2. KONAKLAMA İŞLEMLERİ
2.1. Bölümlerin Kısa Özeti
2.4.8. House Keeping Oda İşlemleri
4.1 Definição
Nos dizeres de Oliveira: “A penhora traduz-se em meio coercitivo pelo qual se vale o exeqüente para vencer a resistência do devedor inadimplente e renitente na implementação do comando jurisdicional”.12
Em verdade, não basta ao Estado dizer o direito de forma abstrata. É mister, também, que, em sendo necessário, o Estado vença a resistência da parte inadimplente e, por meio da execução aparelhada, torne a realidade o comando abstrato expresso na condenação.
Amauri Mascaro Nascimento assevera :
A característica fundamental da penhora está na sua realização como fato do processo, mas que tem a sua plena configuração como resultado da exteriorização dos comandos contidos no processo e formalizados pela sentença, daí porque os seus efeitos não são produzidos unicamente na esfera da relação processual, mas no mundo físico das coisas concretas. Através da penhora, dá-se uma modificação nas coisas materiais, consistente na transferência de patrimônio ordenada pela sentença. É a penhora o momento culminante de máxima atuação do direito, exatamente a ocasião em mais incisiva se faz a intervenção do Estado na atuação das normas jurídicas positivas.13
A penhora é ato de constrição imposto ao devedor inadimplente, uma espécie de violência legitimada eficaz a superar as resistências, por meio do qual o Estado-juiz pressiona o devedor a cumprir com a obrigação contida no comando abstrato da sentença. Seus reflexos atingem o patrimônio do devedor renitente. É o momento mais importante que se segue à efetiva citação. Com a penhora, inicia-se verdadeiramente a execução forçada.
12 OLIVEIRA, Francisco Antônio de. Manual de penhora: enfoques trabalhistas e jurisprudência. 2ª
edição rev.atual. ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p.22.
13 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 20ª edição. São Paulo:
Na visão de Francisco Gérson Marque de Lima:
[...]constitui-se a penhora num ato material que o Estado realiza (jus
imperii), no fito de ensejar a expropriação e a conseqüente satisfação do
direito do credor. Este constrangimento feito pelo Estado não retira a propriedade do devedor sobre o bem penhorado, simplesmente impõe limitações à sua disponibilidade e ao seu uso.14
Segundo lição de Wagner D. Giglio:
[...] penhora significa a apreensão judicial de determinados bens do executado, para que, transformados em dinheiro com a venda em praça ou leilão (salvo no caso da penhora já recair sobre dinheiro), ou adjudicados ao exeqüente ou a ele outorgados seus rendimentos, seja satisfeita a condenação.15
Conforme entendimento de Dinamarco:
Penhora é o ato pelo qual se especifica o bem que irá responder pela execução. De todos os bens que respondem pelas obrigações do executado, um é escolhido e separado dos demais, ficando a partir de então afetado à execução forçada, ou seja, comprometido com uma futura expropriação a ser feita com o objetivo de satisfazer o direito do exeqüente; penhorar é, portanto, predispor determinado bem à futura expropriação no processo executivo.16
Freitas Câmara, assim define: “A penhora é ato executivo, através do qual se apreendem bens do executado, implementando-se, assim, a sujeição patrimonial que se tornou possível em razão da responsabilidade patrimonial”.17
Concluindo, entendemos que penhora é ato praticado pelo Estado-juiz, em tutela ao direito do exeqüente, este consubstanciado em título executivo judicial ou extrajudicial, quando no curso da execução, impondo-se sobre o patrimônio do executado de maneira a deste subtrair determinados bens de sua livre disposição, com o fim de promover a entrega ao credor da importância que lhe é devida, fazendo prevalecer a justiça.
14 LIMA, Francisco Gérson Marques. op. cit. p. 451.
15 GIGLIO, Wagner D. Direito processual do trabalho. 14ª edição rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2005.
p.518.
16 DINAMARCO, Cândido Rangel. op. cit. p.520.
17 CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual civil. Vol.II. 10ª edição rev. atual. Rio de
4.2 Efeitos
Seguindo os ensinamentos de Dinamarco, destacamos três efeitos da penhora. O primeiro consiste em impedir que a alienação do bem pelo executado o subtraia ao estado de sujeição em que se encontra; o segundo refere-se a retirá-lo provisoriamente do conjunto dos bens que respondem pelas demais obrigações daquele; e o terceiro consubstancia-se em privar o executado da detenção física do bem18.
Esclarecendo, podemos afirmar que a alienação não produzirá efeitos em relação à execução. O bem continua a garantí-la, apesar da mudança de propriedade. É mais do que lógico que a conduta concernente na alienação de bem penhorado não deve causar prejuízo ao exeqüente, bem como ao terceiro de boa-fé.
Acrescentamos que a penhora retira o bem constrito do conjunto dos bens que respondem pelas demais obrigações, em virtude do disposto no art.612 do CPC, pois a penhora estabelece uma preferência cronológica entre as constrições, tendo em vista que primeiro deve-se atender à obrigação que fundamenta a execução que gerou a primeira penhora.
Por fim, a privação do executado da detenção dos bens destina-se a evitar a alienação dos bens penhorados e a facilitar a sua arrematação. A despeito disso, é mais do que comum a nomeação do executado como depositário, mas, neste caso, estará detendo o bem em nome do juízo.
Câmara apresenta lição no sentido de que existem duas ordens de efeitos da penhora, os efeitos materiais e os efeitos processuais. Seriam efeitos processuais: garantir o juízo; individualizar os bens que suportarão a atividade
executiva; e gerar para o exeqüente direito de preferência. Teríamos como efeitos materiais: retirar do executado a posse direta do bem penhorado; e tornar ineficazes os atos de alienação ou oneração do bem apreendido judicialmente.19
Devemos notar que os efeitos da penhora confundem-se, em verdade, com as finalidades ou objetivos da mesma, como mais claramente se percebe no caso de garantir o juízo.
Oliveira, ao citar o mestre Liebman, traz à baila lição no sentido de que há dupla finalidade na penhora. Primeira, individuar e apreender efetivamente os bens que se destinam aos fins da execução, preparando, assim, o ato futuro de desapropriação; segunda, visa a conservar os bens individuados na situação em que se encontram, evitando que sejam escondidos, deteriorados ou, ainda, alienados em prejuízo da execução em curso. Acrescenta, outrossim, que “a penhora exerce uma pressão psicológica sobre o devedor que está sendo executado, com a sensação de perda do patrimônio”.20 Concordamos com tal afirmação e salientamos que, no caso
de penhora de contas bancárias ou ativos financeiros, aquela sensação de perda patrimonial estimula a formulação de acordos entre as partes.
Como bem afirma DINAMARCO:
O bem penhorado sai da condição abstrata que é a responsabilidade patrimonial e passa à situação de bem constrito, ou seja, concretamente sujeito à autoridade do juiz em relação a determinado crédito. Bem constrito é bem sobre o qual se impõe uma sujeição, ficando o titular impedido de exercer sobre ele qualquer ato capaz de subtraí-lo à autoridade do juiz.21 Os efeitos da penhora foram apresentados da maneira, denominação e classificação mais comumente apresentadas pela doutrina, não havendo grande distinção entre as enfocadas. O mínimo que devemos ter em mente é que a penhora acarreta uma diminuição na livre disponibilidade do executado sobre o bem afetado.
19 CÂMARA, Alexandre Freitas. op. cit. p.293. 20 OLIVEIRA, Francisco Antônio de. op. cit. p.27. 21 DINAMARCO, Cândido Rangel. op. cit. p.521.
O que ocorre não é a perda da propriedade, mas a perda da posse direta. É prevista em lei a nomeação do executado como fiel depositário, hipótese em que manterá o contato com o bem, mas com o dever de conservá-lo, atribuído pelo Estado-juiz.
Lembremos que a penhora visa a garantir o juízo. Porém, nem sempre isso será possível, seja em virtude da inexistência ou insuficiência de bens, seja pela proteção legal de cunho social ou sentimental que legitima a existência de bens impenhoráveis. Por isso, não nos conformamos com a inclusão da garantia do juízo apenas como efeito da penhora, mas também como verdadeiro objetivo desta, o qual poderá ser atingido ou não. Daí relembramos a não distinção doutrinária acerca dos objetivos e dos efeitos da penhora.
A perda da propriedade do bem objeto de penhora só ocorrerá com a sua expropriação, seja esta decorrente de arrematação, ou mesmo de adjudicação, dando-se ao executado a opção de remí-la.
4.3 Princípios norteadores
4.3.1 Suficiência
É o que vem exteriorizado através do disposto no art.883 da CLT:
Não pagando o executado, nem garantindo a execução, seguir-se-á penhora dos bens, tantos quantos bastem ao pagamento da importância da condenação, acrescida de custas e juros de mora, sendo estes, em qualquer caso, devidos a partir da data em que for ajuizada a reclamação inicial.
A penhora visa à constrição de bens que apenas bastem para garantir a execução, e não que onerem excessivamente o devedor.
É cediço que, quando levados à hasta pública, os bens objeto de penhora, na maioria das vezes, não são arrematados pelo valor da avaliação. Para a
solução do problema, ou penhoram-se bens de maneira suficiente a suprir tal lacuna, ou prossegue-se com a penhora de outros bens, após o praceamento ou leilão dos primeiros, a fim de garantir o cumprimento da obrigação em sua integralidade.
4.3.2 Utilidade
“Art.659... §2º Não se levará a efeito a penhora, quando evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução”.
A execução deve mostrar-se frutífera, caso contrário, deverá ser suspensa. A insuficiência de bens pode ser originária (desde o início da execução) ou superveniente ( após a apreensão de bens), quando os bens constritos sofrem desvalorização em virtude de fenômenos intrínsecos e extrínsecos, devendo nestes casos, ser reforçada a penhora.
Assevera Francisco Antônio de Oliveira:
A regra civilista presidida pelo parágrafo 2º, do artigo 659, do Código de Processo Civil, não tem aplicação em sede trabalhista, cuja natureza alimentar tem preferência sobre a cobrança das custas. Disso resulta que os bens serão penhorados, desde que suficientes para pagar uma parte do crédito, prosseguindo-se na penhora de outros bens, quando isso for possível. As custas serão pagas a final. Isso se dá em virtude da preferência do crédito trabalhista (art.186 e art.187 do CTN e art.29 da Lei nº6.830/80).22
4.3.3 Especificidade
Através da penhora especificam-se os bens que se destinarão exclusivamente à satisfação do crédito exeqüendo, vinculados que ficam, por disposição processual, ao atendimento do direito do credor. Como corolário desse princípio, temos o princípio do credor mais diligente, do qual decorre o fato de que o credor em favor do qual for lavrada a 1ª penhora possui o direito de preferência sobre o outro.
Quando se fala em credor mais diligente, fazemos referência ao fato do exeqüente que primeiro levar o bem à hasta pública receber o seu crédito, remetendo o que sobejar ao exeqüente que tiver primeiro lugar na ordem de preferência entre as penhoras. Logicamente, podem coincidir a pessoa do exeqüente que realizou a primeira penhora e a do credor mais diligente, e, assim, espera-se.
É mais do que comum, na casuística da execução, que os bens penhorados, quando em hasta pública, não alcancem o valor de mercado. Tomando- se isso em conta, deve-se priorizar a penhora sobre bens ainda não constritos judicialmente, elegendo-se a penhora sobre bem já penhorado em caso excepcional.
4.3.4 Afetação
O princípio da afetação pode ser considerado como corolário do princípio da especificidade. Por meio dele os bens penhorados são afetados à execução, ou seja, da finalidade desta não podem ser desvencilhados, servindo à expropriação no processo que acarretou a penhora.
4.3.5 Humanização
Lastreado pelos valores inerentes à dignidade da pessoa humana, referido princípio exclui da incidência da penhora os bens considerados mínimos para garantir a dignidade do devedor (bens absolutamente impenhoráveis e bens relativamente impenhoráveis). São bens que atendem desde a necessidade primária até aqueles que se ligam a motivos sentimentais.
Da mesma forma, vale ressaltar que se deve almejar a preservação da dignidade do credor, pois, considerando a natureza alimentar do crédito trabalhista, devemos confrontar a necessidade premente do trabalhador de manter a subsistência familiar e o bem-estar do devedor.
4.3.6 Princípio da simplicidade
Segundo Oliveira: “Sempre que o ato puder ser tido como válido, deve o juiz referendá-lo, ainda que não formalmente perfeito, mesmo por que existirão casos em que as partes estarão sós, sem a presença do advogado”.23
A ausência de formalismo faz-se necessária em juízo, principalmente quando presente o jus postulandi. Deve-se ater mais ao substrato, à substância, ao contido nos atos processuais, do que à forma como são praticados.
Diferente do juízo comum (estadual e federal), o juiz do trabalho há de ser menos formalista e mais preocupado com a rápida prestação jurisdicional. Isto, todavia, não significa que não venha a prestigiar aquela formalidade necessária à segurança das partes e à saúde do processo que transcorrerá sem vícios.24
23 OLIVEIRA, Francisco Antônio de. op. cit. p.67. 24 OLIVEIRA, Francisco Antônio de. op. cit. p.67.