1.3. DİL, SÖYLEM VE İDEOLOJİYE KAVRAMSAL BAKIŞ
1.3.1. Söylemin Şekillenmesinde Medyanın Rolü
Fonte: Freire, 2011.
Dos dados apresentados evidenciam-se a capital e mais dois municípios da região metropolitana como um dos menores índices de pobreza extrema do estado e a região conhecida como tromba do elefante e região central com os índices mais altos. De acordo com Freire (2011):
“As regiões com os menores índices de pobreza extrema são: Natal (4,68%), Seridó Ocidental (6,9%), Mossoró (7,05%) e Seridó Oriental (8,87%). No extremo oposto, com os maiores índices estão: Serra de São Miguel (27,22%), Serra de Santana (25,62%), Litoral Nordeste (24,88%) e Borborema Potiguar (23,97%).”
33 Definição elaborada pelo IPEA a qual considera em extrema pobreza as famílias com renda mensal de 1 a 70 reais e aquelas com renda zero e condições habitacionais precárias.
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Merece destaque também a região do Seridó que embora não tenha recebido grandes investimentos públicos, apresenta índices de pobreza extrema e em um nível de quase metade do índice estadual. No nordeste o Rio Grande do Norte é o estado que apresenta o menor percentual da população vivendo em situação de extrema pobreza. Todavia o número de habitantes nessa condição ainda é bastante elevado, sendo bem superior à média nacional.
A concentração de renda no estado evidencia-se quando comparada a evolução dos ganhos familiares entre os anos de 2001 a 2008, conforme gráfico abaixo:
Gráfico 03: Evolução dos ganhos familiares/RN
Fonte: Freire, 2011.
Como visualizado no gráfico acima o segmento mais pobre da população potiguar ganhava, em média R$ 135,00 por mês em 2001 e R$ 293,00 em 2008, um aumento de 117%. Enquanto os mais ricos tiveram rendimento médio familiar de R$ 6.569,00 em 2001 e R$ 15.638,00 em 2008, um acréscimo de 138% que o coloca como o maior rendimento médio entre os estados do Nordeste, sendo maior do que a média nacional, que ficou em R$ 14.028.
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Os dados apresentados reafirmam a tese de crescimento desigual defendida por Araújo. Segundo a autora:
“A herança da desigualdade social brasileira tem uma leitura regional, com padrões de indicadores sociais diferenciados entre as diversas regiões do país. Essa é uma marca importante, um desafio que continua sendo enfrentado no debate contemporâneo sobre o desenvolvimento nacional. (Araújo, 2010, p 59)”
Desde 2004 observa-se uma queda nos indicadores de pobreza brasileiros. Esta queda tem afetado generalizadamente todas as regiões. Todavia a amostra da PNAD indica que a diminuição da pobreza tem sido mais acentuada nas regiões mais desenvolvidas e dinâmicas do país. Nesse sentido as regiões Norte e Nordeste continuam muito distantes das regiões Sul e Sudeste em se tratando do desenvolvimento nas suas diversas dimensões.
No caso do Rio Grande do Norte, o estado ostenta a maior renda média do Nordeste, todavia também detêm o título do maior em desigualdade na distribuição de renda.34 No ano de 2003, o coeficiente de Gini no estado era estimado em 0,49, em 2009 este número saltou para 0,559, havendo, portanto uma elevação da desigualdade no estado. Nesse cenário é importante registrar que não obstante o fato do estado ter conseguido manter uma taxa de crescimento bastante positiva, continua persistindo problemas históricos que se relacionam com a desigualdade, tais como: déficit habitacional; analfabetismo; alto índice de pobreza; concentração da terra, do capital (financeiro, cultural e simbólico) e por consequência do poder político.
A leitura desses dados indica que o crescimento econômico do estado não foi devidamente acompanhado de uma elevação do padrão de vida de toda população e está localizado em alguns setores que se transformaram em “focos modernos de produção”, criando-se em alguns casos verdadeiros enclaves. Esses focos de desenvolvimento concentraram-se na costa oriental, sobretudo, em Natal e no noroeste, em função da presença do complexo minerador e do pólo agro industrial Açu-Mossoró. As demais regiões do estado apresentam-se como áreas de baixo dinamismo, revelando um desequilíbrio no crescimento estadual.
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O modelo de desenvolvimento adotado no estado pelas características descritas revelam um processo de “modernização conservadora” na qual transformam- se as formas de produção, gestão e circulação ao mesmo tempo em que se reatualizam as formas de dominação e as estruturas de poder geradoras de desigualdade social.
No meio rural, as mudanças provocadas por esse modelo modernizador, fortemente ancorado pelo Estado, não se restringiram a alterações na forma de utilização da terra, mas, sobretudo, foram alterações que redefiniram as relações de trabalho. Nesse sentido os antigos coronéis foram substituídos por grandes empresários rurais que passaram a utilizar mão de obra assalariada em substituição às distintas categorias de trabalhadores rurais residentes nas fazendas (parceiros, meeiros, arrendatários, colonos, moradores etc); as atividades produtivas como, por exemplo, a pecuária e agricultura extensivas foram substituídas pela produção intensiva com uso da tecnologia; o gerenciamento capitalista tradicional foi substituído pelo gerenciamento capitalista moderno; a mão de obra feminina passou a ser absorvida com maior intensidade, enfim, processou-se no espaço rural um conjunto de mudanças que alteraram as relações historicamente construídas.
Os municípios que compõem o Pólo Açu-Mossoró ilustram bem essa realidade de assalariamento no espaço rural. De acordo com Araújo (2000, p.42) o modelo implementado no conjunto de municípios que constituem este pólo possibilitou um quadro em que a modernização tecnológica, a expansão da agropecuária e dos complexos agro-industriais resultou na incorporação dos agricultores tradicionais ao mercado de trabalho formal bem como na expulsão de milhões de pequenos produtores agrícolas familiares de suas terras.
Esse processo de modernização complexificou a questão social no campo, agravando os conflitos em torno da posse da terra, propiciando o ressurgimento dos movimentos sociais no campo e a recolocação, sob novas bases, da luta pela reforma agrária. São esses pequenos produtores expulsos de suas terras que vão constituir, em grande medida, a população dos assentamentos rurais que emerge, tanto no Rio Grande do Norte, quanto no resto do país.
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2.2 - Desenvolvimento e Reforma Agrária: a experiência dos assentamentos rurais nos territórios do Sertão do Apodi, Açu-Mossoró e do Mato Grande/RN
No Rio Grande do Norte, o processo de democratização da terra, por meio da constituição de assentamentos rurais não tem sido diferente da maioria dos estados brasileiros. A ausência de um planejamento e do estabelecimento de áreas prioritárias por parte do Estado fez com que essas unidades fossem constituídas na medida em que havia uma pressão por parte dos trabalhadores rurais sem terras. Sobre essa questão Leite (2004) afirma que no Brasil as desapropriações de terras foram ocorrendo na esteira dos conflitos e das mobilizações sociais, que se desenvolveram mais livremente e se espalharam mais rapidamente no período democrático.
Embora, em alguns estados brasileiros tenham sido desenvolvidas algumas experiências com a constituição de assentamentos rurais por parte dos governos estaduais, somente a partir dos anos 80, sob intervenção federal, através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)35 essas unidades produtivas
passaram a se expandir por todo o país. É importante ressaltar que essa expansão no número de assentamentos rurais foi, em grande parte, impulsionada por conflitos de terras pré-existentes e num período mais recente por ocupações planejadas pelos trabalhadores organizados, nas áreas objeto de desapropriação. Nesse sentido são os trabalhadores rurais organizados os grandes responsáveis pelo aumento no número de assentamentos rurais.
Em pesquisa realizada no início dos anos 90 pelo CPDA/IICA36 constatou-se uma relação direta entre o aumento dos assentamentos rurais e a ação dos movimentos sociais. Segundo o relatório final desse estudo realizado em 92 projetos de assentamentos, abrangendo 39 municípios diferentes, o que parece ter pesado na implantação dos assentamentos estudados foram as iniciativas dos trabalhadores através de seus movimentos. Segundo o estudo na maioria dos casos as ocupações e a resistência das famílias tiveram um peso significativo para a conquista da terra.
35 Órgão criado nos anos 70 a partir de uma fusão entre o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) e o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário(INDA).
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De acordo com Navarro (2001) a multiplicação dos assentamentos em praticamente todos os estados brasileiros tem produzido especialmente a renovação política desses rincões, democratizando-os lentamente e produzindo novas práticas sociais, antes comandadas exclusivamente pelos grandes proprietários de terras. Para este autor as ocupações de terras tem sido decisivas para impulsionar o programa de reforma agrária no país.
No Rio Grande do Norte, os primeiros assentamentos rurais surgiram ainda nos anos 70, período em que foram desenvolvidas, em vários estados da federação, algumas experiências de intervenção fundiária por meio de ações dos governos estaduais37. São exemplos dessas ações estatais o Projeto Lagoa do Boqueirão, em Touros, iniciado em 1974 e o projeto das Vilas Rurais da Serra do Mel, na Região Oeste Potiguar, inaugurado em 1975. Tais empreendimentos constituíram os chamados projetos de colonização e foram os primeiros “assentamentos” do estado. Um Programa de Reforma Agrária via desapropriação por interesse social só iniciaria no estado, de forma tímida, na segunda metade dos anos 80, acelerando-se a partir de 199538 Período no qual houve um recrudescimento da luta no campo acelerando-se a construção dessas unidades produtivas em todo o território nacional.
Uma análise da evolução das intervenções fundiárias no Rio Grande do Norte aponta o seguinte resultado:
37 Embora as intervenções fundiárias, segundo a legislação brasileira, sejam uma prerrogativa do Executivo Federal, vários estados brasileiros realizaram intervenções fundiárias nos anos 70.
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Gráfico 04: Intervenções Fundiárias no RN
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados do INCRA.
O gráfico apresentado evidencia um aumento no número de assentamentos a partir dos anos 90, particularmente na segunda metade da década. Tal fato não é uma especificidade do estado. Conforme os relatórios do INCRA de 1994 a 2000 houve um aumento de 938% no número de assentamentos no Brasil, passando de 360 para 3.736. Esse processo de expansão dos assentamentos rurais, só pode ser compreendido dentro de um contexto de intensas e complexas disputas políticas no qual se fortalece os movimentos sociais e aumenta-se a pressão pela reforma agrária, culminando na democratização acesso a terra. (Silva, 2011)
Analisando esse processo de constituição dos assentamentos no Rio Grande do Norte, a partir dos mapas elaborados pelo INCRA/RN evidencia a concentração dos assentamentos federais nos territórios Sertão do Apodi, Açu-Mossoró e Mato Grande. Dos 283 assentamentos federais reconhecidos pelo INCRA 74% encontram-se nesses 03 territórios, sendo 52 assentamentos no Sertão do Apodi, 78 no território Açu- Mossoró e 79 no território do Mato Grande, conforme podemos visualizar no gráfico que segue:
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Gráfico 05 – Distribuição dos assentamentos por território
Fonte: Elaborado pela autora.
A concentração dos assentamentos nesses 03 territórios constituiu-se, um dos elementos, para a escolha dos mesmos, como campo empírico para realização da presente pesquisa. Nos próximos itens será apresentada uma caracterização desses territórios, particularizando os 09 municípios nos quais localizam-se os 18 projetos de assentamentos pesquisados.
2.2.1 - O Território Sertão do Apodi
O território Sertão do Apodi, localiza-se na Zona Homogênea do Médio Oeste do estado do Rio Grande do Norte, ocupando uma área de 8.297 Km2 correspondendo a 15,6% da área total do estado. Limita-se ao norte com o território Açu-Mossoró, ao sul com o estado da Paraíba e o território do Alto Oeste, a oeste com o estado do Ceará e a leste com o território do Seridó. A constituição deste território antecede a adoção da perspectiva territorial por parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário através da Secretaria de Desenvolvimento Territorial – SDT. Dados do MDA 2010 registram que já havia uma articulação entre o conjunto dos municípios que constituem este território.
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Tal articulação envolvia um conjunto de instituições que contavam com o apoio do Projeto Dom Helder Câmara.
O território sertão do Apodi, de acordo com o Censo 2010, conta com uma população total de 131.518 habitantes, correspondendo a 4,15% da população total do estado e é composto por dezessete municípios conforme podemos observar no mapa abaixo, com destaque para aqueles onde estão situados os 06 assentamentos que fazem parte da amostra do presente estudo: