1. BÖLÜM
1.2. BRICS ÜLKELERİ VE TÜRKİYE’NİN EKONOMİK BÜYÜME VE İHRACAT
1.2.2. Rusya
Se as informações são algo lacunares no que toca aos mesteirais, são-no ainda mais no que respeita aos nobres237 que podemos encontrar na comenda. Relativamente aos foreiros da Ordem, identificámos quatro indivíduos, sendo que no total da comenda contámos 17, dos quais dois são mulheres. Destacaremos de seguida alguns nomes distribuídos pelas quatro categorias consideradas: fidalgos, cavaleiros, escudeiros e indefinidos/outros.
Na primeira, encontramos Francisco de Faria, fidalgo da casa do Rei, referido na documentação como alcaide-mor e comendador de Palmela238. Mais tarde acumularia estes ofícios com o cargo de comendador de Alcaria Ruiva (1515), ganhando também
234
MARQUES, A. H. de Oliveira, A sociedade medieval portuguesa, Lisboa, Sá da Costa, 1974. pp. 136- 146.
235
Leonor Afonso, AN/TT, Mesa da Consciência e Ordens, Ordem de Santiago/Convento de Palmela, cod. 151, mf. 727, fol. 196.
236
Sobre o papel da mulher na vida quotidiana da cidade medieval, ver: CONDE, Manuel Sílvio Alves,
Uma Paisagem Humanizada. O Médio Tejo nos finais da Idade Média, vol. II, Cascais, Patrimonia, 2000,
pp.519-520; COELHO, Maria Helena da Cruz, Homens, Espaços e Poderes. Séculos XI-XVI. I – Notas do
Viver Social, Lisboa, Livros Horizonte, 1990, pp. 37-59; JESÚS FUENTE, María, "Mujer, trabajo y
familia en las ciudades castellanas de la baja Edad Media", in En la España Medieval, nº 20, 1997, pp. 179-194.
237
Sobre este ponto veja-se: CONDE, Manuel Sílvio Alves, Uma Paisagem Humanizada. O Médio Tejo
nos finais da Idade Média, vol. II, Cascais, Patrimonia, 2000, pp. 498-501; Nova História de Portugal,
dir. Joel Serrão e A. H. de Oliveira Marques, vol. IV – Portugal na Crise dos Séculos XIV e XV, Lisboa, Presença, 1987, pp. 242-249; o professor Oliveira Marques alerta, facto que é sublinhado por Manuel Sílvio Conde, para o facto de os escudeiros poderem existir fora da nobreza; não obstante, considerámo- los como nobres, mas deixamos aqui esta ressalva.
238
AN/TT, Mesa da Consciência e Ordens, Ordem de Santiago/Convento de Palmela, códice 151, mf. 727, fols. 121v.º e 129 (respectivamente).
lugar no conselho dos Treze da Ordem de Santiago e obtendo o privilégio de nomear os juízes de Palmela (1525)239.
Relativamente aos cavaleiros240, temos João Pinto, responsável, por indigitação da Ordem, pela Ermida e Hospital de S. Brás e Santa Susana, da qual fora ermitão até 1499241. O local da sua residência é-nos desconhecido, pese embora seja igualmente referenciado como sendo outro dos herdeiros de Mem Rodrigues Pinto, provavelmente irmão de Helena Pinta e cunhado e João de Barroa. Tinha a seu cargo, para além da administração da sobredita ermida e hospital anexo, a manutenção da ermida de Santa Catarina, de Setúbal242.
Na categoria dos escudeiros encontramos Jane, porventura escudeiro de um cavaleiro da Ordem, ou mesmo do Mestre, e que detinha terras no Reguengo dos Fetais243. O escudeiro244 teria como principal função o auxílio ao cavaleiro no período pré-combate e, mais tarde, no campo de batalha, sendo ele que transportava o escudo do cavaleiro. Eram os corpos de escudeiros que prestavam guarda aos senhores, nas suas deambulações, dependendo directamente destes. As suas origens seriam nobres, sendo escudeiros por linhagem, e todo o percurso que medeia até serem armados como cavaleiros correspondia a um tempo de aprendizagem das artes da guerra, mas também da cortesia nobre. Por último, apesar desta vertente de aprendizagem, que deveria, seguramente, constituir o principal esteio da sua vocação como escudeiro, este poderia ainda auferir alguma remuneração no caso de ser escudeiro de algum cavaleiro-vilão.
239
Terá desempenhado o cargo de alcaide-mor entre 8 de Outubro de 1510 e Junho de 1550, PIMENTA, Maria Cristina, As Ordens de Avis e de Santiago na Baixa Idade Média: O Governo de D. Jorge, Palmela, Câmara Municipal de Palmela, 2002, p. 422. Os "Treze" era um dos órgãos cimeiros da Ordem de Santiago, composto por treze membros da milícia, normalmente comendadores, que tinham, entre outras prerrogativas, o poder de nomear e de destituir o Mestre da Ordem, JOSSERAND, Philippe, "Treize", in
Prier et Combattre. Dictionnaire européen des ordres militaires au Moyen Âge, dir. Nicole Bériou e
Philippe Josserand, Paris, Fayard, 2009, pp. 929-930. 240
Categoria central nas Ordens Militares, DEMURGER, Alain, "Chevalier", in Prier et Combattre.
Dictionnaire européen des ordres militaires au Moyen Âge, dir. Nicole Bériou e Philippe Josserand,
Paris, Fayard, 2009, pp. 224-225. 241
PIMENTA, Maria Cristina, As Ordens de Avis e de Santiago na Baixa Idade Média: O Governo de D.
Jorge, Palmela, Câmara Municipal de Palmela, 2002, p. 492.
242
AN/TT, Mesa da Consciência e Ordens, Ordem de Santiago/Convento de Palmela, códice 151, mf. 727,, fols. 27-27v.º.
243
AN/TT, Mesa da Consciência e Ordens, Ordem de Santiago/Convento de Palmela, cod. 151, mf. 727, fol. 212.
244
Sobre esta categoria, ver: s.a., "Escudeiro", in Dicionário de História de Portugal, vols. I-VI, dir. Joel Serrão, Porto, Livraria Figueireinhas, 1981, pp. 430-431. Mas actual e totalmente direccionado para as Ordens Militares é o artigo de DEMURGER, Alain, "Écuyer", in Prier et Combattre. Dictionnaire
européen des ordres militaires au Moyen Âge, dir. Nicole Bériou e Philippe Josserand, Paris, Fayard,
Por fim, com designação algo indefinida sobre o seu lugar na hierarquia da nobreza, identificámos vários indivíduos, sendo de destacar a figura de D. João de Braga, Prior-mor da Ordem, provavelmente um fidalgo245. É, para além de nobre, simultaneamente clérigo e letrado, desempenhando o segundo cargo de estatuto mais elevado na hierarquia interna da milícia246; as suas propriedades localizavam-se junto à vila, no Corvacho247. Possuía um leque vasto de proventos que muito provavelmente o tornariam no indivíduo com maior poderio económico na vila, com um total de 23300 reais anuais só em rendas, fora aquelas que auferia em géneros – milho e centeio248.