1.4. Orta Gelir Tuzağının Ölçülmesi ve Kullanılan Araçlar
1.4.6. Robertson ve YE’ nin yaklaşımı
Em 1971, Edmund Seyd publicou um artigo sobre o Museu da Universidade de Manchester explicando que é voltado tanto para o público universitário como para a comunidade local. Seyd comenta que o Museu de Glasgow (citado no item 4.1) é um típico museu universitário, pois suas coleções pertencem à universidade, com todas as responsabilidades inclusive financeiras que isso acarreta, e as exposições são voltadas para o público universitário. Já o Museu da Universidade de Manchester pertence à universidade mas parte de sua verba é proveniente da administração municipal.
Em Manchester não se pode ignorar o público não-universitário na forma de exibir as coleções. Seyd concorda em parte com a afirmação de Wittlin, quando afirma
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que o estudante universitário e o público em geral têm necessidades diferentes, que resultariam em formas diversas de exibição:
"A acomodação entre uma galeria para estudantes e uma exposição para o grande público é destinada ao fracasso. O estudante dirige-se à exposição com uma série de informações e com um objetivo específico em mente; o que a exposição lhe apresenta é apenas o suplemento de um modelo de significado já mais ou menos definido. Para o grande público, entretanto, o modelo, tanto de forma como de conteúdo, deve ser suprido pela exposição: uma experiência completa que pressupõe, por parte do espectador, nada mais que senso comum. Qualquer tentativa de conjugar os dois tipos contraditórios de exibição acaba deixando incompleta parte das implícitas funções de um ou do outro." (Wittlin, 1949, apud Seyd, 1971:180)
A princípio, Seyd admite a diferença entre o público especializado e o leigo, mas considera-a mais branda do que Wittlin, ou seja, considera possível conciliar numa mesma exposição discursos para os dois tipos de público. Além disso, lembra que estudantes de áreas diferentes são tão leigos como o público em geral, ou seja, um estudante de química sabe tanto sobre arte quanto qualquer pessoa do grande público.
Partindo da experiência das exposições do departamento de Zoologia, Seyd busca uma possível forma de conciliar, em uma mesma exposição, as diferentes necessidades desses dois tipos de público. Utilizando-se de vitrinas de 1886 nas quais se mostravam os objetos horizontalmente sob vidros e em gavetas, os responsáveis pelo museu decidiram adaptar painéis verticais na parte central dessas vitrinas, apresentando os temas de forma mais didática e simples para o público não- especializado.
Assim, os moluscos são apresentados nos painéis verticais, na linha do olhar, para o público geral, divididos em temas como “Conchas e o Homem”; “Conchas Gigantes” e “Principais conchas da Inglaterra”, enquanto na parte horizontal as conchas aparecem divididas por classificação taxonômica, por usos científicos e técnicos e outros temas de interesse de estudantes universitários da área.
Em outras partes da exposição há conjuntos de vitrinas voltadas para estudantes e outras para público geral, com indicações claras dessas divisões dadas por cores e etiquetas indicando “exposição para estudantes” (“student display”). Os textos, eventualmente, são apresentados em letras maiores para o público geral e os detalhes científicos são dados em letras menores. Há também textos que se iniciam com frases como “O estudante deve notar...” enfatizando o público-alvo do texto.
O autor considera que essa forma de expor está respondendo às necessidades de ambos os tipos de público, mas destaca que o museu parece interessar muito mais
ao público de fora da universidade do que ao de dentro. Entre 1968-69 foram 200.000 visitantes de fora. Ele afirma que há falta de interesse dos estudantes pelo museu, não por causa da maneira de expor, mas porque os conteúdos das disciplinas cada vez mais se afastam das coleções:
"... as abordagens da zoologia que mais interesse despertam nos estudantes universitários têm pouco ou nada a ver com espécimens de museu; por conseguinte, pequena parte do ensino universitário desses assuntos é feita no museu." (Standing Commission on Museum and Galleries, 1968, apud Seyd, 1971:182)
Seyd conclui que, no caso de Manchester, encontrou-se um caminho de conciliação entre dois tipos diferentes de público e que ambos têm oportunidade de aproveitar os mesmos objetos. Ele destaca a possibilidade contínua do visitante não- especializado interessar-se e ler os textos e observar as amostras voltadas para os estudantes e aprofundar seus conhecimentos na área.
"Membros do grande público, estudando a 'exibição pública' na galeria superior, não podem deixar, às vezes, de examinar o que é exposto na classificação taxonômica embaixo, e seu conhecimento e interesse nas conchas são perceptivelmente aprofundados. Igualmente, para o estudante só pode fazer bem se, ocasionalmente, ele levantar os olhos do material científico colocado lá para seu estudo, e encontrar seu horizonte sendo alargado pela percepção de que as conchas afetaram e ainda afetam o homem de muitos modos interessantes." (Seyd, 1971:182)
No caso desses museus com vocação para diversos públicos, o maior problema parece ser conciliar programas para os públicos diversos e manter uma integração com a universidade. O “perigo” existente é o museu servir cada vez mais à comunidade não universitária e perder seus vínculos com a universidade, fazendo com que pareça não ter sentido pertencer à universidade.
Na USP, alguns museus ampliaram de tal maneira seu atendimento ao público não universitário que perderam o vínculo com seus respectivos departamentos e institutos e correm risco de ser vistos como “desnecessários” por eles. O Museu Oceanográfico, por exemplo, não oferece nenhum programa para o Instituto Oceanográfico, ao qual pertence11.
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Vimos até agora como foram criados diferentes museus universitários e apresentamos algumas dificuldades enfrentadas. Retomaremos a definição de museu e coleção para, em seguida, apresentar algumas características de museus universitários atuais.
Recentemente foi realizada na Austrália uma extensa pesquisa sobre os museus universitários do país, que objetivava fazer um diagnóstico da situação e dar sugestões para realização de melhorias. Os organizadores reconheceram a necessidade de definir claramente as diferenças entre museus e coleções para efeito das propostas de encaminhamento12.
11
No ano 2000, o Museu Oceanográfico conseguiu uma maior atenção da direção do Instituto Oceanográfico, obtendo algumas vagas para contratação de pessoal e verbas para desenvolvimento de projeto de nova exposição.
12
The Report of the University Museums Review Committee. Cinderella Collections: University
Termo Significado Comentário Museu Universi- tário (e Galeria)
aquela unidade da universidade que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe objetos, para estudo, educação e apreciação (enjoyment), evidência material das pessoas e de seu ambiente, e que exibe parte ou toda a
coleção em um espaço específico para isso aberto ao público em horários regulares e
pode exibir material de outras fontes de vez em quando.
Espaço específico para isso
indica que a exposição pode ser vista em um local (não espalhada por todo o campus em corredores ou em uma variedade de espaços multi- funcionais; como por exemplo, ocorre freqüentemente com obras de arte da universidade.)
Coleção Universi- tária
(e
Herbário)
aquela unidade da universidade que adquire, conserva, e pesquisa, para fins de estudo, educação, apreciação, evidências materiais das pessoas e de seu ambiente, as quais
estão exibidas de forma limitada ou não expostas. Coleções que são mantidas apenas
ou principalmente para uso dos estudantes universitários e que podem ter acesso restrito a eles, podem ser denominadas coleções de
ensino.
A intenção é indicar uma coleção de ensino, pesquisa, fonte, referência ou outros, que tem espaço de exposição limitado ou inexistente (inclui a maioria das coleções de arte das universidades sem galeria); e aquelas coleções universitárias cuja função primária é pesquisa e/ou ensino.
Utilizando essas definições que diferenciam museu e coleção13, apresentaremos alguns tipos de museus e coleções universitários atuais a partir da pesquisa bibliográfica e de campo.