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I. BÖLÜM

2.5. Süleyman Ateş ve M Sait Şimşek’e Göre Neshin İmkânı

Sobre o conceito de alfabetização, primeiramente os autores apresentam uma breve retrospectiva histórica a respeito dos sentidos e de seus desdobramentos, a partir do surgimento dos termos “alfabetização funcional” e “letramento”.

Historicamente, o conceito do termo “alfabetização” está diretamente vinculado ao ensino-aprendizado do sistema alfabético de escrita, ou seja, ao processo de ensinar e aprender as habilidades de decodificação e codificação de sinais gráficos e da fala, à correspondência entre grafemas e fonemas.

A partir dos anos de 1980, afirmam que as influências dos estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, sobre a “psicogênese da língua escrita” e os avanços nas Ciências Lingüísticas e da Educação, o conceito de alfabetização se amplia, surgindo novas adjetivações, como “alfabetização funcional” e “letramento”.

Progressivamente, o termo passou a designar o processo não apenas de ensinar e aprender as habilidades de codificação e decodificação, mas também o domínio dos conhecimentos que permitem o uso dessas habilidades nas práticas sociais de leitura e escrita. É diante dessas novas exigências que surge uma nova adjetivação para o termo –

alfabetização funcional – criada com a finalidade de incorporar as

habilidades de uso da leitura e da escrita em situações sociais e, posteriormente, a palavra letramento. (BATISTA et. al., 2006, p. 10, grifos dos autores).

O termo “letramento”, traduzido do inglês literacy, significa o:

[...] resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e a escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades em práticas sociais, é o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da língua escrita e ter-se inserido num mundo organizado diferentemente: a cultura escrita. (BATISTA et. al., 2006, p. 11).

Considerando os mais variados usos sociais da escrita e da leitura, destacam que há diferentes “níveis de letramento” – que engloba desde ler um bilhete simples a escrever um romance, ou seja, dos níveis mais elementares aos mais complexos –, e “tipos de letramento ou de letramentos”,

[...] tendo em vista as diferentes funções (para se distrair, para se informar e se posicionar, por exemplo) e as formas pelas quais as pessoas têm acesso à língua escrita – com ampla autonomia, com ajuda do professor ou da professora, ou mesmo por meio de alguém que escreve, por exemplo, cartas ditadas por analfabetos [...]. (BATISTA et. al., 2006, p. 10).

Os autores apresentam a distinção entre alfabetização e letramento feita por muitos pesquisadores da área, embora, não mencionam quem sejam esses pesquisadores. Segundo Batista et al., (2006, p. 10):

Com o surgimento dos termos letramento e alfabetização (ou

alfabetismo funcional), muitos pesquisadores passaram a preferir

distinguir alfabetização e letramento. Passaram a utilizar o termo alfabetização em seu sentido restrito, para designar o aprendizado inicial da leitura e da escrita, da natureza e do funcionamento do sistema de escrita. Passaram, correspondentemente, a reservar os termos letramento ou, em alguns casos, alfabetismo funcional para designar os usos (e as competências de uso) da língua escrita. Outros pesquisadores tendem a preferir utilizar apenas o termo alfabetização para significar tanto o domínio do sistema de escrita quanto os usos da língua escrita em práticas sociais. Nesse caso, quando sentem a necessidade de estabelecer distinções, tendem a utilizar as expressões “aprendizado do sistema de escrita” e “aprendizado da linguagem escrita”. (Grifos dos autores).

Nas últimas décadas, segundo os autores da proposta, é a teoria construtivista que fundamenta as práticas de alfabetização, trazendo contribuições positivas pela “[...] introdução ou o resgate de importantes dimensões da aprendizagem significativa e interações, bem como dos usos sociais da escrita e da leitura, articulados a uma compreensão mais ampla de letramento [...].”.

Nesse sentido, ressaltam sobre algumas interpretações equivocadas da teoria construtivista, o que tem provocado distorções e fracassos escolares no ensino- aprendizagem da escrita e da leitura. Essa mesma problemática, também, está relacionada a algumas orientações inadequadas sobre o conceito de letramento, que, por consequência, “[...] dissociam, equivocadamente, o processo de letramento do processo de alfabetização, como se um dispensasse ou substituísse o outro.” (BATISTA et. al., 2006, p. 12).

A opção teórica adotada pelos autores da proposta considera a alfabetização e o letramento como dois processos que se articulam e se complementam, portanto, orientam para a possibilidade de se trabalhar nos anos iniciais do ensino fundamental na perspectiva de “alfabetizar letrando”.

[...] entende-se alfabetização como o processo específico e indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico que possibilita ao aluno ler e escrever com autonomia. Entende-se letramento como o processo de inserção e participação na cultura escrita. Trata-se de um processo que tem início quando a criança começa a conviver com as diferentes manifestações da escrita na sociedade (placas, rótulos, embalagens comerciais, revistas, etc.) e se prolonga por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas sociais que

envolvem a língua escrita (leitura e redação de contratos, de livros científicos, de obras literárias, por exemplo). Esta proposta considera que alfabetização e letramento são processos diferentes, cada um com suas especificidades, mas complementares e inseparáveis, ambos indispensáveis. (BATISTA et. al., 2006, p. 13, grifos dos autores).

Nessa perspectiva de “alfabetizar letrando”, o desafio da escola (e do professor) está na possibilidade de conciliar esses dois processos – que não são seqüenciais e comportam especificidades e diferenças entre si –, “[...] assegurando aos alunos a apropriação do sistema alfabético-ortográfico e condições possibilitadoras do uso da língua nas práticas sociais de leitura e escrita.” (BATISTA, 2006, p.13).

Os referenciais teóricos apresentados nos fascículos do programa Pró- letramento, apesar dos autores da proposta não explicitarem durante a apresentação dos temas e conteúdos, no corpo dos textos, quem são os pesquisadores/autores que os fundamentam, compreendo que, pelas “pistas” apresentadas, esses referenciais resultam de estudos e pesquisas desenvolvidos por especialistas que investigam e teorizam as áreas de alfabetização, letramento, língua e ensino da língua, dentre eles destacam-se: Ferreiro (1985, 1988), Teberosky (1985, 2003, 2004), Kato (1985, 1986, 1993), Kleiman (1989, 1993, 1995, 1999, 2000, 2005), Lajolo (1986, 1987, 2001, 2005), Soares (1991, 1998, 1999, 2001, 2003), Vygotsky (1984, 1991, 1988) e outros40.