3. SAHÎH-İ BUHÂRÎ’DE MA’RÛF KAVRAMI
3.1. Ma’rûf Kavramının Geçtiği Hadisler
3.1.5. Sadaka Ma’rûf İlişkisi
As propagandas não ocupavam um lugar de destaque na revista e nunca foram a sua principal fonte de recursos. A maior incidência de anúncios ocorreu nos dois primeiros anos. Após esse período, o diretor da revista tomou a decisão de não publicar mais anúncios para não comprometer os propósitos da revista, bem como não se submeter aos interesses dos anunciantes. Consideramos essa estratégia
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peculiar para o período, quando as agências de publicidade estrangeiras detinham o mercado publicitário e a influência no meio jornalístico brasileiro. Acreditamos que estava em jogo o apoio à questão da exploração do petróleo no Brasil. Por outro lado as agências de publicidade estrangeiras, com um grande volume de investimentos conseguiam o apoio e a opinião dos grandes jornais e revistas pela causa antinacionalista, isto é, a defesa da exploração do petróleo pelas empresas estrangeiras. Lobo, como ex-militar e nacionalista não concordava com essa posição.
Para manter a publicação Lobo realizou um leilão com os seus bens mais valiosos para financiar a publicação. Essa decisão estava relacionada à morte de seu filho ainda nos primeiros meses após o lançamento da revista. É possível inferir que o posterior sucesso editorial da revista tenha contribuído para a dispensa de publicidade durante a sua duração.
5.13 Capas
A revista era vendida principalmente em bancas de revistas, e o seu formato grande (23,5x32 cm) servia de estratégia de venda, pois possibilitava veicular muitas informações e um maior número de imagens, além de propiciar uma leitura rápida pelo transeunte. As capas veiculavam principalmente imagens93 de cientistas em
atividade, produtos tecnológicos, vida animal, aspectos relacionados à indústria, medicina e à física, etc. Ciência Popular explorava sistematicamente a estratégia de utilizar as capas para divulgar o conhecimento científico. Imagens, ilustrações ou fotografias acompanhadas de legendas traziam informações sobre determinado tema. O diretor geral buscava atingir transeuntes curiosos por uma notícia mais interessante. Eram aqueles que não se fixavam em nenhum conteúdo e olhavam todas as revistas da banca sem interesse específico (CP, n. 108, set. 1957).
93 Raramente as fotos, imagens e ilustrações de Ciência Popular traziam a autoria. Em um editorial,
Lobo afirmou: “(...) todas as figuras que fiz publicar estão nas obras clássicas de divulgação científica (L’Homme de Larousse, L’Universe er l’Humanité de Kramer, I Costume del Mondo, de Hutchinson, etc) sem falar no Tesouro da Juventude e em todos os bons livros de Geografia”. (CP, n. 20, mai. 1950). É a única referência à origem das imagens. As demais ilustrações presentes na publicação, esporadicamente, eram creditadas a agências de notícias.
A temática de maior frequência presente nas capas foi a medicina. Essas capas focalizavam os cuidados com a saúde e não apresentavam somente informações descritivas das doenças, mas também propiciavam conhecer o processo relacionado à enfermidade, bem como o tratamento e em alguns casos como evitar ações que levassem à sua aquisição.
Ao longo de várias edições, Ciência Popular apresentou capas cuja temática abordava aspectos voltados para a indústria e tecnologia. Destacaram-se as imagens de trabalhadores da indústria e, em uma ocasião o papel da mulher moderna nos setores industriais foi alvo de atenção especial da edição (CP, n. 35, ago. 1951). Cada vez mais, as mulheres passaram a ocupar diversificados postos de trabalho, fruto do rápido crescimento urbano e da crescente industrialização do país. Apesar do preconceito à inserção da mulher no mercado de trabalho, o cenário apontava para uma maior participação feminina nos espaços industriais.
Se o Brasil acompanhou, à sua maneira, as tendências internacionais de modernização e emancipação feminina – impulsionadas com a participação das mulheres no esforço de guerra e reforçadas pelo desenvolvimento econômico -, também foi influenciado pelas campanhas estrangeiras que, com o fim da guerra, passaram a pregar a volta das mulheres ao lar e aos valores tradicionais da sociedade (BAZANEZZI, apud DEL PRIORE, 2004;
p. 608). As transformações que atingiam os setores da indústria multiplicaram as
possibilidades de modificações na vida social e cultural, tanto masculina quanto feminina.
Outra temática frequente estava relacionada à Física Nuclear, cujas imagens predominantes eram de explosões atômicas. O investimento da revista em promover as pesquisas no campo da energia atômica estava consoante com as discussões sobre o potencial do Brasil em alinhar-se com outras nações nas pesquisas nucleares. Rico em jazidas minerais, que muito despertavam os interesses americanos, o governo brasileiro tentava, desde a década de 1940, conseguir a “cessão da tecnologia nuclear dos Estados Unidos” (MOTOYAMA, 2004, p.297) por meio de cooperação mútua. Não chegando a um acordo, dada a conjuntura da Guerra-Fria e outros problemas de ordem política, o CNPq, à frente das negociações, buscou outras opções, entre elas parcerias com a França e Alemanha. Na visão governamental, pesquisas no campo da energia nuclear seriam
responsáveis por tirar o país do atraso científico e tecnológico em que se encontrava, além de ir ao encontro do óbvio interesse dos militares no know-how atômico.
Promover valores que reforçassem uma visão positiva da ciência colaborava para que se impulsionassem investimentos em ciência e tecnologia no país. Ainda que desconectadas de instituições privadas e governamentais, iniciativas de divulgação científica como Ciência Popular, enfatizavam o caráter da ciência em fomentar o progresso e o desenvolvimento. Nesse sentido, as capas de Ciência Popular evidenciavam uma clara relação entre ciência e progresso.
FIGURA 38 – Capa da Ciência Popular FIGURA 39 – Capa da Ciência Popular Fonte: CP, n. 32, maio 1951 Fonte: CP, n. 92, maio 1956