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Efetivamente, o sistema de telefonia móvel só começou a existir no Brasil a partir de 1990, quando a Telebrás reservou de seu total investido nas Telecomunicações 2,9% para esse fim. Para a ANATEL, os serviços móveis de comunicação englobam o Serviço Móvel Celular – SMC, o Serviço Móvel Global por Satélite – SMGS e o Serviço Móvel Especializado – SME, popularmente conhecido por paging (BRASIL, 1993) .

A ANATEL, conforme relatório das Perspectivas para Ampliação e Modernização do Setor de Telecomunicações no Brasil, PASTE (BRASIL, 2000), definiu o serviço móvel celular na sua fase de implantação como sendo:

"serviço de telecomunicações móvel terrestre, aberto à correspondência pública, que se utiliza de um sistema de radiocomunicações, com técnica celular, interconectado à rede pública de telecomunicações, e acessado por meio de terminais portáteis, transportáveis ou veiculares, de uso individual" (BRASIL, 2000).

Esse serviço se dá por meio da interligação dos aparelhos celulares ou estações móveis que se comunicam entre si por meio de ondas de rádio que passam por estações centrais denominadas ERB – Estação Rádio-Base, interligadas entre si e à rede pública

de telecomunicações pelas CCC – Centrais de Comutação e Controle. É esse conjunto que se denomina célula de comunicação, conforme demonstra a FIG. 2.

Figura <SEQ> - Componentes Básicos da Rede de Telefonia Celular. Fonte: ANATEL De acordo com o relatório PASTE da ANATEL (2000), apesar de ter sido implantado no Brasil em 1990, em 1994, existiam apenas 800 mil usuários de telefonia celular, sendo que, em 1997, somente as empresas do grupo Telebrás e quatro das empresas independentes o exploravam. Em 1997, com a denominada licitação da banda B, tem-se uma primeira divisão de mercado para entrada de novas operadoras, conforme a FIG. 3.

STFC Registro de Usuários Locais Registro de Visitantes Rede de Acesso Inter-CCC Rede de Acesso Inter-CCC Gateway Switch CCC CCC Backbone De Transito STFC Registro de Usuários Locais Registro de Visitantes Rede de Acesso Inter-CCC Rede de Acesso Inter-CCC Gateway Switch CCC CCC Backbone De Transito

Figura <SEQ> - Áreas de prestação de SMC no Brasil para a Banda B. Fonte: Norma Geral de Telecomunicações NGT nº 20/96

As regiões acima foram leiloadas com uma resposta considerada pelo governo de enorme sucesso, conforme se observa pelos ágios alcançados no leilão e que podem

Tabela 6

Empresas vencedoras da licitação da Banda B no Brasil. Região Descrição Empresa Vencedora V a l o r Pago Ágio 01 Região Metropolitana de São Paulo

BCP (Santabel, Safracom, Verbier, OESP, RBS, BSB Splice do Brasil e

Bell South)

R$2,646 Bilhões

341,25%

02 Interior de São Paulo Tess (Tella, Telinvestimentos, Primav Construções, Eriline Celular e

Lightel) R$1,326 Bilhões 121,15% 03 Rio de Janeiro e Espírito Santo

ATL (Lightel, SK Telecom e Construtora Queiroz Galvão)

R$1,508 Bilhões

201,78%

04 Minas Gerais Maxitel (STET, Vicunha e UGB) R $ 5 2 0 Milhões

30% 05 Paraná e Santa

Catarina

Global Telecom (Suzano, Inepar, Motorola, DDI e Global Telecom)

R$773,9 Milhões

134,5%

06 Rio Grande do Sul Telet (Bell Canada, Telesystem International, Internationa Equity Investment, BBI, Operate, Forpart e

fundos de pensão)

R$334,5 Milhões

1,36%

07 Goiás, Tocantins, Mato Grosso, mato

Grosso do Sul, Rondônia, Acre e

Distrito Federal

Americel (Bell Canadá, Telesystem International, International Equity Investments, BBI, Operate, Forpart e

fundos de pensão) R$338,8 Milhões 25,37% 08 Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão e Roraima

Tele Centro Oeste/Inepar ( Tele Centro oeste Celular Participações e Inepar sociedade Anônima Indústria e

Construção) R $ 6 0 , 6 Milhões Sem preço mínimo estabelecido

09 Bahia e Sergipe Maxitel (STET, Vicunha e U G B ) R $ 2 5 0 Milhões

8,7% 10 Piauí, Ceará, Rio

Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e

Alagoas

BSE ( Bombshell, Verbier, OESP, Splice do Brasil e Bell South)

R$555,6 Milhões

141,55%

Fonte: Adaptado da Revista da ANATEL, Edição Especial de 1998

Tabela <SEQ> - Empresas vencedoras da licitação da Banda B no Brasil.

O total arrecadado com o leilão dessas dez regiões alcançou a cifra de 8 bilhões e trezentos e treze milhões de reais, graças a um ágio médio de 111,74% sobre os preços mínimos estabelecidos pelo governo.

O governo brasileiro, à semelhança do modelo americano, optou por definir modelos de concorrência duopolística para o início da disponibilização do serviço de telefonia móvel no país, por meio das chamadas banda A e banda B. Na década de 80, os Estados Unidos, por meio de seu órgão regulador, o FCC – Federal Communications Commission, dividiu o país em 305 mercados com limites geográficos coincidentes aos definidos pelos SMSA´s – Standard Metropolitan Statistical Áreas , autorizando a operação em cada área de duas empresas de telefonia móvel.

Foi assim então, que se estabeleceu a condição de duopólio no mercado de telefonia celular, tendo de um lado as empresas coligadas do sistema Telebrás, e do outro as empresas vencedoras da licitação da Banda B. Dando continuidade a esse processo de competição duopolista, houve um processo de cisão, tanto nas empresas do sistema Telebrás como nas quatro operadoras independentes, que já operavam no Brasil, e que deu origem às empresas operadoras de telefonia móvel da chamada banda A. Em 1999, já havia no Brasil quarenta e duas empresas operadoras desse serviço, conforme pode-se observar no QUADRO 04, ainda em sistema de operação de regime duopolista.

Com a entrada das empresas vencedoras da licitação, o quadro de empresas prestadoras se reconfigura conforme demonstrado no QUADRO 04. Observe-se que, em algumas regiões, ocorre a presença de outras prestadoras, como nas áreas de abrangência de 1 a 7. Permanece, no entanto a situação de duopólio, já que essas outras prestadoras têm territórios de atuação definidos e que não são concorrentes com as prestadoras da Banda A.

Quadro 4

Mapa das Prestadoras de Serviço de Telefonia Móvel em dez/1999. Prestadoras De Serviço Móvel Celular

Área De Abrangência

Banda A Banda B

Prestadora Empresas Privatizadas Outra Prestadora

Holding Prestadora

1 Telesp Celular

Participações S/ATELESP Celular S/A

BCP S/A

2 Ceterp Celular S/A Tess S/A

Ctbc Telecom Celular S/A 3

Tele Sudeste

Participaçõe S/A TELEREJ Celular S / A TELEST Celular S/A

A T L Alstar Telecom Leste S / A 4 Telemig Celular Participações

S / A TELEMIG Celular S/A

CTBC Telecom Celular S/A Maxitel S/A 5 Telecelular Sul Participações S/A TELEPAR Celular S / a TELESC Celular S/A

SERCOMTEL Celular S/A

Global Telecom S/A

6 CTMR Celular S / A CRT Celular S/A TELET S/A

7

Tele Centro Oeste Celular Participações S/A TELEACRE Celular S / A TELEBRASÍLIA Celular S / A TELEGOIÁS Celular S / A TELEMAT Celular S / A TELEMS Celular S / A TELRON Celular S/A

CTBC Telecom Celular S/A AMERICEL S/A 8 Telenorte Celular Participações S/A TELEAIMA Celular S / A TELEAMAZON Celular S / A TELEAMAPA Celular S / A TELEPARÁ Celular S / A TELMA Celular S/A

Norte Brasil Telecom S/A

9 Tele Leste Celular Participações S/A

TELEBAHIA Celular S / A TELERGIPE Celular S/A

MAXITEL S/A 10 Tele Nordeste Celular Participações S/A TELASA Celular S / A TELECEARÁ Celular S / A TELEPISA Celular S / A TELERN Celular S / A TELPA Celular S / A TELPE Celular S/A

BSE S/A

Fonte: ANATEL (2000).

Quadro <SEQ> Mapa das Prestadoras de Serviço de Telefonia Móvel em dez/1999.

de crescimento tanto em função de sua pouca oferta, que criou uma demanda reprimida como pelo fato de estar no estágio inicial de entrada no mercado. A FIG. 3 apresenta os índices comparativos de crescimento da utilização do serviço de telefonia móvel de Minas Gerais em relação ao Brasil.

Figura <SEQ> - Gráfico de Evolução do Crescimento de Utilização de Serviço Móvel Celular de Minas Gerais, Região Sudeste e Brasil. Fonte: Adaptado de ANATEL (2000).

Evolução do ìndice de Crescimento de Acessos Celulares

0,0% 50,0% 100,0% 150,0% 200,0% 250,0% 300,0% 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Brasil Região Sudeste Minas Gerais

Apesar de alguns saltos de crescimento em Minas Gerais, como se observa na TAB. 08, em relação aos anos de 1996 e 1997, os mesmos viriam a ser compensados pelo índice de 1998, mantendo assim, um índice de crescimento de acessos por telefonia celular no estado, em sintonia com o país e a região sudeste, que, ainda assim, se mantêm em patamares superiores a 100% ao ano.

Tabela 8

Índice de Crescimento de Acessos no SMC.

Região Em milhares de Acesso

1994 1995 1996 1997 1998 1999 Média Acumulada Brasil 755,2 1.416,50 2.744,50 4.550,20 7.368,20 15.032,70 100,0% 187,6% 193,8% 165,8% 161,9% 204,0% 182,6% Região Sudeste 433,9 703 1.265,00 2.441,40 4.131,40 8.682,60 100,0% 162,0% 179,9% 193,0% 169,2% 210,2% 182,9% Minas Gerais 57,6 109,2 262,8 511 559,6 1.137,80 100,0% 189,6% 240,7% 194,4% 109,5% 203,3% 187,5% Fonte: Adaptado de ANATEL (2000)

Tabela <SEQ> - Índice de Crescimento de Acessos no SMC.

Conforme demonstra a FIG. 4, o modelo de competição na telefonia móvel consistia em duopólios regionais de bandas A e B.

Figura <SEQ>-Competição das bandas A e B (Fonte: ANATEL)

Esse modelo foi alterado para a inserção das bandas C, D e E como consta na FIG. 5, onde se percebe criação de três regiões distintas em cada banda:

Figura <SEQ> - Modelo de Competição das bandas C, D e E (Fonte: ANATEL)

Benzer Belgeler