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3. KAZILABİLİRLİĞE ETKİ EDEN ETKENLER

4.2 Literatür Çalışması

Para os profissionais envolvidos, uma importante preocupação é com a saúde dos trabalhadores, visto que grande parte dos Postos de combustível contratam serviços terceirizados de assistência médica, para realizar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Programa de Prevenção a Riscos Ambientais (PPRA)37, que não dão conta da questão: “Eles vão lá fazem o admissional só que não diz nada e os trabalhadores não tem a mínima noção do risco do benzeno. Nem o próprio sindicato dos frentistas(...) tinha esse conhecimento sobre o risco do benzeno” (Profissional ST 12). Para Lacaz (1997) tais Programas têm sido executados por empresas contratadas, em geral mediante terceirização, constituindo-se num espaço de trabalho para médicos do trabalho e outros profissionais da área, na lógica de Mercado. Em geral, se tornam documentos protocolares, por serem obrigatórios, distantes da realidade e sem o efetivo compromisso com a prevenção da saúde.

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O PCMSO e PPRA constam nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho número 07 e 09, respectivamente, da Lei 3214 (08/06/1978), cuja elaboração e implementação é obrigatória a todos empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados. O objetivo do PCMSO é prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive os de natureza subclínica e a constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. O Programa deve incluir, entre outros aspectos, a realização obrigatória dos exames médicos: Admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissional. O PPRA visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, considerando a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Entre outros, o Programa deve incluir as etapas de: Antecipação e reconhecimento dos riscos, estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle, avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores, implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia, monitoramento da exposição aos riscos, registro e divulgação dos dados.

Outra preocupação expressa diz respeito às frentistas mulheres, devido ao risco envolvido na gravidez e a ausência de orientação dos profissionais de saúde que as acompanham. Desse modo, o projeto procura dar atenção à mulher frentista e ao processo de educação em saúde, a fim de orientar e diminuir o risco de exposição.

Os profissionais entrevistados relatam vários riscos de agravos à saúde dos trabalhadores existentes nos postos, entre eles, a ausência de válvula de vedação das bocas dos tanques, que provoca a inalação dos produtos e o permanente contato da pele com combustível pelo uso de um paninho “babador”. Sobre as situações de extremo risco, sinalizam as operações para coleta manual de amostra de combustível no caminhão tanque e abastecimento do tanque, propriamente dito. As principais vias da intoxicação por combustível são por contato respiratório, da pele e a ingestão, que pode ocorrer nos casos de retirada de combustível excedente com uso de mangueira, por sucção. A intoxicação causada pela exposição ao combustível pode ser aguda ou crônica, que é a mais comum e mais invisível, porque ocorre ao longo dos anos de modo lento e insidioso, que pode ser confundida com outros transtornos à saúde:

(...) muitas vezes o sintoma é um mal estar, uma dor de cabeça, tontura, que pode ser qualquer outra coisa. Se um profissional de saúde não tiver atento com relação a exposição: ‘ah, ele é frentista, tem exposição ao benzeno’, se ele não tiver essa visão ele come bola, trata como uma dor de cabeça comum e tal (Profissional ST 12).

Conforme foi nos relatado um problema de saúde muito comum entre os trabalhadores expostos ao combustível é a leucopenia, uma expressão de lesão na medula óssea, que reduz o número das células sanguíneas e que não apresenta uma sintomatologia. A exposição contínua ao combustível torna os trabalhadores leucopênicos mais suscetíveis ao desenvolvimento de uma doença grave e maligna, conforme exemplifica a fala a seguir:

Se você ficar exposto de forma contínua, a possibilidade de tornar uma doença maligna é muito elevada, porque é suscetível e aquela exposição já está provocando uma lesão que vai se agravar fatalmente. (...) Todos que tiveram exposição ao benzeno tem mais risco do que o resto do mundo (de câncer) e todos no mundo que tiveram lesão de medula tem mais dos que tiveram exposição à benzeno.(...) Então a conduta é tirar você da exposição. Num posto de gasolina tirar da exposição é dizer pro cara: ‘arruma outro trabalho’… (Profissional SRT).

Nessa perspectiva, a prevenção do agravamento do quadro envolve o diagnóstico precoce da Leucopenia, o afastamento do trabalho e o monitoramento da saúde, o que aponta para a necessidade de diálogo com profissionais do INSS para tratar do afastamento e da readaptação dos trabalhadores. Frise-se que os dados do próprio Instituto, referentes aos trabalhadores de Postos de combustível, ganham maior magnitude com a possibilidade do NTEP, conforme podemos observar nas tabelas 1 e 2:

Tabela 1- Levantamento de Doenças malignas de tecido linfático e hematológico, que se supõe relacionadas ao Benzeno (CID C81 a C96 ou D60 a D64) correlacionada com o numero de auxílio doença concedido pelo INSS a trabalhadores registrados no comércio varejista de Combustíveis (CNAE 50-50)

Ano Número de Auxilio-Doença

concedidos pelo INSS

Doenças em Destaque 2004 25 4 leucemias Mielóides 2 Aplasias 2005 21 6 leucemias Mielóides 2006 22 5 leucemias Mielóides 3 aplasias

Total 68 15 leucemias Mielóide e 5

aplasias

Fonte: Costa, 2009.

Tabela 2- Levantamento de Doenças malignas de tecido linfático e hematológico, correlacionada com o numero de auxílio doença acidentário concedido pelo INSS.

Ano Número Auxilio-Doença-

Acidentario concedidos pelo INSS, via Nexo Técnico Epidemiológico

Doenças em Destaque pelo

NTEP

2007 (jan a julho) 86 34 Leucemias Mielóides

10 aplasias 12 agranulocitose

10 síndromes mielo displásicas 10 leucemias linfóides

Total 86 34 Leucemias Mielóides

10 aplasias 52 outras

Fonte: Costa, 2009.

Na comparação entre as duas tabelas observa-se que houve uma mudança na concessão dos benefícios pelo INSS para trabalhadores do comércio varejista de combustível, de auxílio doença para auxílio doença acidentário, a partir do estabelecimento do NTEP. Assim, novas informações sobre doenças hematológicas relacionadas com esta atividade passaram a ser reconhecidas (Costa, 2009). Embora, os períodos analisados nos dois quadros sejam diferentes, é possível identificar um aumento na notificação dos transtornos à saúde,

especialmente dos mais graves como a Leucemia Mielóide que aumenta de 15 casos, no período de 3 anos, para 34 casos em 6 meses. No que diz respeito a incidência de doenças malignas hematológicas entre os trabalhadores registrados no comércio varejista de combustíveis, os dados demandam maior aprofundamento da análise, mas expressam por si a gravidade da situação de saúde tais trabalhadores (Costa, 2009). Uma das questões balizadas pelo projeto é a construção do protocolo de atenção à saúde para os trabalhadores de Postos de combustível, a fim de abarcar os riscos existentes e as medidas de intervenção necessárias para controlá-los ou extinguí-los.

4.4.3. Contaminação da Água, Solo e Ar

A Cetesb possui dados atualizados até novembro de 2008, disponíveis no site institucional, sobre áreas contaminadas no Estado de São Paulo, onde considera a potencialidade dessas áreas gerar danos à saúde humana, comprometimento dos recursos hídricos, restrições ao uso do solo, danos ao patrimônio e meio ambiente. Os dados apresentados estão expressos na tabela 3.

Tabela 3. Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo, por regiões, até novembro de 2008

Atividade Região38

Comercial Industrial Resíduos Postos de

Combustíveis Acidentes/ desconhecido total São Paulo 32 69 21 657 2 781 RMSP- outros 21 92 14 359 5 491 Interior 52 117 28 707 13 917 Litoral 13 32 17 111 3 176 Vale do Paraíba 2 27 0 119 1 149 Total 120 337 80 1953 24 2514 Percentual 4,78% 13,4% 3,18% 77,68% 0,95% 100% Fonte: Cetesb, 2010. 38

Para a distribuição das áreas contaminadas, pela CETESB, foram consideradas as seguintes regiões: - São Paulo: Capital do Estado;

- RMSP - outros: 38 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, excluindo-se a Capital; - Litoral: municípios do Litoral Sul, Baixada Santista, Litoral Norte e Vale do Ribeira;

- Vale do Paraíba: municípios do Vale do Paraíba e da Mantiqueira; - Interior: Os municípios não relacionados anteriormente.