3.1. Difüzyon
3.2.1. Termo Reaktif Difüzyon (TRD) Yöntemi
As estratégias e ações do USP Recicla se dão a partir de três eixos articulados entre si: i) Educação Continuada; ii) Gestão compartilhada de resíduos e tecnologias; e iii) Comunicação e divulgação. Serão apresentados apenas os dois primeiros, pois estão mais diretamente ligados aos objetivos desta pesquisa.
A proposta de gestão do Programa busca compartilhar o poder e as
18
Os autores advertem sobre a inversão na aplicação do princípio dos 3Rs, na qual a reciclagem é priorizada em detrimento da redução e reutilização, que passam a ser meros complementos em programas educativos. Para esses autores, a reciclagem coaduna com o atual modelo de produção capitalista e não estimula questionamentos e reflexões acerca dos atuais padrões insustentáveis de consumo nem do consumismo. Layrargues (2002) aponta que diversos programas de educação ambiental são implementados de modo reducionista, já que, em função da reciclagem, desenvolvem apenas a coleta seletiva de lixo, em prejuízo de uma visão crítica e abrangente a respeito dos valores culturais da sociedade de consumo. Corroborando com o autor, Blauth, Leme e Sudan (2006, p.157) afirmam que “o discurso da reciclagem, desprovido de uma abordagem cuidadosa, tem legitimado o consumismo e proporcionado alívio na consciência da população, que mantém, agora mais tranqüila, sua produção de resíduos”.
responsabilidades entre os diretamente envolvidos no Programa, sendo organizada por diversas instâncias (USP RECICLA, 2007):
a) Conselho Acadêmico – responsável pelo respaldo institucional e pelo fortalecimento da interface com a sociedade, assim como pelo estabelecimento de diretrizes gerais do USP Recicla e pelo acompanhamento e avaliação das ações do Comitê Gestor. Formado pelos prefeitos dos campi da USP, um estudante de graduação da USP e representantes das Pró-Reitorias, do Gabinete do(a) Reitor(a) e do Departamento de Recursos Humanos.
b) Comitê Gestor – instância de planejamento do Programa, que subsidia o Conselho Acadêmico na definição de diretrizes gerais e na avaliação do Programa. É um agente de articulação entre as demais instâncias USP Recicla. Formado pelos coordenadores do USP Recicla nos campi, pelo dirigente da Agência de Inovação e por um representante dos educadores. Constitui-se também num espaço para trocas entre as diversas experiências vivenciadas nos campi.
c) Comissões Locais – realizam o planejamento das ações em cada campus em conjunto com as Comissões Internas (uma por campus da USP). São formadas por representantes de cada unidade (instituto, órgão, museu) onde o Programa USP Recicla está implantado, escolhidos pelas Comissões Internas de unidades.
d) Comissões Internas – são responsáveis pela implementação e operação do Programa nas unidades, considerando suas características específicas e as diretrizes definidas pelas demais instâncias USP Recicla. Estão presentes em cada unidade de ensino e pesquisa da USP e são formadas por professores, funcionários e estudantes.
e) Equipe técnica do USP Recicla – formada por cinco técnicos (em 2003, à época do curso estudado nesta pesquisa19) com dedicação exclusiva ao Programa (dois biólogos, dois geógrafos e uma engenheira florestal), é responsável pela operação técnica, educativa e administrativa do Programa. Conta com a colaboração de cerca de cinqüenta estudantes de graduação da USP (bolsistas, estagiários e voluntários com dedicação de cerca de dez a vinte horas/semana).
Na Figura 3 encontra-se a representação da estrutura organizacional do USP Recicla, na qual se visualiza a relação de cada unidade/Comissão Interna com
19 Atualmente (2008) a equipe continua com cinco técnicos, mas houve mudanças na formação: um dos
geógrafos mudou-se para outro setor na USP relacionado com Educação Ambiental e um biólogo se incorporou à equipe.
a Comissão do campus. Esta, por sua vez, participa do Comitê Gestor, planejando, avaliando e deliberando ações a serem desenvolvidas em cada campus. O Conselho Acadêmico, assim como a equipe técnica, atua diretamente com o Comitê Gestor, amparando-o institucional e tecnicamente. Os estudantes estão presentes em todos os campi, mas não estão diretamente relacionados a nenhuma das instâncias. De modo geral estão ligados a projetos desenvolvidos pelo USP Recicla em cada campus.
Figura 3: Representação da estrutura organizacional do USP Recicla Fonte: Adaptado de USP Recicla (2004)
Em 2003, atuavam nos seis campi da USP cerca de trezentas pessoas (entre estudantes, funcionários não docentes e docentes), envolvidas em trinta e oito Comissões do USP Recicla em suas unidades e órgãos (SORRENTINO et al., 2003).
A implantação do Programa nos setores da Universidade é gradual e envolve diversas etapas como:
docentes e servidores não-docentes;
b) caracterização interna da unidade, incluindo a realização de um diagnóstico dos resíduos produzidos, a coleta de informações acerca da comunidade local e o levantamento da infra-estrutura existente e a necessária para a implantação do Programa;
c) sensibilização, informação e incentivo à mobilização da comunidade interna por meio de ações educativas diversificadas, como palestras, ciclo de vídeos, oficinas temáticas e cursos;
d) implantação de ações de minimização de resíduos e coleta seletiva de recicláveis e
e) avaliação e monitoramento, que permitem revisão e realimentação das ações (SORRENTINO et al., 2003; USP RECICLA, 2007).
Ainda segundo a análise dos documentos do USP Recicla, sua proposta de organização e funcionamento está muito próxima do sistema de redes, formadas por nós e elos cuja capacidade está em organizar pessoas e instituições de forma igualitária e democrática em torno de um objetivo comum. Com isso, garante junto à comunidade a potencialização de diferentes vocações e especialidades através da informação e, principalmente, da produção do conhecimento por ela desenvolvido (SORRENTINO et al., 2003).
A implantação de ações em gestão compartilhada de resíduos tem sido objeto de avaliação da equipe do Programa, embora não haja resultados consolidados e publicados a esse respeito. Em uma das publicações sobre esse tema, a equipe assim define a experiência:
É um processo gradual de amadurecimento de relações e formas participativas de trabalho, que é inovador e inexistente no contexto das instituições universitárias e públicas. Por isso, considera-se importante retomar, com freqüência, questões avaliativas sobre as formas de trabalho educacional desenvolvidas pelo Programa e sobre quais espaços concretos necessitam ser criados, e promover constantes reflexões sobre o que é participação e emancipação de pessoas e grupos dentro da Universidade (SORRENTINO et al. 2003).