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Descreveremos brevemente os procedimentos utilizados na pesquisa do CFA 98/99, para entendimento das diferenças de metodologia entre aquela pesquisa e esta.

O Conselho Federal de Administração realiza periodicamente uma pesquisa junto aos administradores, denominada “Perfil, formação e oportunidade de trabalho do administrador profissional”. Utilizaremos a pesquisa de 98/99, publicada, entre outros lugares, em ANDRADE,CORREIA LIMA ET AL.(1999), e à qual, para facilidade,

denominaremos “pesquisa do CFA”.

O objetivo principal da pesquisa do CFA é levantar o “perfil” do administrador profissional brasileiro; entretanto, o termo “perfil”, na pesquisa do CFA, assume um sentido mais amplo, onde fazem parte, além de características profissiográficas, também características sócio-econômicas e organizacionais (cargo, salário etc.).

Não obstante, uma parte relevante da pesquisa do CFA é um perfil profissiográfico, que servirá como parte da validação de nosso perfil, em termos de conformidade com dados não utilizados em sua construção, conforme discutimos em nossa estratégia de validação.

A pesquisa do CFA contou com uma fase qualitativa, onde foram realizadas dinâmicas de grupo com Administradores profissionais (sete grupos), empregadores (nove grupos) e professores universitários (quatro grupos), em seis estados brasileiros (ES, MG, PA, PE, SC e SP). Nesta fase, entre outras informações, foram levantados atributos (“qualidades, competências ou atitudes”) considerados importantes no administrador profissional pelos grupos.

Os pesquisadores não tiveram o cuidado de precisar conceitualmente os tipos de atributos, de maneira que “qualidade”, “atitude” e “competência” seguiram o senso comum das palavras, o que traz imprecisão ao estudo, conforme se poderá observar pela própria lista de atributos levantados.

A seguir, na fase quantitativa, 783 administradores e 300 empregadores foram convidados, através de questionário quantitativo, a ordenar os atributos segundo sua ordem de importância.

O que significa que as diferentes fases da pesquisa do CFA geraram um único conjunto de atributos, com diferentes ênfases na importância relativa entre os atributos, na pesquisa quantitativa junto a administradores e empregadores.

Os 783 administradores formam uma amostra que é o resultado do retorno de questionários válidos frente ao envio de 4900 questionários, para nomes sorteados entre os 89500 administradores cadastrados no CFA.

Assim, ainda que pese o viés resultante da exigência de registro atualizado junto ao CFA, e a falta de reposição dos questionários não recebidos, podemos considerar essa amostra como aleatória.

Apesar dos atributos terem sido validados por amostra aleatória de 783 administradores profissionais, nossa análise de equivalência de atributos, na comparação entre os perfis, é qualitativa, e portanto subjetiva – o que deve ser levado em consideração na consideração dos percentuais apresentados no capítulo de validação.

No processo de análise, os atributos são colocados numa tabela computadorizada, acrescentando-se campos para classificação dos atributos em termos de nosso conceito de competência, nosso agrupamento de competências no perfil, e equivalência do atributo com algum atributo de nosso perfil.

Em seguida, cada atributo é classificado. Vide “Nota sobre a classificação de atributos de terceiros e a aceitação de atributos sugeridos”, no final deste Capítulo, sobre como a classificação foi efetuada.

O banco de dados resultante serve então à análise, feita com o auxílio do computador, através da aplicação de sucessivos “filtros” para seleção de tipos específicos de atributos a serem analisados. O software utilizado foi o Microsoft Excel.

São realizados dois testes, aos quais denominamos teste de cobertura e teste

de aderência.

No teste de cobertura, analisamos qual a cobertura que nosso perfil oferece em relação ao perfil da pesquisa do CFA – isto é, quanto dos atributos levantados pela pesquisa junto aos profissionais encontra atributos equivalentes em nosso perfil. O teste verifica a “nossa” cobertura. Neste teste, os atributos são comparados um a um – um atributo da pesquisa do CFA contra um atributo do perfil obtido pelo Método.

O teste de aderência verifica o inverso: qual a cobertura que o perfil da pesquisa do CFA oferece em relação ao nosso perfil.

Para este segundo teste, como nossos atributos obedecem a uma conceituação específica (são escritos em termos de competências de formação), a comparação é feita contra os nossos agrupamentos de atributos (e não os atributos individualmente) – isto é, verificamos se o atributo da pesquisa do CFA encontraria um agrupamento onde filiar-se em nosso perfil. Este artifício diminui a formalidade do teste, levando-o mais para o campo da análise de conteúdo.

b) Perfis profissiográficos de escolas de Administração diversas

Os 13 perfis utilizados na validação foram recolhidos ao longo dos dois anos de visitação às instituições de ensino no processo de avaliação de qualidade; junto a representantes destas instituições presentes nos encontros nacionais citados; e ainda junto a escolas internacionais através de visitas de colegas professores a elas.

O uso desse material nesta tese foi gentilmente permitido pelas instituições, exceto nos casos em que o documento era originalmente destinado ao uso público, quando então a solicitação não foi feita.

Para efeito de comparação, os atributos dos perfis sofreram uma padronização, que sempre é um processo subjetivo; por isso, e para efeito de confiabilidade, pode-se encontrar os atributos padronizados no Anexo D, e os textos originais das escolas no Apêndice 1, para que possam ser cotados por outros pesquisadores.

A comparação entre perfis e a decisão de equivalência entre atributos dos perfis (bem como a decisão de inadequação, e as outras classificações utilizadas) também é um processo qualitativo, e portanto subjetivo.

A subjetividade é ainda maior justamente pela falta de padronização e documentação na apresentação dos atributos dos perfis, causando ambigüidade na interpretação dos atributos (justamente os tipos de problemas que motivaram nossa pesquisa).

Novamente, para minimizar a subjetividade e fornecer confiabilidade e refutabilidade ao estudo, todas as tabelas utilizadas para comparação no processo de validação encontram-se nos Anexos.

Dado o número de informações envolvidas (a amostra resultou em 222 atributos das 13 escolas), a análise da amostra de perfis de escolas não poderia ter sido realizada sem o auxílio do computador.

O processo de análise dos atributos segue a mesma técnica utilizada para comparação com o perfil da pesquisa do CFA: os atributos são colocados numa tabela computadorizada, acrescentando-se campos para classificação dos atributos em termos de: escola; localização (capital/interior/exterior); Estado da federação (ou cidade estrangeira); classificação original do atributo; nosso conceito de competência; nosso agrupamento de competências no perfil; e equivalência do atributo com algum atributo de nosso perfil.

Em seguida, cada atributo é classificado. Os detalhes da classificação encontram-se no final do Capítulo, sob o título “Nota sobre a classificação de atributos de terceiros e a aceitação de atributos sugeridos”.

O banco de dados resultante serve então à análise, feita com o auxílio do computador, através da aplicação de sucessivos “filtros” para seleção de tipos específicos de atributos a serem analisados. O software utilizado foi o Microsoft Excel.

Da mesma maneira como foi feito na validação junto à pesquisa do CFA, realizamos dois testes: o teste de cobertura e o teste de aderência, ali descritos.

Deve-se levar em conta, nesta validação em particular, o problema “circular” que representa o fato de que os perfis utilizados na validação, elaborados por outros meios que não o Método que desejamos testar, sofrerem dos problemas que o Método justamente pretende resolver (apontados no Problema de Pesquisa), o que coloca limitações no grau em que aqueles perfis podem validar o perfil obtido pelo Método.