5.2. T am Havalı Sistemler
5.2.2. T ek kanallı sistemler
5.2.2.1. Sabit h aval ı sistemler
A mobilidade do íon sódio no solo foi avaliada por meio dos parâmetros de transporte ajustados a partir de dados experimentais, oriundos dos ensaios de deslocamento miscível realizados no laboratório. Os parâmetros relativos aos solos utilizados no preenchimento das colunas foram obtidos a partir das curvas de retenção de água no solo, segundo o modelo de Genuchten (1980), e são apresentados na Tabela 16.
Tabela 16 - Parâmetros da curva de retenção de água no solo, segundo o modelo Genuchten (1980)
Solo θs θr α m n
--- (cm³ cm-3) --- (cm-1) - -
Arenoso 0,4233 0,0749 0,0348 0,4548 1,8342 Argiloso 0,5602 0,2135 0,0612 0,3649 1,5746
As curvas de distribuição de efluente foram confeccionadas a partir das concentrações de sódio determinadas no lixiviado recolhido durante os ensaios com as colunas de solo, no laboratório. Analisando os resultados, apresentados na Figura 12, observa-se que o valor correspondente à concentração relativa 0,5 foi superior a 1 em ambos os solos, com a curva referente ao solo argiloso deslocada um pouco mais para a direita. De acordo com Biggar e Nielsen (1962), o número de volume de poros correspondente à concentração de relativa de 0,5 é uma primeira indicação, no sentido de existência ou não, de interações soluto-solo. Portanto, os resultados obtidos permitem afirmar que houve maior interação do sódio com o solo argiloso.
(a) (b)
Figura 12 - Curvas de efluente elaboradas a partir das concentrações de sódio obtidas no laboratório, com a aplicação de 450 ppm de cloreto de sódio no solo arenoso (a) e no solo argiloso (b) A magnitude das interações entre o sódio e a fase sólida do solo, durante a percolação da solução, foi quantificada e o resultado apresentado na Tabela 17. Dentre os parâmetros na Tabela, ajustados por meio do software STANMOD, o fator de retardamento (R) representa a defasagem entre a velocidade de avanço do soluto e a velocidade de avanço da frente de molhamento da solução percolante (VALOCCHI, 1984), expressando indiretamente a capacidade do solo em reter íons.
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 0 1 2 3 4 5 6 7 C /C o Volume de poros Dados ajustados 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 0 1 2 3 4 5 6 7 C /C o Volume de poros Dados ajustados
Tabela 17 - Parâmetros de transporte de sódio, obtidos para o solo arenoso e para o solo argiloso: fator de retardamento (R), coeficiente de dispersão (D), número de Peclet (P), velocidade da água nos poros (v), coeficiente de dispersividade em função do número de Peclet ()
Parâmetros de transporte de sódio
Solo R D P v (P)
(cm2 min-1) (cm min-1)
Arenoso 1,886 7,336 6,11 12,52 0,586
Argiloso 3,411 4,081 1,52 6,28 0,649
Na Tabela 17, observa-se que o retardamento foi, de fato, mais expressivo no solo argiloso; corroborando os resultados obtidos por Méllo et al. (2006), ao aplicar água residuária do processamento de mandioca em colunas de solo. De acordo com a autora, a diferença entre os valores encontrados para o íon sódio nos dois solos evidencia a influência do conteúdo de argila presente sobre a interação deste íon com a matriz do solo.
Os parâmetros de transporte, obtidos para os dois solos, também serviram como variáveis de entrada para a simulação da distribuição do sódio no solo, realizada por meio da aplicação do modelo computacional MIDI. O modelo simulou a aplicação de uma solução de cloreto de sódio (1960 mg L-1), a uma taxa de 8 L-1, em uma coluna de solo medindo 60 cm de diâmetro e altura, por um período de 6 horas. Como resultados foram obtidos os valores de umidade do solo e concentração de sódio a cada 10 cm de profundidade no perfil do solo. Os resultados gerados a partir do modelo foram comparados com resultados obtidos experimentalmente sob as mesmas condições simuladas (Figuras 13 e 14).
Analisando os resultados de umidade apresentados na Figura 13a, observa- se que a simulação a partir do modelo subestimou o conteúdo de água no solo arenoso. Nas camadas mais superficiais os valores de umidade simulados, para este solo, apresentaram similaridade com os valores obtidos experimentalmente. Entretanto, ao passo que se aprofundava no perfil do solo as medidas se distanciavam das simulações. Já em condições de solo argiloso, pode-se afirmar que o desempenho do modelo foi bastante satisfatório. Na Figura 13b, é possível notar que os valores simulados para a umidade foram semelhantes aos valores determinados no experimento, desde a superfície do solo até os 50 cm de profundidade.
Cabe salientar que, durante o experimento na casa de vegetação, foi observado o acúmulo de água na base de algumas das colunas. Este excesso, às
vezes, elevava a umidade do solo ao valor de saturação. Assim, a menor correlação entre os valores de umidade obtidos experimentalmente e os valores simulados pelo MIDI, para as camadas mais profundas do solo, pode ser atribuída a esta constatação. E, de uma maneira geral, pode-se afirmar que as simulações dos valores de umidade por meio da utilização do MIDI foram coerentes quando comparados a valores determinados em condições reais; apresentando ainda como vantagem a economia de tempo.
(a)
(b)
Figura 13 - Representação dos perfis de umidade, obtidos em condições experimentais e por meio de simulações com o modelo MIDI, para o solo arenoso (a) e para o solo argiloso (b)
As concentrações do íon sódio (mg L-1) também foram simuladas e obtidas experimentalmente, em diferentes profundidades, para os dois solos. Na Figura 14a, é apresentado o perfil de distribuição do sódio no solo arenoso. No solo arenoso,
-80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 0.0 0.2 0.4 0.6 Pr o fu n d id a d e ( cm) Umidade volumétrica (cm3 cm-3)
Observado Simulado (MIDI)
-80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 Pr o fu n d id a d e ( cm) Umidade volumétrica (cm3 cm-3)
semelhante ao ocorrido para as simulações de umidade, observa-se que as concentrações de sódio também ficaram abaixo daquelas observadas experimentalmente. No entanto, a forma do gráfico foi semelhante, refletindo a existência de correlação entre os valores medidos e simulados pelo MIDI.
(a)
(b)
Figura 14 - Representação dos perfis de concentração de sódio, obtidos em condições experimentais e por meio de simulações com o modelo MIDI, para o solo arenoso (a) e o solo argiloso (b) Para o solo argiloso, o modelo também subestimou as concentrações de sódio obtidas no experimento (Figura 14b). Na comparação entre os dois solos, as concentrações simuladas foram maiores no solo arenoso; o que faz sentido, se considerado que o sódio é um cátion, e por isso fica retido com mais facilidade no solo com predominância de cargas negativas. No entanto, os resultados experimentais mostraram exatamente o contrário, e esta diferença pode está
-80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 0 500 1000 1500 2000 2500 Pr o fu n d id a d e ( cm) Concentração de sódio (mg L-1)
Observado Simulado (MIDI)
-80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 0 500 1000 1500 2000 2500 Pr o fu n d id a d e ( cm) Concentração de sódio (mg L-1)
associada à umidade e à porosidade de cada solo. A menor umidade observada no solo arenoso, associada à maior quantidade de macroporos, e considerando que o volume de solução aplicado nos dois solos foi o mesmo, significa que também houve maior drenagem no solo arenoso. Assim sendo, parte do sódio aplicado ao solo arenoso pode ter sido lixiviado para fora da coluna.
A explicação para as maiores concentrações de sódio, simuladas pelo MIDI, para o solo argiloso, pode está na teoria por trás do funcionamento do modelo. Mas, especificamente, nos parâmetros de transporte que são variáveis de entrada. Vale lembrar que o fator de retardamento utilizado para as simulações foi cerca de duas vezes maior para o solo argiloso. Isto implica que o modelo considerou que fração do sódio na solução aplicada que ficou retida ao solo, também foi maior no solo argiloso. Neste caso, os resultados da simulação estão em consonância com os parâmetros de transporte.
Com base nos resultados obtidos com o MIDI e nos parâmetros de transporte encontrados para o sódio nos dois solos, pode-se afirmar que o sódio apresentou maior mobilidade no solo arenoso, quando comparado ao argiloso. A isso, pode ser atribuída a pouca eficiência da lâmina de lixiviação L2 aplicada ao solo argiloso, no experimento com as colunas de solo na casa de vegetação. A menor velocidade da água nos poros (6,28 cm min-1), associada à maior interação do sódio com a matriz do solo (R = 3,411) favoreceu a sua adsorção pelo solo, resultando em menores concentrações deste íon na solução obtida pelos extratores.
3 CONCLUSÕES
Diante dos resultados obtidos neste estudo, pode-se concluir que:
a) Os níveis de salinidade dos solos reduziram de maneira de maneira inversamente proporcional com a aplicação das lâminas de lixiviação, havendo efeitos de interação entre as lâminas, o tipo de solo e a salinidade inicialmente presente;
b) A concentração de sódio e, consequentemente, a condutividade elétrica na solução do solo diminuíram significativamente com a aplicação da lâmina de lixiviação equivalente a três vezes o volume de poros do solo; sendo os melhores resultados observados no solo arenoso;
c) De maneira geral, as equações testadas foram mais eficientes no solo arenoso e, dentre elas, a proposta de Cordeiro (2001) apresentou respostas mais coerentes com os resultados obtidos experimentalmente;
d) O uso de equações para determinação da lâmina de lixiviação mostrou-se eficiente; mas, a recomendação do uso de cada uma delas deve considerar as particularidades de cada situação.
e) O cálculo da lâmina de lixiviação deverá considerar além da composição iônica e concentração inicial dos sais na solução do solo, as propriedades do solo a ser recuperado;
f) Em função da maior predominância de cargas negativas no solo argiloso, foi observada menor mobilidade do sódio neste tipo de solo, quando comparada ao solo com maior proporção da fração areia;
g) O uso de modelos para simulação do movimento e distribuição de íons deve ser incentivado tanto para atividade de pesquisa, quanto para fins de resolução de problemas técnicos; sobre o argumento de fornecerem resultados rápidos, possibilitando o teste de cenários com um custo baixo; h) O modelo MIDI mostrou-se mais eficiente para simulação da distribuição da
umidade no solo argiloso; enquanto que para a simulação da distribuição do íon sódio, os melhores resultados foram obtidos para o solo arenoso.
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