C. GENEL ĠġLEM ġARTLARININ UYGULAMA ALANI
3. Zaman Bakımından Uygulama Alanı
O primeiro presidente civil eleito após o regime militar, Tancredo Neves, não chegou a assumir, falecendo no dia 22 de abril de 1985. O vice-presidente, José Sarney, assumiu o poder com a tarefa de pôr fim aos resquícios do antigo regime, revogando as leis que limitavam as liberdades democráticas e convocando uma Assembleia Constituinte. Ainda em 1985 todos os partidos políticos foram legalizados, aprovou-se o voto aos analfabetos e as eleições diretas para presidente. A Assembleia Nacional Constituinte, que iniciou os trabalhos em fevereiro de 1987, promulgou a nova Constituição em 05 de outubro de 1988. O texto, final, criticado por incluir assuntos de natureza não constitucional, expressou a pressão dos diferentes grupos da sociedade e assimilou as conquistas dos direitos sociais e políticos, especialmente das minorias.
O quadro econômico no governo Sarney era mais estável, com saldo positivo da balança comercial e aumento das reservas, mas ainda persistia o problema da divida, interna e externa, e da inflação, que chegou a 235,5% em 1985. Entre 1985 e 1989 foram lançados quatro planos de estabilização econômica. Em 1986 o Plano Cruzado aboliu a indexação da economia e congelou preços e taxas de câmbio, gerando um clima de otimismo no país. Isso favoreceu o PMDB, partido de Sarney, que nas eleições de 1986 elegeu quase todos os governadores e obteve maioria na Câmara e no Senado. Após as eleições, em novembro, foi lançado o Plano Cruzado II, que reajustou os preços, reindexou a economia e criou o gatilho salarial. Em junho de 1987, o Plano Bresser deu mais um cambial e tarifário, congelou preços e salários e estabeleceu um novo indexador. O Plano Verão, de janeiro de 1989, trouxe novo congelamento do câmbio, salários e tarifas, e nova reforma monetária, cortando três zeros do cruzado. O fracasso dos planos se verificou no descontrole da inflação, que permaneceu extremamente alta, alcançando o total acumulado de 1.782,90% em 1989. De acordo com Lopes (1990), a economia no período inicial da Nova República mostrou-se confusa, com a coexistência de diferentes planos oficiais. Essa situação indicava “[...] a falência do planejamento no Brasil como processo efetivo e um descrédito no que respeita ao seu
potencial tanto como instrumento de ação governamental como indutor da ação privada.” (LOPES, 1990, p. 98-99).
O I Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova República (I PND/NR), para o período de 1986 a 1989, se diferenciava dos modelos anteriores por sua detalhada avaliação da situação macroeconômica do Brasil, e por sua orientação social, definindo-se como um plano de reformas, de crescimento econômico e de combate à pobreza. A economia brasileira era marcada por dificuldades em orientar a questão financeira do setor público, bem como em administrar a dívida interna e externa, gerando inúmeras crises, com substituição de ministros da área econômica e com medidas de curto prazo. Essa situação dificultava o planejamento de médio e longo prazo no país e, inviabilizava a aplicação do I PND/NR, que, segundo Lopes (1990) não gerou resultados, pois não foi considerado como instrumento de suporte ou indicador de tendências, tanto no setor estatal quanto no privado. Na área educacional, segundo Cunha (1991, p. 268), o Plano se resumiu a elencar os programas que já estavam sendo desenvolvidos pelo governo federal, acrescentando um diagnóstico intitulado “A questão educacional”, o qual nada trouxe de novo, a não ser algumas expressões novas, que alteraram o teor tecnocrático dos planos anteriores.
Também durante o governo Sarney foi lançado o Plano de Ação Governamental (PAG), que vigorou de 1987 a 1991. Segundo Lopes (1990), foi um exemplo primoroso de um processo de planejamento que se destaca pela elegância, mas que não apresenta nenhuma relevância. Para ele, ao ser lançado, o PAG já tinha suas metas e prioridades comprometidas, de um lado pelas restrições orçamentárias que limitavam os investimentos públicos, e de outro, pela retração do setor privado, provocada pela progressiva desestruturação da economia em geral.
Uma das aspirações da comunidade científica era a criação do Ministério de Ciência e Tecnologia, concretizada em 1985.32 Este Ministério passou a administrar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), proposto pelo governo anterior, e que foi implantado em 09 de julho de 1985, com vigência até 1990. Resultado do acordo do governo federal para obter empréstimo junto ao Banco Mundial (BIRD), o I PADCT teve por objetivo ampliar, aprimorar e consolidar a competência técnico-científica nas universidades, centros de pesquisas e empresas. Para isso buscou suprir lacunas em áreas
32 Criado em 15 de março de 1985, pelo Decreto 91.146, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi fundido com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em janeiro de 1989. Em março do mesmo ano, tornou-se Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia. Ainda em 1989 o Ministério foi recriado e, em 1990, foi novamente extinto pelo Presidente Collor, que criou em seu lugar a Secretaria da Ciência e Tecnologia. Em 1992, o Presidente Itamar Franco recriou o Ministério. (BRASIL, Ministério da Ciência e Tecnologia. Histórico)
prioritárias, reforçar a infraestrutura e estabelecer vínculos entre a pesquisa e o setor produtivo.
Em termos de planejamento econômico, a Constituição de 1988 instituiu, no artigo 165, juntamente com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e com a Lei de Orçamento Anual (LOA), o Plano Plurianual (PPA). O PPA é a lei que delimita as prioridades de governo para o período de quatro anos, devendo ser enviado pela Presidência da República ao Congresso Nacional até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro, tendo vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial subsequente. De acordo com o parágrafo 1º, do artigo 165, o PPA deve estabelecer, “[...] de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.” (BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988). O parágrafo 4º, do mesmo artigo, estabelece que todos os demais planos e programas nacionais, regionais e setoriais devem estar em consonância com o PPA.
A década de 1990 foi marcada pelo início do governo do primeiro presidente eleito em eleições diretas, Fernando Collor de Mello, o qual venceu Lula no segundo turno, em 1989. Para combater a alta da inflação, lançou o Plano Collor I, em de março de 1990, bloqueando depósitos bancários, congelando preços, reduzindo despesas públicas e elevando impostos. Depois dele, vieram o Plano Collor II e o Plano Marcílio, juntamente com o Plano Nacional de Desestatização. Segundo Garcia (2000), no grupo que ascendeu ao poder predominavam empresários e economistas acadêmicos, sem experiência em administração pública. Convictos do sublime poder do mercado e minimizadores da relevância do Estado, para eles o planejamento era um instrumento ultrapassado.
O PPA, do período 1991 a 1995, foi concebido para cumprir a determinação constitucional, sem influências no estabelecimento de metas econômicas de governo. Segundo Garcia (2000) o PPA foi entendido como algo semelhante a um Orçamento Plurianual de Investimento (OPI)33.
O primeiro PPA foi desenhado como um OPI ampliado (em tempo e em tipos de despesa), sem estar suportado por um projeto de governo preciso para o qual fizesse a mediação com os orçamentos anuais. Sua elaboração deu-se sob enorme improvisação, pois os responsáveis por sua redação trabalhavam sem contato regular com os dirigentes máximos, que, por sua
33 O OPI foi instituído pela Lei nº 4.320/64, que foi mantida pela Constituição de 1967 (art. 63) e regulamentada pela Lei Complementar nº 3, de 07/12/67. Tinha por função estipular a elaboração de estimativas de investimentos para um prazo mínimo de três anos.
vez, apenas declaravam intenções vagas, anunciavam programas com nomes pomposos e sem substância. (GARCIA, 2000, p. 11).
Ainda em 1991 teve início o II PACDT, o qual foi concebido “[...] com fundamento no I PND-NR, vigente à época da negociação correspondente, com a incorporação de questões (como a da inovação tecnológica) suscitadas pelas reformas iniciadas em 1990, em particular no tocante à política industrial e de comércio exterior e à política de informática.” (BRASIL, CNPq)
Denúncias de corrupção no governo levaram ao processo de impeachment, e, em dezembro de 1992, Collor renunciou, sendo substituído pelo vice, Itamar Franco. Para o combate à inflação, fracassado nos planos anteriores, o governo lançou o Plano Real, cujo sucesso no controle da inflação, favoreceu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que fora o mentor do plano, nas eleições presidenciais de 1994.
O primeiro mandato do governo FHC, ainda com a economia em processo de estabilização, lançou o Plano Plurianual (Brasil em Ação) para o período de 1996 a 1999, tendo como objetivos: a) remover os principais obstáculos à consolidação da estabilidade proposta pelo Plano Real: a cultura inflacionária, o atraso e o corporativismo; b) retomada dos investimentos produtivos em vista do crescimento; c) o progresso econômico e social, com aumento do emprego e dos rendimentos reais. Para realizá-los, três estratégias foram propostas: construção de um Estado moderno e eficiente; redução dos desequilíbrios espaciais e sociais; inserção competitiva e modernização produtiva. Na análise de Garcia (2000) o II PPA não se distingue de um OPI. “Quando busca fazê-lo, pela abrangência dos assuntos do texto de apresentação, não destaca ações, instrumentos de política, mecanismos de coordenação e atualização, sistemas de direção estratégica, entre outros, que pudessem conformar algo mais.” (GARCIA, 2000, p. 14) Apesar do discurso ambicioso, pode ser considerado como um plano econômico normativo de médio prazo.
No âmbito da produção de conhecimento, em 1998 teve início a terceira fase do PADCT, a qual foi prorrogada até julho de 2004. O III PADCT teve por objetivos contribuir para a ampliação da capacidade tecnológica nacional, a partir da cooperação entre governo e empresas; atuar na capacitação de recursos humanos para atender às necessidades dos setores acadêmicos e empresarial, assim como na ampliação mais efetiva de conhecimento científico e tecnológico em áreas selecionadas de relevância para o desenvolvimento nacional; e contribuir para o melhor desempenho global do setor de ciência e tecnologia. Para concretizar tais objetivos foi proposta a reforma do setor de C&T e investimentos no desenvolvimento
tecnológico das empresas e aumento de investimentos privados em C&T; promoção e financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento e de formação de recursos humanos em áreas de relevância para o desenvolvimento nacional; promoção e financiamento de atividades voltadas à expansão e consolidação do setor de ciência e tecnologia no país e que estimulem maior investimento do setor privado em ciência e tecnologia. (BRASIL, CNPq, III PADCT)
Vencendo mais uma vez Luis Inácio da Silva, no segundo turno das eleições de 1998, Fernando Henrique Cardoso inicia seu mandato tendo um novo cenário macroeconômico, com controle da inflação e aumento da atividade econômica. O PPA para o período de 2000 a 2003 foi elaborado a partir de um novo modelo conceitual e metodológico, modificado em 1998. Com o título Avança Brasil, propunha o desafio de fazer o país crescer de forma sustentada, mantendo a estabilidade econômica. Apresentou como diretrizes estratégias a consolidação da estabilidade econômica com o crescimento sustentado, a promoção do desenvolvimento sustentável voltado para a geração de empregos e oportunidades de renda, o combate à pobreza e a promoção da inclusão social, e a consolidação da democracia e a defesa dos direitos humanos. Sobre o tema Trabalho, Desenvolvimento e Prosperidade, no tópico 12, com o título Ampliar a capacidade de inovação, afirma que a capacidade de inovação não depende apenas do governo, sendo necessária a ampliação de investimento do setor privado em pesquisas. Também aponta como necessária a integração entre universidade, centros de pesquisa e laboratórios com a área empresarial. E por fim, propõe o fortalecimento do Programa Desenvolvimento do Ensino de Pós-Graduação, buscando assegurar a capacidade de inovação em longo prazo. (BRASIL, Ministério do Planejamento, PPA 2000- 2003)
Antunes (2005) define a década de 1990 como sendo a "[...] década da desertificação social e política neoliberal." (ANTUNES, 2005, p. 3), na qual, o neoliberalismo, que fora iniciado pelo presidente Collor de modo "aventureiro", encontrou no governo FHC uma nova racionalidade, que impôs uma dura derrota ao movimento sindical com o objetivo de alicerçar as propostas neoliberais. Assim, o período de governo de FHC teve duas características: "[...] a primeira, da manutenção de uma política econômica destrutiva, em conformidade com o que interessa aos capitais globais. A segunda, de resgatar, com plumagem nova, seu solene traço repressivo." (ANTUNES, 2005, p. 41)
Nas eleições de 2002, Luis Inácio da Silva derrotou no segundo turno o candidato do governo. O fato de Lula ser um candidato de esquerda provocou inquietações na economia, inclusive com aumento do chamado Risco Brasil, índice que indica a confiança dos
investidores no país, quando as pesquisas indicavam sua vitória. Apesar do temor, Lula não tomou medidas que alterassem substancialmente o rumo da economia do país. O PPA para 2004 a 2007 apresentou como problemas a serem enfrentados pelo governo a concentração da renda e riqueza, a exclusão social, a baixa criação de emprego e as barreiras para a transformação dos ganhos de produtividade em aumento de rendimentos da grande maioria das famílias trabalhadoras. Propôs inaugurar estratégias de longo prazo visando a inclusão social e a desconcentração de renda, o crescimento ambientalmente sustentável e a redução da vulnerabilidade externa. Apresentou como desafios a serem alcançados, agrupados em três “megaobjetivos”: inclusão social e redução das desigualdades social; crescimento com geração de trabalho, emprego e renda, ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades sociais; e promoção e expansão da cidadania e fortalecimento da democracia. Dentro do primeiro megaobjetivo, o Programa Desenvolvimento do Ensino da Pós-Graduação e da Pesquisa Científica, ligado ao Ministério da Educação, tinha por objetivo “Formar pessoal de alto nível no país e no exterior, com vistas à produção do conhecimento científico, para a solução dos grandes desafios educacionais, econômicos e sociais do Brasil” (BRASIL, Ministério do Planejamento, PPA 2004-2007).