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6. ARAŞTIRMAYLA İLGİLİ TÜRKİYE’DE VE YURTDIŞINDA YAPILAN

3.2. PSİKOLOJİK İYİ OLMA, ŞÜKÜR VE DEMOGRAFİK ÖZELLİKLER

3.2.1. Psikolojik İyi Olma ile İlgili Bulgular

3.2.1.5. Psikolojik İyi Olma ve Algılanan Akademik Başarı Düzeyi

A fossilização dos objetos e das formas de percepção, em suma, dos hábitos dos habitantes, torna-se notória na arquitetura burguesa do intérieur, do início do século XIX, quando surgem contrapostos a multidão e o indivíduo privado. Pela primeira vez, a moradia opõe-se ao local de trabalho, a vida privada à pública; há um afastamento da vida social e a

521Benjamin diz em seu ensaio sobre o Surrealismo: “Viver numa casa de vidro é uma atitude revolucionária par

excellence.” BENJAMIN. GS II-1, p.298; OE I, p.24.

522 BENJAMIN. GS V-1, p.221; Passagens, p.197 [F 4, 1]. 523

casa torna-se o refúgio do homem isolado. Essa arquitetura caracteriza-se pelo aumento da decoração e diminuição do espaço habitável, lugar em que o indivíduo cerca-se de objetos de conforto524 nos quais procura resguardar seus rastros do apagamento paulatino na multidão. Neste ambiente, o habitante cria para si um universo fechado, particular, rodeado de objetos afetivos, transfigurados de suas funções úteis.

O intérieur não apenas é o universo, mas também o invólucro do homem privado. Habitar significa deixar rastros. No intérieur esses rastros são acentuados. Inventam-se colchas e protetores, caixas e estojos em profusão, nos quais se imprimem os rastros dos objetos de uso mais cotidiano. Também os rastros do morador ficam impressos no intérieur.525

Rastro, traço, vestígio, pista (Spur), é a presença de uma ausência ou ausência de uma presença, “é a aparição de uma proximidade, por mais longínquo esteja aquilo que o deixou”526

. Como marca do passado no presente, no rastro está contida a possibilidade da história, i.e., da memória e também do esquecimento. O vestígio é a marca de um objeto cuja existência temporária, passageira, perdura impressa em um lugar. Assim, “o vestígio, como testemunho material de algum objeto ausente, sinaliza tanto a perda deste objeto quanto a possibilidade de sua evocação”527

. Porém, é preciso haver a distância, o desaparecimento do objeto, restar apenas o traço de sua efemeridade, para que possa ser lembrado, rastreado pelo historiador. Neste sentido, o rastro é resto, resíduo.

No intérieur, do mesmo modo que para cada objeto há um estojo próprio, a casa é o estojo do homem privado. A forma deste envoltório é idêntica à forma de seu conteúdo. Cada objeto, cada mobília, cada aresta da casa encaixa-se perfeitamente a cada gesto, cada movimento, condicionando e acomodando a repetição ordinária do hábito: um processo de

habituação condicionado pela habitação.528 Além dos rastros dos objetos, são conservados

524“O conforto isola”, diz Benjamin, in: OE III, p.124. 525 BENJAMIN. Passagens, p.46. [Itálicos acrescidos] 526

BENJAMIN. GS V-1, p.560; Passagens, p.490 [M 16a, 4].

527OTTE, Georg. “Rememoração e citação em Walter Benjamin”. In: Revista de estudos de literatura. Belo

Horizonte, v.4, p. 211-213, outubro 1996, p.216.

528 “Nos interiores burgueses do século dezenove, os forros (mobiliário, acessórios) ofereciam uma

ainda os gestos do habitante, de modo que as coisas mais fugazes são conservadas, e “a moradia se torna uma espécie de casulo [...], protegendo e resguardando o seu rastro assim como a natureza guarda um fóssil no granito.”529

Esse tipo de habitação sofre um abalo no fim do século XIX com o art nouveau (Jugendstil ou modern style), que começa a se utilizar das novas técnicas de construção com ferro e vidro, porém, estilizando-as. “O Jugendstil é o estilo estilizante por excelência.”530 Em certo sentido, o art noveau leva às últimas consequências o ideal do intérieur ao tornar a casa expressão da personalidade de seu morador, não apenas internamente, em seus cômodos, mas também em seu exterior, na fachada. Imprime sobre a matéria artificial formas naturais, faz do ferro ornamentos florais, da técnica um meio artístico, o que, segundo Benjamin, “representa a última tentativa de fuga da arte sitiada pela técnica em sua torre de marfim.”531

Há uma apropriação das novas técnicas de construção de modo artificioso: “A tentativa reacionária de retirar formas condicionadas pela técnica de seu contexto funcional e transformá-las em constantes naturais – ou seja, estilizá-las”532 – é a característica marcante do Jugendstil, que parte da oposição arte-técnica e procura produzir um síntese falsa. Ao disfarçar o inorgânico de orgânico, o art nouveau realiza uma estilização da técnica e uma artificialização do organismo: a infertilidade aparece, segundo Benjamin, como seu tema predileto.533 A casa não guarda apenas a impressão de seu morador, mas torna-se a expressão de seu isolamento. Se o

intérieur representa o invólucro do homem privado, guardando seus rastros internamente, o art nouveau é o invólucro que guarda não apenas os rastros interiores, mas cuja forma exterior

privatizado de fantasia que funcionava como um escudo protetor para os sentidos e as sensibilidades desta nova classe dirigente.” BUCK-MORSS. “Estética e Anestética: o ‘Ensaio sobre a Obra de Arte’ de Walter Benjamin

reconsiderado”. Trad. Rafael Lopes Azize. In: Travessia, n.33, UFSC, ago.-dez.1996, p.27. 529 BENJAMIN. Obras Escolhidas III, p.75. [Doravante citado como OE III]

530 BENJAMIN. GS V-2, p.691; Passagens, p.599 [S 8, 2].

531 BENJAMIN. Passagens, p.46. “A função do ornamento, segundo Benjamin, era, em última instância,

esterilizar a técnica, de tal modo que ela deixasse de ser uma ameaça e servisse, cada vez mais, a esse processo

de autodestruição de seus pretensos poderes.” CHAVES, Ernani. “Der zweite Versuch der Kunst, sich mit der Technik auseinanderzusetzen: Walter Benjamin e o Jugendstil”. In: Artefilosofia 6, p.59.

532 BENJAMIN. GS V-2, p.693; Passagens, p.600 [S 8a, 7]. 533

também demarca sua forma de habitar. Todavia, esses rastros são deixados não em caixas de veludo, mas no ferro fundido e estilizado. Pode-se dizer, com isso, que no art nouveau há uma redefinição – habitar significa forjar rastros. Essa ambivalência, de um interior que se exterioriza, representa um passo para fora, uma abertura para o mundo externo, uma passagem para a cidade.