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Como demonstraram Fischer (2007), Nascimento et al. (2009) e Azevedo e Guerra (s./d.), os dados produzidos pelos Conselhos Tutelares são bons indicadores das violações de direitos de crianças e adolescentes nos municípios, pois subsidiam as discussões, a elaboração e o redirecionamento de políticas públicas. No entanto, como asseveram os mesmos autores, nem todos os Conselhos possuem as condições estruturais e a capacitação necessárias à produção de informações e sua disseminação pela rede de proteção social.

Uma das ferramentas que aglutinam dados é o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (SIPIA), sob responsabilidade da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), i uladaà à P esid iaà daà ‘epú li a.à Oà “IPIáà pe iteà aà o ga izaç oà dasà aç esà dosà o selhei os ,àaoà es oàte poàe à ueàseà o stituiàe à i st u e toàdeàdiag sti o àpa aà os conselheiros ela o a e àu aà leitu aàdaàsituaç oàdaài f iaàeàdaàadoles iaà osà í eisà u i ipal,à estadualà eà fede al .à ássi ,à aà o stituiç oà desseà a ploà a oà deà dadosà pode à su sidia à osà o selhosàdeàdi eitosàeàosàgesto esàdasàt sàesfe as à aàela o aç oàdeàpolíti as públicas. (NASCIMENTO et al., 2009, p.166).

No entanto, como destacaram os sujeitos CTr 1 e CTr 2, o SIPIA ainda não havia sido alimentado pelos conselheiros da gestão 2007-2010. Mesmo assim, ressaltamos a afirmação do P-IJ na qual informa que, diante das demandas que chegam ao Conselho, o atendimento à população se converte em prioridade.

Em referidas demandas, o Conselho Tutelar de Uberaba classifica as violações de direitos de crianças e adolescentes em 32 categorias, como expõe o Quadro 4:

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Classificação das Violências

Abandono Abuso sexual Adolescente gestante

Adolescente mãe Agressão Ameaças

Assédio sexual Atentado violento ao pudor Ato infracional (crianças)

Atos libidinosos Carências Comportamento irregular

Conflitos familiares Crianças vigiando carros Dependência química

Drogadictos Espancamento Estupro

Evasão escolar Exploração sexual Fugas

Furtos Maus tratos Mendicância

Omissão Problemas escolares Prostituição

Registro irregular Situação de risco ou irregular Vadiagem Vagas em escolas ou creches Tentativa de suicídio

Quadro 4 – Classificação das violações de direitos pelo Conselho Tutelar de Uberaba (2.sem./2007 a 1.sem./2010)

Fonte: Dados consolidados do Conselho Tutelar de Uberaba.

A classificação elaborada pelo SIPIA, por sua vez, está organizada em 5 grandes categorias, referentes ao conjunto dos Direitos Fundamentais do ECA. Cada um dos conjuntos fora subdividido em tipologias de violação de direitos com o objetivo de promover uma homogeneidade das classificações pelos conselheiros, como demonstra o Quadro 5.

Art. do ECA Do 7º ao 14 Do 15 ao 18 Do 19 ao 52 Do 53 ao 59 Do 60 ao 69 Direitos Funda- mentais Do direito à vida e à saúde Do direito à liberdade, respeito e dignidade Do direito à convivência familiar Do direito à educação, cultura, esporte e lazer Do direito à profissional ização e proteção no trabalho 1 2 3 4 5 Ti p o d e v iol açã o A Não atendimen- to médico Aprisionamen- to Ausência de convívio familiar Impedimento de acesso ao ensino fundamental Exploração do trabalho de crianças e dolescen- tes B Atendimen- to médico deficiente

Violência física Ausência de condições materiais para o convívio familiar Impedimento de acesso ao ensino médio Condições adversas de trabalho C Ação ou omissão de agentes externos Violência psicológica Inadequação do convívio familiar Impedimento de permanência no sistema educacional Inobservân- cia da legislação trabalhista

VI Resultados e Discussão 159 Art. do ECA Do 7º ao 14 Do 15 ao 18 Do 19 ao 52 Do 53 ao 59 Do 60 ao 69 Direitos Funda- mentais Do direito à vida e à saúde Do direito à liberdade, respeito e dignidade Do direito à convivência familiar Do direito à educação, cultura, esporte e lazer Do direito à profissional ização e proteção no trabalho 1 2 3 4 5 D Práticas hospitala- res e ambu- latoriais irregulares Violência sexual Ausência de infra-estrutura Ausência ou impedimento de acesso à creche ou pré- escola Ausência de condições de formação e desenvolvi- mento E Irregulari- dade na garantia da alimenta- ção Discriminação Atos atentatórios ao exercício da cidadania F Atos atentatóri- os à vida Práticas institucionais irregulares G Atos atentatórios ao exercício da cidadania

Quadro 5 – Classificação dos Direitos Fundamentais no ECA em relação à tipologia do SIPIA. Fonte: Brasil, ECA, 1990; SIPIA, 2009.

Segundo o ECA, a primeira categorização do SIPIA corresponde aos direitos pelos quais o Estado é diretamente responsável, do mesmo modo como o é relativamente à educação e à profissionalização, em seu sentido mais amplo. Assim, garantir o direito à vida e à saúde, à educação e à profissionalização protegida seria possível por meio de políticas públicas que assegurassem as condições sociais, econômicas, políticas com essa finalidade.

A garantia do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade dirige-se às relações entre o Estado, a família e a comunidade. Ou seja, a rede de proteção configurada e estruturada intersetorialmente permite uma maior amplitude na garantia desse conjunto de direitos.

Por seu turno, os artigos 19 a 52 prescrevem as responsabilidades familiares que embora sejam muitas, a classificação do SIPIA as organiza sob cinco formas de violação. No entanto, sob o referencial dos determinantes sociais de saúde e da violência, verificamos que a precariedade ou ausência de alguns elementos como saneamento básico, escolas e

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serviços de saúde no território, impactam diretamente nas condições de vida de alguns grupos familiares. Fatores que, isolados ou em conjunto, restringem ou mesmo impedem que determinadas famílias garantam ou tenham garantido esse conjunto normativo.

O registro dos fatos comunicados no SIPIA esbarra, também, na tipologia elaborada pelo Conselho Tutelar. A complexidade reside, assim, nas muitas associações dos determinantes sociais da violência em suas naturezas física; psicológica; sexual; negligências, abandonos e privação de cuidados. (DAHLBERG; KRUG, 2006). Minayo (2009) acrescenta o

a usoàe o i oàeàfi a ei o .à MINáYO,à ,à -40).

Para tanto, sugerimos um cruzamento entre a classificação das violências elaborada pelo Conselho Tutelar em relação aos Direitos Fundamentais expostos no ECA e no SIPIA, como mostra o Quadro 6.

Artigos do ECA Violações classificadas pelo Conselho Tutelar de Uberaba Do 7 ao 14:

Do direito à vida e à saúde Adolescente mãe; Adolescente gestante; Drogadictos; Dependência química; Tentativa de suicídio Do 15 ao 18:

Do direito à liberdade, respeito e dignidade

Liberdade: Fugas

Respeito: Abuso sexual; Agressão; Ameaças; Assédio sexual; Atentado violento ao pudor; Atos libidinosos; Espancamento; Estupro;

Exploração sexual; Maus tratos; Omissão; Prostituição;

Dignidade: Crianças vigiando carros; Mendicância; Registro irregular; Vadiagem;

Do 19 ao 52:

Do direito à convivência familiar

Abandono; Carências; Conflitos familiares; Situação de risco; Situação irregular;

Do 53 ao 59:

Do direito à educação, cultura, esporte e lazer

Evasão escolar; Problemas escolares; Vagas em escolas ou creches

Do 60 ao 69: Do direito à

profissionalização e proteção no trabalho

Não há classificações do Conselho Tutelar que configurem violação desse direito

Do 103 ao 105:

Atos infracionais Ato infracional (crianças); Comportamento irregular; Furtos.

Quadro 6 – Classificação dos Direitos Fundamentais dispostos no ECA em relação ao Conselho Tutelar de Uberaba

Fonte: Adaptado de ECA, 1993; SIPIA-SEDH, 2010; Dados Consolidados do Conselho Tutelar, 2.sem./2007 a 1.sem./2010.

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Uma primeira observação na classificação do SIPIA sugeriu uma sobreposição de comunicações de fatos de violência contra a criança e ao adolescente em Uberaba. Ou seja, u aà aç oàouà o iss oàdeà age tesàe te os à pode iaàdese adea àdesdeà u aà g a idezà aà adoles iaàat àsituaç esàdeà adiage .àCo àissoà oà ue e osàdize à ueàaà lassifi aç oà do SIPIA é imprecisa em relação aos fatos que chegam ao Conselho Tutelar, mas, sobretudo, reafirmar as peculiaridades existentes no território urbano relativo às muitas violações que se apresentam ao Conselho.

Dito de outro modo: as manifestações da violência no território uberabense possuem suas especificidades sociais, territoriais, culturais, econômicas, políticas, urbanas dentre outras. Logo, O Quadro 3 demonstra a polissemia das violências classificadas pelo Conselho Tutelar em relação aos Direitos Fundamentais expostos no ECA e não na tipificação elaborada pelo SIPIA.

Numa outra observação verifi a osàaàe ist iaàdosà atosài f a io ais à o etidosà por crianças e adolescentes, como expressam os artigos 103 a 105, classificação que não foi exposta pelo SIPIA e que resulta no acionamento de muitos sujeitos coletivos da rede de proteção local, como o CREAS ou o Ministério Público, e os programas como o Liberdade Assistida e a Prestação de Serviços Comunitários.

Assim, quando nos voltamos, por exemplo, sobre os artigos 7º a 14, verificamos que a classificação do Conselho Tutelar abarca situações ímpares, ou seja, não se repetem nos demais Direitos Fundamentais como efeito primeiro, embora possam, certamente, desencadear outras violações de direitos. Como expõe o Quadro 7.

Direito Fundamental Violações classificadas pelo Conselho Tutelar de Uberaba

Artigos 7º a 14:

Do direito à vida e à saúde

Adolescente mãe; Adolescente gestante; Drogadictos; Dependência química; Tentativa de suicídio

Quadro 7 – Da violação ao Direito à vida e à saúde em relação à classificação do Conselho Tutelar Fonte: Adaptado de ECA, 1993; SIPIA-SEDH, 2010; Dados Consolidados do Conselho Tutelar, 2.sem./2007 a 1.sem./2010.

Refletir sobre os direitos à vida e à saúde consiste em compreender a vida como um processo, e, portanto, perceber que a violação dos demais direitos, em sua totalidade histórica e dialética, promove ou deprecia a saúde do ser humano em processo especial de

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desenvolvimento. A equipe do ILANUD expôs que a relevância desse Direito Fundamental - a saúde - esideàe à esgua da à ... àaàdig idadeàdaàpessoaàhu a aàdeà odoà ueàse àelesàoà ser humano não se realiza enquanto pessoa: não vive, não convive e nem sobrevive de fo aàdig a. à ILáNUD,à , s./p.).

No rol dos direitos fundamentais da criança e do adolescente expostos no artigo 227 da Constituição Brasileira, o direito à vida é o primeiro deles seguido do direito à saúde. Desse modo, se o direito à vida (concretizado no acesso às condições promotoras de saúde) não for assegurado pela família, sociedade ou pelo poder público (ECA, Art. 4º) nenhum dos demais direitos será garantido. Ainda que se formulem políticas sociais emergenciais ou focalistas com vistas à cura de doenças, seu impacto resolutivo será ínfimo diante dos determinantes sociais das violências.

Embora a nova redação18 doàa tigoà ºàdoàECáàp e ejaàaàga a tiaàdoà ate di e toà i teg alà àsaúde à oà“U“,àsegu doàasàdi et izesàdaàu i e salidadeàeàe uidade,àasà o diç esà sociais de iniquidades ainda vigoram em nossa sociedade.

Relativamente à classificação do SIPIA, em relação às fontes secundárias, não e ifi a osà ual ue à e ç oà aoà oà ate di e toà di o ,à aà p ti asà hospitala esà eà a ulato iaisài egula es àouàaà i egula idadeà aàga a tiaàdaàali e taç o .àáàaus iaàdeà comunicação das duas primeiras violações expostas pelo SIPIA não descarta a possibilidade de sua ocorrência na rede de saúde municipal, mas indica que o Conselho Tutelar não fora acionado como ente da rede de defesa de direitos ou, ainda, o Ministério Público, como integrante da rede de responsabilização. (VIANNA et al., 2008).

Por seu turno, comunicações de alimentação irregular também não tiveram egist o.àE o aàpossa osài fe i à ueàfatosà o oà fu tos ,à ia çasà igia doà a os àouàdeà e plo aç oà se ual à possa à se à oti adosà pelaà satisfaç oà dasà e essidades humanas mediadas pelo trabalho degradante e que, portanto, atenta contra a dignidade da criança e do adolescente.

Ao mesmo tempo, essas manifestações de violência no interior de grupos familiares dos territórios vulnerabilizados se acomodam e se tornam expressões comunicativas no i te io àdoàg upoàfa ilia ,àsejaà o oà o à eioàdeàedu a àosà e o es ,àsejaàpo à eioàdaà exploração sexual para fins comerciais como estratégia de colaboração no provimento

18 Dada pela Lei nº 11.185, de 7 de outubro de 2005.

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doméstico. (FERRIANI; GARBIN; RIBEIRO, 2004; NEVES, 2008). Cenários de violência que atentam contra os direitos à liberdade, ao respeito e à dignidade encontram-se expostos no Quadro 8.

Direitos Fundamentais Violações classificadas pelo Conselho Tutelar de Uberaba Artigos 15 a 18:

Do direito à liberdade, respeito e dignidade

Liberdade: Fugas

Respeito: Abuso sexual; Agressão; Ameaças; Assédio sexual; Atentado violento ao pudor; Atos libidinosos; Espancamento; Estupro;

Exploração sexual; Maus tratos; Omissão; Prostituição

Dignidade: Crianças vigiando carros; Mendicância; Registro irregular; Vadiagem

Quadro 8 – Da violação ao Direito à liberdade, respeito e dignidade em relação à classificação do Conselho Tutelar

Fonte: Adaptado de ECA, 1993; SIPIA-SEDH, 2010; Dados Consolidados do Conselho Tutelar, 2.sem./2007 a 1.sem./2010.

De acordo com o ECA, no artigo 15:

A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.

O Estatuto expõe que a liberdade, o respeito e a dignidade possuem duas p e ogati asàpa aà ueàseja àal oàdeàga a tia:à ia çasàeàadoles e tesàest oàe à p o essoà deà dese ol i e to à eà estasà s o sujeitosà deà di eitosà i is .à I i ial e te,à oà p o essoà deà desenvolvimento humano implica na efetivação de direitos sociais. Complementarmente, reconhecer este segmento social como sujeitos de direitos, pressupõe que, acima de tudo, eles são sujeitos desses mesmos direitos.

Dito de outro modo: ainda que esses mesmos sujeitos não superem as expressões da questão social nas quais estão imersos, estes devem ser reconhecidos pela rede de proteção social, ainda que abstrata e formalmente, como sujeitos desses mesmos direitos, também abstratos. Ou seja, só faz sentido considerar a falta de vagas nas escolas como violação de um direito na medida em que reconhecemos que essa expressão concreta da questão social ameace o desenvolvimento do sujeito, reconhecido abstratamente como tal. Do contrário, a falta de vagas nas escolas não seria uma expressão da questão social, e por não sê-lo, não afetaria o direito de crianças e adolescentes.

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Assim, o ECA conduz a liberdade para o ambiente doméstico e comunitário, sob a forma de serviços públicos, que pressupõe, segundo o artigo 16:

I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;

II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso;

IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;

V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI - participar da vida política, na forma da lei;

VII - buscar refúgio, auxílio e orientação

Essas prerrogativas seriam garantidas sob a forma de políticas púbicas de longo alcance, ou seja, que abarcassem a totalidade das condições de vida. Assim, o direito ao respeito consistiria na:

[...] inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. (ECA, Art. 17).

No entanto, o artigo 17, cotejado com o Quadro 3, revela que na cidade de Uberaba esse direito fundamental não tem encontrado espaço para se desenvolver.

As violências sexuais atentam contra o direito ao respeito da criança e da/do adolescente por impactar diretamente no seu desenvolvimento integral. O reconhecimento de tais violações às crianças e adolescentes significa, pois, seu reconhecimento como sujeitos de direitos. Em linhas gerais, esse reconhecimento em sua formalidade não depende diretamente da eficácia dos direitos, ou seja, a existência das muitas formas de violação que impactam na efetivação dos direitos do ECA decorre do reconhecimento de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. Por isso, reconhecer a condição de sujeito de direito não implica a superação das expressões da questão social. Assim é, por exemplo, quando nos referimos à violência sexual como forma de violação do direito ao respeito.

Segundo Suely Deslandes (1994), a violência sexual – e suas múltiplas manifestações – pode ser compreendida como:

[...] todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo agressor esteja em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou o adolescente com o intuito de estimulá-las sexualmente ou utilizá-las para obter satisfação sexual. (p.13)

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O Quadro 5 destaca a violência sexual como a que possui o maior número de variáveis para uma mesma classificação do ECA. Embora pareçam sinônimos de um mesmo fato – violência sexual – seus usos variam na intensidade e na intencionalidade. Por exemplo, o assédio sexual está mais para o exercício de pressão do adulto sobre a criança ou a/o adolescente de modo a pressioná-la/lo psicologicamente a fim de satisfazer a si mesmo. Esta pode configurar, ainda, a produção de atos libidinosos, nos quais figuram apologias ao prazer sexual. O abuso, por sua vez, configura o uso da força física para intimidar a criança e obter a satisfação dos desejos, compreensão que se dirige aos estupros e atentados violentos ao pudor.

ásàfo tesàse u d iasà oàt aze àaà iolaç oàso àaàfo aà deà ap isio a e to à ouà deà p ti asài stitu io aisài egula es ,à o oàe p essaàoà“IPIá.àEstaàúlti aà àdaà o pet iaà do Conselho sob a forma de visitas para averiguação das condições de ensino, da alimentação, da infraestrutura das entidades que acolhem os encaminhamentos do próprio Conselho Tutelar ou do Ministério Público.

Como apontamos acima, os direitos fundamentais se complementam para regrar o direito ao desenvolvimento integral; portanto, a não observância do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade impactam e fragilizam um outro direito fundamental: à convivência familiar, como destaca o Quadro 9:

Direitos Fundamentais Violações classificadas pelo Conselho Tutelar de Uberaba Artigos 19 a 52:

Do direito à convivência familiar

Abandono; Carências; Conflitos familiares; Situação de risco; Situação irregular

Quadro 9 - Da violação do direito à convivência familiar

Fonte: Adaptado de ECA, 1993; SIPIA-SEDH, 2010; Dados Consolidados do Conselho Tutelar, 2.sem./2007 a 1.sem./2010.

Como expusemos acima, a eficácia do direito requer, paradoxalmente, a superação das expressões da questão social, uma vez que não abala a contradição capital/trabalho. Dito de outro modo: requer a superação histórica de condições socais e programaticamente vulnerabilizantes. Os arranjos familiares inseridos em territórios vulnerabilizados necessitam acessar políticas públicas de amplo espectro para que possam garantir o direito fundamental ao convívio familiar. Assim, ter [...] direito a ser criado e educado no seio da sua família e,

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excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes, pressupõe a garantida à liberdade, ao respeito e à dignidade, e porque não dizer à vida e à saúde? (ECA, Art. 19).

E o aà oà a tigoà à afi eà ueà aà faltaà ouà aà a iaà deà e u sosà ate iaisà oà o stitua à oti oà sufi ie teà pa aà aà pe daà ouà aà suspe s oà doà pode à fa ilia ,à osà sujeitosà consideraram que os programas públicos de redistribuição de renda ou de inserção produtiva dos adultos contribuem com a redução do trabalho infantil e potencializariam a frequência escolar de crianças e adolescentes. Porém, qual seria a compreensão do SIPIA quanto a ausência do convívio familiar ou sua inadequação?

Por um lado, podemos inferir a permanência do padrão tradicional de família também denominada nuclear e que este, portanto, seria o modelo a ser seguido e (re)construído a partir das ações dos sujeitos coletivos da rede de proteção social. Por outro lado, os determinantes sociais promotores de violências e/ou de desagregação familiar permanecem inalterados, recolocando sobre esses mesmos arranjos uma grande parcela de responsabilidade sobre a manutenção dos vínculos familiares.

De modo a minimizar os efeitos da violência social sobre os arranjos familiares fragilizados pelas expressões da questão social é que o artigo 129 do ECA expõe a necessidade da efetiva política de proteção social básica; garantia do acesso, a frequência e ao aproveitamento escolar; do acesso aos serviços de saúde, inclusive para reabilitação quando do uso de drogas e álcool; ingresso em programas de geração de renda (Art. 129, incisos I a VI). Do contrário, as penalidades que recaem sobre a família seguem uma hierarquia que vai da advertência, por exemplo, pelo Conselho Tutelar, à destituição do poder familiar, pelo Poder Judiciário (Art. 129, incisos VII a X).

As prerrogativas legais consideram a família como co-responsável pela manutenção dos vínculos familiares para garantir e respeitar o desenvolvimento da criança e da/do adolescente. Porém, urge reconhecer que muitas dessas famílias foram violentadas antes de serem violentas com aqueles que estão sob sua responsabilidade.

áà aus iaàdeà o diç esà ate iaisàpa a oà o í ioàfa ilia àeà deài f a-est utu a à se reportam aos condicionantes econômicos, políticos e sociais que perpetuam condições de vida desiguais e as iniquidades, quando se trata do acesso aos bens e serviços para satisfação das necessidades humanas.

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Essas duas situações de violação de direitos e suas classificações congêneres oriundas do Conselho Tutelar de Uberaba – abandono; carências; conflitos familiares; situação de risco; situação irregular – vão de encontro à concretização dos direitos fundamentais referentes ao direito à educação, como demonstra o Quadro 10: