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As cultivares utilizadas, neste trabalho, são oriundas do Programa de Melhoramento Genético do Instituto Agronômico de Campinas-IAC, São Paulo, e apresentam entre outras características, baixa exigência de frio para superação da fase de dormência durante o inverno (número igual ou inferior a 100 horas de temperatura a 13ºC), o que possibilita o cultivo na região oeste do Estado de São Paulo. As características das cultivares são descritas a seguir:

A cultivar Aurora-1 (IAC 680-79) foi selecionada na segunda geração do cruzamento original entre o pêssego ‘Tutu’ (IAC 1353-1) e a nectarina ‘Colombina’(Fla. 19- 37S). Apresenta fruto de tamanho médio (90 a 110 g), formato oblongo, com ápice medianamente saliente, epiderme de fundo amarelo e coloração vermelha cobrindo 70% da superfície. Polpa bastante firme, amarela clara, com caroço preso e pequeno, teor de açúcares ao redor de 14ºBrix e pH em torno de 4,6. A maturação dos frutos é precoce, ocorrendo na segunda quinzena de outubro a início de novembro, nas condições de Jundiaí e Monte Alegre do Sul, onde o ciclo da florada à colheita foi avaliado em 110 dias. Em Limeira, sob temperaturas mais elevadas, a colheita iniciou-se em outubro, cerca de 95 dias após a florada. A planta é vigorosa, bem enfolhada e rica em ramos frutíferos (OJIMA et al., 1989). Na região de Jaboticabal (SP), a maturação dos frutos ocorre 80 dias após a plena floração (PEREIRA; NACHTIGAL; ROBERTO, 2002).

A cv. Aurora-1, em estudos realizados por Ojima et al. (1989), proporcionou, na primeira safra, no espaçamento 3,0 x 1,0 m, uma produtividade de 21,3 t/ha (6,4 kg/planta) em Jundiaí. Em Monte Alegre do Sul, no espaçamento 4,0 x 1,5 m, foram obtidas 16,5 t/ha (9,9 kg/planta) e em Limeira, 23,3 t/ha (14,0 kg/planta), no espaçamento 6,0 x 1,0 m.

A cultivar Aurora-2 (IAC 2680-14) resultou da polinização livre do pêssego ‘Ouromel-4’ (IAC 1880-2). O fruto é de tamanho grande (130 g), formato globoso-oblongo, com epiderme de fundo amarelo e vermelho intenso que ocupa 70 a 80% da superfície. A

polpa é firme, amarela, com caroço preso, teor de açúcares pouco menor que o ‘Aurora-1’ ao redor de 12ºBrix e pH 4,6. A maturação dos frutos é de semi-precoce a mediana, ocorrendo a colheita em meados de novembro, cerca de 120 dias após a florada em Jundiaí e Monte Alegre do Sul. A planta é vigorosa, com excelente enfolhamento e abundância de ramos frutíferos (OJIMA et al., 1989). Na região de Jaboticabal, a maturação dos frutos ocorre de 86 a 102 dias após a floração (PEREIRA; NACHTIGAL; ROBERTO, 2002).

Com relação a cv. Aurora-2, Ojima et al. (1989) obtiveram, na primeira safra, em Jundiaí, uma produtividade de 17 t/ha (10,2 kg/planta) no espaçamento 3,0 x 2,0 m e, em Monte Alegre do Sul, 12,5 t/ha (5,0 kg/planta) no espaçamento 4,0 x 1,0 m.

A cultivar Tropical (IAC 180-1) é descendente da polinização natural do híbrido IAC P 371-2 (‘Tutu’ x ‘Rubro-Sol’). O fruto é de tamanho médio (85 g), geralmente globoso e sem ápice, com epiderme de fundo amarelo-ouro e coloração vermelho-escura cobrindo 90% da superfície. A polpa é firme (frutos ‘de vez’), passando a fundentes quando maduros, amarelo-clara e de caroço solto. O sabor é marcadamente doce, com o teor de açucares em torno de 16ºBrix e pH 4,2. Pela sua adaptação a regiões de clima mais quentes, a maturação pode ocorrer na última dezena de agosto. A colheita normalmente processa-se durante o mês de setembro, 80 5 dias após a florada, porém pode ser colhido até outubro em regiões de clima mais ameno, como o Sul Paulista (BARBOSA et al., 1989a).

Resultados obtidos por Barbosa et al. (1989a) na segunda safra da cv. Tropical, em diversos ensaios regionais no estado de São Paulo, em diferentes espaçamentos e modos de cultivo, mostraram elevada produtividade. Em Jundiaí, com 80 horas de frio (HF) abaixo de 7ºC, nos espaçamentos 5,0 x 2,0 m; 4,0 x 2,0 m; 3,0 x 2,0 m e 3,0 x 1,0 m, a produção foi de 15,5; 10,0; 8,3 e 6,3 kg/planta, respectivamente. Em Monte Alegre do Sul (39,6 HF), no espaçamento 4,0 x 1,0 m, foram obtidas 17 t/ha (9 kg/planta). Em Capão Bonito (100 HF), as plantas proporcionaram 20 t/ha (30 kg/planta), no espaçamento 5,0 x 3,0 m. Já em Limeira onde ocorre em média 24,1HF, a produtividade foi de 12 t/ha (6 a 8 kg/planta) no espaçamento 6,0 x 1,0 m, sob poda drástica após a colheita (BARBOSA et al., 1989b).

A cultivar Talismã, resultou do cruzamento controlado de ‘Rei da conserva’ x ‘Jewel’ F1, com lançamento oficial em 1964. Apresenta frutos de tamanho grande, formato oblongo, com cavidade medianamente profunda, sutura bastante rasa e avermelhada, epiderme delicada, destacável e recoberta de penugem macia; a polpa inicialmente firme torna-se logo, tenra e sucosa, de cor branca, praticamente sem auréola no caroço preso, sabor doce-acidulado, bastante agradável, aroma suave. Maturação precoce, ocorrendo na segunda

quinzena de outubro e durante novembro. Árvore bastante vigorosa e rústica, extremamente produtiva e de porte médio a grande (RIGITANO; OJIMA; CAMPO-DALL'ORTO, 1980).

A cv. Talismã, em estudos realizados por Campo-Dall’Orto et al. (1992) em Jundiaí, sobre o porta-enxerto umezeiro, no espaçamento 4,0 x 1,5 m, proporcionou uma produtividade de 3,7 kg/planta.

A cultivar Dourado-2 (IAC 976-11), provém do cruzamento ‘Tutu’ (IAC 1353-1) X ‘Maravilha’(Fla. 13-72). O fruto é graúdo, 120 g, globoso-oblongo, com ápice pequeno e afilado; cavidade peduncular de largura e profundidade medianas, sutura pouco nítida, dividindo o fruto em duas partes simétricas. Pele de coloração amarela, com tonalidade vermelho-escura. Polpa bem amarela, vistosa, de boa textura, firme, e ao mesmo tempo, sucosa, com ligeira auréola circundando o caroço, que é de tamanho médio a pequeno e solto. Qualidade excelente, com sabor doce-acidulado agradável; teor de açucares ao redor de 15ºBrix e acidez pH 4,0. Plantas das mais vigorosas, com excelente enfolhamento e abundância de ramos frutíferos. Alta produtividade: 4,0 e 2,1 kg/planta nos espaçamentos 3,0 x 0,5 m e 3,0 x 0,5 x 0,5 m, produções equivalentes a 26,4 e 24,1 t/ha, na primeira frutificação, em Monte Alegre do Sul. Maturação semi-precoce, início a meados de novembro nas condições de Jundiaí e Monte Alegre do Sul (OJIMA et al., 1985).

A cultivar Doçura-2, foi selecionada sob designação IAC 2370-3, ou seja, terceira planta proveniente do cruzamento entre ‘Cristal’ (IAC 159-1) x ‘Colombina’ (Fla 19-37S). O fruto é de tamanho médio (110 g), forma globosa, praticamente sem ápice; cavidade peduncular de largura e profundidade mediana; sutura pouco pronunciada, dividindo o fruto em duas partes simétricas. Pele de coloração amarelo-creme-esverdeado, com leves tons avermelhados, aspecto atraente. Polpa branca, cristalina e macia; caroço pequeno e solto. Sabor doce-acidulado suave, bem agradável, teor de açucares ao redor de 13º Brix e acidez pH 4,4. Planta vigorosa, com bom enfolhamento e abundância de ramos frutíferos; alta produtividade, 18,2 e 32,7 kg, respectivamente por planta de 2 a 3 anos de idade. Maturação precoce, ocorrendo na segunda quinzena de outubro a início de novembro, em Jundiaí e Atibaia (OJIMA et al., 1983). Em Jundiaí, Campo-Dall'Orto et al. (1992) obtiveram para a cv. Doçura-2, uma produtividade de 2,5 kg/planta.

Benzer Belgeler