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6. ARAŞTIRMAYLA İLGİLİ TÜRKİYE’DE VE YURTDIŞINDA YAPILAN

3.2. PSİKOLOJİK İYİ OLMA, ŞÜKÜR VE DEMOGRAFİK ÖZELLİKLER

3.2.1. Psikolojik İyi Olma ile İlgili Bulgular

3.2.1.4. Psikolojik İyi Olma ve Ekonomik Gelir Düzeyi

Seguindo Benjamin, volta-se a análise a fenômenos relativos às mudanças ocorridas nas estruturas da percepção a partir do século XIX, com o surgimento da cidade grande. Em um torvelinho de transformações históricas, o foco se concentra em Paris, mais especificamente nas passagens, onde se encontra a origem do século XIX. As passagens, enquanto objetos de construção histórica, contêm in loco a forma de vida na cidade e as metamorfoses da percepção; são, portanto, na perspectiva aberta por Benjamin e aqui desenvolvida, um universo centrípeto que congrega as contradições de seu tempo, de sua pré e pós-história, dos acontecimentos precedentes e posteriores, ou seja, da sua formação ao seu declínio. Isto, todavia, não como um acontecimento histórico encerrado, mas como “fenômeno originário”, que se repete enquanto inacabado e que, por isso, se lança ao presente, refere-se ao presente, ou melhor, só pode ser compreendido no encontro com o presente. “O presente determina no objeto do passado o ponto onde divergem sua história anterior e sua história posterior, a fim de circunscrever seu núcleo.”511

As passagens são esse núcleo que agrega a história anterior e posterior, e que se desdobra nas formas arquitetônicas da cidade. Desse modo, nas passagens, a história da cidade como um todo pode ser encontrada de forma latente.

Do mesmo modo que o projeto das Passagens, como apresentação de uma constelação

510 BENJAMIN. GS V-1, p.572; Passagens, p. 501 [N 1, 11]. 511

histórica, procura apresentar um esboço descritivo da totalidade dos fenômenos do século XIX, as Exposés preparadas por Benjamin fornecem um esboço em miniatura de seu projeto. Assim, a história da cidade de Paris é narrada no primeiro Exposé (1935) do trabalho das

Passagens, que se divide em seis partes, apontando cada etapa de sua formação (construção e

destruição). No primeiro capítulo, intitulado “Fourier ou as passagens”, Benjamin cita um

Guia ilustrado de Paris do ano de 1852, que descreve a cidade e as atrações em torno do

Sena, em especial as novas construções da época:

“Estas passagens, uma recente invenção do luxo industrial, são galerias cobertas de vidro e

com paredes revestidas de mármore, que atravessam quarteirões inteiros, cujos proprietários se uniram para esse tipo de especulação. Em ambos os lados dessas galerias, que recebem a luz do alto, alinham-se as lojas mais elegantes, de modo que tal passagem é uma cidade, um mundo em miniatura.”512

No ano de 1840 havia em Paris cerca de uma centena de passagens, quase ao ponto de realizar a utopia de Fourier, de haver “uma cidade feita de passagens”513

. A passagem, que concentra a forma da cidade, do mundo de sua época, é uma construção ambivalente, uma imagem ambígua: é ao mesmo tempo casa e rua, mundo interior e exterior. Por um lado, “[n]a passagem, mais do que em qualquer outro lugar, a rua se apresenta como o intérieur mobiliado e habitado pelas massas.”514

Por outro lado, o interior torna-se rua para o indivíduo que atravessa a passagem: o flâneur, cujo caminhar lento e contemplativo, contrapõe-se ao ritmo acelerado e distraído da multidão. E através da multidão, a cidade é para o flâneur “ora paisagem, ora sala acolhedora”515

. Estes dois personagens que co-habitam as galerias – a multidão e o flâneur – são complementares, e a partir de olhares opostos ocupam o mesmo espaço.516 Esses pares antitéticos – familiaridade e estranheza, recolhimento e dispersão,

512 BENJAMIN. Passagens, p.40. [Itálico acrescido] 513 BENJAMIN. Passagens, p.42.

514 BENJAMIN. Passagens, p.468 [M 3a, 4]. 515

BENJAMIN. Passagens, p.47.

516 Tom Gunning observa que a oposição espacial reflete-se nas formas de percepção: “a oposição entre rua e

intérieur não forma uma simples dicotomia; a significância da arcada encontra-se parcialmente em sua incorporação simultânea de ambos aspectos de sua contradição aparente. Um desenvolvimento dialético dessa contradição espacial precisa desdobrar-se através de sua ótica: tanto o exame minucioso do detetive [– o flâneur

interioridade e exterioridade –, são polarizados e concentrados nas passagens, que se desdobram em outras formas arquitetônicas da época: primeiramente no intérieur, depois, em seu processo de exteriorização, no art nouveau, e por fim, na arquitetura de vidro, em que interior e exterior (aparentemente) não se distinguem.

Em sua investigação da origem da cidade, Benjamin aponta duas condições históricas para o surgimento das passagens: primeiro, a alta do comércio têxtil – atrelada ao desenvolvimento da moda –, segundo, a utilização do ferro nas construções – precedida pelo uso nos trilhos das locomotivas. Inicialmente, emprega-se o ferro em “construções que serviam para fins transitórios. Simultaneamente, amplia-se o campo arquitetônico de aplicação do vidro”517

. Estes dois materiais artificiais que são utilizados para a cobertura das passagens tornam-se os principais elementos da arquitetura que irá se desenvolver posteriormente,518 e contêm significativamente a característica do habitar moderno: a transitoriedade. De acordo com Buck-Morss, “Benjamin percebeu que essas construções eram conectadas com a transitoriedade em ambos os sentidos de espaço (como as estações de trem, lugares de trânsito) e tempo (como as galerias para as exposições internacionais, desmontadas depois do fechamento).”519

Como desdobramento e, em certo sentido, ampliação das galerias, surgem as exposições internacionais da indústria, onde cada país-sede do encontro se torna o “centro de peregrinação ao fetiche mercadoria”520

. A primeira exposição internacional, de 1851, na Inglaterra, destaca-se por ter abrigado uma construção que irá marcar o desenvolvimento da arquitetura: o Palácio de Cristal. Não se tratava apenas de uma cobertura de ferro e vidro,

–] quanto um processo de desorientação da reflexão [– a multidão].” GUNNING, Tom. “The Exterior as

Intérieur: Benjamin’s Optical Detective”. In: Boundary 2, Duke University Press, Volume 30, Number 1, Spring 2003, p.110.

517

BENJAMIN. Passagens, p. 40.

518As “passagens foram o primeiro estilo internacional da arquitetura moderna.” BUCK-MORSS. Dialética do

olhar, p.66.

519 BUCK-MORSS. Dialética do olhar, p.166. 520

como nas passagens, mas toda sua estrutura foi erguida com esses materiais. Uma casa de vidro521, tal qual se mostrará como uma utopia no início do século seguinte, contém a imagem que vincula a mais nova invenção a um tempo arcaico, ao mundo das plantas, em uma palavra, ao mundo mítico, i.e., à visão da história como natureza. “A origem de toda arquitetura de ferro e vidro da época de hoje é a estufa”, diz Meyer, e Benjamin comenta: “É estranho como a passagem, assim como este mundo, está ligado, em sua origem, à vida das plantas.”522

Para Benjamin, esta relação ambígua entre o presente e o passado, entre o novo e o antigo, entre o orgânico e o inorgânico, entre a vida e a morte, caracteriza a modernidade, que é idêntica à antiguidade em sua transitoriedade e obsolescência. Mas quando as passagens começam a se tornar antigas, antiquadas, no início do século XX, quando se tornam ruínas, é que podem ser percebidos os vestígios de seu tempo. “As arcadas, ou passagens, que, no século XIX, foram a morada dos primeiros mundos de sonho de consumo, apareceram no século XX como cemitérios mercadológicos, encerrando a recusa de um passado descartado.”523

Deste modo, na relação dialética que caracteriza a passagem, está dada a condição para que a história se apresente como ruína, como fóssil que conserva os rastros dos habitantes.