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3. KAZILABİLİRLİĞE ETKİ EDEN ETKENLER

3.4 Süreksizliklerin Çatlak Ortalama Aralığı, Genel Açıları ve Kazı

Vários entrevistados discutem a grande e variada demanda de trabalho na UBS como uma importante dificuldade para o desenvolvimento das ações de ST na AB. Isso porque os profissionais tem que dar conta de uma série de problemas de saúde colocados para o PSF, somando aos procedimentos habituais as ações de ST, que demandam tempo de trabalho e disposição dos profissionais de saúde. Conforme a ilustração abaixo:

Acho que pode ser uma parte de conhecimento e uma parte de tempo também. Porque aqui a gente só faz saúde do trabalhador. Na Unidade não, abrange tudo: parte ginecológica, pré-natal, vacina. Então, a saúde do trabalhador é uma coisa a mais que veio pra eles. É um trabalho a mais fazer saúde do trabalhador, que é mais demorado, tem que investigar(...) é uma demanda a mais pra eles (Profissional ST 4).

De certa forma, a ST produz uma nova demanda de trabalho para a equipe de SF e, por isso, é relatado uma sobrecarga de trabalho também para os ACS, que passam a atender as visitas domiciliares nos casos de AT e DRT:“Os agentes comunitários têm muita atividade (...) É, muito sobrecarga! A gente precisa de uma visita, eles nos acompanham imediatamente, já se disponibilizam” (Profissional ST 3). Frise-se que a UBS de São Dimas é a maior UBS do município, com o maior número de profissionais de saúde, entretanto há um acelerado crescimento populacional na região, que também explica a sobrecarga de trabalho para as equipes de SF, conforme o relato abaixo:

A gente vai fazendo o que é possível. E em relação ao número de famílias dos ACS a gente está com um número até que legal, porque o ministério preconiza que seja 250 por ACS. Eu estou com 260, dez a mais, não é uma quantidade exorbitante. Então eu acredito que à medida do possível vai melhorando, mas a população cresce muito e a gente sabe que é um crescimento desigual ao dos profissionais (Profissional PSF 4).

No que tange ao Cerest, a mesma sobrecarga de trabalho é evidenciada, visto que há relatos que consideram o número de seus profissionais insuficiente para atender toda demanda. Ressalta-se que o Cerest possui apenas a equipe mínima determinada pela portaria de

habilitação da Renast e realiza ações nos campos da assistência, educação e vigilância em ST. No entanto, como bem lembram Dias et al (2008), os profissionais definidos na equipe mínima da Renast estão orientados para o desenvolvimento de ações assistenciais. Há, entre os profissionais entrevistados do Cerest, o entendimento de:“(...)que falta engordar a equipe com outros profissionais” (Profissional ST 2). Para eles, entre os profissionais que poderiam ser incorporados ao Cerest, merecem destaque, o profissional de fisioterapia e técnicos de segurança no trabalho. Desse modo, a presença de novas categorias profissionais tende a enriquecer a prática do Cerest, com uma abordagem mais abrangente do trabalhador, através de olhares de diferentes disciplinas (Dias et al, 2008).

Os profissionais entrevistados atribuem que essa insuficiência de profissionais está especialmente relacionada a grande região de abrangência do Cerest, ao aumento das atividades de vigilância, após estabelecido o fluxo de notificação dos ATs socorridos na Santa Casa e ao trabalho de AM nas UBS do município, conforme esses exemplos: “A ação de vigilância triplicou e tem a vigilância e a assistência (...) eu acho que é pouco funcionário, porque a demanda de serviço é muito grande” (Profissional ST 4).

É um serviço de grande extensão e é uma equipe muito pequena (...) e a gente não dá assistência só na cidade, nós temos toda uma região. Esse é o único Cerest. Nessas Unidades nós vimos que aumentou (a demanda), eles agora encaminham muito mais e vêm solicitando mais o Cerest para vistorias. Nós vamos assim, primeira, segunda vez, levantamos os dados, fazemos relatórios. Depois vamos passando pelo telefone algumas orientações quando eles ligam, pois não temos tanto tempo pra tudo (Profissional ST 3).

Os Conselheiros entrevistados também sugerem que apenas um Cerest na região é insuficiente para atender toda a demanda por atividades assistenciais e ações de vigilância:

É uma dificuldade porque o Cerest é assim um ambiente de porta fechada, que ele recebe por encaminhamento esse paciente, porque se ele abrir a porta, não vai ser o suficiente pra atender tudo o que precisa. Mesmo assim tem bastante dificuldade, aparece trabalhador e paciente de tudo quanto é lado. Então é por isso que eu acho que deveria ter mais unidade do Cerest na região (Trabalhador 2).

Uma outra dificuldade decorrente da demanda excessiva, considerada pelos entrevistados, é a de compatibilizar a agenda dos serviços de saúde para a realização das reuniões de AM, pois todas as UBS do município tem o mesmo dia da semana para realizar as reuniões de equipe. Nesse dia as agendas das UBSs são fechadas para atendimento da população, a fim de que a

equipe possa discutir os problemas e soluções relacionados ao trabalho em saúde. No entanto, esse dia é comum para todas as UBS (quarta-feira à tarde), o que nem sempre propicia a compatibilidade das datas:

Eu acho que temos que catar as agendas! Às vezes, a gente queria marcar pra logo e não tinha data pra marcar, porque eles (UBS) não tiveram, por motivos deles lá, estão sem médicos, vários problemas internos e não deu pra marcar(...). Como tem que ser no dia da reunião (de equipe da UBS), eles deixam de fazer a reunião deles, de discutir os problemas deles, pra receber a gente. Então, acho que esta é a dificuldade deles marcarem (Profissional ST 5).

Devido à dificuldade de compatibilizar as agendas dos serviços foram realizadas apenas duas reuniões temáticas de AM em todas as UBS de Amparo, no ano de 2008, sendo que o programado era a realização de quatro delas. À medida em que a periodicidade dos encontros de AM fica prejudicada, toda a potencialidade de discutir os casos, os problemas de saúde, elaborar projetos terapêuticos e acordar linhas de intervenção (Domitti, 2006) também sofrem interferências. Acreditamos que essa interferência só não é maior, porque o contato telefônico, acaba sendo um dispositivo bastante citado, pelos entrevistados, para o compartilhamento do conhecimento e esclarecimento de dúvidas entre os profissionais.

Outra dificuldade apontada por alguns profissionais do Cerest é a falta de amadurecimento da equipe do Cerest para atuação no campo ST, visto que a equipe é relativamente nova, composta por profissionais em sua maioria recém-formados. Como exemplo, o profissional mais experiente da equipe do Cerest tinha apenas três anos de atuação na área: “Dificuldade ainda acho que é falta de amadurecimento da equipe, como eu disse a equipe ainda está em processo de formação(...) o Engenheiro, que é o mais velho depois de mim, ele está há três anos” (Profissional ST 2). Tal qual relatado por Dias et al (2009) há ainda pouca tradição de ações de vigilância, quando comparadas às práticas assistenciais e curativas, portanto, a articulação mais estreita do Cerest com instituições de pesquisa e universidades poderia fornecer respostas e subsídios técnico-científicos para o enfrentamento dos problemas de formação de profissionais em ST (Santos e Lacaz, 2007), o que de certa forma tem sido priorizado em Amparo, desde a habilitação do Cerest à Renast. No entanto, na formação dos profissionais de saúde inexiste a concepção de ST:

Lacunas no conhecimento sobre as relações produção-consumo-ambiente e saúde e os impactos sobre a saúde dos trabalhadores começam a se formar na graduação e precisam ser preeenchidas para que os profissionais possam

desenvolver com qualidade essas atribuições (Dias et al, 2008, p. 9).

Outro ponto levado em consideração pelos entrevistados diz respeito às dificuldades apresentadas pelos profissionais da UBS na Atenção à ST, pois envolvem repercussões psicossociais. O tratamento de AT e DRT demanda dos profissionais de saúde um aprendizado sobre como lidar com os aspectos emocionais, seja ao que diz respeito a dor crônica, às relações familiares e a necessidade de afastamento do trabalho, seja no que tange à vulnerabilidade social dos trabalhadores (Castel, 1998), com o impacto do desemprego, da precariedade do trabalho e dos vínculos trabalhistas.

Eu acho que a principal dificuldade de lidar com a parte emocional da pessoa, porque não está envolvendo só a doença, envolve muita coisa, envolve o salário. Você fala assim: ‘olha é do trabalho isso, você não pode fazer isso’. Eu vou falar o que pra ele? ‘Pede a conta?’. Ou ele faz aquilo, ou ele vai ficar sem o trabalho dele. E a gente sabe que no afastamento o pagamento atrasa (…) você fica no meio ali, mas acho que esse lado emocional, além da dor que não deve ser fácil, eu acho que essa parte emocional é o mais difícil de lidar (Profissional PSF 3).

Como bem lembra Gomes (2006), o apoiador precisaria lidar com as expectativas das equipes nos casos de difícil resolutividade, em que o possível não é a cura, mas uma melhora seja na qualidade de vida ou no desenvolvimento da autonomia. Para tanto, o espaço das reuniões de AM podem ser úteis no sentido de problematizar a questão da onipotência e impotência dos profissionais de saúde para criação de estratégias de intervenção diante do sofrimento envolvido no adoecimento pelo trabalho.

A força de trabalho no setor saúde é considerada estratégica e tem potência de dar sustentabilidade e continuidade às políticas (Pinto, Tanaka e Spedo, 2009). A rotatividade dos profissionais de saúde do município, em particular da equipe do Cerest é uma preocupação que aparece frequentemente nas entrevistas. As categorias profissionais com maior rotatividade, na percepção dos entrevistados, são os médicos e psicólogos. A rotatividade interfere no processo de integração entre os profissionais e na atenção aos trabalhadores atendidos, já que a formação em ST deverá se repetir com o novo profissional: “Daí, a equipe está toda integrada, está boa, está sabendo fazer e de repente muda o Médico, vem um novo! Daí, até pegar a unidade da coisa, entender como funciona, o que é o Cerest, como é essa parte, leva um tempo, mas isso vai acontecer” (Profissional ST 4). Outro aspecto importante é que, embora os profissionais de saúde de Amparo tenham ingressado no serviço público

municipal via concurso, em sua totalidade o regime de contratação é pela CLT. A questão da instabilidade do vínculo trabalhista tem sido apontada como uma das principais responsáveis pela alta rotatividade dos profissionais do PSF, interferindo negativamente na continuidade e efetividade das ações (Costa et al, 2009). A alta rotatividade também aparece entre os profissionais da Atenção Básica, em especial os de formação médica, conforme revelou pesquisa realizada por Lacaz et al (2008).

Vale também repensar a constituição das equipes mínimas, assim como o processo de educação continuada dos profissionais e seus vínculos de contratação. Além do que, o profissional médico indicado pela Renast deve possuir formação em medicina do trabalho, o que não necessariamente favorece sua atuação no campo ST. Por isso, um cuidado a ser tomado diz respeito ao papel que o médico do trabalho pode assumir, como figura central na atenção à saúde, mantendo a perspectiva assistencial-individual em detrimento das ações de caráter coletivo (Santos e Lacaz, 2007).