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3. KAZILABİLİRLİĞE ETKİ EDEN ETKENLER

3.7 Derinlik ve Yatay Basınçların Etkileri

Desde a década de 1980 a notificação dos agravos à saúde dos trabalhadores tem sido objeto de preocupação dos atores sociais do campo (Cordeiro et al, 2005). Devido à capilaridade da rede do SUS e a possibilidade de incluir os trabalhadores do mercado informal de trabalho, que anteriormente eram praticamente ignorados no universo dos registros oficiais de AT (Nunes et al, 2006), a notificação dos agravos, a partir da Atenção Básica é de fundamental relevância. Com a Renast foram criados os Serviços Sentinelas, responsáveis pela notificação das informações, que seriam base das ações articuladas de prevenção, vigilância e intervenção pelos Cerests. Ademais, a notificação compulsória dos AT e DRT no Sinan auxilia a organização desta informação (Santos e Lacaz, 2007). Um problema que se configura no cotidiano do trabalho diz respeito à subnotificação no Sinan dos casos de AT e DRT atendidos nas UBS, que preocupa os profissionais entrevistados. A evolução silenciosa e demorada das DRT podem ocultar a percepção do nexo causal entre o trabalho e o agravo à saúde (Nunes et al, 2006), o que colabora para a subnotificação desses eventos. Em parte essa subnotificação é atribuída pelos entrevistados à sobrecarga de atividades na UBS, em outra parte está relacionada à falta do estabelecimento de fluxo interno de notificação, para que não haja necessidade de encaminhamento do trabalhador ao Cerest, apenas para essa finalidade.

Eu acho que eles não notificam, um pouco por causa da correria de ser uma Unidade Básica. Porque lá, eles não têm só isso pra notificar. Eles até sabem que tem que notificar. Então, eu acho que como eles sabem que aqui a gente notifica, eles vão mandar o paciente pra cá mesmo (Profissional ST 5).

Da mesma forma, para os profissionais da UBS/ São Dimas o problema da subnotificação no Sinan estaria relacionado à falta de notificação por parte dos médicos da Unidade, visto que o diagnóstico final de uma DRT acaba ficando nas mãos desse profissional. No entanto, essa centralização da responsabilidade do diagnóstico e notificação pelos médicos rompe com a possibilidade de construção do conhecimento interdisciplinar do nexo causal da relação entre trabalho e saúde, expresso aqui: “Todo acidente grave que chegou, foi atendido no hospital, a gente sabe que a notificação sai de lá ou pelo menos é esse o caminho. O que chega pra o ambulatorial são mais as doenças ocupacionais. Aí o diagnóstico final é médico, a gente não faz” (Profissional PSF 1).

Outra justificativa é o excesso de burocracia envolvida na notificação da DRT, pois a ficha extensa, demorada e complicada, que está entre tantas outras fichas que devem ser preenchidas na AB. Por outro lado, a notificação no Sinan da DRT não impede ou inviabiliza a realização dos procedimentos decorrentes, tal qual ocorre com outros agravos de Notificação Compulsória em geral, que ficam sob responsabilidade das enfermeiras da UBS, com um fluxo interno já bem delineado. O fluxo para notificação das DRT na própria UBS de São Dimas ainda não foi incluído na rotina dos profissionais de saúde. Apesar da subnotificação no Sinan, os profissionais relatam que a notificação da CAT tem sido feita com frequência, mas ela é um instrumento para acessar benefício previdenciário, que só cobre os trabalhadores regidos pela CLT:

No dia-a-dia você vê que tem uma burocracia, o serviço de ambulatório tem papel que não termina. Todos os consultórios têm folha de queixa epidemiológica da notificação. O passo de doença transmissível eles fazem a suspeita, o enfermeiro faz a notificação. Na doença ocupacional nós não conseguimos esse fluxo porque a nossa demanda é grande de queixa ocupacional. Assim, eu sei quando chega um paciente que é suspeita de rubéola ou de sarampo, e já estou atenta pra essa notificação, a gente até anota, os técnicos sabem que vão anotar. Agora o paciente que chega com dor pode ser ocupacional ou não. Então esse fluxo não conseguimos ainda, nós não modificamos e não notificamos. Nós encaminhamos, porque é a maior equipe do município, então nós temos o maior número de encaminhamento pro Cerest também, mas não notificamos, não conseguimos colocar na rotina da equipe(...)Ah e é novo, é uma coisa nova, notificar

doença ocupacional. Porque eles estão atentos pra fazer abertura de CAT, é notificado e tal (Profissional PSF 1).

De acordo com essa fala, a ausência da organização do fluxo de notificação dos casos de DRT na UBS, aqui chamadas de doenças ocupacionais, aparece como um desafio a ser superado pelos profissionais do PSF e indica a necessidade de sensibilizá-los para a importância do registro sistemático dessas informações. Outro desafio é o registro das informações coletadas nas residências pelos ACS, o instrumento usado é chamado de Ficha A, que alimenta o Sistema de Informações da Atenção Básica (SIAB) contém apenas o campo ocupação, o que diz muito pouco sobre a situação do trabalhador. Essa informação poderia ser qualificada para permitir o monitoramento das formas de trabalhar e de viver dos moradores e trabalhadores do território de abrangência da UBS.

Sob outro ponto de vista, é relatada a dificuldade das empresas aceitarem laudo e atestado de médico generalista do PSF. Para os profisionais da UBS entrevistados, isso se deve ao argumento empresarial de que o afastamento do trabalhador, nos casos de DRT, deve ser feito por médico do trabalho. Por isso, ao invés dos profissionais incorporarem na sua rotina a notificação desses eventos, preferem encaminhá-los ao Cerest, conforme observamos abaixo:

Algumas empresas questionam muito o afastamento que a gente faz, mas assim, se a gente começa a ter alguma dificuldade com a empresa a gente encaminha imediatamente o funcionário, o trabalhador ao Cerest e eles colocam na linha na hora; que aí o Cerest dá o laudo e acabou, não tem mais brincadeiras(...). Isso porque eles acham que são especialistas que tem que afastar o funcionário. Eu tinha uma paciente que é gestante ainda, que estava com muita dor e eu comecei a atestar, porque realmente é comprovado, a parturiente tinha bastante dor e depois começou a desenvolver um problema de hipertensão na gestação. Ali eu afastei e dei um atestado de 15 dias, encaminhei para o alto risco que a gente tem aqui e o médico da firma falou que o afastamento tinha que ser feito pelo especialista não por mim (Profissional ESF 2).

Vale considerar que a sensação de impotência diante de alguns casos, como o acima relatado, em que a equipe não sabe como agir ou que medidas tomar diante da negativa do atestado médico, pode disparar uma ansiedade na busca de rápida solução do caso, o que decorre o trabalho na lógica do encaminhamento expresso, sem discussão ou responsabilização sobre o caso tratado (Gomes, 2006). As situações relatadas acima, sobre o fluxo de notificação e a negativa dos atestados médicos, são questões pendentes e deveriam fazer parte do debate sobre o trabalho em saúde dos trabalhadores, a fim de buscar soluções dialogadas para essa

questão.