3. SAHÎH-İ BUHÂRÎ’DE MA’RÛF KAVRAMI
3.1. Ma’rûf Kavramının Geçtiği Hadisler
3.1.1. Emr-i bi’l-Ma’rûf Nehy-i an’il-Münker
3.1.1.3. İdarecinin yanında ma’rûfu emreden sırdaşının bulunması
Os periódicos de divulgação científica são emblemáticos para a discussão sobre as representações acerca da ciência em circulação na sociedade. Na análise da
Ciência Popular, uma indagação fazia-se constante, principalmente, no que tange
em comparação aos aspectos destacados por Bensaude-Vincent (2001) sobre as imagens de ciência nos periódicos populares de divulgação: Quais as percepções de ciência a revista buscava evocar? Eram semelhantes a outros periódicos?
O diretor Duclout teve um papel marcante na elaboração de algumas representações da ciência disseminadas pela publicação. Enquanto esteve a frente da revista, seus editoriais atrelavam o desenvolvimento do país ao progresso da ciência. Sempre muito crítico, os seus comentários ora cobravam das autoridades intervenções governamentais pautadas pela ciência, ora elogiavam, mas sem deixar de tecer observações sobre a manutenção das atitudes positivas em prol do país. Uma das críticas relacionava-se aos problemas de interferência nas transmissões de rádio e Duclout afirmou “es realmente vergonzoso este estado de inactividade en una época de progresso y velocidade, en que las leyes deberían anticiparse a los hechos y no llegar ya con las barbas muy crecidas (CPA, n. 9, abr. 1929, p. 457). Em outro comentário intitulado Política y Ciência, o diretor se mostrava preocupado com a continuidade de investimentos em obras fundamentais para o crescimento econômico da Argentina (CPA, n. 14, out. 1929). O abandono de investimentos na área mineradora também foi alvo de suas críticas (CPA, n. 7, fev. 1929, p. 341), bem como o atraso das indústrias e na produção de matérias-primas. Ele aponta também valorização dos inventos americanos, “muchos de ellos sin mayor importância” (CPA, n. 6, jan. 1929, ) em detrimento da produção dos inventores argentinos. Por outro lado, a revista atuava para dar visibilidade e valorizar a produção industrial, e parecia “uma vitrine da indústria” do país. Uma pequena nota ao final da página mostrava:
Somos argentinos... ...y es necessário ocuparse preferentemente de todo lo que se refiere a nuestro país. Tenemos grandes industrias en esta República... Entendiendolo asi “Ciencia Popular” publicara a partir del próximo numero, una visita a una fabrica argentina (CPA, n. 30, dez, 1930). Os editoriais de Duclout atuavam como espécie de clamor à elaboração de uma política científica de Estado com o objetivo de agregar o conhecimento científico à produção econômica. O abandono a que se refere Duclout, talvez, devesse às reformas empreendidas pelos presidentes Sarmiento e Avellaneda, na segunda metade do século XIX, que implicou em uma ideologia de “modernização”. Sob influência do positivismo, Sarmiento promoveu reformas no sistema educacional com ampliação da rede de escolas e criação de bibliotecas. Nesse período também houve um incremento na produção científica,
En las décadas que van de 1860 a 1890 la ciencia argentina logra sus primeros éxitos, ya en el sentido de la organización y de la enseñanza científicas, ya en el de la formación de hombres de ciencia, ya en el sentido de la producción original. En ese período se fundan o se consolidan los
focos de elaboración del saber y las instituciones en las que la labor científica cobra vida permanente, así como los centros que la estimulan y apoyan y los órganos de trasmisión y propagación del saber elaborado; en una palabra, es el período en que se fundan y se organizan universidades, museos, observatorios, academias, sociedades, congresos y publicaciones periódicas. Es también en este lapso cuando actúan los primeros científicos, formados entre nosotros, con labor propia y original, en especial en el campo de las ciencias naturales. (CAZAUX, 2010, p. 76).
Em um artigo dedicado inteiramente ao ex-governante, Domingos Faustino Sarmiento, o autor, também cientista além de colaborador da revista, Rodolfo Parodi, expressou toda a admiração por sua atuação em diferentes áreas do conhecimento. O enfoque, no entanto, recaiu sobre o seu papel como impulsionador da ciência argentina. A começar pelo título El verdadeiro forjador de las ciências
argentinas, que nos parece marcar uma fronteira entre o fazer científico do país
(CPA, n.125, dez. 1938). O texto passa-nos a impressão de que o desenvolvimento da ciência no período possibilitou a integração da Argentina à civilização66. Esta imagem ainda encontra-se muito recorrente nos textos sobre a história da ciência argentina e foi reforçada pelos periódicos de divulgação científica, como a Revista
Ciência Popular. O destaque dado pelo autor a Sarmiento nos leva a pensar na
intenção de projetar ao público uma figura de referência e identidade para o desenvolvimento científico do país, bem como um exemplo a ser seguido pelos leitores. Nascido em uma família pobre, e possuidor de um espírito de curiosidade, estudou por conta própria e alcançou êxito em diversos campos do conhecimento. São valores defendidos pela revista e comumente associados a quem desejasse adentrar pelos caminhos da ciência.
[...] a fundar un juicio valedero sobre el mérito real de la labor del excepcional educador, que no obstante carecer de estúdios universitários regulares, fué legislador, escritor, político, historiador, diplomático, hombre de ciência, etc., etc., [...] Por outra parte, él mismo poseía regulares conocimientos en distintas ciências y en particular la zoológica, paleontologia, botânica, biologia y etnografia, como se desprende de la aplicación que de las mismas hace en sus diversas publicaciones y que tiene amplia confirmación en el acerto con que dotó a nuestras instituciones y que de otra manera carecereia de explicación lógica [...] hacemos un pedido a todos los hombres cuya ecunaimidad les permita admirar la profícua labor ajena: que la suma de las fuerzas útiles de mi pátria sirva para que la obra de Sarmiento jamás se esterilice; que su torrente luminoso siga el curso avassalante que le marcara la mano clarovidente de su creador, aunque el`o nos atraiga el desagrado de los que prefierem las
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Sarmiento é autor do livro Facundo: civilização e barbárie, escrito em 1845, onde procura explicar a realidade nacional por meio da narrativa do território, da cultura e do povo argentino. Ao contrapor a civilização à barbárie pela história do país, Sarmiento demonstra como a Argentina, sob as rédeas do Estado, seria no futuro, civilizada, na melhor acepção da palavra, educada e urbana (CAMPOS, 2007).
tranquilas comodidades de la ignorância, a los inquietos câmbios que la ciência depara en su eterno modificar. (PARODI, 1938, p. 416-418).
Reconhecemos nessa passagem um aspecto pouco explorado da figura de Sarmiento, o de divulgador da ciência. Conhecido por sua política educacional, implementada enquanto governante do país, concebia a educação como elemento propulsor do “progresso” e “propender hacia una enseñanza utilitaria, racional y científica” (TEDESCO, 2003, p.28). Um dos pontos centrais de seu pensamento, considera a educação técnico-científica como fator fundamental para o aumento de produção, por meio da capacitação de trabalhadores para a indústria. Como Cazaux afirma,
Tan importante como poco conocida, es su faceta como promotor de la ciencia, divulgador y practicante de actividades científicas. Sarmiento comprendía que el conocimiento debía democratizarse y se muestra como un impulsor de la idea de la divulgación científico-técnica como herramienta para superar el atraso (CAZAUX, 2010, p. 88).
No contexto de transformações promovidas por Sarmiento, houve o aparecimento de “una dinâmica industrial y técnica”, cujos empreendimentos estavam voltados para a realização de obras públicas, melhoramento da produção de matérias-primas, processo de industrialização e um sistema de serviços urbanos que contou com o apoio da classe política dirigente, de acordo com a interpretação de Mendoza (2003, p. 92). Foi um período em que diferentes grupos da sociedade, tais como políticos, empresários e engenheiros, apoiaram as mudanças, ainda que, fossem em benefício próprio. Contudo, houve um declínio dessa dinâmica social, já no final do século XIX, e prosseguindo Mendoza (2003, p. 108), “esta situación sólo muy esporadicamente volverá a repertirse” (MENDOZA, 2003, p. 108).
O período67 entre 1916 e 1931 foi considerado por Babini (2007 apud Cazaux, 2010) como um dos mais ricos para a evolução do pensamento científico argentino, uma vez que foi o que mais se aproximou do espírito empreendedor do século XIX. Cazaux (2010), também afirma que a complexidade das relações do campo científico com a sociedade daquela etapa, dificulta o trabalho de resenhá-lo e, com isso, ela opta em apenas descrever sucintamente como a ciência se desenvolveu após a Primeira Guerra Mundial. O que podemos inferir a respeito das observações
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Cazaux (2010) citando Babini (2007), afirma que a ciência argentina, ao longo de sua história, esteve sob influência dos acontecimentos politicos e sociais e esse fato pode ser traduzido em períodos que correspondem à atividade ou inatividade científica. Cazaux (2010, p. 22) classifica o periodo entre 1915 e 1945 como a “geração truncada de 18”.
do diretor Duclout sobre a falta de atenção governamental a alguns aspectos da economia argentina e a sua relação com a ciência para aqueles anos é a inexistência de uma política científica para modernizar e aumentar a capacidade industrial no país. Ainda segundo Cazaux (2010), durante os anos 1932 e 1942 o que ocorreu foram esboços de uma política científica governamental, e somente a ascensão de Perón ao poder, efetivamente haveria uma promoção à investigação científica, mas pautada por orientação militar.
A ciência na Revista Ciência Popular era sempre representada como uma fonte inesgotável de progresso. Podemos afirmar que a revista tinha uma visão idealizada da ciência, própria do período em questão. Essa percepção era muito comum nos periódicos populares, tal como mencionado por Bensaude-Vincent (2001). Havia uma preocupação em passar uma imagem de utilidade prática do conhecimento científico. Um anúncio na revista, veiculado logo nas primeiras edições, informava para o leitor que ao tomar contato com as temáticas, logo se faria subscritor e ficaria “al tanto de los más modernos adelantos de la ciência y llegará a ser un ciudadano de progresso y utilidade” (CPA, n. 6, jan. 1929, p. 329). Reiteradamente, o leitor era lembrado da possibilidade de aprender “infinidade de cosas útiles” e com o conhecimento aprendido ser “un hombre práctico y útil que muchos envidiarán” (CPA, n. 19, fev. 1930, p. 474).
Podemos dizer que a Ciência Popular estava sempre enfatizando o seu papel de educar e entreter os leitores. Tornar a ciência “atraente e divertida” também servia de estratégia para aproximar a publicação do público e contribuía para desvincular a visão da ciência acessível para poucos. Transmitia-se a imagem do conhecimento científico ser capaz de produzir não só produtos para melhorar a vida cotidiana, mas oferecer o estímulo intelectual necessário a fim de permitir o indivíduo ser útil à sociedade.
Não muito diferente das outras publicações do período, a ciência representava a verdadeira autoridade, o conhecimento mais confiável. O prestígio social da ciência e do cientista eram constantemente reforçados, quase sem questionamentos. Como afirmou Lafollette (1990, p. 159), a revistas de divulgação científica reiteravam as tradicionais imagens da ciência, fosse em metáforas, descrições ou “tom”. Os cientistas eram apresentados como trabalhadores e inteligentes, os métodos
científicos confiáveis e o conhecimento científico como autoridade. Nesse sentido, a revista Ciência Popular apresentou um vasto conjunto de percepções positivas acerca da ciência. Uma das descrições diretas foi elaborada pelo diretor Ignacio Gómez:
La ciência constituye la manifestación más elevada de la cultura de la humanidade; es la esencia misma de su perfeccionamento, logrado sobre el esfuerzo de las mentalidades privilegiadas de los hombres que dedican a ella sus esfuerzos. [...] Queremos a propósito decir dos palavras sobre algunos de los temas que tratamos desde estas páginas; nuestra revista constituye una avanzada de unión entre el mundo de lo científico y el gran público de personas inteligentes y curiosas que no dedicandose a especialidades quieren adquirir conocimientos e información de todo lo verdadeiramente interessante que se crea (CPA, n. 137, dez. 1939).
Nesse caso, Gómez transmitiu uma visão de ciência e do cientista que predominou na publicação. Para os leitores da publicação, provavelmente o texto mostrou que apesar da ciência se constituir como um saber diferenciado, estava ao seu alcance por meio da revista.