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1.4. Orta Gelir Tuzağının Ölçülmesi ve Kullanılan Araçlar

2.1.1. Ülkelerin Orta Gelir Tuzağına Yakalanma Nedenleri

Robert Dyson (ex-diretor) descreve o perfil e as programações desse museu de antropologia. O University Museum da Universidade da Pennsylvania foi criado no final do século XIX para abrigar coleções obtidas a partir de pesquisas arqueológicas na Babilônia. Nasceu com tradição em pesquisa e em educação pública (public education) ligadas aos departamentos, mas independentes dos mesmos.

"Este duplo objetivo de educação universitária e pública caracterizou o desenvolvimento do museu desde sua fundação em 1887." (Dyson, 1990:62)

O Museu tem hoje uma das maiores coleções arqueológicas e etnográficas dos EUA (mais de 1 milhão de peças catalogadas), formadas pela coleta de pesquisa e por doações recebidas. As coleções são agrupadas em 10 seções, segundo regiões geográficas, e uma seção temática de Antropologia Física. Com um corpo de servidores de 150 pessoas, auxiliados por mais de 280 voluntários, o museu realiza pesquisas, faz publicações e programas para diversos públicos. Seu diretor reporta-se diretamente ao reitor da universidade e um Conselho, com participação de pessoas do próprio museu, da universidade e da comunidade, garante a autonomia da instituição. Instalado em prédios próprios, o museu tem espaços expositivos (para exposições permanentes e temporárias), laboratórios, salas de aula, auditórios, restaurante, lojas, biblioteca e arquivos. As coleções estão sempre sendo interpretadas e re-interpretadas por estudantes e pelo público, tanto em pesquisas como em exposições no museu, extramuros, em atividades em salas de aula de escolas e da universidade (empréstimos).

A curadoria das coleções é dividida entre os 23 professores-curadores que devem realizar pesquisa e ensino, sendo remunerados pelo museu e indicados para atividades de ensino nos departamentos acadêmicos. O museu não tem responsabilidade formal de ensino na universidade, pois sempre foi uma instituição independente. O curador precisa equilibrar o seu tempo entre a pesquisa, o ensino, as publicações e a participação em programas públicos do museu, assim o ideal é que seus temas de pesquisa sejam a base dos programas de que participa:

"Tornar bem sucedida esta divisão do trabalho envolve duas estratégias por parte do museu: primeira, programar com bastante antecedência, a fim de que o programa acomode o timing das atividades do curador - especialmente ausências no campo - e segunda, contínua especialização ou o interesse da pesquisa atual, para que a participação surja naturalmente a partir do que eles estão fazendo, em vez de ser acrescentada como carga adicional." (Dyson, 1990:64)

Museu Universitário de Arqueologia e Antropologia

Philadelphia

Pennsylvania – 1998

Os professores/curadores são pagos, como os outros da universidade, por seu trabalho acadêmico. Seus salários são sempre superiores aos dos funcionários do Museu. A equipe de especialistas (não docentes) do museu é bastante especializada, sendo que muitos fizeram cursos avançados nas suas áreas, além de mestrado e doutorado:

"... que lhes permite interagir com a equipe de pesquisa, com compreensão e apreciação da significado do trabalho acadêmico". (Dyson, 1990:66)

Mas nem sempre tudo ocorre em harmonia: há tensão entre a pesquisa acadêmica e os programas públicos do museu, sendo que os funcionários acham que os professores dedicam tempo demais à pesquisa.

O museu oferece estágios para profissionais de museus e também tem um enorme número de voluntários, nas diversas áreas. Cerca de 40 voluntários trabalham como monitores orientando visitas de escolares e do público em geral. Além disso, 35 voluntários trabalham fora do museu, indo para escolas e instituições para deficientes, realizando atividades com professores e alunos. Os alunos de pós-graduação que estudam as coleções também trabalham voluntariamente e apresentam seminários.

A receita do museu é dividida entre a universidade (51%), doações (20%), renda (18%) e outros fundos (11%). O fato de pertencer à universidade traz alguns benefícios: a possibilidade de enriquecer as pesquisas e ensino com a colaboração de colegas das faculdades; a participação de ex-alunos da universidade no financiamento e permuta de exposições; a oferta pelo museu de cursos de extensão e a ajuda administrativa dada por órgãos competentes da universidade.

Entretanto há também desvantagens em pertencer a uma universidade:

"A maior desvantagem que experimenta um museu em ambiente universitário é a visão geral da maioria dos administradores, de que qualquer aumento nas despesas por parte da universidade deveria estar voltado para o papel do museu no ensino de graduação e de pós-graduação e não para gerência de coleções ou educação pública." (Dyson, 1990:68-9)

Isso traz dificuldades para o museu que quer ter programa agressivo na área de educação pública. A educação pública aproxima o museu da comunidade que passa a apoiar o museu. Esse deve trabalhar de maneira a melhorar a qualidade de vida da área onde atua, com o objetivo de valorizar o patrimônio cultural local.

"Um museu universitário deveria assim se tornar, caso já não o seja, um símbolo da preocupação da universidade com sua própria missão educacional mais ampla na sociedade. O museu deveria constituir uma janela - tanto para dentro como para fora da universidade - estabelecendo uma ligação importante entre a

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comunidade acadêmica e as comunidades vizinhas. A percepção clara deste papel é um poderoso argumento para o apoio contínuo de ambas as clientelas." (Dyson, 1990:69)

Os programas do museu são orientados pela idéia básica de mostrar questões/preocupações comuns da humanidade no mundo todo, de qualquer cultura e/ou tempo. As monitorias e cursos discutem temas variados e servem a diversos públicos: famílias, universitários, pessoas com interesses específicos.

Philadelphia, a cidade onde está o museu, tem sofrido mudanças em seu perfil populacional com o aumento de grupos de diferentes procedências/etnias: africanos, latino-americanos e asiáticos. Respondendo a estas modificações, o museu criou programas que visam auxiliar a adaptação dessas pessoas e mostrar que são bem- vindas pela sociedade norte-americana.

As exposições são criadas a partir das pesquisas e dos interesses manifestados pelo público. Há uma exposição de longa-duração que mostra os aspectos mais importantes das coleções de diferentes áreas culturais. As exposições temporárias procuram exibir novas aquisições, resultados de pesquisas e eventualmente uma coleção emprestada.

Em nossa visita ao Museu, em 1998, percebemos variações entre as formas de apresentação das diferentes coleções. Algumas parecem ser mostradas como há mais de 50 anos e outras têm museografia recente. Isso se deve ao fato de que cada coleção, de cada área, tem diferentes curadores responsáveis que podem conseguir maiores ou menores verbas para modificar as formas de apresentação das exposições.

Os programas públicos (public programs) oferecem workshops em fins de semana, atividades ligadas às exposições temporárias, seminários, palestras, visitas também em fins de semana. Há dias dedicados a diferentes culturas em que são realizados espetáculos organizados por estudantes e por comunidades estrangeiras. Em todas as ocasiões há um esforço para levar os participantes por todo o museu, por meio de atividades que os levem a circular pelas diversas galerias.

Em 1981, iniciou sua prática de convidar as escolas da região a visitar o Museu e atualmente essas visitas somam mais de 40.000 estudantes por ano14. Os programas públicos do museu se iniciaram por meio de palestras em 1894, marcando o começo de um forte vínculo do museu com a comunidade local e regional. O Departamento de

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Educação do Museu foi criado em 1915 como Serviço de Ensino (Docent Service15) e no início dos anos 20 transformou-se em Departamento de Educação.

O setor de educação trabalha com as escolas, baseado no currículo escolar, fazendo atividades prévias em sala de aula antes da visita ao Museu, denominadas “Museum on the Go” e “Speakers Program”. Essa atividade é realizada em todo o Estado da Pennsylvania, cuja Secretaria da Educação tem convênio com o Museu, desde 1966.

O museu também participa de programas em colaboração com bibliotecas e outras instituições de todo o país divulgando suas pesquisas e emprestando exposições e coleções.

Para Dyson, os desafios futuros são acadêmicos, financeiros e programáticos. Cada vez é mais difícil fazer trabalho de campo. A preservação da cultura material torna-se mais importante com o aumento de interesses étnicos. O museu, contando com a cultura material tornou-se uma opção ao mundo virtual:

"O conhecimento e os objetos preservados dentro de suas paredes se tornarão substitutos dos monumentos originais desaparecidos e da informação distorcida por inumeráveis propósitos de exploração." (Dyson, 1990:79)

Segundo o ex-diretor, são os antropólogos físicos que mais utilizam as coleções, enquanto os arqueólogos tendem cada vez mais a desenvolver trabalhos teóricos. Desde 1925 o Museu deixou de realizar coletas para seu acervo. Como não tem dinheiro para comprar novas coleções, o acervo só se amplia em caso de doações. Recentemente, um projeto de estudos da cultura Innuit, trouxe um grupo de artistas para o Museu, cujos debates foram registrados como parte do acervo do Museu.

O Museu produz e distribui uma série de publicações, entre elas a revista quadrimestral Expedition. Pelo catálogo das publicações do Museu, percebemos que incluem obras especializadas nas áreas de arqueologia e antropologia e publicações para professores e grande público.

Em um relatório publicado em 1996, o professor Jeremy Sablott (diretor a partir de 1994) expressou seu otimismo em relação ao Museu:

"Apesar de todas as contendas e incertezas do mundo de hoje, nunca houve uma época em que a missão - de pesquisa, educação, compreensão da diversidade humana e da história da humanidade - do Museu da Universidade da Pennsylvania fosse tão importante. Nesses tempos de contenção financeira, é grande o nosso desafio: devemos continuar engajados em pesquisa de alto nível - e muitas vezes pioneira - e ao mesmo tempo tornar acessíveis a todos, e utilizáveis por todos, nossas coleções de fama mundial, e o conhecimento que

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Museu Universitário de Arqueologia e Antropologia

Philadelphia

Pennsylvania – 1998

adquirimos. O Museu desempenha sua dupla missão, de pesquisa e educação, melhor, acredito, do que qualquer outro museu universitário neste país, e tenho satisfação em relatar que o Museu está florescendo e tem diante de si um grande futuro, apesar das restrições financeiras dentro das quais precisamos operar. A fim de manter nosso papel como um dos principais museus de arqueologia/antropologia do mundo, e atingir nossos objetivos ambiciosos, estamos ampliando nossos esforços para encontrar novas fontes de renda, e simultaneamente tornando nosso funcionamento tão eficiente quanto possível." (Sablott, 1996:3)

Localizado no campus da Universidade16, consegue atrair diferentes públicos - escolares e grupos organizados durante a semana e famílias em fins de semana - que freqüentam a instituição. O ingresso não é cobrado mas uma contribuição é sugerida quando se entra no Museu. Pelas declarações do ex-diretor e do atual diretor do Museu, verificamos que a instituição consegue manter suas pesquisas e programas para o público apesar das dificuldades financeiras e do eventual desinteresse de alguns professores. Acreditamos que a renovação de algumas partes das exposições se deve ao interesse e empenho de alguns curadores em modernizar as formas de apresentação das coleções.

Como em outros museus norte-americanos, a participação de voluntários é fundamental para o cotidiano institucional. Na área de educação são eles que realizam as visitas guiadas e os programas extramuros, possibilitando atingir um grande público. Além disso, o Museu da Universidade da Pennsylvania conta com um grande número de associados que colaboram anualmente trazendo verbas para as atividades. Nos museus universitários brasileiros, as associações de amigos (naqueles que as têm) ainda trazem pouco em comparação ao que ocorre nos EUA.

A cidade de Philadelphia tem outros grandes museus de destaque - o Museu de Arte e o Franklin Institute of Science, entre outros - mas nas áreas de arqueologia e antropologia há apenas o Museu da Universidade. As coleções têm um valor importante para a comunidade regional e nacional pela sua originalidade17.

Benzer Belgeler