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Sınıf Öğretmenlerinin Beden Eğitimi Ve Spor Dersine İlişkin Öz Yeterlilik

2. Öz Yeterlik Algısı

4.7. Sınıf Öğretmenlerinin Beden Eğitimi Ve Spor Dersine İlişkin Öz Yeterlilik

Na leitura superficial do art. 190, do NCPC, extraem-se os seguintes requisitos para a admissão do negócio jurídico processual: a) direitos que admitam autocomposição; e b) partes plenamente capazes.

Para Leonardo Greco ainda, outros dois são necessários para a realização da negociação processual: o respeito à paridade de armas, ou seja, que haja equilíbrio entre as partes envolvidas e o respeito e a observância dos princípios e garantias fundamentais do processo no Estado de Direito, de modo que não sejam, tampouco, contra legem.416

Tais requisitos, contudo, são necessários não apenas para a realização do negócio processual, mas são princípios fundamentais do próprio processo que devem ser observados sempre.

416 GRECO, Leonardo. Os atos de disposição processual – Primeiras reflexões. In MEDINA, José Miguel

Garcia; CRUZ, Luana Pedrosa de Figueiredo; CERQUEIRA, Luís Otávio Sequeira de; GOMES JUNIOR, Luiz Manoel (coord.). Os poderes do juiz e o controle das decisões judiciais – Estudos em homenagem à Professora Teresa Arruda Alvim Wambier. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 290.

189 Antonio Aurélio Abi Duarte traz a experiência do direito lusitano como parâmetro para se definirem os requisitos do negócio jurídico:

“Temos como fecundo parâmetro a bem-sucedida experiência portuguesa, reafirmada no novo CPC português de 2013 (art. 265-A do CPC – Lei 41/2013), admitindo a adequação formal, desde que preenchidas determinadas condicionantes, como:

1) a prévia oitiva dos interessados;

2) alteração procedimental fundada e pautada em critérios objetivos norteados pelo direito material;

3) a alteração não pode servir para determinar o afastamento da preclusão já verificada, retardando o curso processual;

4) estabelecimento, em princípio, de uma sequência de atos procedimentais, ofertando um mínimo de certeza aos litigantes: a necessidade de segurança e o acesso à Justiça impõem que se garanta um conhecimento prévio e efetivo de todo o procedimento que se seguirá, e

5) respeito aos demais princípios fundamentais do processo, como: contraditório, ampla defesa, dispositivo, economia processual e fundamentação.417

As condicionantes mencionadas, por se tratarem de requisitos gerais, também devem ser observadas nos negócios processuais. Na realidade, é possível divisar a presença no art. 190 de limites gerais, atinentes a todos os negócios jurídicos, e limites específicos, que prevalecem apenas para os negócios jurídicos processuais. 418

Segundo Marco Paulo Denucci Di Spirito:

“Os limites específicos estão expressos no dispositivo e dizem respeito: (i) à natureza dos direitos para os quais se permite o pacto processual (direitos que admitam autocomposicao; (ii) ao objeto negociável – limite material (procedimento, ônus, poderes, faculdades e deveres processuais); (iii) à impossibilidade de inserção abusiva em contrato firmado com parte encarta-se na classificação de controle de formação e de conteúdo.419

Já os limites gerais, segundo o autor, dizem respeito à mais ampla rede de negócios jurídicos. São eles: (i) participação de partes capazes; (ii) impossibilidade de

417 DUARTE, Antonio Aurélio Abi. Negócios processuais e seus novos desafios. Revista dos Tribunais. Vol.

955. São Paulo: RT, 2015. p. 211-227.

418 DI SPIRITO, Marco Paulo Denucci. Controle de formação e controle de conteúdo do negócio jurídico

processual – Parte I. Revista de Processo. vol. 247. São Paulo: RT, 2015. p. 137-176.

419 DI SPIRITO, Marco Paulo Denucci. Controle de formação e controle de conteúdo do negócio jurídico

190 disposições que a lei repute como nulas; (iii) inserção de disposição abusiva em contrato de adesão.420

Como requisitos específicos, concentramo-nos naqueles mencionados pelo art. 190 do NCPC e destacados no primeiro parágrafo deste subtítulo: a) direitos que admitam autocomposição; b) capacidade plena das partes.

Quanto à capacidade das partes, já manifestamos nosso opinião detalhada no subtítulo 3.3, onde tratamos da capacidade e da legitimidade dos sujeitos aptos à celebração dos negócios processuais.

Já quanto ao segundo requisito, encontramos uma maior problemática. Em crítica à redação do Novo CPC, sobretudo pela limitação imposta pelo termo “direitos que admitam autocomposição”, Mirna Cianci e Bruno Lopes Megna afirmam que “o objeto do negócio jurídico processual não é o meritum causae ou os direitos próprios da relação jurídica material posta em juízo (pois aí haverá fenômeno diverso, que é a transação prevista no art. 269, III, do CPC-1973 e no art. 478, III do NCPC-2015), mas sim os direitos próprios da relação jurídica processual”. 421

Por conta disso, teríamos uma interpretação literal e restritiva de que o dispositivo só se aplica para processos originários de relações jurídicas materiais que comportam autocomposição: “nesse caso, a validade do negócio jurídico processual dependeria de duas condições cumulativas: a possibilidade de autocomposição dos direitos materiais postos em juízo e a possibilidade de autocomposição dos direitos processuais negociados”. 422

420 DI SPIRITO, Marco Paulo Denucci. Controle de formação e controle de conteúdo do negócio jurídico

processual – Parte I. Revista de Processo. vol. 247. São Paulo: RT, 2015. p. 137-176.

421 CIANCI, Mirna; MEGNA, Bruno Lopes. Fazenda Pública e negócios jurídicos processuais no Novo

CPC: pontos de partida para o estudo. In CABRAL, Antonio do Passo; NOGUEIRA, Pedro Henrique (coord.). Negócios processuais. Juspodivm, 2015. p. 489.

422 CIANCI, Mirna; MEGNA, Bruno Lopes. Fazenda Pública e negócios jurídicos processuais no Novo

CPC: pontos de partida para o estudo. In CABRAL, Antonio do Passo; NOGUEIRA, Pedro Henrique (coord.). Negócios processuais. Juspodivm, 2015. p. 489.

191 Segundo Antonio do Passo Cabral:

“Em se tratando de convenções atinentes a direitos processuais ou ao procedimento, não há propriamente a disposição de direitos materiais da coletividade. A disposição de direito processual, como visto à exaustão nesta coletânea, não tem como reflexo necessário a mitigação do direito material cuja tutela é pretendida na relação jurídica processual. As convenções, por exemplo, que alteram a forma da citação, ou os negócios que renunciam previamente a certos tipos de recurso ou meios de prova, não versam sobre o direito material, embora possam, é verdade, impactar a solução final do processo em relação a eles”. 423

Conforme tratamos anteriormente (subtítulo 3.3.5), há uma aparente incongruência entre o art. 190 do NCPC, que a rigor é a norma áurea dos negócios processuais, e seu próprio texto, que limita tais negócios aos “direito que admitem autocomposição”, o que leva à precoce conclusão de que o dispositivo só se aplica a hipóteses que permitam a disposição de direitos materiais. Há que se buscar, portanto, uma interpretação valorativa para o dispositivo legal, de sorte que não se restrinja indevidamente a sua aplicação.

O Enunciado n. 135 do Fórum Permanente de Processualistas Civis dispõe que “a indisponibilidade do direito material não impede, por si só, a celebração de negócio jurídico processual”.

Pois bem. Teoricamente, os direitos que admitem autocomposição seriam os patrimoniais, cujos opostos seriam os extrapatrimoniais. O critério contempla se o direito é passível ou não de valoração pecuniária. O direito disponível é o alienável, transmissível, renunciável, transacionável. A disponibilidade significa que o titular do direito pode aliená-lo; transmiti-lo inter vivos ou causa mortis; pode, também, renunciar ao direito; bem como pode, ainda, transigir seu direito.

423 CABRAL, Antonio do Passo. A Resolução n. 118 do Conselho Nacional do Ministério Público e as

convenções processuais. In CABRAL, Antonio do Passo; NOGUEIRA, Pedro Henrique (coord.). Negócios processuais. Juspodivm, 2015. p. 550.

192 Os extrapatrimoniais não possibilitam extração de utilidade econômica e normalmente são ínsitos na essencialidade do homem e dizem respeito à condição da pessoa humana, como o direito à vida, à liberdade, ao nome, à honra e à intimidade. Já os direitos patrimoniais compreendem os direitos que tutelam diretamente o interesse econômico. Comprendem, pois, os direitos reais, direitos autorais e direitos pessoais obrigacionais etc.

A par dessa classificação, evidencia-se que os direitos que admitem autocomposição normalmente são os direitos disponíveis, que, por sua vez, seriam os direitos patrimoniais. De toda forma, tais conceitos estão diretamente ligados ao direito substancial.

A leitura do art. 190 do NCPC não pode ficar presa a esses conceitos. Em nosso sentir, há que se interpretar os direitos que admitem autocomposição sob a ótica processual, o que equivale dizer que seriam todos aqueles que não são de ordem essencialmente cogente.

É evidente que um negócio jurídico processual não pode (nem deve) tratar de direito substancial indisponível, como, por exemplo, a renúncia à paternidade. De outro lado, é plenamente possível que os sujeitos convencionem sobre matéria processual, mesmo que o direito substancial a que versa o processo seja indisponível, desde que não seja abusivo e corresponda a todos os demais requisitos legais, como deve ocorrer em qualquer negócio processual.

Há que se levar em consideração que o objetivo principal dos negócios processuais é, através da flexibilização procedimental, imprimir eficiência e celeridade ao processo. Sob esse contexto, não é e nem pode ser prejudicial ao direito substancial envolvido. Pelo contrário!

193 Portanto, em nosso sentir, a interpretação do dispositivo só se torna coesa ao seu próprio instituto se considerarmos que os direitos que não admitem autocomposição são as normas processuais impositivas, que asseguram um mínimo de previsão procedimental resguardada pelo interesse público. 424

Benzer Belgeler