2.2. SEÇİLMİŞ ÜLKE DEĞERLENDİRMELERİ
2.2.5. Romanya
Então, eu passei por várias mudanças, por exemplo, lembra na 4ª série quando você tinha que fazer aquela prova de admissão, eu fiz o preparatório, mas na hora mudaram o processo e eu entrei direto, sem o exame de admissão. Da 8ª série pro 1º colegial também havia uma prova, mas não lembro o que aconteceu, só que mudaram para o Técnico em Química, Enfermagem, e Nutrição. Eu escolhi Técnico em Química. (Entrevista - Colaborador 5)
Quando nós fomos pra lá você não tinha muita opção, era um pacote fechado. Naquele ano estava lançando o técnico e era Química e Nutrição, tinha o pacote
49 Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência
AD/SEC/AR/04/1971-1984.
50 Ibidem.
51 Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência
de Química e Nutrição. Eu não queria nada disso ai. Aí eu optei por Nutrição. A Nutrição não formou classe, só no noturno formou uma classe, então como eu não queria estudar a noite acabei fazendo Química, mas... o que eu vou te falar... (Entrevista - Colaborador 4)
Uma nova estrutura curricular fazia-se necessária com a implementação da reforma do ensino de 1º e 2º Graus. A profissionalização do ensino de 2º Grau, que teria por finalidade a preparação para o trabalho, requeria disciplinas antes não presentes no currículo modificando completamente a prestigiosa e sedimentada concepção de escola secundária fundamentada por um currículo humanista.
Decisivamente, nesse contexto, a representação social da escola de nível médio foi alterada. A cultura humanística que esteve presente por tanto tempo no ensino secundário e que lhe atribuía uma distinção social, status e privilégios, perdeu o seu valor; os conhecimentos técnicos e científicos ganharam evidência e passaram a ser valorizados. A Escola Estadual Bento de Abreu não esteve imune a todo esse processo e, inevitavelmente a sua imagem fora atingida, a sua aura de respeito abalada.
Em 1976 foi implantada a 1ª série do 2º Grau, cuidando somente da educação geral. A profissionalização começou a ser implantada somente em 1977 a partir da 2º série. Como vimos no primeiro Capítulo, no final de 1976 as escolas foram solicitadas a escolherem as habilitações dos Pareceres CFE nº 45/72 e nº 76/75 que quisessem implantar.
A Escola Estadual de 2º Grau “Bento de Abreu” ofereceu aos seus alunos, nesse período, as Habilitações Profissionalizantes em Química, Nutrição, Enfermagem e Formação para Professor. A Habilitação em Química (Resolução SE 15/77) desprendeu o maior número de salas, sendo, portanto, a maior formação profissionalizante oferecida pela escola nesses anos analisados (1976-1978).
Apresentamos no Quadro 08 o conjunto de disciplinas pelas quais os alunos passavam para terem sua formação de Técnico em Química:
Quadro 08 – Currículo do Curso de 2º Grau – Habilitação em Química da EEBA
HABILITAÇÃO EM QUÍMICA – RESOLUÇÃO SE 15/77
Disciplinas 1ª Série 2ª série 3ª série Total de C/H C/H C/H Horas
EDUCAÇÃO G ERAL Nú cleo Comum e Art. 79 da L ei 5.692/ 71 – res. CFE nº 8/7 1 e 58/76
Língua Portuguesa e Literatura Brasileira 144 74 - 218 Francês 108 - - 108 Educação Artística 72 - - 72 História 108 74 - 182 Geografia 108 74 - 182 Organização Social e Política do Brasil - - 72 72 Educação Moral e Cívica - 74 - 74 Matemática 144 74 - 218 Ciências Físicas e Biológicas: Física 72 - - 72 Química 72 - - 72 Biologia e Programa de Saúde 72 74 - 146
TOTAL DE HORAS DE EDUCAÇÃO GERAL 1416
FORMAÇÃO ESPECIA L Mínimo Pro fissio na li zan te Química - 111 144 255 Análise Química - 74 108 182 Processos Químicos Industriais - 74 108 182 TOTAL DE HORAS DO MÍNIMO PROFISSIONALIZANTE 619
P
arecer CFE n
º Língua Estrangeira Moderna – Inglês - 111 - 111
Matemática - - 144 144 Física Aplicada - 111 108 219 Fundamentos Básicos de Química - 74 - 74
Núcleo Comu m Par. CFE 85 3/71 Língua Portuguesa - - 180 180 Desenho - - 108 108
TOTAL DE HORAS DE FORMAÇÃO ESPECIAL 1455 Educação Física 108 111 108 327
CARGA HORÁRIA TOTAL DO CURSO 3198 Ensino Religioso 36 37 36 109
É certo que a cargo dos alunos estava a decisão do curso profissionalizante pretendido, conforme indicações da Lei, porém na prática, os cursos foram instalados de acordo com as possibilidades das escolas, porque não existia verba, bem como recursos físicos e humanos para atender as novas necessidades do ensino de 2º Grau.
Num pequeno espaço de tempo e sem discussões e maiores esclarecimentos, os alunos tiveram de fazer uma “opção” para uma habilitação de sua preferência (sem ao menos conhecê-
las de fato) no mês de dezembro de 1976 para que a mesma fosse iniciada no ano letivo seguinte. Alunos e professores não tiveram condições de discutirem o assunto.
Nas reminiscências abaixo temos uma idéia de como os alunos vivenciaram esse fato e quais foram as implicações imediatas desse processo:
A imagem era aquela referência de formação, de um local aonde você ia com satisfação pra buscar um aprendizado, dar uma referência de um futuro melhor, dar uma formação para um futuro melhor. [...] A gente tinha essa percepção, essa satisfação até a 8ª série, pelo menos eu me lembro muito bem disso. Depois com a mudança (e a gente vai perceber, vai filtrar isso já depois de certa idade), com essa mudança do setor primário, eu não me lembro exatamente como era, mas você tinha que focar ou pra química, física e matemática, ou pra biologia e mais alguma coisa, ou pra área de humanas era português e mais algumas matérias, eu não me lembro como era a divisão exatamente, mas o problema era que no momento você não sabia qual era o seu horizonte profissional, você não tinha noção de horizonte profissional. Qual seria o seu horizonte profissional terminando o 1º Grau? Não dá pra decidir. Ai a partir desse momento a escola ficou mais pelo lado do convívio social, da amizade, da satisfação da parte esportiva. [...] Foi desestimulante a partir dessa mudança. O primeiro colegial ainda foi mais ou menos, o segundo foi um desleixo, o "paladar" da escola tinha mudado, e o terceiro parece que tinha perdido a noção daquela referência de escola que a gente tinha, foi essa sensação. Até a 8ª nós tínhamos laboratórios de química, física, nós tínhamos atividades práticas e depois isso foi simplesmente eliminado. Os laboratórios ficavam fechados. No primeiro grau até marcenaria nós tínhamos! Eu lembro do professor Alarcão, ele dava aula de marcenaria. A escola era atraente. (Entrevista - Colaborador 8)
[...] Até o 1º colegial foi tranqüilo, depois eu não sei se houve muita mudança, sabe que eu achei que atrapalhou muito essa reforma toda que nós pegamos, ficou muita gente vendida, muito perdida nessa mudança.
Porque você acha que ficou perdido?
Porque quando eu converso com umas e outras e não sei se você vai também chegar a essa conclusão, nós mesmos ficamos pensando "pra que lado nós vamos agora? o que vamos escolher?" Era Química, Física e Matemática, não eram essas três matérias de especialização? Foi quando houve um racha de uma vez.
Foi difícil escolher? Como foi feita a escolha?
Eu me identifiquei com a Química, com a tabela periódica dos elementos, foi por aí e a professora era muito boa também, como ela chamava? É foi por me identificar com a Química. Matemática eu nunca fui muito chegada, Física também não e foi pela Química mesmo. (Entrevista - Colaborador 6)
“Muita mudança”, “bagunça”, “ficamos perdidos”, esse parece ter sido o sentimento dos alunos de 2º Grau. Com apenas 16 anos em média os alunos precisaram fazer uma escolha que talvez pudesse influenciar toda a sua vida, isso porque, vale lembrar que a proposta da Lei era dar
ao ensino de nível médio o caráter de terminalidade, formando o aluno para o mercado de trabalho.
Escolher uma habilitação profissional em tão pouco tempo e com tão poucas informações realmente fora um tiro no escuro. Como veremos nas falas a seguir, a maioria dos alunos escolheu sua Habilitação seguindo a opção de seus amigos e, alguns, por se identificarem com a área:
E eu sempre fui mal em Química, sempre! Tanto é que não sei se tem aí uma dependência minha em Química. A gente tinha a professora Dona Terezinha que era muito brava, muito brava e tinha umas coisas que eu não entendia. Eu não sei, eu nem lembrava disso, que eu fiz Habilitação em Química, nem sei porque! Acho que a maioria fez eu fui no embalo, eu não me lembro não. (Entrevista - Colaborador 2)
[...] eu detestava Química, eu fui fazer por obrigação, tanto é que eu nunca usei nada disso, mas os professores eu acredito que ensinavam legal, porque na minha época saíram alguns ali que foram fazer química, deram seqüência na carreira, fizeram faculdade de química, alguns são químicos até hoje outros abandonaram a profissão porque financeiramente é inviável, mas eu acho que era bem dado, o esquema era legal, naquela época era legal sim. Eu que não fazia parte, não gostava da coisa. (Entrevista - Colaborador 4)
É tinha Química ou... será que era Física? Eu não lembro agora qual que era, e também eu não me lembro certinho porque eu escolhi Química, porque eu nunca fui bom em Química também, é que o outro eu acho que era pior, deveria ser pior, mas era a Zuleica que era professora. Eu acho que era a Zuleica sim, é quase certeza. [...]. (Entrevista - Colaborador 3)
[...] nós decidimos pela percepção dos amigos, junto com os amigos. "Ah, eu acho que vou fazer engenharia", "eu acho que vou... então essa área aqui é melhor”. Foi nessa linha. (Entrevista - Colaborador 8)
Eu não me lembro o que aconteceu. Eu me lembro que houve alguma coisa, mas eu não me lembro exatamente o que. Acho que o 1º foi normal aí eu fiquei com a habilitação em química e aquele grupinho mais próximo também optou por isso, mas muita gente depois viu o que era e acho que trocou, mudou. Acho que foi isso ai. (Entrevista - Colaborador 8)
Foi uma escolha de... eu não lembro na época.... tinha Pedagogia, Química e eu não lembro se tinha alguma outra coisa, não lembro o que tinha, mas eu optei pra Química porque tinha mais aquilo que eu gostava, eu queria engenharia então pra minha área tinha que ser exatas e não o que não era exatas... Então tinha Química, Pedagogia nessa área de humanas, e eu não lembro se tinha
Biologia, então eu fiz Química porque era da área de exatas, que é a minha área até hoje. (Entrevista - Colaborador 1)
Porque eu gostava e gosto de química. Acho uma área interessante e eu ia super bem, adorava estar no laboratório. Nutrição não tinha nada a ver comigo, enfermagem, pelo amor de Deus, tenho pavor de hospital, qualquer coisa relacionada à saúde (na esfera profissional). (Entrevista - Colaborador 5)
No meio dessa bagunça e sem terem suas certezas os alunos precisaram decidir. Novas turmas foram formadas e a convivência entre os estudantes teve de ser alterada. Como cada aluno seguiu a sua opção, novos círculos de amizade foram vivenciados:
[...] a sala permaneceu desde o começo da 5ª série até a 8ª série, mas quando tivemos que fazer a escolha para o Técnico alguns foram para a Química, outros para Nutrição e Enfermagem, sentindo que houve uma quebra na união da turma. (Entrevista - Colaborador 5)
Em meio a toda essa desordem vivenciada e hoje sentida pelos ex-alunos, uma questão se mostra interessante: apenas um colaborador traz em sua memória lembranças quanto a formatura enquanto Técnicos em Química. Essa consideração é interessante porque as festas de formaturas, principalmente as de nível médio, segundo Souza (2008), eram práticas comuns nesse período festejadas com grande empenho dos alunos e da própria instituição. Elas representavam a saudação dada aqueles vitoriosos que conseguiram se manter na tortuosa jornada escolar.
Você me falou de algumas fotos que você tem. Você se lembra se teve formatura?
Nossa! A nossa formatura foi muito diferente do que é uma formatura hoje. Eu tava procurando as fotos, mas não sei onde eu coloquei, não sei se está lá na minha mãe. É... nós fizemos uma missa, que até esses dias eu tava falando pra minha mãe que hoje você vê, minhas filhas, eu tenho uma filha que já é formada advogada, ela fez na PUC Campinas então tem toda uma... não, nós mandamos rezar uma missa, minha mãe nem foi, e eu estou com essas minhas amigas ai que a gente tá abraçada, isso ai foi na Santa Cruz, essa missa. E depois teve a entrega de diplomas, foi no Anfiteatro do EEBA, que eu acho que ainda tem esse anfiteatro, né? Você perguntou de festas, agora que você falou isso que me veio, nós fazíamos algumas peças de teatro ali também, nós tínhamos aula de teatro, sei lá, então a gente fazia algumas peças ali. Qualquer evento que tivesse a gente fazia lá no Anfiteatro do EEBA. Devagar eu tô lembrando, também você vê, foi em 78? Eu tinha 18 anos, eu tô com 49, tem 31 anos isso, tem muita coisa que a gente precisa ir puxando na memória! E... ah então, da festa! Então, ai teve a entrega de diplomas que foi nesse Anfiteatro e nós, os alunos, nós pedimos se podíamos fazer, porque tinha que pedir autorização, uma coisa burocrática, e
fomos falar com o diretor se nós podíamos fazer uma festinha só pra nós, ali no pátio mesmo do EEBA e foi muito gozado que isso é uma coisa que eu tava falando "mãe, como era diferente naquela época"; eu morava perto do parque infantil e tinha umas amigas que moravam por ali então nós combinamos, nós levamos um prato de salgado cada uma, na mão, vai vendo, e um refrigerante, alguém levou uma sonata, naquela época que a gente estudava tinha a sonata, acho que não é da sua época? Então sonata era um aparelhinho de som aí você punha o disquinho e era terrível o som. [...] Então nós levamos esse aparelho e foi assim a nossa festa de formatura de 3º Colegial. Só entre os alunos.
Foi só entre a sua turma ou todos do 3º ano? Ah, eu acho que foi só entre a minha turma. E a entrega dos diplomas?
A entrega dos diplomas não. Foram todas as turmas. Nós íamos de uniforme, não tinha esse negócio de roupa que nem tem hoje. Não, nós fomos de uniforme receber o diploma. Eles chamavam o pessoal lá em cima, entregavam o diploma e foi só isso. E a missa, isso ai eu não me lembro, eu não sei se foi a classe que pediu ou se foi o colégio que pediu pra realizar a missa. Eu me lembro que foi na Santa Cruz.
Na entrega dos diplomas sua família foi, ou foram só os alunos?
Eu acho que minha mãe foi, eu acho que minha mãe e meu pai foram. Na entrega do diploma a família ia sim. (Entrevista - Colaborador 9)
Para os outros alunos não existe a lembrança de Formatura. Temos aí mais um indício de que as representações sociais da escola secundária estavam sedo alteradas. O ensino de 2º Grau e sua Habilitação em Química passara despercebido pelos alunos e pela própria instituição:
Não me lembro. Olha! Foi em 78? Trinta e um anos! Olha se teve eu acho que não participei porque eu não me recordo. Não me recordo mesmo. (Entrevista - Colaborador 2)
Não houve formatura. O que interessava na época era passar de ano e receber o diploma. (Entrevista - Colaborador 5)
Boa pergunta! Eu não me lembro da minha formatura. Não teve? Teve? A Suzi chegou a dizer alguma coisa? (Entrevista - Colaborador 6)
Não, não teve. Na oitava série eu me lembro que teve alguma coisa no Anfiteatro. O EEBA tem um Anfiteatro! (Entrevista - Colaborador 8)