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SABRİNA VE ROLAND MİCHAUD 87

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RAHMANKUL HAN

SABRİNA VE ROLAND MİCHAUD 87

Velarde-Jurado e Avilla-Figueroa (2002), mediante revisão sobre os aspectos metodológicos para avaliar a qualidade de vida, identificaram 103 instrumentos genéricos e específicos disponíveis para avaliar a qualidade de vida, em adultos e crianças. Enquanto que Costa Neto (2002) identificou 446 instrumentos, no período de setenta anos, destacando-se que 322 instrumentos identificados, equivalentes a mais de 70% do total, apareceram na literatura a partir dos anos 80.

O acentuado crescimento nas duas últimas décadas atesta os esforços voltados para o amadurecimento conceitual e metodológico do uso do termo na linguagem científica (SEIDL; ZANNON, 2004).

A Organização Mundial de Saúde (WHO), no intuito de uniformizar um instrumento de avaliação, desenvolveu o questionário da Organização Mundial de Saúde de Qualidade de Vida (World Health Organization Quality Of Life – WHQoL - 100) (1994), que está disponível em 20 idiomas, incluindo a língua portuguesa. Este instrumento é auto-explicativo e de auto-avaliação. Foi desenvolvido também em uma versão abreviada, WHOQoL-breve, com o objetivo de apresentar-se menor, de rápida aplicação, demandando pouco tempo para seu preenchimento, mas com características psicométricas satisfatórias (FLECK et al., 2000).

Enfatiza-se então, que qualidade de vida só pode ser avaliada pela própria pessoa, ao contrário das tendências iniciais de uso do conceito quando era avaliado por um observador, usualmente um profissional de saúde. Nesse sentido, há a preocupação quanto ao desenvolvimento de métodos de avaliação e de instrumentos que devem considerar a perspectiva da população

ou dos pacientes, e não a visão de cientistas e de profissionais de saúde (SLEVIN et al., 1988).

Os instrumentos de qualidade de vida relacionada à saúde são amplamente utilizados na Medicina, enquanto que na Odontologia, sua aplicação é relativamente recente (GÓES, 2001; ALLEN, 2003). O desenvolvimento de indicadores que relacionam problemas bucais com a qualidade de vida surgiu da necessidade de conhecer a condição de saúde percebida subjetivamente ou o impacto dos problemas de saúde bucal sobre a qualidade de vida (SLADE, 1997).

Em 1996, na cidade de Chapel Hill (Carolina do Norte-EUA), foi realizada uma conferência sobre “Medindo saúde bucal e qualidade de vida”, com o objetivo de avaliar os instrumentos existentes para avaliar qualidade de vida relacionada à saúde bucal e seu uso para avaliação dos resultados da saúde bucal. No referido evento, cerca de 10 instrumentos pertinentes foram apresentados e discutidos. Após a conferência outras medidas têm sido publicadas, destacando-se a forma resumida do OHIP-49, o instrumento OHIP- 14.

Dentre os instrumentos mais utilizados, destacam-se: Perfil do Impacto da Saúde Bucal - Oral Health Impact Profile – OHIP-49 (SLADE; SPENCER, 1994) e OHIP-14 (SLADE, 1997); Impacto da Saúde Bucal nas Atividades Diárias - Oral Impacts on Daily Performance – OIDP (ADULYANON; SHEIHAM, 1997) e o Índice de Avaliação da Saúde Bucal em Idosos - Geriatric Oral Health

Assessment Index – GOHAI (ATCHISON; DOLAN 1990), pelo largo emprego em pesquisas relatadas na literatura.

Na atual revisão, serão detalhadamente abordados os instrumentos para avaliar qualidade de vida relacionada à saúde bucal OHIP-14 e OIDP.

O instrumento, Perfil do Impacto da Saúde Bucal (Oral Health Impact

Profile), comumente denominado OHIP, mede a percepção das pessoas, em relação ao impacto social de desordens bucais no seu bem-estar (SLADE; SPENCER, 1994).

O OHIP foi desenvolvido para prover uma medida ampla de auto-relato de disfunção, desconforto e incapacidade atribuídos às condições bucais. Conseqüentemente, o instrumento se relaciona com prejuízos em três dimensões de estado funcional: físico, social e psicológico. Inicialmente, o instrumento resultou em uma combinação de 49 itens, divididos em sete subescalas, sendo testado mediante estudo transversal, em uma amostra composta por pessoas idosas, de Adelaide do Sul (Austrália) e Ontário (Canadá) (SLADE; SPENCER, 1994; SLADE, 1997; GÓES, 2001; ALLEN, 2003).

Posteriormente, o instrumento foi validado em uma versão abreviada, resultando o questionário OHIP-14, para os casos onde o conjunto de 49 perguntas é inapropriado (SLADE, 1997; GÓES, 2001).

Os questionários do OHIP, tanto na versão integral (OHIP-49) como na versão abreviada (OHIP-14), abrangem sete dimensões conceitualmente formuladas, baseadas no modelo teórico de Locker de saúde bucal, representado na Figura 2 (LOCKER, 1988), adaptado da Classificação Internacional de Prejuízos, Incapacidades e Deficiências da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1980).

Figura 2– Modelo conceitual para medir saúde bucal

FONTE: Locker, 1988

As sete dimensões avaliadas pelo OHIP são: limitação funcional, dor física, desconforto psicológico, incapacidade física, psicológica e social e deficiência (SLADE; SPENCER, 1994; SLADE, 1997; GÓES, 2001; ALLEN, 2003). O OHIP é uma das medidas mais usada para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde bucal. A tradução e validação para diferentes idiomas e a avaliação, em vários tipos de desenho de estudo, têm sido encontradas na literatura.

O segundo instrumento de avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde bucal mais utilizado é o questionário Impacto da Saúde Bucal nas Atividades Diárias (Oral Impacts on Daily Performance), preconizado por Adulyanon e Sheiham (1997) e mundialmente conhecido pela sigla OIDP. O OIDP tem como objetivo fornecer um indicador sociodental alternativo, que enfatiza a medição da severidade de impactos bucais no desempenho para realizar atividades diárias. Essa abordagem promove algumas vantagens, como facilidade de medir o impacto comportamental no desempenho das atividades diárias, além de não ser extenso (ADULYANON; SHEIHAM, 1997).

Doença Prejuízos Desconforto e dor Limitação funcional Incapacidade física psicológica social Deficiências Doença Prejuízos Desconforto e dor Limitação funcional Incapacidade física psicológica social Deficiências

A estruturação teórica do OIDP também foi baseada na Classificação Internacional de Prejuízos, Incapacidades e Deficiências da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1980), adaptada para a Odontologia por Locker, em 1988. A principal modificação no OIDP foi que níveis diferentes de conseqüência variável foram estabelecidos. O primeiro nível refere-se ao “estado bucal” incluindo prejuízos orais, sendo o que a maioria dos índices clínicos tenta medir. O segundo nível, “impacto intermediário”, inclui o possível impacto negativo inicial causado pelo estado de saúde bucal, como: dor, desconforto ou limitação funcional. A insatisfação com a aparência foi adicionada nesse segundo nível desde que estudos indicaram que esta foi a maior dimensão dos resultados de saúde bucal. Em adição, a limitação funcional pode causar dor, desconforto ou insatisfação com a aparência e vice- versa. O terceiro nível, ou o “impacto finalístico”, representa impactos na habilidade para realizar atividades diárias, que consistem do desempenho físico, psicológico e social. Qualquer uma das dimensões do segundo nível pode ter impacto no desempenho da atividade. O terceiro nível é equivalente as dimensões de incapacidade e deficiência do modelo da WHO (1980) (ADULYANON; SHEIHAM, 1997).

O OIDP enfatiza a medição em três níveis de conseqüência, as quais fornecem quatro vantagens principais (ADULYANON; SHEIHAM, 1997):

1) Fazer a medida concisa e ainda incluir a conseqüência principal. Outros indicadores concisos concentram-se em poucos impactos intermediários do nível dois, como a dor ou a capacidade de mastigar. O OIDP, por outro lado, envolve todas as conseqüências do impacto do nível dois no desempenho das atividades diárias;

2) Evitar, ou pelo menos reduzir, escore alto resultante de escore repetido do mesmo impacto em cada um dos três níveis;

3) Apenas os impactos significantes são registrados, por eliminação das condições de peso menor que não levam para o impacto no desempenho diário;

4) Menor dificuldade para medir o impacto comportamental, em termos de desempenho das atividades diárias (ex. comer, conversar), do que a dimensão do estado de sentimento (ex. desconforto, preocupação).

Com relação ao conteúdo das dimensões avaliadas pelo OIDP, nove atividades da vida diária são incluídas: desempenho ao comer, falar, limpar a boca ou a face, dormir, aparência, estado emocional, realizar tarefas usuais, atividades de lazer e de esporte. Todos esses desempenhos físicos, psicológicos e sociais foram desenvolvidos a partir do Comparison Table of

Disability Indexes.

As propriedades psicométricas do OIDP e OHIP-14 foram testadas quanto a confiabilidade e devidamente validadas (SLADE; SPENCER, 1994; ADULYANON; SHEIHAM, 1997;SLADE, 1997).

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