3. KAZILABİLİRLİĞE ETKİ EDEN ETKENLER
3.9 Makine Kullanım Oranına Etki Eden Faktörler
De acordo com Dias (1994) em 1978 é criado o Ambulatório de Medicina do Trabalho da Unicamp, mas é entre 1985 e 1986 que se inicia um movimento para o desenvolvimento de ações em ST no município. Conforme Medeiros (2001), na pré-Conferência de ST, realizada em 1986, as direções sindicais atuantes elaboram a proposta de criação de um serviço específico, que foi encaminhada à Comissão Interinstitucional Municipal de Saúde (CIMS). Nessa época a CIMS contava com a participação de instituições como a Secretaria Municipal e Estadual de Saúde, Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), Fundacentro, Secretaria Regional do Trabalho e Unicamp. Os sindicatos de trabalhadores envolvidos nessa proposta eram o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais elétricos da região de Campinas, dos Trabalhadores das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Campinas e o Sindicato de Condutores de
25 As principais diretrizes do PSF-Paidéia são: clinica ampliada, acolhimento e responsabilização, apoio matricial, sistema de co-gestão, cadastro de saúde da população e vinculação das famílias à equipe local de referência e capacitação (Campos, 2007).
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A equipe clássica seria composta por 1 médico generalista, 1 enfermeiro, 1 dentista, 2 auxiliares de consultório dentário e técnico de higiene dental, na medida do possível, auxiliares de enfermagem e 4 ACS, cuja cobertura prevista é de 700 famílias ou 3.500 pessoas. Já a equipe ampliada incorporaria os profissionais da equipe clássica, além de 1 médico pediatra, 1 médico gineco-obstetra, 1 dentista, 1 técnico de higiene dental, para cobertura de 1.400 famílias ou 7.000 pessoas (Nascimento, Correa e Nozawa, 2007).
Veículos Rodoviários e anexos de Campinas (Lacaz, 1996). Assim, com a participação do movimento sindical e dos profissionais da saúde é criado em fevereiro de 1987 o Ambulatório de ST de Campinas, numa unidade básica do sistema de saúde local. Em 1990 esse ambulatório é transformado em PST, adquire uma sede própria, assumindo a Coordenação de Acidentes de Trabalho, até então responsabilidade do INSS. Como marca originária o PST/ Campinas tem a participação sindical no seu gerenciamento e com a regulamentação do SUS, a Comissão Sindical se transforma em Conselho Gestor do CRST : “A co-gestão sindical do Centro de Referência em Saúde do trabalhador de Campinas é mencionada não somente como impulso originário do Programa, mas como o móvel de sustentação política, por se apresentar como uma forma de controle social” (Medeiros, 2001, p. 176).
No ano de 1993 o PST ganha estatuto de Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, CRST/ Campinas, com objetivo de promover: “(...) atenção à saúde do trabalhador visando a prevenção das doenças ocupacionais e de acidentes de trabalho, através do diagnóstico precoce, tratamento e orientação do trabalhador acometido, bem como a identificação, qualificação e controle de riscos nos ambientes de trabalho” (Silva27 apud Medeiros, 2001, p. 95).
A partir de 1994 o CRST passa a integrar o PCTBI, já referido no Capítulo 1, que possibilita a capacitação de seus profissionais, o desenvolvimento de projetos de vigilância e aquisição de equipamentos (Medeiros, 2001). Uma característica importante da ST em Campinas, lembrada por Lacaz (1996) é a sua proximidade com a Academia, tanto para a elaboração de estudos acadêmicos, quanto para o desenvolvimento de pesquisas operacionais.
O CRST nasce como porta de entrada da rede para atendimento e vigilância dos casos de AT e DRT, essa demanda era proveniente de trabalhadores encaminhados pelos sindicatos em 53% dos casos e em 9% da rede de saúde (Lacaz, 1996). Na década de 1990, diante do estrangulamento da capacidade de absorção do serviço, via assistência, e da dificuldade de vincular essas ações com a vigilância e a educação tem início o processo de descentralização do atendimento do AT para rede básica de saúde (Medeiros, 2001), com o desenvolvimento de capacitações sobre a temática. A fala de uma entrevistada ajuda-nos a compreender a
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Silva, AB, 1995. Relatório de Atividades do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador no ano de 1994. Campinas, SMS, mimeo.
descentralização das ações voltadas para a saúde dos trabalhadores:
Assim que esse serviço começou a existir a gente trabalhou com sindicatos, que estavam demandando o serviço. Aí a gente separou um pouco o que era o sindicato, o que era o serviço público e pegou a parte dos acidentes de trabalho. Ficamos anos cuidando dos acidentados do trabalho, foi uma maneira da gente entender a lógica da Previdência Social. E aí quando a gente organizou, a gente passou isso para a rede básica do SUS. De modo que, hoje em dia, em Campinas os acidentes de trabalho são atendidos nos hospitais e na rede básica, não passa por aqui (...).Isso não quer dizer que a gente não fique de vez em quando com algum caso particularmente complicado, que a rede não está conseguindo ver, que deu problema no hospital. Aí é nosso. Mas 99% dos casos estão dessa forma (Profissional ST 11)
A partir da descentralização do AT havia a perspectiva de uma atuação mais articulada entre vigilância e educação, contudo nos anos seguintes há uma: “(...) explosão dos casos de LER (que) resulta numa crise do Centro de Referência, que se verá obrigado a adiar o projeto de atuação mais efetiva em vigilância” (Medeiros, 2001, p. 131). Diante da complexidade da LER e da preocupação com a transformação do CRST em ambulatório especializado, após o Seminário interinstitucional sobre LER, promovido pelo CRST e o Núcleo de Saúde da PUC de Campinas surge a proposta Grupo Interinstitucional em LER (GIL). O GIL teve importante papel de aglutinação de instâncias que tratavam do problema, com a participação de representantes do CRST, do Núcleo de Saúde da PUC, Perícia Médica e Centro de Reabilitação Profissional do INSS, Projeto Semdor do Ministério da Saúde, Ministério Público, Serviço de Reabilitação da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, sindicatos dos metalúrgicos, dos trabalhadores da Unicamp e bancários (Medeiros, 2001).
De 1998 em diante, ganha força a discussão da descentralização do atendimento de LER, com a proposta de capacitação da rede básica de saúde e de retaguarda laboratorial, a fim de que o CRST se tornasse referência apenas para os casos de maior complexidade (Medeiros, 2001). A profissional entrevistada explica esse processo:
Em 91, 92 descentralizou os acidentes de trabalho e já estava aparecendo muitos casos de LER. Então a gente saiu de um problema e entrou num outro. E fizemos a mesma coisa, entendemos o que é LER, organizamos o atendimento, capacitamos a rede e passamos o atendimento de LER pra rede e ainda atendemos os casos (...) encaminhados pela rede com algum problema. (...)Aí a gente cuida aqui e devolve pra rede (Profissional ST 11).
o CRST foi porta de entrada para os trabalhadores encaminhados pelos sindicatos, o que de certa forma protelou a consolidação da estratégia de descentralização:
Desde 1998, até antes, a gente tinha o intuito de levar essas capacitações pra rede, levar o atendimento de LER/DORT, que já era feito (...)mas não tínhamos muito sucesso. Daí eu acho que de 2003 pra agora a gente conseguiu fazer com que nós só atendêssemos pessoas encaminhadas pelo centro de saúde. Porque antes as pessoas vinham aqui na nossa porta e a gente atendia, vinha encaminhado do sindicato. (...)foi um processo muito difícil (Profissional ST 8).
Frise-se que a partir de 1993, quando ocorreu o I Fórum Interinstitucional de Saúde do Trabalhador de Campinas, surge a proposta da CIST e são delineadas as diretrizes para a Vigilância, entre as principais destacamos as seguintes:
(...) aprimorar o trabalho de intervenção sobre os ambientes laborais valorizando a informação epidemiológica; integrar as ações de vigilância às demais ações de saúde, descentralizando-as para os centros de saúde; capacitar recursos humanos para atuar em vigilância em saúde do trabalhador; promover integração interinstitucional para as ações de vigilância (epidemiológica e sanitária) e ampliar, integrar e otimizar a utilização dos recursos existentes (Santos et al28 apud Medeiros, 2001, p. 144).
A partir de então, há maior investimento nas ações de vigilância, como exemplo disso, no ano de 1997 são totalizados mais de 100 ações nessa área, mesmo considerando a restrita capacidade instalada no serviço (Medeiros, 2001). Com o crescimento da vigilância nos locais de trabalho, em 2001 surge a perspectiva de descentralização dessas ações para a Vigilância em Saúde (VISA) municipal, com intuito de que técnicos do CRST nessa fase inicial pudessem acompanhar e desenvolver as ações de VISAT junto aos profissionais dos cinco distritos de saúde do município. Desse modo, alguns profissionais, especialmente engenheiros, até então vinculados ao CRST, são descentralizados para esses distritos. A principal instituição envolvida nesse processo foi a própria SMS, segundo uma entrevistada: “De fazer conversa com a vigilância, com o departamento de saúde, com os distritos, com os centros de saúde. E sempre uma conquista de espaços mesmo, porque a rede tem tantas outras prioridades (…)” (Profissional ST 8).
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Santos, MLR; Bueno, JMS; Magalhães, LV et al, 1993. Programa de Saúde do Trabalhador do Município de Campinas e Região- Diagnóstico e Diretrizes. Campinas, SMS, mimeo.
Com o processo de descentralização da vigilância são apontadas algumas dificuldades, dentre as quais as diferentes realidades e hierarquias dos distritos, que definem os critérios de cada vigilância, conforme sinaliza a seguinte fala: “Por mais que o CRST leve a discussão, faça planejamento que envolva usuários, profissionais de saúde e gestores, tentando envolver todo o SUS, ainda assim não é uma coisa que na prática seja fácil” (Profissional ST 8). Um exemplo de dificuldade na descentralização da vigilância nos locais de trabalho para as VISAs, relatado em entrevista, foi a dificuldade para o acolhimento da demanda sindical por esta instância.
Em julho de 2003 o CRST é habilitado à Renast, como Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador, com nove municípios na sua área de abrangência, são eles: Campinas, Americana, Arthur Nogueira, Cosmópolis, Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré e Valinhos, com uma população entre 1,8 a 2 milhões de habitantes. Atualmente o CRST não possui perfil de morbidade populacional e utiliza os dados do IBGE, para compreender, em termos gerais, as características próprias de cada município da sua regional: “A gente tem alguns dados que a gente tirou na época na regional, do IBGE, como característica um pouco do que é cada município: é mais industrial, mais agrícola, pra que a gente possa ter uma noção de quais riscos eles estarão submetidos no seu trabalho” (Profissional ST 8). Devido à sua trajetória, o CRST/ Campinas cumpria os requisitos de habilitação e já desenvolvia as ações previstas nas portarias da Renast: “Então pra gente não foi novidade. Já éramos regional sem ser regional. Porque a gente já era referência para outros municípios (…) nós sempre tivemos o compromisso social, acompanhados dos sindicatos.” (Profissional ST 8). Na avaliação dos entrevistados, o que gerou maior impacto com a habilitação à Renast foi o incentivo financeiro para aquisição de materiais, equipamentos e ações educativas:
Foi muito bom, quando veio dinheiro pela Renast(...) foi um empurrão muito grande, a gente fez capacitação, a gente conseguiu comprar livros, comprar material pra trabalho, comprar cadeira adequada.(...) Porque aí a gente pegou o recurso financeiro e investiu em coisas que nós precisávamos: pagamos curso pra nós, demos cursos pros outros, compramos material pra trabalhar (Profissional ST 11).
O CRST/ Campinas possui sede própria, com 3 consultórios médicos, 6 salas de especialidades (Serviço Social, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Terapia Integrativa, Vigilância e Informação), 2 salas administrativas, 2 salas de reunião com biblioteca, 1 auditório (capacidade de 35 pessoas), 1 recepção, 1 copa/cozinha/área de serviço, 1
almoxarifado, 1 sala de arquivo morto, 2 banheiros para usuários, 5 banheiros para funcionários, estacionamento e horta de plantas medicinais. O horário de atendimento do CRST é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.