2.2. SEÇİLMİŞ ÜLKE DEĞERLENDİRMELERİ
2.2.4. Bulgaristan
De que modo esses alunos seriam organizados nas séries do 2º Grau? Esse foi um dos questionamentos feito por um de nossos colaboradores:
[...] Sabe o que me passava a idéia, naquela época, e eu trago isso até hoje, é que o 3º F não era bem visto e bem quisto, tanto pelos professores, como pela direção. Eu gostaria de entender o porquê era A, B, C, D, E, F, nós estávamos quase caindo do alfabeto. Porque essa divisão? De onde veio essa divisão? No caso a minha irmã ela é mais velha que eu dois anos e tinha uma caligrafia perfeita, ela tinha um outro nível, eu, a minha caligrafia era péssima, horrorosa, não gosto dela até hoje, então tinha uma diferença e ela fazia parte do abecedário, mas era A, B, C, ou uma coisa pro início do alfabeto, entendeu? Agora essa divisão eu queria saber, o porquê. A Suzi até me perguntou a respeito disso e nós ficamos em dúvida. Como era feita essa classificação, como era separado esses alunos, como eram avaliados esses alunos pra poder jogar assim, entendeu? Nós nos sentíamos jogados, por exemplo, teve professores bons como o professor Ulisses que eu não peguei, uma boa turma pegou, o 3º F não pegou, a Geci deu aula de história, né? Ela deu também pra mim e tinha mais uns dois ou três professores bons, de renome mesmo que o 3º F não pegava, não passava, não sei se era o professor que escolhia a classe, se não queria e colocava outro substituto ou um professor que tava começando, o Malaspina na época tava começando. (Entrevista - Colaborador 6)
Tentamos responder à essa pergunta recorrendo às Atas de Reuniões do período que foram conservadas. Uma escola democrática não poderia manter práticas seletivas em seu interior, pelo menos é isso que se supõe. Ao abrir a escola à um número maior da população, a escola se viu obrigada a mudar critérios, práticas e conceitos.
Conforme registrado em Ata do dia 30 de junho de 197142, o Professor Dante Moreira Leite, da cadeira de Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras foi convidado pelo diretor da escola, Reginaldo Galli, para falar sobre os melhores critérios para a divisão de classes. O convidado falou sobre a realidade vivida pela escola, que não era mais seletiva e que, portanto, receberia uma população grande e heterogênea, tão logo, fazia-se necessário estudar a melhor maneira de tratar essa população. Nesse sentido, a indagação proposta pelo convidado foi “misturamos ou selecionamos” e após apresentar algumas vantagens e desvantagens de qualquer das soluções, concluiu que as maiores desvantagens estão no sistema seletivo.
42 Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência
Durante a discussão desse assunto pelos professores o diretor lembrou que a decisão tomada seria julgada por toda a comunidade, em vista do grande número de pessoas envolvidas no problema e também por autoridades.
Foram três as propostas: por ordem alfabética, por idade e, por seleção dos ótimos, sendo as demais distribuídas por ordem alfabética ou por idade. A proposta vencedora foi a distribuição por idade sob os critérios de idade pura e simples, dia, mês e ano.
No início do ano de 1976 encontramos registros na Ata da Reunião do Conselho de Professores da EEBA outra discussão acerca da distribuição dos alunos nas classes. A Diretora ressalta que nesse mesmo ano a escola, em virtude da redistribuição da rede física, iria receber alunos advindos de diversos lugares da cidade:
(...) lembrando que o estabelecimento vai receber alunos vindos de todos os pontos de Araraquara, espontaneamente ou não, alguns até cheios de preconceitos contra a EEBA, faz um apelo para que os professores unam seus esforços para conquistar esses jovens.43
Por votação ficou decidido que as classes seriam organizadas de acordo com a idade dos alunos e os de menor idade seriam enquadrados em classes do período matutino. A distribuição de classes por período seria feita da seguinte maneira:
43
ATA de Reunião do Conselho de Professores, fl. nº 90, 17 de fevereiro de 1976. Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência AD/SEC/LAC/04/1970-1977.
Quadro 06 – Distribuição de classes de 2º Grau por período (1976)44
1º Período – 23 classes
1º Colegial 2º Colegial 3º Colegial
9 classes 15 classes 08 classes: 1 – Educação 1 – Letras 1 – Ciências Humanas 5 - Comuns 2º Período – 21 classes
1º Colegial 2º Colegial 3º Colegial
10 classes 06 classes 05 classes
3º Período – 34 classes
1º Colegial 2º Colegial 3º Colegial
09 classes + 4 profissionalizantes
07 classes
+ 4 profissionalizantes 07 classes
Para o ano de 1977 não encontramos nenhuma informação quanto a distribuição dos alunos, apenas que a escola, nesse ano possuía 69 classes de 2º Grau de acordo com o Livro Termo de Visitas de 197745.
Em Ata de Reunião Pedagógica de novembro de 197746, ficou estabelecido que para o próximo ano as classes seriam organizadas pelo critério de conceitualização. No ano de 1978 a escola contou com 58 classes de 2º Grau.
O número de alunos por sala precisou ser reestruturado no momento da implementação da Lei 5.692 que determinava o número máximo de 35 alunos por classe numa época em que havia, por exemplo, até 60 alunos em classe noturna.
No dia 30 de março de 1978, como registrado no Livro termo de Visitas temos que a escola recebeu a visita de um inspetor de ensino cujo objetivo era verificar o número de alunos
44 Em 1976 a nova organização curricular, conseqüente à Lei 5.692, se daria apenas para o ensino de 1º Grau, nas
séries de 1ª a 5ª e no ensino de 2º Grau na 1ª série, as demais séries deveriam ser concluídas pela legislação anterior. Desse modo, como pode-se observar, coexistiram, na mesma escola, dois tipos de organização curricular.
45 Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência
AD/SEC/LVi/OS04/1977-1992.
46
Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência AD/SEC/AR/04/1971-1984.
das classes de 1ª e 2ª séries de 2º Grau em função da Resolução SE Nº 183/77. Os dados descritos pelo inspetor encontram-se presentes no Quadro 07:
Quadro 07 – Número de alunos de 1ª e 2ª séries de 2º Grau (1978)47
Turno da manhã 1ª série: 07 classes Nº alunos matriculados 2ª série: 04 classes Nº alunos matriculados Inicial Final de fevereiro Inicial Final de fevereiro 1ª A 34 36 2ª A (P) 34 38 1ª B 35 37 2ª B (P) 34 38 1ª C 34 33 2ª C (P) 31 27 1ª D 34 33 2ª D (P) 34 37 1ª E 34 34 1ª F 35 34 1ª G 37 30 Subtotal 243 237 Subtotal 133 140
Média por classe 34,71 33,85 Média por
classe 35,00 Turno da tarde 1ª série: 06 classes Nº alunos matriculados 2ª série: 07 classes Nº alunos matriculados Inicial fevereiro Final de Inicial fevereiro Final de
1ª H 34 35 2ª E (S) 33 33 1ª I 33 35 2ª F (S) 34 33 1ª J 32 35 2ª G (S) 34 33 1ª L 33 34 2ª H (S) 34 31 1ª M 34 33 2ª I (S) 32 28 1ª N 33 33 2ª J (S) 32 34 2ª L (T) 43 38 Subtotal 199 205 Subtotal 242 230
Média por classe 33,16 34,16 Média por classe 34,57 32,85
Turno da noite 1ª série: 06 classes Nº alunos matriculados 2ª série 06 classes Nº alunos matriculados Inicial Final de fevereiro Inicial Final de fevereiro 1ª O 30 44 2ª M (P) 33 41 1ª P 39 44 2ª N(P) 38 42 1ª Q 37 46 2ª O(S) 43 41 1ª R 37 43 2ª P (S) 42 44 1ª S 34 45 2ª Q(T) 26 24 1ª T 36 39 2ª R (T) 30 39 Subtotal 213 261 Subtotal 212 231
Média por classe 35,50 43,50 Média por classe 35,33 38,50
P – S – T: Setores Primário, Secundário, Terciário48
47 Este documento encontra-se no Arquivo Permanente da Escola Estadual Bento de Abreu sob a referência
1ª O: com 34 alunos a tarde, foi transferida para o turno da noite para atendimento às necessidades dos alunos
A Resolução SE nº 183/77 estabeleceu o mínimo de 35 alunos por classe, porém, pode-se perceber que esse número estava longe de ser respeitado, principalmente após o início do ano letivo. Segundo o diretor tais fatos decorriam de problemas administrativos, principalmente pela falta de funcionários, o que impossibilitava uma maior distribuição de salas pelo prédio.
A falta de funcionários foi um dos problemas encontrados pela administração escolar. A democratização das escolas não implicou, necessariamente, políticas de contratação de pessoal. Os reflexos da falta desses funcionários puderam ser sentidos pelos alunos, como veremos nas falas a seguir:
Funcionários? ... É, eram poucos funcionários, porque até então, acho que a massa de alunos era facilmente contida pelo número de funcionários. Vamos supor que tinha 100 alunos pra 3 funcionários, hoje pra 100 tem que ter 30 funcionários, entendeu? Era um número reduzido pelo que eu vejo, mas eles exerciam de maneira assim, não tinha o que fazer. (Entrevista - Colaborador 7)
Você disse que mudou. O que mudou? E por que mudou?
Talvez a gestão escolar começou a acompanhar menos essas questões, parece que as coisas foram sendo abandonadas. Os inspetores foram sumindo, não tinha funcionário, começou um desleixo. Um exemplo o banheiro, os banheiros eram simples mas sempre muito bem limpos e depois acho que começou a cair o cuidado com a escola, começou a diminuir o número de funcionários. (Entrevista - Colaborador 8)
Em seu estudo sobre essa instituição Perez (2006) também descreve esse fato, principalmente quando a escola, devido ao acelerado processo de abertura escolar e a alta de demanda de alunos, teve de funcionar em quatro períodos (isso no final da década de 1960). Segundo a autora o aumento do contingente de alunos não resultou em um aumento de funcionários, e a instalação de quatro períodos acabou invialibilizando a execução de tarefas básicas, imprescindíveis para o dia a dia da escola, que não passaram despercebidas aos olhos dos pais, alunos e professores.
48 Para um maior entendimento, a área econômica primária iniciava, por exemplo, agricultura, pesca, economia
domestica rural, etc.; a área econômica secundária indicava organização industrial mecânica, eletricidade, construção civil, vestuário, etc.; e, na área econômica terciária, contabilidade, turismo, hotelaria, enfermagem, puericultura, datilografia, dentre outras.
A preocupação com o número reduzido de funcionários, principalmente daqueles que exerciam cargos administrativos também esteve presente nas discussões das reuniões dos professores.
No ano de 1971 o diretor Reginaldo Galli, em Ata da Reunião Pedagógica dos Professores de 26 de novembro49, falou sobre as dificuldades que a Secretaria da escola estava encontrando em terminar as fichas dos alunos para a publicação dos resultados das médias de aproveitamento. Segundo o diretor, eram poucos os escriturários para um serviço tão grande. Desse modo ele pediu a ajuda dos professores para que esses auxiliassem na soma das médias ponderadas, abreviando o tempo para que assim as provas pudessem ter início no dia 1º.
Em 1976 a Diretora Inaya Bittencourt e Silva, em Ata da Reunião Pedagógica dos Professores50 dá as boas vindas aos novos docentes e pede que a qualquer dúvidas procurem a direção da escola. Ela pediu para que os professores colaborassem com a Secretaria do estabelecimento, que no momento estava com número de funcionários insuficiente, efetuando a tradução das notas bimestrais em conceitos: A, B, C, D, e E.
Em registro deixado no Termo de Visitas, em março de 197851, o inspetor responsável também ressaltou essa questão da falta de funcionários. Segundo registros, o número de inspetores foi reduzido, especialmente dos escriturários. A escola deixou de contar no 2º semestre de 1977 com dois escriturários e no início de 1978 com mais três.