2.3. Gelişmekte Olan Ülkelerde Yüksek Gelir Düzeyine Yükselme Süreci
3.1.1. Arjantin
O decreto de criação da Universidade de São Paulo (USP), de 1934, reunia em uma instituição vários cursos superiores já existentes no Estado de São Paulo (Medicina, Direito, Engenharia), instituições de ensino e pesquisa (Museu Paulista, Instituto Astronômico e Geofísico, entre outros), além da recém criada Faculdade de
6 No final do século XIX, por exemplo, os Estados Unidos tinham 78 universidades, o Canadá
12, Bolívia e Colômbia 4 e Argentina, México e Peru 2. (Xavier, M. A., 1999:197)
7 Alguns desses museus abrangem mais de uma área.
8 Listas de museus universitários do Brasil e de outros países podem ser encontradas no
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Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). As funções explicitadas no decreto de criação incluíam o ensino, a pesquisa e a extensão.9
A USP surge como iniciativa da elite econômica e intelectual de São Paulo que desejava formar quadros para trazer novamente a liderança nacional para o Estado, ao mesmo tempo em que forneceria quadros intelectuais, técnicos e profissionais para a economia em ascensão.
Vários professores foram trazidos da Europa principalmente para a FFCL. A elite econômica e política preferia as carreiras tradicionais – Direito, Engenharia – ou os estudos de orientação francesa – História, Sociologia. Os cursos de Ciências foram mais procurados por emigrantes e estudantes de fora da Capital e de outros estados.
Para Daniel Pécaut, as elites dirigentes acreditavam que a arte de governar relacionava-se ao saber científico:
“A criação da Universidade de São Paulo, em 1934, dois anos após a derrota sofrida pelos paulistas em sua revolta armada contra o novo regime, faz parte do programa de transformação política mediante a constituição das novas elites.” (Pécaut, 1990:30)
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A fundamentação do decreto de criação da USP e seus artigos 1 e 2 são os seguintes: "O doutor Armando de Salles Oliveira, Interventor Federal do Estado de São Paulo, usando das atribuições que lhe confere o decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930; e considerando que a organização e o desenvolvimento da cultura filosófica, científica, literária e artística constituem as bases em que se assentam a liberdade e a grandeza de um povo; considerando que somente por seus institutos de investigação científica de altos estudos, de cultura livre, desinteressada, pode uma nação moderna adquirir a consciência de si mesma, de seus recursos, de seus destinos; considerando que a formação das classes dirigentes, mormente em países de populações heterogêneas e costumes diversos, está condicionada a organizações de um aparelho cultural e universitário, que ofereça oportunidade a todos e processe a seleção dos mais capazes; considerando que em face do grau de cultura já atingido pelo Estado de São Paulo, com Escolas, Faculdades, Institutos, de formação profissional e de investigação científica, é necessário e oportuno elevar a um nível universitário a preparação do homem, do profissional e do cidadão, decreta:
Art. 1 Fica criada, com sede nesta Capital, a Universidade de São Paulo.
Art. 2 São fins da Universidade: a) promover, pela pesquisa, o progresso da ciência; b) transmitir, pelo ensino, conhecimentos que enriqueçam ou desenvolvam o espírito ou sejam úteis à vida; c) formar especialistas em todos os ramos de cultura, e técnicos e profissionais em todas as profissões de base científica ou artística; d) realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por meio de cursos sintéticos, conferências, palestras, difusão pelo rádio, filmes científicos e congêneres.”
Para atingir os fins acima, o artigo 3 deste decreto dispôs sobre o agrupamento das seguintes instituições: Faculdade de Direito, pertencente ao Governo Federal e criada em 1827; Escola Politécnica, do Governo do Estado de São Paulo, criada em 1893; Faculdade de Farmácia e Odontologia do governo estadual, criada em 1899; Faculdade de Medicina do governo estadual, criada em 1913; Escola de Medicina Veterinária do governo estadual, criada em 1934; Instituto de Educação de 1933, originário do antigo Instituto Caetano de Campos, que participaria da USP pela sua escola de professores; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, criada pelo decreto em questão; Instituto de Ciências Econômicas e Comerciais, que só se instalou em 1946; e a Escola de Belas-Artes. (A formação da Universidade de São Paulo, site www.usp.br, copiada em abril de 2000)
As palavras de Julio de Mesquita Filho, em 1950, um dos mentores da criação da USP, confirmam a afirmação anterior:
“... depois da derrota de São Paulo em 1932 que significou um profundo golpe na democracia em nosso país, mais necessária se tornou, ainda, uma reforma profunda no país. Politicamente, não se poderia conseguir isso, mas a tarefa seria possível se se lograsse atingir a consciência dos moços. Assim, meditando no exílio, chegou-se à idéia de que, sem uma reforma total do ensino nacional, jamais o Brasil sairia do caos. A análise dos motivos que levaram o país ao círculo revolucionário, que culminou em 1930, estava a demonstrar à geração do orador que, caso lhe fosse possível retornar um dia ao poder, necessário se impunha reformar o mecanismo cultural do país, criando entre nós os órgãos e institutos que existiam nos países de civilização latina ocidental e aos quais incumbia a formação das elites pensantes. Todos conheciam a divisa da Faculdade de Filosofia: Scientia vinces, mas nem todos sabiam que, de fato, essa divisa queria significar: ‘Vencido pelas urnas, Paulista, vencerás pela cultura’, divisa que exprimia o pensamento íntimo dos fundadores da Universidade de São Paulo.” (Pacheco e Silva, A. C. apud Xavier, M. A., 1999:20)
A USP, no momento de sua criação, anexou institutos de pesquisas e museus10, o que demonstrava a vontade de ampliar ao máximo as áreas de pesquisa e ensino da universidade recém criada. No discurso dos mentores da USP aparece sempre a idéia de que a Faculdade de Filosofia seria o núcleo em torno do qual girariam as outras faculdades, departamentos e institutos.11 Somente alguns dos institutos e museus foram, mais tarde, definitivamente incorporados à USP, como o Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) em 1946, e outros passaram para outros órgãos públicos, como o Instituto Butantan que hoje pertence à Secretaria de Estado da Saúde.
Como vimos no capítulo anterior, com freqüência, as universidades foram consideradas as melhores guardiãs de acervos já formados e mesmo de museus já constituídos. A universidade era vista como um centro produtor e irradiador de conhecimento e com fontes inesgotáveis de recursos humanos e financeiros para manutenção desse extenso patrimônio. Em São Paulo, esse fenômeno ocorreu tanto no momento de criação da USP quanto nos anos 60, quando da incorporação de outros museus.
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Instituto Biológico; Instituto de Higiene; Instituto Butantan; Instituto Agronômico de Campinas, Observatório do Instituto Astronômico e Geofísico; Museu de Arqueologia, História e Etnografia (Museu Paulista); Serviço Florestal. (A formação da Universidade de São Paulo, site www.usp.br, acessado em abril de 2000)
11 Marco A. Xavier discute essa proposta em detalhes, chamando atenção para o fato de que a
partilha do poder não seguia essa idéia da Faculdade de Filosofia como núcleo central, uma vez que nunca houve Reitor da USP procedente desta Faculdade. (Xavier, 1999)
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Como afirmou Aracy Amaral (1988), no início dos anos 60, antes do Golpe Militar, a USP vivia o “clima de efervescência do país” e considerava sua capacidade como ilimitada. Com a passagem gradual para o campus da Cidade Universitária, imaginava-se que a USP poderia crescer muito. Além disso, por influência de Eurípedes Simões de Paula e Sérgio Buarque de Holanda as artes e humanidades foram mais valorizadas.12 O resultado foi a incorporação do Museu Paulista, da coleção de Pré-História coordenada por Paulo Duarte, a compra da biblioteca de Yan de Almeida Prado, que seria a base do Instituto de Estudos Brasileiros, e a fundação do Museu de Arte e Antropologia pela USP.
As unidades da USP só foram sendo transferidas para o campus da Cidade Universitária no final dos anos 60, mas a idéia de construir uma Cidade Universitária vinha sendo difundida e discutida desde os anos 30. Nos diversos projetos de construção do campus da Cidade Universitária em São Paulo, havia referências a museus além de jardins botânico e zoológico. Nos textos de Ernesto de Souza Campos, participante ativo e grande defensor da construção da Cidade Universitária, encontramos referências a museus para uso dos alunos:
“Si alumnos de escolas diversas devem freqüentar cursos, laboratorios, gabinetes e museus communs, não podem ser afastadas essas differentes installações, sob pena de uma prejudicial perda de tempo e desnecessárias despezas de transportes, tanto para o pessoal como para material.” (Ernesto S. Campos, 1938, apud Xavier, M. A. 1999:89)
O mesmo autor, em 1945, também apresenta a proposta da existência de um museu de história natural no campus para visitação do público em geral, quando enumera as condições estruturais necessárias para a desejada Cidade Universitária:
“(...) 6 – Fácil acesso ao público para ingresso, em determinados dias, nos jardins botânico e zoológico e museu de história natural.13” (Ernesto S. Campos, 1945, apud Xavier, M. A. 1999:121)
A passagem de museus para as universidades se dava em função da crença de que estavam sendo incorporados por instituições sólidas, com pesquisadores competentes e sem problemas de verbas14. Entretanto, verificamos que as
12 Maria José Elias também afirma que o reitor Antônio de Barros Ulhôa Cintra recebeu
influência e apoio de Eurípedes S. de Paulo e Sérgio B. de Holanda para a incorporação pela USP de coleções e museus. (Elias, Maria José, 1999:68).
13 Segundo M. A. Xavier (1999:128) em uma das plantas propostas para Cidade Universitária,
realizada em 1937, a parte central do campus seria ocupada pela Faculdade de Filosofia, Colégio Universitário e Museu de História Natural.
14 Essa crença continua, pois o bibliófilo Mindlin doou, recentemente, sua coleção de livros
universidades não estavam preparadas para receber museus, tanto em relação às verbas quanto ao pessoal qualificado. Além disso, muitas vezes, o museu foi visto como concorrente e não colaborador dos departamentos já existentes, criando disputas entre os profissionais.
No caso do Museu Nacional, Esther Valente aponta a incorporação à Universidade Federal do Rio de Janeiro como uma perda de autonomia para o museu:
“Integrado à atividade educacional brasileira, o Museu Nacional teve reconhecimento e destaque. Com a perspectiva de difundir o resultado das investigações feitas pelos especialistas, os serviços do museu contemplavam não somente a classe dos estudiosos, mas todo mundo, incluindo também o simples homem do povo que percorre as salas de exposição por mera curiosidade. Todos tinham acesso a pôsteres, notas sobre história natural, guias de exposição, mapas, quadros murais, diapositivos, conferências, cursos públicos, projeção de filmes, etc. À nova divisão, denominada de História Natural, onde se inseriu o Serviço de Assistência ao Ensino, cabia a intermediação das demais seções do museu com o público, ficando a seu cargo as coleções didáticas de história natural. Pelo decreto de 1931, o Museu Nacional passa a ser instituto científico autônomo e de administração dependente do Ministério da Educação e Saúde Pública.
Após um período de revitalização, as reformas implementadas pelo museu, voltadas diretamente para a educação popular, serão abaladas por uma crise entre seus próprios pesquisadores, insatisfeitos com as condições profissionais em que se encontravam na instituição. As alterações administrativas sofridas pelo órgão na década seguinte vão debilitando o museu, que perde sua autonomia e acaba incorporado à Universidade do Brasil (UFRJ) pelo decreto n.º 8689, de 16 de janeiro de 1946, sendo seu projeto inicial redefinido.” (Valente, 1995:85-86)
No Museu Nacional, o visitante continua vendo as mesmas exposições criadas no início do século15, enquanto a pesquisa atual da UFRJ nas áreas de ciências naturais e antropologia é bastante avançada. Nesse caso parece que nem a universidade se beneficia do museu nem ele do fato de pertencer à universidade, o que também reduz a qualidade dos serviços ao público.16
A USP, como já citamos, também anexou, incorporou, absorveu e criou vários museus e coleções. Em muitos dos casos isso acarretou para a universidade
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Em palestra proferida em 1999, o diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, disse que “As atuais exposições, montadas quase totalmente entre os anos 40 e 50, encontram-se desastrosamente envelhecidas. Na verdade, cerca de um terço do circuito tradicional encontra-se já fechado, desmontado por motivos de degradação física ou de desatualização científica.” (Duarte, 1999:62). Diante dessa situação, está em discussão projeto de novas exposições que valorizem o acervo e a pesquisa do Museu e tenham como eixo a historicidade da instituição.
16 Recentemente, algumas reformas foram iniciadas no prédio do Museu Nacional e um grande
projeto de renovação da exposição permanente está inscrito para captação de verbas. (Museu da Quinta da Boa Vista ensaia renovação. O Estado de São Paulo, 8 de abril de 2000, p.C8)
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problemas de falta de espaço adequado, falta de pessoal qualificado, falta de recursos financeiros para novas aquisições, enfim, a criação de mais problemas para a USP.