3. YAPI ÜRETİMİNDE OLUŞAN MALİYETLER
3.3 Maliyeti Etkileyen Faktörler
3.3.2 Sözleşme Türüne Bağlı Olarak Maliyetin Kapsamı
As frases do Sl 8,6: “E fazes ele pequeno de deuses”, “e (de) glória e esplendor coroas ele” (da segunda estrofe: v.6-9), dão continuidade à questão antropológica (v.5) do conjunto (v.3-5), e introduzem o ser humano na aureola da magnificência criacional (Sl 8,4-5). Não obstante, uma leitura crítica sobre o Sl 8,6 negaria o centralismo antropológico que tem prevalecido em algumas interpretações bíblicas, maioria das
529 TM: imperfeito do piel: rsx ha er “deixar faltar”, “fazer sentir falta”, em Ludwig Koehler e Walter
Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.1, p.338.
530 TM: adjetivo: j[;m. me‘at “pequeno”, “pouquinho”, em Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, The
Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.2, p.611.
531 TM: substantivo: ~yhil{a/ ’elohim “deuses”, “deidades”, em Ludwig Koehler e Walter
Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.1, p.53. LXX: adjetivo: avgge,louj “mensageiro”, “enviado de Deus”, em Henry George Liddell e Henry Robert Scott,
Greek-English Lexicon, p.4.
532 TM: substantivo: dAbK' kabod “honor”, “glória”, “distinção”, “carga”, em Ludwig Koehler e Walter
Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.2, p.457.
533 TM: substantivo: rd'h' hadar “esplendor”, “enfeite”, “magestade”, em Ludwig Koehler e Walter
Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.1, p.240.
534 TM: imperfeito do piel: rj[ ‘atar “coroar com uma coroa”, em Ludwig Koehler e Walter
vezes baseada, erroneamente, em Gn 1-2. Estes dois capítulos facilitam a divulgação de teologias emblemáticas que podem atropelar até as próprias intenções históricas do texto.
O Primeiro Testamento não tinha necessariamente a ideia de que o ser humano fosse o ápice de toda a criação.535 Em Jó 38 e Sl 104, a sabedoria criadora coloca o ser humano como uma criatura, no lugar que lhe corresponde. No Sl 104 o homem e a mulher são simples agricultores/as (v.23) vegetarianos/as (v.14). Desse ângulo analítico, as interpretações clássicas concernentes à fórmula “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27), atribuída exclusivamente ao ser humano, é alvo de suspeita.
Milton Schwantes ilumina esse sentido ao considerar que a “imagem” (Gn 1,27) é coletiva e não culmina no ser humano. Na perspectiva de sua interpretação, “imagem” abraça o sentido de oikos “casa”, tratando de “eco-logia” e “eco-nomia”.536 Conhecida
pela LXX, a palavra oikos adquiriu um sentido de “vínculo” entre quem partilha a mesma moradia (Sl 127,1; 2Sm 7,11-12; Nm 2,7).537 Posteriormente apontará ao aspecto harmonioso entre o que compõe o conjunto “cósmico”.
O povo da roça, no mundo bíblico, sabe muito bem conviver no meio da natureza! Não há de estranhar se simples camponeses/as compreendessem que “céus e terra”, (oikos, posteriormente) como totalidade, também projetassem a “imagem” do criador. Silvia Schroer e Thomas Staubli complementam o aporte de Schwantes ao interrogar o alto conceito atribuído à pessoa humana, expresso no assunto da “semelhança”. Para ambos os autores, que o ser humano seja apenas menor do que os “deuses” fica bem explícito no Sl 8,6.538 Trata-se de um bom começo para
introduzirmos na análises do Sl 8,6.
As frases: “E fazes ele pequeno de deuses”, “e (de) glória e esplendor coroas ele” (Sl 8,6) inicia com um verbo iluminador. Trata-se do imperfeito do piel haser
535 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.13.
536 Milton Schwantes, Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11, p.45.
537 J. Goetzmann, oikos “casa”, em Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, vol.1, São
Paulo, Vida Nova, 2ª edição, 2000, p.286.
“fazer algo carente”, “privar de alguma coisa”,539“estar faltando algo”,540“fazer carecer
de”.541 O verbo apresenta o sufixo na terceira pessoa masculina singular, “ele”, que se
refere, pela forma e o conteúdo, aos conceitos localizados no v.5: ’enox “ser humano” e ben-’adam “filho de Adam”. Não dá para separar a carência humana explícita mediante o verbo ha er, da fraqueza antropológica manifestada em Sl 8,5. Porém, o adjetivo me‘at “pequeno” (da raiz: ma‘at “ser pequeno”)542 no estado construto com o
substantivo’elohim: “pequeno de deuses” oferece coesão textual. O ser humano, segundo o Sl 8, é quase divino, mas não o é.
A LXX transfere a palavra ’elohim (Sl 8,6) para avgge,louj “anjo”.543 Isso
faz pensar que originalmente, ’elohim era um recurso linguístico para falar das divindades estrangeiras, não de Deus.544 (Ex 12,12; Jr 43,12; Jz 10,6; 2Rs 17,13; 2Cr 28,23; Gn 35,2; 1Sm 7,3; Dt 31,10). É possível que esses ’elohim (Sl 8,6) estejam vinculados a cultura cananéia (filtrada no Sl 8), onde se evidenciam seres celestiais circundando o trono divino.545 As divindades estrangeiras, para o profeta Jeremias são inúteis (Jr 2,11), e para 2 Rs 19,18 são origem terrena e temporal. Não por acidente o Sl 8 compara o ser humano com ’elohim e não com yhvh (v.2.10), medida que se reserva a particularidade do criador (v.2.10) e desmente o endeusamento atribuído ao ’enox/ben- ’adam (v.5).
Importa considerar que em Zc 12,8 ’elohim (Sl 8,6) está relacionado à monarquia e no Sl 45,7 o salmista chama ao rei de ’elohim. Isso faz sentido para a coesão de conteúdo entre a primeira e a segunda frase do Sl 8,6: “E fazes ele pequeno de deuses”, “e (de) glória e esplendor coroas ele”. Posso interpretar que o “ele” (terceira pessoa) é um rei “coroado” entre o ’enox “ser humano”/ben-’adam “filho de Adam” (v.5).
539 William L. Holladay, Léxico hebraico e aramaico do Antigo Testamento, p.158.
540 Luis Alonso Schökel, Dicionário bíblico hebraico-português, São Paulo, Paulus, 3a edição, 2004,
p.237.
541 David J. A. Clines, The Concise Dictionary of Classical Hebrew, p.120. 542 William L. Holladay, Léxico hebraico e aramaico do Antigo Testamento, p.291. 543 Henry George Liddell e Henry Robert Scott, Greek-English Lexicon, p.4.
544 H. Schmidt, ’elohim “deuses”, Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.1, p.246. 545 Conferir: Milton Schwantes, “Da boca de Pequeninos...”: enfoques antropológicos, em Estudos
Lembro que na ideologia do Antigo Oriente, o rei é o centro da sociedade humana.546 Advertindo que, justamente essa ideologia encontra resistência na teologia do Sl 8,2.10 onde Javé é o Senhor/rei da totalidade criada. Para sustentar a proposta indagarei sobre a concepçao do salmista na utilização dos atributos (kabod “glória” e hadar “esplendor”) designados a “ele” (Sl 8,6).
O substantivo kabod “glória” (Sl 8,6), da raiz kabed “ser (fazer-se) pesado”, no Primeiro Testamento, distingue a pessoa de elevada posição social.547Este “peso” social está relacionado com a riqueza material imponente (Gn 13,2; 50,9; Ex 12,38; 1Cr 29,28; 2Cr 9,1). Porém, a aquisição de tal status está baseada nos recursos econômicos. Pode- se interpretar que kabod “glória” (no Sl 8,6) não aponta para um sentido teológico, senão antropológico, assinalando as relações inter-pessoais que reconhece o “peso” de uma pessoa na sociedade.548 (Gn 31,1; 45,13; Is 10,3; Est 1,4; 5,11; 1Rs 10,2).
Enfim, kabod “glória” é uma palavra que o Sl 8,6 usa para falar da magnificência e esplendor do rei (Est 1,4; 5,11; Is 22,18). Pois quando se afirma que alguém tem kabod quer dizer que possui riqueza e que sua posição social é de “peso”, “honra”, “prestigio”. Por isso, para Claus Westermann, não é uma eventualidade que a terminologia apareça, de modo especial, no começo da monarquia como signo de estratificação social.549 (Pr 3,18; 8,18).
O significado de kabod “glória” no Sl 8,6 é complementado com o substantivo hadar “esplendor” (do verbo: hdr “adornar”, “honrar”).550 Hadar pode ser aplicado à
natureza (Lv 23,40; Sl 111,3), à beleza humana (Is 53,2), mas na sequência de coesão textual do Sl 8, a palavra refere-se ao rei e sua majestade. Hadar é o “ornamento” real e seu conseqüente “esplendor”551 (Sl 21,6; 45,4; 110,3; Pr 14,28).
546 Conferir: Eduardo Gaspar, El poder político y el poder económico según el Antiguo Testamento leído
desde la fe cristiana, em Revista de Teología, n.30/31, Caracas, Universidad Católica Andrés Bello, 2003, p.174.
547 John Oswalt, kabod “glória”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p.696. 548 Claus Westermann, kabod “glória”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.1,
p.1094.
549 Confira: Claus Westermann, kabod “glória”, em Diccionario teológico manual del Antiguo
Testamento, vol.1, p.1098.
550 G. Wehmeier, hadar “esplendor”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento,
vol.1, p.663.
551 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
Sugiro que a kabod “glória” e o hadar “esplendor” no Sl 8,6 sejam interpretados como insígnias da realeza. Ambos os atributos formam a coroa do/a rei/rainha (2Sm 12,30; 2Rs 11,12; 2Cr 23,11; Is 28,1; Jr 13,18; Ez 21,31). Isso faz sentido ao considerar que no antigo oriente, pelo geral, as coroas reais eram feitas de ouro e pedras preciosas (2Sm 12,30; 1Cr 20,2; Est 8,15; Sl 21,4). Para tratar de tal coroação o texto utiliza o verbo imperfeito do piel ‘atar “rodear”, “cercar em círculo”, “coroar com”.552
No Sl 8,6 a ação de coroar o rei é atribuída a Javé, pois na ideologia do texto, o monarca é coroado pela divindade (Sl 21,4).553 A corrente de pensamento está em sintonia com a concepçao de que o rei é considerado como o eleito por excelência. Na sua condição de soberano não seria uma simples liderança política ou militar, senão um monarca de direito divino.554 Isso nos lembra que desde as culturas antigas, como a messopotámica, o rei não rompe com a religião, pelo contrário, passa a atuar junto a ela.555 A religião vira legitimação do poder.
Além do mais, na mentalidade do contexto, como representante dos deuses, o rei recebe a maior parte das terras.556 Embora surgido dentre os seres humanos (Sl 8,5), o rei vai se tornando divino (Sl 2,2; 20,7; 21,2; Ez 34,23). É oportuno dizer que quando falo do “rei” no Sl 8 incluo também, todo o conjunto cortesão que suporta a supremacia real (1Rs 18,22).
O assunto iniciado no Sl 8,6 continua no v.7. Isto é: o ambiente da coroa (v.6) está estreitamente vinculado à ação de “dominar” (v.7). Analiso, porém, esse versículo, intimamente coeso na sua unidade.
552 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.698.
553 D. Kellermann, ‘atar “coroar”, em Theological dictionary of the Old Testament, vol.11, p.26.
554 Conforme: Eduardo Gaspar, El poder político y el poder económico según el Antiguo Testamento
leído desde la fe cristiana, em Revista de Teología, p.174.
555 Jaime Pinsky, As primeiras civilizações: discutindo a história, p.54. 556 Jaime Pinsky, As primeiras civilizações: discutindo a história, p.54.