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9. İletişim tarzımızın kısa ve uzun vadedeki sonuçlarından sorumlu olduğumuzu kabul etmek ve başkalarından da aynısını beklemek

1.3 SINIF İÇİ DİSİPLİN, SORUNLU DAVRANIŞLAR VE BUNLARA YÖNELİK STRATEJİLER

1.3.5 Sınıfta Sorunlu Davranışlara Karşı Uygulanabilecek Stratejiler

Nos dois municípios, Marília e Presidente Prudente, as Associações Comerciais se fortaleceram como representantes dos interesses do patronato, no lastro do enfraquecimento dos Sindicatos do Comércio Varejista. Se nos referirmos diretamente aos trabalhadores camelôs, quando ainda se encontravam nas ruas e calçadas, no caso particular de Presidente Prudente, o sindicato atingido diretamente e que tomou medidas no sentido de retirar os camelôs das ruas e calçadas foi o Sindicato do Comércio Varejista. Durante toda a década de 1990, este sindicato foi um dos principais agentes nos conflitos que envolviam os até então denominados vendedores ambulantes, posteriormente chamados camelôs. Foi também o principal responsável pelas pressões sobre o Poder Público Municipal de Presidente Prudente, que na busca da mediação e do consenso, tentou realocar os camelôs em diferentes locais até finalmente, em 1995, serem estabelecidos onde hoje se encontram, na Praça da Bandeira.

No município de Marília ocorreu o oposto, da primeira metade da década de 1990 até os dias atuais, período de formação do camelódromo, o Sindicato do Comércio Varejista de Marília nunca teve papel relevante nos embates contra os camelôs, ficando esta função relegada à Associação Comercial e Industrial de Marília.

As Associações Comerciais, quando bem administradas, podem surtir efeitos consideráveis no comércio de um município, e ao mesmo tempo que obtém resultados positivos conseguem mais associados, conseqüentemente mais recursos financeiros, maior representatividade e poder político.

As Associações Comerciais são entidades formalizadas, reconhecidas e incentivadas pelo Poder Público e pela iniciativa privada e na medida em que se fortalecem politicamente recebem cada vez mais apoio em diferentes instâncias, sob a justificativa de representarem os interesses de uma classe que supostamente mais gera empregos formais, contribui com a maior parte dos impostos arrecadados, sendo responsáveis por fortalecer o município trazendo inúmeros benefícios, no entendimento dos seus respectivos representantes.

Como se sabe, nenhuma destas características se encontra no circuito da camelotagem. Aqui não é gerado emprego com carteira registrada, as mercadorias não são tributadas e o

imposto do uso do solo geralmente é simbólico. Este conjunto de diferenças leva os representantes do patronato a enxergar os trabalhadores camelôs como um inimigo a ser exterminado, ainda que não enxergue a gama de atividades conexas que compõem o circuito de circulação das mercadorias dando suporte à espacialização dos camelôs na área comercial de um município.

Portanto, ser camelô para a associação é ser oportunista ou concorrente desleal, não importando se um ou outro comerciante se solidarize com a situação de um camelô ou ambulante, pois o que é levado em conta é o posicionamento de seu representante legal, enquanto entidade. Neste caso, mesmo quando os camelôs estão localizados em um local autorizado pelo Poder Público, não se encontram isentos de pressão política, e por isso buscam formas de se organizar e resistir nos seus pontos de venda.

A Associação do Comércio e Indústria de Marília (ACIM) é um exemplo, tanto de modelo de associação comercial eficiente, como de uma entidade que exerce forte pressão política junto ao Poder Público e outros órgãos competentes, no sentido de extinguir os trabalhadores camelôs e ambulantes. “Nós simplesmente ignoramos o vendedor ambulante e não reconhecemos os camelôs e nem o camelódromo” (Informação verbal)63. A associação não reconhece atividades informais e entende os camelôs como agentes que se apropriam de forma ilegal do espaço.

Que benefício o camelódromo traz para o município com relação ao pagamento de impostos? Nenhum. O que um camelódromo apresenta em termos de qualidade de vida? Nada. Quais as chances de você ser roubado, enganado ou sofrer um acidente num camelódromo? São muitas. Se houver um incêndio no camelódromo quais as chances dos consumidores escaparem ilesos? Poucas. Ai eu sei que você vai dizer que eu tenho um discurso patronal e que eles dependem daquela atividade para sobreviver e etc. Balela! Isto é conversa fiada. Porque qual a lucratividade que um camelô têm ao vender 5 DVDs por R$ 10,00? Ele não lucra nada. O que eu quero que você entenda, e esse é o papel da associação, é que quando um comerciante legalizado vende ou aluga DVDs ou CDs, muitos ganham, tem direitos autorais, então o artista ganha, quem “queima” o CD ganha, quem imprime a capa ganha, o compositor ou autor também ganha. Mas, no outro caso somente um ganha. E quem é? O camelô? Não. Quem ganha é somente o espertinho que comprou ou alugou uma matriz e multiplicou fazendo centenas de cópias (informação verbal)64.

63

Depoimento dado por Marcio Medeiros assessor de imprensa da ACIM no dia 31/01/2008.

A ACIM utiliza a seguinte estratégia de combate aos camelôs e ambulantes da cidade de Marília. Primeiro ela parte do princípio de que todos podem trabalhar dentro dos tramites legais. “Não podemos admitir a hipótese de que um comerciante abandona o setor formal porque não consegue arcar com a carga tributária, além disso, o Super Simples vai de encontro a essa justificativa, e foi criado justamente para acabar com essa desculpa (Informação verbal)65. Em seguida, exerce pressão política junto ao Poder Público Municipal e outros órgãos competentes (Receita Federal, Polícia Federal, Civil e Militar, Serasa, PROCON, e representantes de marcas) através do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).

Com essa estratégia, toda notícia que comparece nos jornais do município de Marília sempre se referem ao Conseg exigindo a retirada de vendedores ambulantes ou sugerindo medidas de repressão aos camelôs, preservando o nome da Associação Comercial, já que alguns comerciantes, a imprensa e os consumidores em geral se solidarizam com os camelôs e ambulantes diante do argumento do trabalho como necessidade vital.

O “produto”, em forma de serviços prestados, que a ACIM oferece aos comerciantes, possui um slogan, e é o balizador do marketing representado em uma sigla formada por três letras (P. P. P.) que representam Promoção, Proteção e Política, sendo que a pressão contra os camelôs e ambulantes se refere à terceira letra P, de política, já que, grosso modo, seu discurso patronal enfatiza a concorrência e rentabilidade comercial. Neste caso, a segunda letra (P) de proteção se refere à defesa do comerciante contra a inadimplência, calote, golpe e tentativa de extorsão. A primeira letra (P) de promoção se refere à propaganda e o marketing.

A promoção do comércio não se refere necessariamente a estabelecimentos comerciais individuais, mas sim no sentido de divulgar o município de Marília como um importante pólo comercial regional, que centraliza o comércio e tem grande poder de atração de capitais. Mas essas características são também atrativas para os comerciantes informais das cidades vizinhas, estas não possuidoras da mesma dinâmica comercial e poder de geração de empregos.

Segundo Tomé (2003), é esta mesma característica de centralidade comercial regional que faz, contraditoriamente, do município de Marília um depositário de trabalhadores expulsos do mercado formal de trabalho que buscam na informalidade dar respostas rápidas à situação de desemprego.

Percebe-se que a ACIM desenvolve seu trabalho dentro dos marcos do sistema de

circulação das mercadorias regido pela lógica concorrencial, tanto entre comerciantes como entre regiões de comércio concorrentes e por não reconhecer a atividade dos camelôs, são poucas as discussões no interior da Associação sobre o tema da informalidade, contrabando e pirataria. Mas, de acordo com o entrevistado Marcio Medeiros, basta se reunir um grupo de quatro ou cinco comerciantes que as reclamações sobre a concorrência de produtos, principalmente provenientes da China, que entram no Brasil com baixo preço, comparecem.

Presenciamos a mesma situação na ACIPP, no município de Presidente Prudente, onde há reuniões com debates fervorosos (ANEXO 5) por parte de comerciantes exigindo a presença contínua da fiscalização no camelódromo e nos pontos de venda que se multiplicam na área comercial.

Por isso, a situação do presidente da Associação do Comércio e Indústria de Presidente Prudente é bem mais complicada, pois os comerciantes associam a contribuição feita à Associação Comercial de Presidente Prudente a uma contrapartida por parte da instituição em forma de pressão junto ao Poder Público Municipal, no sentido de proibir a venda de produtos clandestinos no camelódromo. Mas uma série de fatores que vão desde a situação geográfica do município, a dinâmica econômica e poder de geração de emprego, o papel de centralidade regional do município, a política paternalista e populista da prefeitura junto aos camelôs e, também, o poder político limitado da Associação Comercial junto ao Poder Público dificultam uma atuação mais enérgica da associação contra os camelôs.

Em suma, um fator importante para a notoriedade e importância da ACIM foi acolher as constantes reclamações dos comerciantes com relação à existência de muitos ambulantes nas ruas comerciais do município de Marília e também dos camelôs no camelódromo. A mesma situação presenciamos em Presidente Prudente, o que nos obriga a entender que nestes dois municípios, atualmente, as associações comerciais são os principais adversários políticos dos camelôs.

A atuação da ACIM atingiu um patamar de representatividade e influência política tão grande no ano de 2008, que conseguiu forçar o Poder Público Municipal – sempre através do Conseg - a implantar o que ficou denominado como quadrilátero comercial e os bolsões de comércio. Trata-se de um quadrilátero dentro da área comercial no centro da cidade, onde é expressamente proibida a existência de ambulantes ou camelôs. Os bolsões de comércio são a saída encontrada pelo Poder Público, através do setor de postura fiscal, implantando bolsões em locais periféricos ao centro comercial onde um ambulante ou camelô pode se instalar e comercializar suas mercadorias durante três dias, em seguida ele é retirado, evitando a configuração de um ponto fixo. Todas estas providências foram tomadas antes da Associação

tomar a iniciativa de propor a construção do calçadão híbrido, projeto que visa estreitar o tamanho das principais ruas comerciais a uma medida suficiente para passar apenas um carro de passeio, reformando, enfeitando e alargando o tamanho das duas calçadas. As obras estão em andamento no ano de 2008.

Esta medida é aparentemente arriscada no caso dos camelôs e vendedores ambulantes voltarem a instalar barracas nas calçadas, nos moldes do que ocorreu na cidade de São Paulo na rua Santa Efigênia e na rua 25 de Março, onde o Poder Público permitiu a instalação de barracas padronizadas com título de permissão de uso a pedido do Sindicato de Camelôs (SINPESP). A mesma política era apregoada pelo Sindicato dos Camelôs do Brás (SINDICISP) de forma muito mais radical, porém sem resultado até o momento. Esta é uma possibilidade remota nas cidades médias, onde o número de camelôs e ambulantes se mantém em um patamar relativamente estável, no entanto, percebemos cada vez mais a intenção dos trabalhadores camelôs de permanecer nestas e buscar formas de organização para exigir do Poder Público o reconhecimento e regularização desta atividade.

Tudo isto cria um cenário sinistro com possibilidades de futuros embates nos dois municípios. No entanto, o jogo de forças se estabelece em diferentes escalas, uma associação em escala local age no sentido de obrigar a repressão aos camelôs que atuam numa ponta do circuito de circulação de mercadorias. Porém, o tema da informalidade, pirataria e contrabando é discutido de forma mais sistemática, na Confederação das Associações Comerciais do Brasil (Cacb) e na Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) nas conferências nacionais e estaduais, respectivamente.

Uma associação comercial, ao oferecer seus serviços, deve incentivar o comerciante associado a acreditar em duas possibilidades, ainda que remotas. Uma se baseia na promissa de que a pressão junto ao Poder Público irá, algum dia, coibir de vez a concorrência do comércio ilegal, do contrabando e da pirataria. A outra é que o comerciante deve resistir e manter a estrutura de seu negócio funcionando, e para animar o comerciante mais pessimista são apresentadas idéias inovadoras de gestão do próprio negócio, pois cada comerciante que abandona seu ramo de atuação significa um contribuinte a menos para a associação.

Por isso, ao oferecer seu “produto” aos comerciantes em forma de prestação de serviços do tipo proteção, promoção e política, não deve transparecer que em alguns momentos a própria associação não acredita nas possibilidades por ela propostas. Por exemplo, como dizer a um dono de lojas de CD, ou de vídeo locadora, que vale a pena continuar com seu comércio e que a concorrência da pirataria e contrabando vai desaparecer.

Isto parece bem improvável, mas não para a associação que precisa vender seu produto. Como dizia Marx em Economia Política e Filosofia.

Todo produto é uma isca com a qual se quer atrair o ser de outrem, seu dinheiro; Toda necessidade real e possível é uma fraqueza que trará a mosca para a rede [...] todo infortúnio constitui uma ocasião de abordar amavelmente, o vizinho e dizer-lhe: Caro amigo, dou-te aquilo que precisas; mas conheces a condição: Sabes com que tinta deve escrever o ato pelo qual tu te vendes a mim [...] (pg. 49).

Um exemplo pode ser percebido a partir do Programa “Empreender” desenvolvido pelo Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e pela Federação das Associações Comercias do Estado de São Paulo (Facesp). Esta é a menina dos olhos da maioria das associações de comércio e indústria atualmente. Outra novidade é a criação do sistema de arrecadação denominado Simples Nacional66 e popularizado como Super Simples.

O Programa Empreender, por exemplo, foi um projeto desenvolvido por instituições empreendedoras, com o apoio do governo alemão, através da HWK – Câmara de Artes e Ofícios de Munique e Alta Baviera, a partir de 1991. Em 1999, o Sebrae Nacional e a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (Cacb), iniciaram a implantação piloto do projeto Empreender em diversos estados brasileiros67. Aqui é importante destacar que tanto para o Sebrae, Cacb, ACIP e o Sindicato do Comércio Varejista, neste caso somente o sindicato patronal, o motivo principal da existência de atividades informais hoje no Brasil se deve a ausência de mão de obra qualificada e falta de preparo do empreendedor.

Neste sentido, ser empreendedor também significa estar inscrito no setor formal. O grande problema é que no mesmo comércio, do mesmo município, convivem os comerciantes formais e informais com o mesmo objetivo, o de vender mercadorias. Mas as mercadorias comercializadas por estes diferentes comerciantes possuem características diferenciadas principalmente com relação à qualidade e o preço.

Também diferenciadas são as posições na esfera social de um comerciante formal, que pode ser uma grande rede de comércio, um médio comerciante ou um pequeno comerciante, todos interessantes para a associação. Enquanto um camelô não somente não interessa para a associação ou sindicato como é visto como um concorrente a ser exterminado no jogo

66 O Simples Nacional é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido previsto na lei

complementar nº 123, de 14/12/2006, aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a partir de 01/07/2007. (ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, p. 6, 2007).

67 Estas informações nos foram fornecidas via correio eletrônico por Marcio Medeiros E-mail: redaçã[email protected]; jornalista e assessor de imprensa da Associação do Comércio e Indústria de Marília – através da empresa Eficaz Comunicação Empresarial Ltda – ME www.medeiros.jor.br em 14/04/2008.

comercial. E como agravante a própria natureza da mercadoria comercializada por um camelô dificulta sua formalização ainda que haja uma intenção neste sentido. A única semelhança é que toda mercadoria é fruto da exploração da força de trabalho e move tanto comerciantes atacadistas como contrabandistas.

Dessa forma, como as ações do Estado imitam os movimentos da investida do capital, no sentido de fazer circular todas as mercadorias produzidas, não fazendo distinção da característica de precariedade da atividade realizada pelo trabalhador, tão pouco considerando as delimitações institucionais de legalidade ou a ilegalidade das mercadorias, e sim buscando a taxação das mesmas, os trabalhadores tentam se organizar de formas improvisadas, para continuar movimentando o circuito de circulação das mercadorias.