar o bag, a outra vê e vem ajudar, a gente vai pegar um material e a outra vem e ajuda a gente, isso é cooperar uma com a outra. (Componente 03)
Tem sim. (...) eu falo o seguinte aqui com minhas colegas: quem não tem o espírito do cooperativismo não fica numa cooperativa, não fica ... quando uma pessoa entra na cooperativa, a gente já observa se a pessoa tem esse espírito, a gente observa o jeito de falar, de agir, a gente já sabe se essa pessoa vai ficar ou não sabe? ... eu entendo que quem trabalha numa cooperativa ... só fica se tiver o espírito do cooperativismo, quem não tiver não fica não ... então tenho aprendido sim, porque isso é a base (...). (Componente 10)
Sim, tenho aprendido bastante, aprendi a trabalhar em equipe e ajudar o outro. Esses princípios são a base de tudo né? se não tiver a união, a cooperação aqui na cooperativa, eu acho que não convém a gente trabalhar aqui né? na cooperativa um depende um do outro e isso dá sim prá gente aprender muita coisa. (Componente 05)
Tenho aprendido sim (...). Se eu ver uma pessoa fazendo o serviço ali, eu já vou lá ajudar, porque eu sei que aquilo ali depende de mim também, quando eles falam prá juntar todo mundo prá fazer o serviço, eu já tô na frente prá
ajudar entendeu? (...). Estou sempre pronta para ajudar no que for aqui, nunca falo não entendeu? sempre eu tô na frente prá ajudar. Eu tenho um coração bom, não tenho o coração ruim prá ninguém sabe? Eu gosto de todo o mundo e sobre isso aí, todo o serviço que trabalho é assim. (Componente 07)
Tenho sim, o primeiro passo do grupo é isso né? é cooperar uma com as outras, se uma tá com dificuldade você vai e ajuda, não só na parte do serviço, mas em casa ou dificuldade com o filho, com o marido, a gente sempre ajuda, faz o possível. Com certeza tem sido sim um aprendizado. (Componente 08)
Para grande parte delas, saber cooperar tem sido um novo aprendizado. As respostas apontam que, apesar das resistências, é possível que esses princípios possam ser incorporados e executados na prática. A ajuda mútua compartilhada relaciona-se com a ideia de que a união dessas trabalhadoras pode representar uma estratégia que ameniza as situações do desemprego, da pobreza e da exclusão. O fato de ser solidária, de ajudar, de cooperar com o próximo, de saber lidar com as diferenças respeitando o espaço de cada um, orientando e aconselhando tanto na divisão das tarefas quanto na vida pessoal/familiar, são alguns dos exemplos apresentados pelas trabalhadoras sobre o aprendizado desses princípios.
As organizações cooperativadas envolvem pessoas com perfis diversificados e, consequentemente, interesses diferenciados. A não efetivação da economia solidária na prática aparece como um dos grandes desafios (COSTA, 2007, p. 151). O não cumprimento dela pode estar relacionado a ações individualistas de muitos integrantes que desconhecem a ideologia do movimento ou mesmo a própria dificuldade de incorporação dos princípios no cotidiano.
Ao verificar a ajuda ao próximo, à cooperação/solidariedade na prática, observamos que algumas trabalhadoras ainda estavam distantes desse processo. Trata-se de uma situação contraditória exercida diariamente, porque a gestão compartilhada e a participação nessas experiências envolvem motivações variadas (COSTA, 2007). Não que seja o caso de todas, mais algumas tinham dificuldades de cumprir e colocar em prática esses princípios - caso observado na COOPRARTE. A proposta de um trabalho cooperativo ainda representa um desafio para muitos que dele participam, pois propõe a substituição das relações de trabalho individualistas, centralizadas por relações solidárias e horizontais. No entanto, o exercício coletivo/participativo característico desses grupos proporcionou um novo aprendizado para grande parte dessas mulheres, conforme as falas mencionadas.
A interdependência dessas trabalhadoras cumprindo esses elementos torna-se relevante para a capacidade de ação, para o funcionamento e permanência dessas atividades no mercado
(GAIGER & CORRÊA, 2011; GAIGER & ASSEBURG, 2007). Por outro lado, mesmo que esse aprendizado seja relevante para modificação de vidas como para o desenvolvimento dos grupos, é importante compreender se elas têm levado o que aprendem para outros espaços como para o ambiente doméstico, para os/as amigos/as, para vizinhos ou pessoas próximas.
Sim, olha só, eu não conseguia ouvir muito as pessoas, só conseguia me ouvir, e hoje não, pela força do trabalho, do que eu tenho aprendido dentro de uma cooperativa, dentro do cooperativismo, eu aplico também para minha vida pessoal, levo para fora, para minha família, para o ciclo de minha amizade. Essa é a solidariedade de ajuda né? o cooperado é assim: cada um ajudando o outro que tá ali na produção, terminou a sua parte, vamos lá ajudar o outro a terminar a tarefa dele, aí a gente leva muito esse tipo de elemento para a nossa vida pessoal. (Componente 01)
Eu levo e faço questão de passar isso, assim a gente vai ter um mundo melhor sabe? a gente quer ter um mundo melhor (...). Minha educação foi de sempre ajudar o outro que está do lado, de ser solidária, prestativa, uma educação bem humana, tive muitos ensinamento bons, coisa de família mesmo. Assim tudo que eu aprendi aqui na cooperativa, eu também comecei a passar prá dentro de casa, eu aprendi também que a família é um grupo pelo qual todos têm que trabalhar em prol dela e eu passei a aplicar os ensinamentos da economia solidária, do cooperativismo prá dentro de casa. (Componente 10)
Eu sempre quando chego lá em casa eu sempre falo prá eles, passo prá eles como que é aqui, como que é a união da cooperativa que todo mundo reunido aqui se for prá resolver um serviço aqui todo mundo vai, se for prá resolver uma coisa aqui todo mundo vai ajudando, é assim sabe? Eu passo para as pessoas, eu levo e explico como é aqui ... o meu jeito é assim sabe? ... a gente faz a parte da gente né? eu sempre gosto de tá conversando e explicando o que aprendo aqui. Eu sempre fui de ajudar os outros, sou prestativa desde nascença ... se eu vejo alguém que tá precisando de ajuda eu não fico de braços cruzados, eu vou lá e ajudo (...). (Componente 07)
Tenho sim, a gente passa a conhecer né? e passa isso prá frente, assim para o colega, para o vizinho, para um amigo né? eu tenho levado sim. (Componente 13)
Toda vida sempre fiz isso, sou uma pessoa muito solidária, lá em casa sempre falo para eles serem unidos, solidários, sempre ajudo os outros, se eu tiver roupa eu divido prá quem tá precisando ... às vezes a pessoa não tem condições de comprar eu divido e assim eu vou levando a vida ... é um ajudando o outro. (Componente 06)
Isso eu sempre tive, sempre pratiquei isso toda a vida. (Componente 15)
Aplicar o conhecimento adquirido dentro do movimento da economia solidária a outros espaços, a outras pessoas fora do ambiente de trabalho não tem sido um desafio para essas mulheres. Levam não apenas o conhecimento, as informações do trabalho que desenvolvem como também os valores aprendidos dessas experiências. Algumas delas em suas trajetórias de vida relataram que receberam uma educação mais humana de ajuda ao
próximo. Ser solidária, prestativa, ajudar as pessoas, isso já fazia parte da vida antes mesmo de entrarem para essas atividades.