2.2. SEÇİLMİŞ ÜLKE DEĞERLENDİRMELERİ
2.2.1. Polonya
O papel do professor e das práticas de ensino também é destacado por Nadai (1991) como um dos elementos considerados como sinal de importância e qualidade da escola secundária a partir de sua pesquisa. Segundo a autora isso se deve pelo fato de que as reminiscências por ela analisadas relatarem que o exercício da docência apoiava-se no rigor, na exigência, na cobrança nos exames, nas sabatinas e chamadas orais, no compromisso com a escola e no orgulho de exercer uma profissão intelectual.
Por meio da memória dos ex-alunos da EEBA podemos também perceber a forte relação entre qualidade de ensino e rigor, principalmente no que se refere aos professores. Queremos aqui destacar essa imagem que nos pareceu cristalizada nas representações aqui analisadas quanto o papel do professor e das práticas de ensino, o rigor acadêmico e a disciplina e sua relação com a boa imagem da escola secundária. Estes encontraram sólida presença na figuração de aura de respeito em torno na escola, bem como na própria história da instituição.
Em grande parte das reminiscências papel de destaque fora dado aos professores. A escola almejada por tantos alunos parece tentar manter uma imagem de seriedade, compromisso e rigidez. Essa também era a imagem da EEBA:
É, com professores super bons, provas que realmente avaliavam o conteúdo, e o saber de cada aluno. (Entrevista - Colaborador 7)
Eu tive muito poucos professores que não, que não eram bons, sabe, mas eu acho que assim 90% dos professores que nós tivemos, todos eram muito, muito capazes, muito profissionais. (Entrevista - Colaborador 9)
O mesmo significado social que diferenciava a escola secundária das demais, era também evidenciado no papel de destaque que, a rigor, era reservado aos professores secundaristas. Segundo nos aponta Nadai (1991) as rememorações que qualificavam os “bons professores de antigamente” revelam que estes profissionais eram valorizados especialmente pela exigência e
seriedade em honrar seus compromissos com os alunos e a escola. Essa visão de excelente professor também se mostrou presente nas rememorações dos alunos da EEBA:
[...] entendíamos o professor como um educador, a gente respeitava muito isso, respeitava o horário, respeitava a tarefa, quando não fazia a tarefa o professor deixava a gente em uma situação de desvantagem com relação aos outros, então sempre procurávamos fazer as coisas como era pedido. (Entrevista - Colaborador 7)
O respeito para com o professor, assim como relatado pelos alunos, era muito forte, fruto de uma cultura consolidada anos a fio. Os lugares pareciam ser bem definidos, o aluno sabia qual era o seu lugar e o professor, assentado sobre os seus privilégios, exigia o respeito que lhe era devido:
[...] olha eu não sei muito bem o que era naquela época que punha o professor no lugar de professor, mas não que a gente tivesse medo, mas era um respeito muito grande. Eu acho que esse negócio de professor muito amigo, o adolescente como não tem esse onde eu paro, onde eu vou, não tem aquele limite, então ele avança o sinal e acaba tirando um pouco daquele respeito pelo professor, então "ah, deixa isso pra lá eu faço de qualquer jeito mesmo e ele vai aceitar mesmo e tudo mais" então o próprio aluno acho que já acaba abandonando aquela coisa de respeito pelo estudo, aquela coisa de respeito pelo professor, porque nada a nada ele é um professor e ele está lá, tá desprendendo o horário dele pra essa finalidade, então eu gostava dessa coisa do professor estar no lugar dele e na hora que tinha que ficar quieto ficava e não tinha aquela coisa de algazarra apesar de não sentar nem na frente e nem no fundão (eu sentava no meio da classe) então você sempre ficava dividida entre os CDFs e o povo da bagunça. (Entrevista - Colaborador 6)
[...] Aluno era aluno, professor era professor. Não tinha essa de como hoje não respeitam, não tinha, a gente tinha muito respeito pelo professor, sabe, a gente também não era santo, mas o professor era muito respeitado, ele entrava na sala de aula e dava a aula dele e todo mundo ficava quietinho. Naquela época, eu não me lembro se no primeiro colegial você tinha que se levantar pro professor entrar, acho que foi lá no EEBA ainda, o professor chegava e você se levantava pra ele entrar, então, era muito diferente, hoje é muito diferente. (Entrevista - Colaborador 2)
A relação com os professores era de muito respeito, muita disciplina. Eu acho que de todos os anos no EEBA se eu tive uma advertência oral ou alguma coisa do tipo em razão de uma brincadeira de colegas que no fim eu fui visualizado no meio dessa turminha, mas eram coisas amenas perto do que se vê hoje. Acho que nesse período todo eu tive uma advertência e junto com os colegas. Mas assim, a relação com os professores era de respeito, muito respeito, era de admiração.
Alguns professores a gente tinha a referência como um ídolo, era um máximo aquele professor. Não eram todos, mas tinham alguns que tinham um destaque especial. Não que os outros não fizessem um bom trabalho também, mas eu acho que essa empatia, essa didática, essa relação com os alunos é que era diferente. (Entrevista - Colaborador 8)
Os professores eram... bom é lógico tinha aquela hierarquia, aquela coisa diferente do que é hoje de alunos e professores, sim, você tinha que respeitar muito todos os professores, mas todos eles eram bacanas viu, tinha um ou outro que era mais difícil... mas geralmente aqueles mais difíceis eram os melhores, na verdade eram os mais... mas a gente tinha muito boa relação, é difícil o aluno assim que não, que não se dava bem com o professor só que a gente respeitava viu, era uma amizade assim bacana mas sem essa intimidade que o aluno tem hoje ou liberdade sabe de, de desrespeito, de falar com o professor era, nossa, eu sou da época que chegava, o professor entrava na classe primeiro, a gente se levantava e depois a hora que ele chegava a gente sentava, chegava o diretor nossa, todo mundo ficava em pé sabe, era aquele respeito. É lógico que a gente aprontava também, mas eu sempre falo, eu falo pra as minhas filhas hoje, as nossas brincadeiras eram saudáveis não é essas brincadeiras que a molecada faz hoje, de destruir, de quebrar, eram coisas gostosas, entre a gente. (Entrevista - Colaborador 9)
A imagem dos alunos quanto aos professores apoiava-se no rigor, na exigência, na cobrança nas provas e no compromisso com a escola. Se observarmos as rememorações quanto aos professores podemos perceber que hoje, ao olharem o papel por eles exercido, os ex-alunos entendem que tal atitude foi importante e necessária; tendo que a memória é construída no presente, quando o aluno diz que a rigidez era necessária ele não a entende como uma dominação, pelo contrário, ele olha o passado e continua acreditando que aquilo era bom, principalmente ao colocar o presente como parâmetro de comparação.
É interessante observarmos que a rigidez de outrora hoje não é tida como algo ruim, o rigor estava intrinsecamente ligado à capacidade dos professores e, por conseguinte, atrelado à qualidade do ensino. Mais uma vez podemos ver evidenciada a representação da EEBA como uma escola de qualidade, e, sem sombra de dúvidas, os professores contribuíram em muito para a construção mítica dessa aura de respeito em torno dessa instituição.
O “bom professor” impunha respeito, aparentava seriedade e competência, e a fim de manter-se nesse sistema o aluno precisava aprender, já que isso lhe era bem cobrado:
Na minha época o professor era professor, aluno era aluno, sabe, ninguém ia lá bater boca com o professor, discutir, nada disso. Não era uma barreira, era um respeito que tinha entre o professor e o aluno, não é como hoje onde o aluno
xinga o professor, essas coisas, não, era um respeito bem assim, tipo, você tinha o respeito com a sua mãe em casa e com o professor na escola. Hoje não, hoje é muito diferente, muito, muito. [...] Ah, era bem assim, você ia pra escola pra estudar. (Entrevista - Colaborador 2)
As aulas elas seguiam um cronograma que não era dado pra nós. A gente sabia que o professor a cada aula tinha uma papeleta e cada aula ele, tipo, “hoje a aula vai ser de introdução à geometria”, então colocava 50 minutos, assinava lá no final, e ia fazendo, dando toda a programação do ensino e ia passando aula por aula e chegava no final ele fazia a prova com tudo aquilo que tinha contido. Ah... era normal assim... (Entrevista - Colaborador 7)
[...] Naquela época era bem assim: a idéia é que você ia lá para você aprender mesmo, e se você não aprendesse você tinha que se virar porque, volta e meia te chamavam “agora é você que faz o exercício”, “ agora é você”, então era bem cobrado, ainda mais por seu uma escola pública, tinham poucas particulares [...]. (Entrevista - Colaborador 7)
A valorização dada pelo aluno ao ensino recebido parece ganhar um grande destaque. O ensino secundário representava uma grande conquista de acesso naquela época e era muito bem valorizado pelos alunos, pais e por toda a sociedade:
Eu tenho saudades! Sei lá eu acho que era muito melhor a nossa época o ensino, porque a gente levava a sério e aprendia né? E aprendia! Eu acho que a gente aprendia. E é lógico que tinha as dificuldades, como eu por exemplo, nunca me sai bem em Física, Matemática, eu tinha muita dificuldade, História ia bem, Português ia bem, Inglês ia bem mas fazia escola particular também, mas eu não era primeiro lugar da sala de aula não, eu era uma aluna assim, eu falava "ah, eu estudo pra passar", eu era uma aluna mediana, mas a gente levava a sério. Era muito bom! (Entrevista - Colaborador 9)