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Belgede FIFA ANTI- DOPING REGULATIONS (sayfa 62-68)

De acordo como atual conceito de segurança alimentar e nutricional, a segurança alimentar é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente de alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis1.

Esse conceito se divide em algumas dimensões, a saber:

- Pela saúde devem ser consideradas as dimensões dietéticas e farmacêuticas ligadas à composição nutricional dos alimentos, incluindo a educação alimentar da população carente.

- Pela higiene e seguridade dos alimentos, deve considerar alimentos sem agrotóxicos e nocivos à saúde. Esta dimensão está ligada a informações da procedência e de como foi produzido o alimento antes de chegar à mesa da população, e que haja garantias em relação à produção, distribuição e à embalagem dos alimentos.

1 Lei Nº 11.346, de 15 de setembro de 2006

- O eixo ecológico envolve a produção sem defensivos agrícolas tóxicos e que os processos utilizados na produção não deixem resíduos que afetem os ecossistemas e o meio ambiente.

-A autenticidade dos alimentos valoriza e incentiva os modelos naturais e tradicionais de produção agroalimentar. E que esses valores representem o local ligando à identidade das pessoas as produções agrícolas regionais.

-Pela solidariedade a produção do alimento deve ser valorada por questões éticas e humanas. Por exemplo, dar preferências por alimentos produzidos sem mão de obra infantil ou sem uso extensivo de agrotóxicos. Um fator importante em todos os eixos do conceito é a possibilidade de ter a informação sobre o alimento, garantindo assim o direito de escolha por alimentos mais sustentáveis.

Por outro ponto de vista, Graziano da Silva, 2006, escrevendo sobre as experiências do programa “Fome Zero”, afirma que a baixa incorporação da noção de segurança alimentar na cultura nacional, entendida como demanda da sociedade, faz com que o combate à fome prevaleça sobre a garantia de segurança alimentar e nutricional, e tal entendimento ocasiona um equívoco nas políticas de segurança alimentar e nutricional. O equívoco consiste em subordinar à política de segurança alimentar as políticas emergenciais de combate à fome. O correto seria haver uma política permanente de segurança alimentar, e o combate à fome parte dessa política.

As políticas de segurança alimentar no Brasil têm alcance e visibilidade limitados em face ao desafio de erradicar a fome e garantir segurança alimentar e nutricional a toda população. O acesso à alimentação não está incorporado ao imaginário popular como um direito e sim como um favor ou uma “bondade” política através da doação de cestas básicas, etc. Falta à política de segurança alimentar e nutricional no Brasil um desenho, há divergências conceituais importantes, quando se trata de definir os melhores instrumentos para garantir a proteção social e o acesso à alimentação (GRAZIANO da SILVA, 2006).

O fato de uma política de combate à fome prevalecer sobre uma de segurança alimentar e nutricional cria equívocos que vão desde a falta de percepção da população sobre segurança alimentar até a proposição de políticas de combate à pobreza e auxílios de renda ao invés de programas de acesso à alimentação.

Do ponto de vista da organização, as políticas de segurança alimentar no Brasil abrangem programas e projetos públicos com diversas formas de organização, metodologia operacional, financiamentos e objetivos, sejam federais, estaduais ou municipais.

Os órgãos de segurança alimentar e nutricional variam quanto à posição hierárquica na estrutura do poder público local. Do ponto de vista da personalidade jurídica podem ser secretarias, empresas públicas, coordenadorias, diretorias, etc. Esses órgãos ainda podem exercer funções mistas tipo uma Secretaria de Agricultura que concilie as questões agrícolas com as políticas estaduais ou municipais de segurança alimentar.

Pode ainda haver diferentes interfaces e arranjos de cooperação intragovernos e intergovernos com diferentes parcerias. Intragovernos quando o programa é realizado internamente numa Prefeitura ou uma política estadual sem contato com os municípios e intergovernos quando as parcerias, convênios envolvem órgão de esferas diferentes de poder, como, por exemplo, governo estadual e municípios.

E ainda pode envolver diversos graus de participação da população nos programas como voluntários ou beneficiários. A população podendo gerir o programa, opinar sobre o funcionamento e gestão, reivindicar a continuidade, monitorar ou denunciar, enfim fiscalizar a qualidade para atender a seus interesses e da sociedade.

Segundo Cunha, 2000, ocorrem quatro elementos relevantes nos arranjos locais de políticas de segurança alimentar, eles são:

- A hierarquia da principal unidade administrativa que realiza a política de segurança alimentar. Quanto mais elevado for o nível hierárquico dessa unidade maior o grau de comprometimento do poder público local com as políticas de segurança alimentar.

-O grau de nucleação da política em torno da estrutura administrativa principal do município permite atingir benefícios decorrentes da sinergia de projetos distintos reunidos numa mesma coordenação.

-As parcerias, participação popular e articulação interinstitucional são formas eficientes de expandir o grau de cobertura e ampliar o grau de eficácia dos programas públicos. Essas parcerias podem ocorrer entre os órgãos de poder público, com organizações não governamentais e com a iniciativa privada.

A mensuração do grau de cobertura e eficácia dos programas de forma quantitativa e qualitativa permite comparar o desenvolvimento dos programas, dando indicadores que direcionam a política e buscando focar cada vez mais na solução dos problemas locais de segurança alimentar.

Nas políticas de segurança alimentar, geralmente objetivam-se alguns focos ou eixos de intervenção, eles são:

-O eixo de regulação que envolve as ações do poder público no mercado agroalimentar pelo lado da oferta, intervindo de forma direta ou indireta.

Essas intervenções podem ser de forma sistêmica criando novos canais de comercialização onde produtores rurais possam contribuir no abastecimento urbano por meio de feiras de produtores ou outro arranjo local que barateie o custo dos alimentos para a população urbana, gerando renda ao produtor rural.

Outro modo de intervenção é a competitiva em que o poder público destina espaços públicos para o comércio alimentar, aumentando a concorrência e barateando os preços. Uma terceira intervenção ainda pelo eixo de regulação seria de forma normativa, cabendo ao poder público estabelecer regras de funcionamento para comercialização de alimentos.

- Eixo das políticas compensatórias, este eixo envolve a ação pública no sentido de dar acesso às populações em situação de risco com a alimentação.

De forma estrutural, seria o fornecimento regular de refeições para a rede de ensino público municipal, para instituições públicas de ensino conveniadas e para saúde e assistência social. De forma emergencial, seria a distribuição de alimentos para pessoas vulneráveis e com desnutrição como crianças, idosos, gestantes, etc. Também está neste caso a distribuição de alimentos para grupos sociais em situação de risco. Uma terceira situação é a comercialização subsidiada de gêneros alimentícios e refeições para a população.

- Eixo das práticas urbanas, envolve o modo de vida urbano relacionado à questão alimentar. Esse eixo abrange a difusão de informações sobre os preços dos alimentos no município, alternativas de consumo, aproveitamento dos alimentos, educação alimentar, apoio a produções alimentares individuais ou comunitárias de alimentos, oficinas alimentares/agroecológicas, etc.

Esse eixo assume as funções: informativas, quando orienta a difusão de informações de preços, locais e aspectos nutricionais. Agroambiental quando busca a difusão de técnicas e práticas corretas no aproveitamento dos recursos naturais urbanos para produção individual ou comunitária de alimentos. E a função de multipropósito que tenta fazer a interação dos aspectos alimentares com outros objetivos públicos como lazer, cultura, etc.

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