2. KURAMSAL TEMELLER KAYNAK ÖZETLERİ
2.5 Sığır Karkaslarda Dekontaminasyon İşlemleri
Em razão da extrema necessidade de adoção de medidas preventivas e protetoras do meio ambiente frente ao fator da atividade econômica, faz-se imperioso que a tecnologia represente inovação de métodos e técnicas produtivas em prol da preservação ambiental. Nesse esteio, o dever de moderação dentro da esfera privada deve ser imposto pelo Estado, respeitando-se os limites da livre iniciativa, da dignidade da pessoa humana e do direito fundamental ao meio ambiente equilibrado.
No que se refere à questão ecológica, conforme demonstrado no capítulo 2, encontra-se na utilização do caráter extrafiscal dos tributos, mormente através de técnicas de indução, instrumento eficaz de aplicação da política ambiental. Por meio desse instrumento, o Estado pode agir tanto estimulando ações que promovam a necessária proteção ambiental, quanto desencorajando a prática de condutas nefastas ao meio ambiente.
O aumento da carga tributária é, portanto, uma das formas de incentivo a condutas ambientalmente elogiáveis. No entanto, apresenta-se mais adequada a utilização da indução positiva e que esta seja aplicada sobre espécies tributárias já previstas em nosso ordenamento jurídico176, seja porque a população brasileira se encontra saturada por elevados encargos fiscais, ou em razão da função promocional do direito que se defende neste trabalho.
Não se pretende aqui negar a futura necessidade de previsão tributária agravatória para casos de degradação ambiental dentro dos limites da legalidade, porém acima do desejável. Com efeito, é a partir da oneração tributária que, além de desestimular esse tipo de
176Cf. Ricardo Saliba, “o que se pretende com a utilização das regras tributárias e sua relação em face do meio ambiente, repisa-se, é a busca de mais instrumentos legais para sua defesa e preservação, apenas isso, e não um modo a mais para se praticar aumento da carga tributária nacional”. (SALIBA, Ricardo Berzosa. Fundamentos
do Direito Tributário Ambiental. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 283) Também se propugna pela não
criação de tributos verdes pelo fato de que a Constituição Federal vigente, em razão da prolixidade com que discrimina o sistema tributário nacional, não deixa espaço para tal inovação. (TÔRRES, Heleno Taveira. In: TÔRRES, Heleno Taveira (Org.). Direito Tributário Ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 109)
situação, se consegue recursos patrimoniais para custear ações reparatórias. Entretanto, num primeiro momento, enquanto ainda se precisa incorporar uma nova orientação dos contribuintes quanto à questão ecológica, as técnicas de fomento desagravatórias se mostram plenamente justificáveis.177
Acredita-se, assim, que os benefícios fiscais, colocados em prática por meio de normas de isenção, alteração de alíquota ou base de cálculo, remissão, anistia, renúncia fiscal, entre outros, consistem, dentro do contexto brasileiro atual, nos mais aconselháveis mecanismos de indução de mudança de comportamento da coletividade em relação ao meio ambiente.
Nesse sentido é a doutrina de Jose Casalta Nabais178:
Finalmente, há que se ressaltar que o segmento mais operacional da extrafiscalidade é, sem sombra de dúvidas, o dos benefícios fiscais. O que não só resulta da simples verificação da realidade contemporânea, como se apresenta em maior consonância com o próprio entendimento actual do direito, o qual, no dizer de Norberto Bobbio, tem hoje uma importante função promocional.
Assim, diante do favor fiscal despendido pelo Estado, o contribuinte se vê propenso a agir da maneira como a política ambiental almeja, em função dos benefícios econômicos que esta ação proporciona, o que acaba por aumentar a aplicação do princípio da prevenção e consequentemente diminuir os gastos necessários à recuperação de danos e manutenção do equilíbrio ecológico.179
Por outro lado, Ronaldo Seroa da Motta180 aponta aspectos negativos dos subsídios fiscais: por serem formados por saques da arrecadação tributária total, acabariam por impor aumentos na carga fiscal ou reduções de gastos em outros setores, levando a outras pessoas que podem nada ter a ver com o problema o pagamento da conta ambiental; além disso, a longo prazo, eles diminuem o custo privado de degradar, estimulando as atividades que mais intensamente utilizam recursos ambientais, retardando o avanço tecnológico.
177 Quanto ao efeito educativo dos incentivos fiscais, salutares são as palavras de Paulo Amaral: “A implementação de políticas tributárias pautadas na concessão de incentivos fiscais para estimular condutas de proteção ambiental proporcionará o desenvolvimento de novas tecnologias necessárias para alcançar a redução de poluição. Os incentivos fiscais reestruturarão as atividades dos agentes econômicos na medida em que estes poderão reduzir seus custos de produção se adotarem tecnologias limpas. (AMARAL, Paulo Henrique. Direito
tributário ambiental. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 195)
178 NABAIS, José Casalta. Direito Fiscal e tutela do ambiente em Portugal. In: TÔRRES, Heleno Taveira (Org.).
Direito Tributário Ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 425.
179 SALIBA, Ricardo Berzosa. op. cit., p. 306-307.
Entretanto, o próprio autor assume que, eles “por questões estratégicas possam ser aplicados ocasional e temporariamente181”.
Cumpre, neste ponto, estabelecer a diferenciação entre incentivo fiscal tributário e incentivo fiscal financeiro. Aquele age nas relações tributárias, extinguindo total ou parcialmente o dever de pagar certo tributo, o que gera renúncia necessária de crédito tributário pelo Estado. Este, por sua vez, diz respeito a um incentivo que envolve direito financeiro, envolvendo obrigação pecuniária e implicando em despesa pública.182
É valido mencionar que a etiqueta do PROCEL Edifica está sendo objeto de incentivo governamental financeiro através do programa “ProCopa Turismo”, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Este beneficiará com desconto de 1% na taxa de juros e aumento de 5 anos no prazo de financiamento empresários que construírem ou reformarem hotéis para a Copa do Mundo de 2014, desde que o empreendimento obtenha classificação a na etiqueta de eficiência energética e siga à risca as especificações do projeto ao executar a obra.183
Para fins de delimitação do objeto deste estudo monográfico, serão estudados os incentivos fiscais que recaem no âmbito do direito tributário ambiental, os quais formam a Tributação Ambiental Promocional.
Nesse sentido, é possível definir os incentivos tributários como o meio econômico pelo qual o Estado, fundado em previsão legal, desonera total ou parcialmente a carga tributária de determinados sujeitos passivos, com o escopo de difundir e incentivar comportamentos que vão ao encontro da política econômica.
O fundamento constitucional autorizador da concessão de benefícios fiscais pode ser encontrado na já aludida norma do inciso VI do artigo 170, o qual afirma que a defesa do meio ambiente estatuída na ordem econômica pode ser alcançada “mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação”. Diante desse preceito legal, inegável a vontade do constituinte de permitir que circunstâncias promotoras da sadia qualidade de vida sejam objeto de normas tributárias diferenciadas184.
Entretanto, tendo em vista que da concessão de incentivos fiscais tributários decorre necessariamente a renúncia de receitas pelo Estado, esses instrumentos não podem ser
181 Ibidem.
182 SALIBA, Ricardo Berzosa. op. cit., p. 308-309.
183 Sindicato das Indústrias da Construção civil do Estado do Maranhão. Procel Edifica visa reduzir consumo
de energia nas edificações. 08 nov. 2010. Disponível em: <http://www.sinduscon- ma.com.br/noticia.asp?cod=429>. Acesso em 23 mai. 2011.
concedidos de forma indiscriminada, somente devendo ser aplicados em estrita observância das normas que os regulamentam, conforme será visto abaixo.